1984 + Fahrenheit 451: Bolsonaro prega macartismo, incentiva dedo-durismo e elege professores como alvos

A “Escola sem partido” defendida pela capitão eleito, seu séquito de generais robôs, economistas toscos e por aquela parte de eleitores zumbis que acha que escola, professor, livros e pensamento livre são coisas de comunistas, evoluiu para a “Escola Macartista”, onde os “soldados” do fascismo começam a marchar, mostrando que, além de provavelmente montar uma baita rede de informações, como o SNI da ditadura, Bolsonaro estimulará o voluntarismo antidemocrático, o serviço sujo de informantes, nos moldes da ditadura, provavelmente com o apoio do MBL. “A orientação que dou a toda a garotada do Brasil: vamos filmar o que acontece nas salas de aula e divulgar”, pregou Bolsonaro nas redes sociais, incentivando o dedo-durismo típico dos regimes de exceção. Os professores parecem ser o primeiro alvo de Bolsonaro, que pode ter como ministro da Educação um dos generais de pijama de seu time medíocre de futuros ministros, o fardado Aléssio Ribeiro Souto, que defende a revisão bibliográfica e curricular para evitar o “ensino partidarizado” e acredita no revisionismo da ditadura de 1964, para amacia-la em uma revolução contra o comunismo. O incentivo à intimidação foi refletida essa semana pela deputada estadual eleita por Santa Catarina, a ruiva Ana Caroline Campagnolo (PSL), que divulgou nas redes sociais um comunicado pedindo que estudantes catarinenses gravem e denunciem manifestações político-partidárias. 1984 + Fahrenheit 451.

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O ditador eleito grava vídeo – dirigido a um aluno de Serra (ES) – para pedir que alunos filmem os professores em sala de aula e os delatem. “Entre um contato conosco, tenho uma surpresinha para esses professores”, ameaçou. Está fazendo “escola”. A deputada estadual eleita por Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo (PSL) – na foto com um bastão escrito “Direitos Humanos”, pediu o monitoramento de professores e incentivou nas redes sociais um comunicado pedindo para que estudantes catarinenses gravem e denunciem manifestações político-partidária.

Nesse caso, houve reação e o Ministério Público de Santa Catarina vai investigar a conduta da aprendiz de reaça que se propôs até a criar um disque-professores comunistas.  Esfregaram na cara da fascista de primeiro mandato – e que mora num apartamento do Minha Casa, Minha Vida (pausa para gargalhar) – um abaixo-assinado de mais de 200 mil assinaturas com uma petição para impugná-la. Em nota, os sindicatos representantes dos trabalhadores em educação das redes pública e privada municipal, estadual e federal do Estado de Santa Catarina classificaram o comunicado da ‘louca do PSL’ como ameaça e ataque à liberdade de ensinar do professor. Segundo os sindicatos, isso “é tipicamente aplicado em regimes de autoritarismo e censura”. Agentes infiltrados nas universidades e o incentivo ao dedo-durismo foram marcas da ditadura, principalmente nas universidades, então focos de resistência. Eram os chamados “elementos de segurança”, muitos expostos em meio aos documentos já desclassificados da ditadura militar, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional.

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A foto de um homem identificado apenas como “elemento de segurança” chama a atenção em meio aos documentos já desclassificados da ditadura militar, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional. Pode ser uma das raras imagens identificadas pela própria ditadura sobre um tipo muito comum na época, que muitos prejuízos causaram à comunidade universitária do país: os agentes infiltrados nas universidades, responsáveis por dedurar estudantes e professores que militavam contra o regime. O dedo-durismo está voltando.

Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), em todo o país, professores já têm sofrido ameaças. A orientação do sindicato é que os docentes que passarem por situação de constrangimento e ameaças mantenham a tranquilidade e reúnam o máximo de evidências e provas das situações e copiem os conteúdos caso as ameaças tenham sido feitas por meio de redes sociais. Os professores devem procurar a seção sindical local para que as medidas cabíveis sejam tomadas. Em nota, a Anistia Internacional diz que crescem no Brasil os relatos de professores em escolas e em universidades que têm sofrido pressões indevidas, coerções e intimidações.

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Celso de Mello mostra que o STF, de tantas lambanças, percebeu que agora deve ser um dique de contenção ao fascismo e de garantia à liberdade de pensamento. “O pluralismo político que legitima livre circulação de ideias é um dos fundamentos do estado democrático de direito, diz a Constituição da República.” STF veta ação policial nas universidades.

