A conveniente amnésia de Alckmin: quem é mesmo Temer?

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O PSDB foi chave para a queda de Dilma, a ascensão de Temer e para a manutenção do governo recordista em rejeição. Agora candidato, Alckmin repete o apóstolo Pedro e nega uma, duas, três vezes ter feito parte do governo Temer

Geraldo Alckmin não é doido – Cabo Daciolo, o homem que revelou a Ursal e virou o candidato-meme, corre nessa raia. Nenhum surto de memória também explica sua súbita revelação: o candidato do PSDB à Presidência disse nesta quinta 13 que seu partido não tem “nada a ver” com o governo Michel Temer. Foi isso mesmo que você leu. Os tucanos não tiveram nenhuma responsabilidade, segundo o simpatizante da Opus Dei, na administração que arrombou o país. Ele ainda classificou a gestão do presidente cujo nome nem se recorda de “muito ruim”. Alckmin não bateu a cabeça, exceto nas pesquisas eleitorais, onde cada fica mais evidente que, além de não conseguir tirar votos do capitão Bolsonaro, magnetiza parte da feroz rejeição ao governo que apoia desde o golpe parlamentar de 2016 – o que alguns ainda chamam de impeachment, da mesma forma que muitos militares ainda chamam candidamente a ditadura de regime militar.

Aliás, minto. O PSDB de Alckmin e Aécio Neves, candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, em 2014, estiveram juntos com o PMDB de Temer e Eduardo Cunha desde a engenharia da pauta bomba que inviabilizou o governo Dilma Rousseff no Congresso. Desde o primeiro momento. Integrando a equipe ministerial de Temer, do qual ainda faz parte, com o porteiro do Itamaraty, Aloysio Nunes Ferreira, que substituiu o deprimido José Serra. Além de Bruno Araújo, que foi ministro das Cidades, e Antônio Imbassahy, chefe da Secretaria de Governo, com gabinete dentro do Palácio do Planalto. Outro “executivo tucano” que prestou relevantes serviços foi Pedro Parente, que presidiu a Petrobras na liquidação do Pré-Sal. É possível ir mais longe. O PSDB não fez e faz parte do governo Temer, ele é a própria definição do governo Temer. Alckmin pode sapatear que não mudará esse fato: ele é tão Temer quanto o candidato oficial do PMDB, Henrique Meirelles.

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Ao tomar posse, e nomear seus ministros, no sinistro ano de 2016, Temer e Aécio fazia questão de demonstrar intimidade e a importância de sua aliança. Com Temer em desgraça, e Aécio reduzido a candidato a deputado federal, o presidenciável Alckmin diz que foi contra a participação do PSDB no governo surgido após o golpe parlamentar.

O episódio amnésico de Alckmin, em sabatina no Globo, é recentíssimo. Em julho passado, em entrevista ao programa É da Coisa, de Reinaldo Azevedo, na rádio Band News, Alckmin disse o contrário. Azevedo perguntou a Alckmin se os tucanos tinham “se comportado bem” com o Planalto. Também indagou se o tucano não enfrentaria a fama de ser um “candidato do B” do governo Temer, mas sem contar com o horário de TV e com a base do MDB. Era um fato. E restou a Alckmin admitir, justificando a aliança como necessária para assegurar a governabilidade. “(O PSDB) votou na crise grave que o país estava. Entendeu —e foi perfeitamente constitucional— o impeachment. Tendo votado o impeachment, teve responsabilidade com o novo governo. Não precisa participar, ter ministro A, B, C ou D”, disse o presidenciável, que também preside a legenda. Em campanha, Alckmin diz agora que, inclusive, foi contra a participação do partido na gestão Temer.

Espera-se para breve uma declaração de Alckmin informando que nunca viu Aécio mais gordo e renegando o “legado” FHC.

Leia também “Nem Poste, nem Mito”

 

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