Não acredito em bruxas, golpes e Bolsonaro – mas eles existem

“Estou voltando com muito mais gás do que quando aconteceu o episódio”.
Jair Bolsonaro, sem trocadilhos, que segue internado pelo menos até o fim de semana e sonha participar de algum debate em um provável segundo turno.

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“Não posso falar pelos comandantes militares, respeito todos eles. Pelo que vejo nas ruas, não aceito resultado diferente da minha eleição.” Jair Bolsonaro convoca o golpe, e cita os chefes militares, em entrevista em seu quarto no hospital Albert Einstein, em São Paulo, a José Luiz Datena, do programa de televisão Brasil Urgente, da TV Band – a Band de Boechat, de Mitre, que se prestou a isso.

Em outubro de 2014, encerrada a votação que consagraria Dilma Rousseff presidente reeleita do Brasil, Aécio Neves, ainda movido por uma chama ética, falou sobre a sua derrota cercado de correligionários e puxa-sacos. É sempre interessante relembrar as palavras de Aécio logo após o pleito de 2014 (Reveja o insuspeito boletim eleitoral da Globo). “Combati o bom combate”, disse. Em novembro, falava em “oposição incansável e intransigente”. Logo depois, o mineiro e seu partido mudariam a estratégia, pediriam recontagem dos votos e anunciariam uma auditoria – que concluiu que não houve fraude. Era só uma senha. Em dezembro, Aécio diria à Globo que não foi derrotado por um partido político, e sim por uma “organização criminosa”. Olha a Lava Jato aí, gente! – Lula está preso e Aécio soltinho, só para lembrar. O PSDB, como reconheceu Tasso Jereissati recentemente, ainda paga o preço de não aceitar o resultado do pleito de 2014, trabalhar para derrubar Dilma, boicotando-a no Congresso, e depois apoiar o governo Temer. Dia 28 de setembro, quase outubro de 2018. Bolsonaro, projeto de ditador, incentiva o golpismo ao perceber que vai para o segundo turno com o petista Fernando Haddad, em desvantagem – ele decai, o adversário arranca.

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Outubro de 2014. Aécio Neves fala sobre a sua derrota para Dilma Rousseff nas eleições para presidente do Brasil. “Combati o bom combate”, disse. Logo depois, o mineiro e seu partido mudariam a estratégia, pediriam recontagem dos votos e anunciariam uma auditoria – que concluiu que não houve fraude. Foi pouco. O PSDB, como reconheceu Tasso Jereissati, ainda paga o preço de não aceitar o resultado do pleito de 2014, trabalhar para derrubar Dilma, boicotando-a no Congresso, e depois apoiar o governo Temer. Reprodução/TV Globo.

“Não aceito resultado diferente da minha eleição”, afirmou Bolsonaro, “mito” do PSL, em entrevista em seu quarto no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde está internado desde o começo do mês. O entrevistador, escolhido a dedo, foi José Luiz Datena, do programa de televisão Brasil Urgente, da TV Band – a Band de Boechat, de Mitre, que se prestou a isso (Assista se tiver estômago). Bolsonaro deveria ter tido alta, não teve. Nada melhor que, diante do vice boquirroto e da capa de Veja, corroendo sua reputação e sua candidatura, inventasse um “Bolsonaro na UTI Exclusivo”. Bolsonaro é o Aécio hoje, só que com clarevidência e apoio militar. Não por acaso citou os “comandantes militares” como testemunhas – praticamente avalistas – de sua candidatura. A irresponsabilidade disso é tão grave que transforma o mal perdedor Aécio numa freira carmelita descalça. Não aceitar o resultado das urnas, e convocar os militares em sua defesa, é um escancarado apelo pela não aceitação do resultado legítimo das urnas, consequentemente da reação golpista. Se isso não tiver uma reação à altura, inclusive da Justiça Eleitoral, estaremos todos não apenas desmoralizados, mas perdidos. Preparem-se porque o pior pode estar por vir. E isso não é história de bruxa.

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Eduardo Bolsonaro, filho do mito”, entrevista o juiz Eduardo Luiz Rocha Cubas, do Juizado Especial Federal Cível de Formosa (GO), que pretendia conceder uma liminar em uma ação popular que questiona a segurança e a credibilidade das urnas. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou temporariamente o juiz de suas funções porque pretendia – leia duas vezes – determinar que o Exército recolhesse urnas eletrônicas na véspera das eleições. Youtube/Reprodução

Uma nota de rodapé – só força de expressão – que mostra a gravidade da situação. Nesta sexta, 28, à noite, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou temporariamente das funções um juiz que, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), pretendia determinar que o Exército recolhesse urnas eletrônicas na véspera das eleições. De acordo com a AGU, o juiz Eduardo Luiz Rocha Cubas, do Juizado Especial Federal Cível de Formosa (GO), pretendia conceder uma liminar em uma ação popular que questiona a segurança e a credibilidade das urnas. Há poucos dias, o tal juizeco de Formosa deu uma “entrevista”  sobre candidaturas avulsas ao filho de Jair Bolsonaro, Eduardo. Cubas falava na condição de presidente da Unajuf – União Nacional dos Juízes Federais – que, pasmem, colocou em seu site uma nota de solidariedade a Bolsonaro (Leia) e defendeu, numa campanha chamada “Por um Brasil Melhor”, candidaturas “não políticas e partidárias” e sim “candidaturas cívicas”.

Acredita em bruxas agora?

2 comentários em “Não acredito em bruxas, golpes e Bolsonaro – mas eles existem

  1. Bruxas existem, e Bolsonaro é uma delas, uma ameaça real à democracia. Aécio questionou o resultado de 2014 apenas para encher o saco segundo ele próprio. Agora é diferente, e o TSE e o STF precisam responder à altura. Não foram “corajosos” para prender um candidato com 40% de intenções de votos? Então agora mostre que essas “instituições” funcionam.

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