Ah, a maioria do STF – que, quem diria, está se tornando um dique de contenção dos abusos- confirmou decisão que suspendeu ações policiais em campus. Universidades públicas de ao menos nove estados brasileiros foram alvos de operações autorizadas por juízes eleitorais na semana passada. As ações aconteceram para averiguar denúncias de campanhas político-partidárias que estariam acontecendo dentro das universidades.

Já no Congresso, outra vitória. Deputados da oposição conseguiram impedir que a comissão especial discutisse o projeto de lei Escola Sem Partido. Apenas oito parlamentares registraram presença, impedindo que houvesse quórum. O projeto, cujo objetivo é “não cooptar os alunos para nenhuma corrente política, ideológica ou partidária”, estava esquecido e foi agendado de última hora após a eleição do Coiso. Na atual redação, fica também proibido o ensino sobre questões de gênero ou orientação sexual. Até o fim do mês, o STF deve julgar propostas de Escola Sem Partido. A tendência é de que sejam consideradas inconstitucionais, segundo a bem informada Monica Bergamo, na Folha.

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A mediocridade de nomes cotados para o futuro ministério do ditador eleito: deputado Onyx “Caixa 2” Lorenzoni, Casa Civil; general da reserva Augusto “Fora Direitos Humanos” Heleno, na Defesa; o tenente-coronel da reserva Marcos “Fui Astronauta” Pontes, na Ciência e Tecnologia; general Aléssio “Queimem livros” Ribeiro Souto, que pode ir parar na Educação; o economista Paulo “Posto Ipiranga” Guedes, na Economia; Gustavo “Fake News” Bebianno, presidente do PSL, que pode ir para a Secretaria-Geral da Presidência; Presidente da União Democrática Ruralista, o pecuarista Luiz “fora MST” Antônio Nabhan Garcia, para a Agricultura; o juiz federal Sérgio “Lava Jato e prende Lula” Moro, que pode ser o xerife de um superministério da Justiça e Segurança Pública, mandando na Polícia Federal; e Magno “Sinhozinho Malta Gospel”, que perdeu a vaga no Senado e terá uma boquinha no governo.

Bolsonaro segue montando seu ministério medíocre, formado, pelos nomes anunciados até agora, por generais linha-dura, pecuaristas e religiosos reacionários, economistas medíocres e toda a hora de múmias que, com a vitória do Coiso, saiu de seus sarcófagos. Dois deles já conseguiram bater de frente, o deputado Onyx “Caixa 2” Lorenzoni, cotado para a Casa Civil, e o camelô de estatais Paulo “Posto Ipiranga” Guedes, vaga certa na pasta da Economia. O pomo da discórdia, a polêmica reforma da Previdência. “(Onyx) Está dizendo que não tem pressa na Previdência”, se queixou Guedes. “Aí o mercado cai. É político falando de economia. É a mesma coisa que eu sair falando de política.” Guedes precisa urgentemente ir a um spa e ser massageado com pedras onyx, muito usadas para sessões terapêuticas e de cura energética. Também devem estar na Esplanada o general da reserva Augusto “Fora Direitos Humanos” Heleno, na Defesa; o tenente-coronel da reserva Marcos “Fui Astronauta” Pontes, na Ciência e Tecnologia; Gustavo “Fake News” Bebianno, presidente do PSL, que pode ir para a Secretaria-Geral da Presidência; o “novo Caiado” Luiz “fora MST” Antônio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista, para a Agricultura; o juiz federal Sérgio “Lava Jato e prende Lula” Moro, que pode ser o xerife de um superministério da Justiça e Segurança Pública, mandando na Polícia Federal. Será que vai abrir o polpudo salário de juiz? O vice Mourão “língua solta” revelou, para constrangimento geral, que Moro já havia sido sondado durante a campanha! E, claro, o guru espiritual de Bolsonaro, o encaracolado Magno “Sinhozinho Malta Gospel”, que perdeu a vaga no Senado e, em retribuição, terá uma boquinha no governo, nem que seja como trovador de aluguel.

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Em cima, Eliseu Padilha, atual ministro da Casa Civil, e Onyx Lorenzoni, futuro chefe da pasta. Abaixo, Jim Carrey e Jeff Daniels em “Debi & Lóide”. Não confundam, os políticos são os de cima. 

