Atrás de doações, MBL oferece até jantar com Kataguiri, Val e Holiday

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Fugindo do ostracismo, Kim Kataguiri, que quer a primeira vaga de deputado federal do MBL, e Arthur “Mamãefalei” do Val, que tenta uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, são alguns dos 16 candidatos do movimento nas eleições de outubro. (Obs. Os números dos candidatos foram retirados porque este blog não faz propaganda de grupo ativista de direita)

Este não está sendo um bom ano para o MBL, sigla do Movimento Brasil Livre, que há dois meses sofreu um baque na reputação, e nas contas, quando o Facebook, de olho na rede de fake news e perfis enganosos montada pelo grupo ativista de direita, retirou do ar quase 200 páginas administrada por seus membros. O grupo vem definhando desde o fim dos protestos em 2016, com apoio financeiro de grupos empresariais e partidos como PMDB, PSDB e Solidariedade (Leia matéria do UOL), que ajudaram a criar um clima artificial de clamor popular pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, tão falso quando o Pato da Fiesp – que, aliás, virou um sapo. O MBL, cuja especialidade é atacar o PT e as esquerdas, também ficou órfão de seus candidatos presidenciais, o último deles o dono das lojas Riachuelo, Flávio Rocha (PRB), que desistiu da corrida ao Planalto, deixando o MBL com a broxa na mão. Antes, o movimento, que quer uma vaga para Kataguiri na Câmara e pelo menos reeleger Fernando Holiday vereador – no total, oito concorrerão a uma vaga na Câmara dos Deputados, sete para as Assembleias Legislativas e uma em chapa majoritária, como vice-governador (Leia na Folha) – flertou com o Livres, então um braço do PSL, ensaiou uma aliança com o Partido Novo do milionário João Amoêdo – o que provocou um racha interno – e terminou nos braços do DEM e do PSDB, onde se concentra a maior parte de seus candidatos. Ou seja, estão sem candidato presidencial para o segundo turno.  Ou não.

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Em post recente nas redes sociais, o MBL dá pista de quem vai apoiar no segundo turno. Alguma dúvida?

Mas a preocupação imediata dessa juventude liberal é grana.  Até porque não se sabe até quando os caridosos irmãos Koch – Charles e David Koch, bilionários americanos que financiam movimentos conservadores de direita pelo mundo-, vão continuar pingando seus dólares. Os Koch são gente muito solidária com determinadas causas, como financiar comunicadores ligados ao Tea Party, cientistas que insistem que a mudança climática é um fenômeno natural e até a National Rifle Association (NRA), que dispensa apresentações. Os Koch, porém, querem ginetes. E o MBL é um pangaré em crise.

Assinaturas, claro, são formas democráticas de arrecadar para um movimento, partido ou veículo alternativo de comunicação. O que chama a atenção nos pacotes oferecidos pelo MBL são os valores, os nomes e, claro, as vantagens.

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O MBL decidiu criar um plano novo de adesão, o quinto combo que oferece em seu site, e aumentar de três para cinco as doações únicas (à direita). Até recentemente, eram quatro combos e três possíveis doações (à esquerda). O novo combo, “Rolo Compressor”, que pode ser assinado por módicos R$ 1.000, traz uma vantagem única: um jantar com os líderes do MBL, gente como Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Artur do Val.

Recentemente, o MBL decidiu criar um plano novo de adesão, o quinto combo que oferece em seu site, e aumentar de três para cinco as doações únicas. O novo combo foi batizado de “Rolo Compressor”, que pode ser assinado por módicos R$ 1.000. Por mês. Oferece tudo o que o até então plano mais vantajoso oferecia – o “Exterminador (!) de Pelegos”, R$ 500 por mês -, com uma vantagem única: um jantar com os líderes do MBL, gente como Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Artur do Val. Não fica claro quem paga a conta.

Além disso, oferece 10% de desconto na loja MBL (o que inclui camisetas – uma delas, com a inscrição “Lugar de Mulher é no Tanque”, e no verso a foto de um tanque de guerra -, pixulecos com Lula presidiário, canecas, jaquetas e meias e toalhas de academia – afinal, o membro do MBL cuida de sua forma), kit anual de produtos, convites para “eventos exclusivos” e “pimbas” ilimitados. Explique-se: “Pimba” – que em algumas regiões do país significa “bilau” – é o direito de ter seu comentários lido no “MBL News”, o canal do grupo no Youtube, espaço livre para julgamentos preconceituosos e piadas fascistas. Ou seja, o MBL comercializa em seu pacote de adesões comentários em seu “telejornal”.

Há ainda os planos “Agente da CIA”, o mais em conta, “Irmãos Koch”, justa homenagem aos mecenas, e “Mão Invisível”, bem sugestivo. As doações únicas podem ir de R$ 50 a R$ 1.500. Até o meio do ano, a doação mais cara era de R$ 300. Mas a inflação está aí para todos. Na lojinha do MBL há um apelo sintomático. “Não deixe o MBL acabar, compre nossos produtos”. Recentemente, passaram a aceitar doações em BTC, ou bitcoins. Tudo pela causa.

 

3 comentários em “Atrás de doações, MBL oferece até jantar com Kataguiri, Val e Holiday

      1. Foi difícil achar esse blog, demorei quase 30 dias…rs. Perguntei por lá sobre sua ausência, mas nao responderam. De qualquer forma sucesso e continue sendo uma gota de sensatez nesse mar de sandice que está o jornalismoo brasileiro.

        Curtido por 2 pessoas

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