#Elenão #Elenunca

A poucos dias das eleições, o país assistiu neste sábado, 29, a grandes manifestações nas principais cidades brasileiras – de brasileiras e brasileiros anônimos (o que a mídia prefere chamar de “militantes” quando lhe convém) -, com forte concentração no Rio, na Cinelândia, e em São Paulo, no Largo do Batata, entre outras praças e avenidas pelo Brasil -, de protesto contra a candidatura fascista de Jair “Só vale se eu ganhar” Bolsonaro. O movimento, chamado de #EleNão – mas pode chamar de #EleNunca que vale -, foi convocado pelas redes sociais e liderado por mulheres inconformadas com a misoginia, o machismo, o ódio e o preconceito disseminados pela dupla fardada Bolsonaro-Mourão. Não espere uma cobertura isenta da “grande” mídia, da cobertura dos prédios, segura e com vista panorâmica – prefira as redes sociais e os flagrantes espontâneos -, e se prepare para ler que os bolsoninions “também fizeram passeatas” por umas tantas cidades, onde era possível ouvir até as lesmas rastejando. Até o último balanço, as manifestações haviam tomado as ruas de pelo menos 114 cidades – mas pode crer que foi mais do que isso.

“Ao reunir dezenas de milhares, #EleNão provoca maior manifestação liderada só por mulheres no Brasil mas é quase ignorado na tevê”, escreveu o jornalista José Roberto de Toledo. Vale a leitura.

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No Rio, cidadãos contra o fascista Bolsonaro lotam a Cinelândia, no Centro, e gatos pingados vestem camisa da CBF e gritam por mais rotas Rio-Miami no Posto 5 #Elenão #Elenunca. Reprodução/Redes Sociais
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Largo do Batata, em Sampa. A cidade que rejeita Alckmin e Doria é uma das esperanças do PT de pulverizar os eleitores entre os sensatos e os que apostam no caos. #Elenão #Elenunca. Reprodução/Redes Sociais
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Visão do protesto na orla de Salvador. A cantora Daniela Mercury puxou um mini-trio elétrico em apoio ao #EleNão. Uma das artistas mais engajadas do movimento, ela ainda discursou contra o candidato do PSL à Presidência.#Elenão #Elenunca. Reprodução/Redes Sociais

Manifestantes protestaram também em diversas cidades ao redor do mundo – Alemanha, França, Suíça, Itália, Portugal e Estados Unidos e em mais 63 cidades em 20 países, como na Cidade do Cabo (África do Sul), Berlim (Alemanha), Buenos Aires (Argentina) e Londres (Reino Unido) -, seguindo campanha #EleNão no Facebook que já reúne 3,8 milhões de mulheres e muitos homens (Veja).

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#EleNão global: cerca de 300 pessoas compareceram à manifestação contra Bolsonaro no Emmeline Pankhurst Statue, um dos cartões postais de Londres – o que se repetiu em dezenas de cidades pelo mundo, como  como Nova York, Londres, Lisboa, Barcelona e Cidade do México. Reprodução/Redes Sociais

A alta de Bolsonaro, ou melhor, o primeiro contato do fascista com o mundo rea, também ocupou espaço na mídia. Após receber alta do Hospital Albert Einstein, o candidato à Presidência embarcou no início da tarde em um avião comercial – como não dou essa sorte… – com destino ao Rio de Janeiro. Durante o voo, manifestantes gritavam “presidente” e “mito”, enquanto outros gritavam “fascista” e “lixo”. Passageiros seguiram gritando “fascista” contra o candidato (Assista aqui e aqui). Lembrem-se, avião, classe média, concentração coxinha… (Vale lembrar alguns dados do Datafolha).

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Bolsonaro causa confusão na volta pra casa. Passageiros tiveram que ser deslocados de lugar, no voo da Gol, e ouviu-se gritos de “mito” e “fascista”. País dividido até em um voo comercial.

Duas pessoas se retiraram do voo: uma por achar que o avião não teria segurança, citando a morte do ex-governador pernambucano Eduardo Campos durante a campanha eleitoral de 2014, e outra por não admitir voar com Bolsonaro. O voo 1036, da Gol, registrou um atraso de cerca de 20 minutos na decolagem por causa da presença de Bolsonaro, que não marcou lugar especial, o que exigiu deslocar um passageiro. Comissários de bordo e policiais federais que, por lei, acompanham presidenciáveis durante a campanha, tiveram dificuldade para convencer passageiros a trocar de lugar para que o candidato e sua equipe ficassem juntos perto da cabine do piloto. Segundo passageiros, o candidato foi o último a entrar no avião da companhia Gol e o primeiro a sair. Carros com agentes da Polícia Federal esperavam o candidato ainda no pista de desembarque do aeroporto.

Uma senhora que brigou com comissários de bordo para não deixar sua poltrona, na segunda fileira, passou a comemorar e gritar que ficaria até “na cozinha” para que Bolsonaro entrasse no avião. Poderia ter sido colocada no compartimento de cargas, entre as malas mais pesadas.

Esse é Bolsonaro, esse é o Brasil.

 

 

4 comentários em “#Elenão #Elenunca

  1. Ricardo, desde ontem, feliz por ter lhe encontrado nesta blogosfera!! Sou de raros comentários, mas cheguei a perguntar a Helena sobre vc nos Divergentes. Apesar de sua curta passagem por lá, fez falta e muitos, como eu, devem estar lhe procurando. Faça divulgação em outros sites progressistas de notícias, pois cheguei a vc pelo 247. Boa sorte em seu blog.

    Curtido por 1 pessoa

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