Ah, Bolsonaro e Temer se reunirão na próxima semana em Brasília. Onyx e Eliseu Padiha, ex e futuro chefes da mesma pasta, juntos, deve ser uma daquelas cenas dantescas. Onyx apresentou ao governo lista com 22 nomes para integrar equipe de transição. Dizem os maldosos que Padilha sorriu e cochichou ao lado: “E nós éramos ruins…”.

 

Roger e Bono dão show de democracia defendendo o país onde não nasceram. Judiciário questiona líder do Pink Floyd

O irlandês Bono Vox se uniu ao inglês Roger Waters para denunciar a eleição do fascismo que muitos brasileiros só vão enxergar quando vier tiro, porrada e bomba. Nas últimas semanas, vimos a esplêndida e corajosa – para nós, democratas, histórica- turnê do fundador do Pink Floyd, não se importando com vaias aqui e ali, denunciando a ameaça fascista no Brasil. Como já leram aqui, no penúltimo show da turnê de Roger Waters, no Estádio Major Antônio Couto Pereira, em Curitiba – berço da Lava Jato e um dos estados mais fascistas do país- , o músico não se acovardou diante das ameaças de ações judiciais que pediram para que não emitisse opiniões sobre as eleições. O #Elenão voltou ao telão do show, por 30 segundos, antes da proibição eleitoral (Vale seguir seu Twitter). Outro músico do primeiro time mundial e conhecido por seu ativismo político, o vocalista da banda irlandesa de rock U2, ironizou Jair Bolsonaro, presidente eleito, em um show em Belfast, na Irlanda do Norte. “Milhões de pessoas estão prestes a ter o seu Carnaval transformado em um desfile militar por um homem chamado capitão Bolsonaro. Esse é o seu nome”, disse Bono Vox, na noite de sábado, 27.

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“Mesmo hoje, nesse dia de eleição. Duzentos milhões de pessoas prestes a ter seu carnaval transformado numa parada militar por um homem chamado Capitão Bossa Nova. Bolsonaro, não esqueçam o nome. Muitos nomes, mas apenas um rosto. O meu.”
Bono Vox, líder do U2, em show em Belfast

Ao se fantasiar com seu personagem Mr Macphisto, paródia do diabo de Fausto, o cantor pergunta à platéia: “Vocês já viram um político assim antes? Os diabos de Macphisto estão tomando o controle ao redor do mundo”, respondeu, caracterizado com chifres vermelhos, pó branco no rosto e uma boca meio de ‘Coringa”, meio de monstro. Meio Temer, meio Bolsonaro. Mac” vem de McDonalds, uma representação do capitalismo feita pela banda. “Phisto” vem de Mefistófiles, o demônio que faz o pacto com Fausto, da obra do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe. Fausto é um dos personagens mais complexos e conhecidos da literatura, que desiludido com o seu tempo, aceita o acordo com Mefistófiles. Em seguida, o cantor cita o presidente americano Donald Trump, o presidente filipino Rodrigo Duterte, que chama de “menino lindo”, e, por fim, Jair Bolsonaro. “O que vocês estão olhando, Belfast? Vocês nunca viram um político antes?”, perguntou o personagem durante o show. “Os demônios de MacPhisto estão tomando o poder ao redor do globo.” Queria muio estar lá, mas aí não poderia ter votado em Haddad.

Não nos esqueçamos que a coligação de Jair Bolsonaro entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a inelegibilidade de Fernando Haddad com argumento de propaganda irregular em favor do petista durante shows de Roger Waters. O medíocre ministro do desmoralizado TSE, Jorge Mussi, corregedor-geral eleitoral, que nada fez sobre a Fantástica Fábrica de Fake News montada pelo Coiso, conseguiu seus 15 segundos de fama ao pedir manifestação dos produtores responsáveis pelos shows de Roger Waters no Brasil por “propaganda eleitoral irregular”. No TSE desde outubro de 2017, o ministro votou contra candidatura do ex-presidente Lula com base na Lei da Ficha Limpa. País adernando, Judiciário na proa. Nós temos Chico Buarque, Roger Watares e Bono Vox, eles têm Magno Malta, Amado Batista e Fagner. Vergonha alheia à máxima potência.

