Capas das semanais varia entre ameaça de golpe e o extremismo da campanha

As principais revistas semanais brasileiras caminham, acreditam muitos analistas, para o cadafalso. Perderam não apenas tiragem e leitores, mas relevância, importância, consistência, sobriedade e, em alguns casos, compostura. Não souberam se reinventar. Tornaram-se, você sabe quais, apenas linha de transmissão de grupos empresariais e/ou políticos. Mas sou de uma geração que inevitavelmente chega no final de semana curioso – no caso, na sexta, já que todas passaram a rodar mais cedo por economia: qual vai ser a capa de Veja, IstoÉ, Carta Capital e Época, para citar as referências mais óbvias. CrusoÉ, do mesmo grupo do Antagonista, tem surpreendido, mas confesso que ainda tento controlar a minha resistência. Época virou uma espécie de suplemento do Globo. Veja foi uma das poucas sobras da derrocada da Abril.

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Esta semana, a capa mais non sense fica com Veja, que resolve fazer um especial de 50 anos – 1968-2018 -lembrando que “Veja nasceu da ditadura, floresceu na democracia – e chega a cinco décadas de vida pronta para continuar a zelar pelo regime das liberdades”. Imaginar Veja como zeladora não deixa de ser uma imagem interessante. Uma coisa meio bedel da esquerda. A edição, como não podia deixar de ser, é constrangedora – para Veja. Ao garimpar sua história – entre fotos e reportagens – mostra o que a revista já foi e o que virou.

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IstoÉ faz a capa mau humor da semana. Divide sua capa entre metade da cara de Lula (representando o PT, pois imagina-se que a revista saiba que o candidato é Fernando Haddad) e metade da cara de Bolsonaro e pergunta: “Quem é o mais odiado?”. E completa, com seus tradicionais subtítulos palavrosos (tome fôlego): “A polarização entre o antilulopetismo e o antibolsonarismo dá o tom da eleição dos extremos e da irracionalidade. No fim, deve ganhar o menos rejeitado”. Com um lustre de imparcialidade, o que a revista faz é ignorar Haddad, tirando-o da capa, e, subliminarmente, sugerir uma terceira via. Só faltou escrever o nome, que sabemos qual é.

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Época segue em sua sequência de capas com os presidenciáveis, sempre com fotos em close e títulos engraçadinhos. “O Regra-Três – Ciro Gomes entre o antipetismo e o antibolsonarismo”, diz a capa da revista de sexta do jornal O Globo. Haddad era “O candidato obediente – A campanha de Haddad no coração do lulismo”, com uma foto do petista com um chapéu de Lampião. Numa das capas mais bizarras, Marina foi descrita como “A candidata do silêncio – A estratégia de Marina Silva para chegar à Presidência”. A foto mostra Marina de costas.

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Finalmente, Carta Capital flerta com o humor ao colocar um fantasminha de filme B (uma toalha com buracos nos olhos e boca) com um quepe militar (minha ignorância não me permitiu identificar a origem do quepe, mas não me pareceu do Exército brasileiro – peço ajuda aos internautas) com o título “O despertar do velho fantasma – A maioria do Exército abraça Bolsonaro. Ameaças fardadas à democracia pairam no ar”.

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