Cheirinho de golpe: Bolsonaro inventa fraude tramada por Lula e alerta militares contra Haddad

“Se você quiser eleger Bolsonaro, aproveite, porque deve ser seu último voto. Depois da última semana, não há mais dúvida de que o plano dos bolsonaristas é dar um golpe. Golpe mesmo, golpe raiz, não esses golpes Nutella de hoje em dia”.
Trecho do artigo “Os bolsonaristas querem dar um golpe”, de Celso Rocha de Barros, na Folha de S.Paulo, 17/09

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Bolsonaro gravou dois vídeos no domingo, um deles caminhando no Albert Einstein e outro, no leito, onde mostrou delírios e mandou recados. Disse que Lula planeja um golpe nas urnas eletrônicas para eleger Haddad, que anistiaria o ex-presidente e o nomearia ministro. Recado à militância e aos indecisos para evitar o voto útil. E recado aos militares, para não aceitar a posse de Haddad.

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, precisa conversar com alguém. Não, o general Hamilton Mourão não adianta – seria pior. Nem os filhos. Nem o senador Magno Malta, nem o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, nem o Levy Fidélix, que fazem parte da bolha de puxa-sacos e interesseiros de plantão. De repente um psiquiatra da unidade de terapia semi-intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein, onde está internado desde que recebeu uma facada no dia 06 de setembro. Bolsonaro está em surto. Surto golpista. Uma tese muito aceita na neurociência defende a importância de falar sobre dores emocionais e como essa prática é fundamental para superar traumas. O candidato da direita e do mercado, que há tempos causa repúdio em parte expressiva da sociedade por suas ideias fascistas, desenvolveu uma fixação nas urnas eletrônicas que, de desconfiança, tornaram-se certeza de que o país caminha para uma fraude eleitoral. Não adiantaram as palavras tranquilizadoras na manhã desta segunda, 17, do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de que as urnas eletrônicas, utilizadas desde as eleições municipais de 1997, são “totalmente confiáveis” e a lembrança que o próprio Bolsonaro já foi reeleito deputado, com expressiva votação, por meio desse equipamento. Claro, sempre existe a hipótese de que, ao contrário de um estresse pós-traumático, Bolsonaro, Mourão e cia estejam simplesmente preparando o dia seguinte para uma cada vez mais possível eleição do petista Fernando Haddad.

Se Tasso Jereissati e seu PSDB hoje se arrependem de terem questionado o resultado eleitoral de 2018, um “erro memorável”, segundo admitiu ao Estadão (Leia aqui), Bolsonaro e os companheiros de coturno e mercado podem estar ensaiando algo mais grave: a não aceitação de uma eleição de Haddad e um golpe civil-militar de fato. Um artigo contundente do doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, Celso Rocha de Barros, na Folha de S.Paulo, intitulado “Os bolsonaristas querem dar um golpe” (Leia Aqui), coloca com todas as letras “o que andam suspirando pelas alcovas”, como cantou Chico Buarque (Para desopilar, ouça aqui esse vídeo de 1987, com Chico e Milton Nascimento). Segundo Celso, aproveitando-se do país dividido, dos nervos dilacerados e do asco trombeteado contra a política, pretende-se, caso a eleição seja perdida, aplicar o truque que está na página 1 do manual do ditador. “O plano dos bolsonaristas é pegar a sua raiva contra tudo que está aí e apontá-la contra a democracia. Sem democracia, governar volta a ser fácil, porque o governo nunca mais vai ter que se importar com você ou sua rede social”, escreve.

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Bolsonaro, mandando recado aos quartéis: “Meus amigos das Forças Armadas, quem será o ministro da Defesa (de Haddad)? Sei que tenho o apoio de vocês.”.

Na noite deste domingo, 16, Jair Bolsonaro fez uma grave transmissão ao vivo, via Facebook. Falou por ininterruptos – e intermináveis – 18 minutos, fazendo um visível esforço físico para passar a mensagem que julgava indispensável (Assista aqui). Teve 640 mil acessos – até este momento. “Se coloquem no lugar do presidiário (Lula) que está lá em Curitiba”, afirmou o candidato-capitão. “Com toda sua popularidade, sua possível riqueza, seu tráfego junto a ditaduras do mundo todo, especial em Cuba. Você aceitaria passivamente, bovinamente, ir para a cadeia? Se você não tentou fugir, é obviamente porque tem um plano B.” Bolsonaro então fez uma acusação atípica em campanhas eleitorais. “Não consigo pensar em outra coisa senão o plano B se materializar numa fraude. Temos eleições agora” Ou seja, Bolsonaro acusou Lula e o PT, sem qualquer prova, de planejarem um golpe, o que, por essa lógica doente, tornaria a eleição de Haddad inadmissível.

Até chorou – talvez imaginando derreter o coração das eleitoras femininas, que, numa magnífica campanha pela internet, criaram há duas semanas o grupo ‘Mulheres contra Bolsonaro’, com mais de 2 milhões de participantes. No sábado, 15, o grupo foi hackeado e virou “Mulheres com Bolsonaro #17”. O Facebook teve que intervir e trancar a porta. A hashtag #EleNunca já foi compartilhada mais de 20 mil vezes no Twitter (outra hastag #meubolsominionsecreto), que ironiza as contradições dos direitistas, é o líder atual no Twitter Trend for Brazil.

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Um vídeo de 18 minutos, no leito da unidade de terapia semi-intensiva do hospital, gravado com visível sofrimento físico, para insuflar a população contra o PT e criar uma estapafúrdia e infundada teoria da conspiração.

Mais cedo, Bolsonaro já havia aparecido em outro vídeo distribuído pelas redes, caminhando pelos corredores do Hospital Albert Einstein (Veja aqui), com 500 mil visualizações. “No palanque do Einstein, dois Bolsonaros: o que anda e prova força faz graça; o que é frágil e chora agride a essência do regime democrático”, escreveu o colunista Reinaldo Azevedo, da Folha de S.Paulo e Band. O jornalista Mauro Lopes, editor do Brasil 247, escreveu (Leia aqui) sobre os vídeos e concorda que ele traçou o roteiro do golpe, estabelecido pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, há uma semana, ao questionar “a legitimidade” das eleições (Leia Aqui). “O golpe está em preparação nas nossas fuças”, farejou Mauro Lopes.

Mais do que uma possível estratégia política para combater o provável rival no segundo turno, e evitar o voto útil pró-Haddad desde já, criando um clima de medo, Bolsonaro, se não for um caso clínico, deveria ganhar uma camisa-de-força – metaforicamente falando. Ele e Mourão devem agradecer a frouxidão da Justiça Eleitoral. Em um país sério, não seriam mais candidatos.

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