Haddad não é Aécio, nem Bolsonaro. Derrotado, porta-se como um democrata

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O democrata Fernando Haddad e sua companheira de chapa Manuela d’Ávila: o primeiro exemplo de que somos diferentes dos fascistas está em reconhecer a derrota, virar a página , seguir em frente e lutar no voto para retomar os rumos do país à paz social. Enquanto Haddad voltou a dar aulas, o Posto Ipiranga de Bolsonaro, Paulo Guedes, deu seu primeiro piti só porque foi perguntado por uma jornalista argentina sobre Mercosul, que para ele deve ser um palavrão

Jair Bolsonaro retribuiu com ironia aos cumprimentos que o candidato derrotado do PT a presidente, Fernando Haddad, lhe enviou nesta segunda-feria, 29. Pelo Twitter, Bolsonaro respondeu: “Senhor Fernando Haddad, obrigado pelas palavras! Realmente o Brasil merece o melhor”. Mais cedo, Haddad havia escrito: “Presidente Jair Bolsonaro. Desejo-lhe sucesso. Nosso país merece o melhor. Escrevo essa mensagem, hoje, de coração leve, com sinceridade, para que ela estimule o melhor de todos nós. Boa sorte!”, disse Haddad, que recusou-se a repetir o tucano golpista Aécio Neves que, desde a eleição de Dilma Rousseff, nas últimas eleições presidenciais, prometeu lutar para derruba-la- e foi o que fez com o apoio da cúpula do PSDB e do PMDB de Michel Temer e Eduardo Cunha.

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Conto de Aia a la Bolsonaro. A cena patética do primeiro pronunciamento do ex-capitão e fascista de plantão eleito, entre o cantor gospel e tarado fundamentalista Magno Malta, com a camisa da seleção, e o ator pornô Alexandre Frota, procurando novas “Brasileirinhas”. Como escreveu Milton Hatoum: “Pareciam membros de uma seita religiosa fundamentalista e não dirigentes de um Estado laico”. Brasil no fundo do poço.

Como agradar a todos é impossível, lideranças petistas, como Valter Pomar, criticaram o candidato do PT, acreditando que não deveria ter cumprimentado o candidato eleito do PSL. Haddad também foi criticado por eleitores dos dois lados da esfera política. Mas também foi muito elogiado pelo gesto digno. Até onde me lembro, isso o que Haddad fez se chama respeito à democracia. O mal está instalado, mas não adianta dar uma de avestruz. A resposta agora é na oposição, na vigilância democrática e no voto.

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Haddad, que não é o golpista Aécio Neves, nem o fascista Bolsonaro, cumprimenta, democraticamente, Bolsonaro pela vitória, chamando-o de “presidente”, e recebe uma resposta escrota do ditador eleito. Foi criticado até por petistas, que preferem dar uma de avestruz e fingir que o mal já não está está instalado, mas foi eleito e precisa ser derrotado no voto

Recordar é viver. Após o pleito de 2014 – quando Dilma venceu Aécio por 54 milhões de votos contra 51 milhões de votos dados ao helicopter junkie -, o PSDB entrou com um bizarro pedido de auditoria nas urnas eletrônicas – lembra alguém que andou duvidando das urnas até recentemente?. A partir do início de 2015, ao ser reeleito presidente do PSDB, o então senador e hoje deputado pé-de-chinelo afirmou, em convenção do partido, que Dilma Rousseff não concluiria seu mandato. E repetiu a ladainha de que perdeu as eleições presidenciais para “uma organização criminosa”, e não para um partido político, o que logo seria substituída pela farsa das pedaladas fiscais, com Eduardo Cunha, com TCU, com STJ, com Supremo, com tudo. Em entrevista publicada ao Estado de S.Paulo em setembro passado, Tasso Jereissati, ex-presidente nacional do PSDB, admitiu que o partido cometeu “um conjunto de erros memoráveis” em sua trajetória recente, o que inclui a contestação ao resultado da eleição presidencial de 2014. Tasso afirmou que o PSDB foi “engolido pela tentação do poder” ao se aliar a Michel Temer (MDB) após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e também reconheceu que os tucanos abandonaram “princípios básicos” do partido só para fazer oposição ao PT. Será que alguém acha que Haddad e o PT deveriam agora se unir a Ciro ou a Alckmin para contestar o resultado das urnas? Particularmente, não acho que o governo Bolsonaro dure muito e que vai ser escorraçado pelas ruas e pelo Congresso em um processo de impeachment. Fora isso, é urna, é voto.

Carta aberta aos brasileiros

Estou muito triste. Aguentamos Temer e a República do PMDB. Agora aguentaremos Bolsonaro e a República da Caserna. Esse país não merecia isso. Mas quero me dirigir a todas as amigas e todos os amigos para, primeiro, agradecer a luta democrática de cada um. Me orgulho de todos vocês. Em especial quem não é militante, nem petista, e que votou em Haddad em nome de uma causa maior e para tentarmos evitar o mal que acabou vindo. Segundo, dizer que é hora de resistir e denunciar cada arranhão, cada ferida, cada chaga na nossa democracia. Por último queria dizer a você que não votou que não o culpo, só lamento. Poderiam ter feito a diferença. Mais de 11 milhões de brasileiros votaram em branco e nulo no segundo turno e 31 milhões sequer foram às urnas. Ao todo, 42,1 milhões de eleitores, quase a votação de Fernando Haddad, decidiram não escolher um dos dois – o que minha amiga, a jornalista Tereza Cruvinel chamou de Legião de Pilatos. Ou seja, Bolsonaro teve 55% dos votos válidos, mas apenas 39% dos votos totais, dos quais Haddad teve 31%.  É isso, estou triste, mas a alegria teimará em voltar. De repente, em edição extraordinária. Fiquem bem.

Bozonaro presidente leva Brasil à beira de abismo onde pode cair – ou se salvar. Fascismo esbofeteou democracia e liberdade foi enclausurada. Mas nossa desgraça política será o purgatório para uma volta por cima

(Cenário: sentado em um bar, ouvindo os fogos de artifício da classe média entorpecida pelo ódio e espremida em frente ao condomínio rico, na Barra da Tijuca, onde mora o adorador de Brilhante Ustra, ouvindo Pink Floyd bem alto para abafar o discurso do ditador eleito e dos “comentaristas” da GloboNews, Mervais e tais, e para ter condições de escrever algo para meus leitores, mesmo em depressão política)

Não achei que teria condições de escrever esse texto se essa tragédia acontecesse – de verdade. Pensei em lacrar o blog. Consegui, afinal, deixar esse registro – para a posteridade. Ainda mais morando no Recreio dos Bandeirantes, vizinho da Barra da Tijuca, onde milhares de fascistoides de classe média, moradores de condomínios caros, saúdam, com suas mordomias, pensões fraudulentas e negócios escusos, com fogos e palavras de ordem, a ascensão de seu igual. É como panfletar no abismo, mas lá vai. Pausa para escutar Haddad, que, como Roger Waters, o inglês cabra macho que o nordestino Ciro Gomes não foi, falar em “resistir”. Defender seus 47 milhões de eleitores, eu, modestamente, entre eles. A maioria do povo brasileiro preferiu o ódio ao amor, trocou a chance da esperança pelo projeto do ódio, deixou de eleger um professor, um democrata – movidos pelo antipetismo, pelo direitismo e pela ignorância política – para entronizar um ex-capitão ignorante, preconceituoso, misógino, e que idolatra a ditadura e torturadores. Foram cerca de 10 milhões de votos de diferença e apenas o Nordeste a, majoritariamente, honrar o país novamente. Viva o Nordeste! – de novo. Mas são mais de 47 milhões de votos de uma nova oposição – que não é PT, é o Brasil democrático. Contra os que se apropriaram de nossa bandeira, de nosso hino, até da camisa da seleção.

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“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora. Eu coloco a minha vida à disposição deste país. Tenho certeza que falo por milhões de pessoas que colocam o Brasil acima da própria vida, do próprio bem-estar. (…) Não tenham medo, nós estaremos aqui”.
Fernando Haddad em discurso após a vitória do fascista Bolsonaro

A partir de janeiro o Brasil, que já teve o operário Lula e o sociólogo Fernando Henrique Cardoso como presidentes no pós-ditadura, terá pela primeira vez, pelo voto, de ser governado pela extrema-direita. Senhoras e senhores, com vocês Bozonaro, o candidato do nanico PSL, partideco de aluguel – assim como Collor, eleito pelo igualmente tosco PRN, e que sofreu algum tempo depois, um processo de impeachment por sua empáfia política, putrefação moral e incapacidade econômica – que já defendeu ao longo de sua vida militar e política medíocre praticamente todas as práticas antidemocráticas que existem. Serão anos de resistência, dias difíceis, como na ditadura. Dia após dia .

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No bar onde escrevo esse texto, a TV ligada na Globonews e funcionários incrédulos assistem o discurso do fascista Bolsonaro. “Vamos, junto ao Ministério da Educação, deixar de lado qualquer temática voltada para ideologia ou voltada para o desgaste dos valores familiares. A família estará em primeiro lugar”. Aguarda-se a primeira fogueira de livros “comunistas”

Como se confirmou, o discurso de Bolsonaro, seguido de uma coletiva tosca, não foi de união nacional, foi de divisionismo. Demonizou o “comunismo” e o “esquerdismo” e propôs, num discurso sem máscaras – transmitido em tempo real de sua casa, pelas redes sociais, com sua mulher de um lado, e uma tradutora de sinais, do outro -, que o “Exército” do país “marche” em sua só direção. “Não poderíamos mais continuar flertando com o populismo, o esquerdismo e o socialista da esquerda”, disse. Bolsonaro dividiu o país no voto e mostra que, votos contados, continuará mantendo essa divisão. Isso não tem precedentes em um país democrático – coisa que não somos, como se sabe, desde o impeachment fake de Dilma Rousseff por pedaladas fiscais.

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Ciro, o Cabra Frouxo, que preferiu admitir Bolsonaro e calcular uma candidatura para 2022, a apoiar Haddad no segundo turno. Enterro político e desonra a Leonel Brizola

A responsabilidade é de todos nós, que não fizemos o suficiente. De erros de estratégia política. Mas, principalmente, de um conluio entre um momento político atípico, a intromissão parcial da mídia cartelizada, uma eleição manchada por fake news pelo candidato da direita e um tempo curto demais para criar uma alternativa para as forças progressistas. Haddad e Manu mostraram-se, ao fim, as pessoas certas, mas faltaram alguns dias para a virada que se desenhava. E sobraram traições. Ciro Gomes, um Nordestino, região que liderou a resistência, se omitiu no segundo turno, traindo seu estado, o Ceará, sua região, a memória de Leonel Brizola, do PDT, seu partido de ocasião. Cabra frouxo que preferiu assumir o risco do país eleger Bolsonaro para ter alguma chance em 2022. Vai para o cadafalso dos traidores da Pátria.

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O inglês Roger Waters, fundador do Pink Floyd, zelou em seu tour por nossa democracia, em seu pelo Brasil, mais do que muitos brasileiros. Esfregou o #Elenão até na cara dos fascistas de Curitiba, 30 segundos antes da proibição de manifestações imposta pelo TSE

Ficam cenas (ainda ouvindo Waters) como o Estádio Major Antônio Couto Pereira, em Curitiba, penúltimo show da turnê de Roger Waters, fundador do Pink Floyd, que não se acovardou diante das ameaças de Bolsonaro e de ações judiciais que pediram para que não emitisse opiniões sobre as eleições. O #Elenão voltou ao telão do show, por 30 segundos, antes das 22h. Faltaram alguns minutos, Roger. Mas na próxima conseguiremos. Tudo uma questão de Time.

 

Vira, virou: campanha formiguinha vira votos e esclarece indecisos contra o fascismo. Haddad está perto de ser eleito

Você esperava mais de Ciro Gomes, em sua platitude política? Que ele, por exemplo, diante da perspectiva de que um fascista como Bolsonaro fosse eleito, apoiasse Haddad – como fizeram, por exemplo, os antipetistas Rodrigo Janot e Joaquim Barbosa, para citar duas adesões recentes, entre tantas outras? Que subisse no palanque final com Haddad, alavancando a virada que se anuncia? Que ao menos postasse um vídeo nas redes sociais deixando claro seu apoio a Haddad? Um telegrama, pelo menos – ainda existem telegramas? Uma mensagem psicografada, quem sabe. Eu já disse que os eleitores de Ciro são muito melhores do que ele, como os eleitores de Haddad são melhores do que o PT. Ciro, na véspera da eleição mais importante da história recente do país, fez como o flácido João Doria(na): flagrado na suruba, gravou um vídeo ao lado da esposa defendendo a família e, claro, culpando o PT. Nas redes sociais, o candidato derrotado à Presidência do PDT, de volta ao Brasil após viagem à Europa, não declarou apoio a Haddad, como parte da militância de esquerda ainda esperava, e disse que vai “preservar um caminho” para que os brasileiros possam ter uma “alternativa”. O pedetista reconheceu que “todo mundo preferia” que ele “tomasse um lado e participasse da campanha”, mas ressaltou que não o faria. Seguiu a linha já desenhada pelo irmão Cid, senador eleito graças ao PT, e que, traiçoeiramente, usou um ato público de apoio ao PT para exigir “desculpas” do partido. Não há dúvidas. Ciro não se importa que Bolsonaro seja eleito, desde que ele esteja no páreo em 2022. Por isso, vou repetir, sem pretender ser messiânico: não esperava outra coisa de Ciro. Minha esperança está em seus eleitores. E nos indecisos – que visivelmente podem e precisam ser esclarecidos, ainda que no trajeto para a urna.

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Letícia Sabatella montou uma banca no centro do Rio de Janeiro; a ex do omisso Ciro Gomes, Patrícia Pillar, se disponibilizou para o diálogo; Leticia Colin e Luisa Arraes também foram para a rua conversando com as pessoas e virando voto; Herson Capri foi às ruas pra dialogar com as pessoas e virar voto; Leandra Leal, Marina Person, Laura Carvalho e Renan Quinalha montaram sua frente da virada do Centro de São Paulo, assim como Mariana Lima, Enrique Diaz e Maria Flor, viraram votos nas ruas; Guta Stresser escolheu como frente o Metrô da Barra, no Rio; Paulo Betti, militante histórico, panfletou e virou votos.

Na virada deste sábado para domingo, completei com um táxi uma corrida para casa. Estava com meus filhos, voltando do Maracanã. Pensava na segurança deles, desconsiderando a dor no bolso. Moro no Rio de Janeiro e entre o Maracanã e a Barra da Tijuca há um mundo de desigualdade e medo que todo o Brasil conhece bem. Na reta final da corrida, já com os filhos na casa da mãe, eu e o taxista, um morador do subúrbio do Rio, mudamos o tema de futebol – ele Vasco, eu Flamengo – para política. Quando a corrida se encerrou, meu amigo continuava Vasco, nem pretendi o contrário, mas deixou de ser um indeciso, propenso a votar em Bolsonaro, ou um potencial voto em branco. Havia compreendido que Haddad era a melhor opção para o país. O vira-vira foi intenso nos últimos dias, do trabalho de formiguinha nas redes sociais até campanhas de rua, inclusive com a presença de artistas, que convidavam os indecisos a refletir. Com diálogo e olho no olho, banquinhas, afeto e muita paciência, se mobilizaram nas ruas de diversas cidades do Brasil e se disponibilizam a conversar com eleitores indecisos. Tudo pela onda da virada, que acredito ser real, e não uma fantasia da minha bolha social. O instituto Vox Populi, o que mais se aproximou do resultado real no primeiro turno, mostra um empate, com uma poderosa onda pró-Haddad. Podemos virar neste domingo. Acredite.

Vira, virou: Haddad presidente reconciliará o país e devolverá golpistas a suas cavernas

Chegou a hora de votar. Brasileiras e brasileiros de todos os rincões do país vão sair de suas casas para o encontro mais especial da democracia: do cidadão com o voto. Não há meio termo e, descontando as exceções de praxe, não cabe omissão numa hora dessas. Até porque não há meio termo. Como poucas vezes na história, temos a colisão de lados diametralmente opostos da esfera política. Mais do que isso, para além da política e mesmo da ideologia, estamos diante de um confronto de dois mundos. Um democrático, representando a renovação das forças progressistas. O professor Fernando Haddad, e sua parceira de chapa, a jornalista Manuela d’Ávila, hoje representam a esperança de um país justo, igualitário, livre, fraterno, pacífico. A eleição de Haddad, que será arrancada no photochart, representará a devolução do país ao curso democrático e, com o tempo, a reconciliação nacional. A única chance de voltarmos a sermos todos irmãos nessa família complicada chamada Brasil.

Do outro lado, está a negação de tudo, o flerte com o fascismo, o divisionismo, uma chapa puro-coturno que prega o retrocesso e ameaça não apenas os programas sociais, mas as liberdades individuais e nosso recente reencontro com a democracia depois da ditadura implantada em 64  – e que os bolsominions idolatram, na maioria das vezes por pura ignorância. O candidato que cresceu no ódio, na pregação antidemocrática, na lavagem cerebral da mídia contra um partido e que criou como simbolo de campanha a morte – representada pelas armas -, lidera uma ultradireita violenta, sectária, preconceituosa. Um lobo tenebroso disfarçado como o cordeiro que devolverá os valores familiares e da pátria. Um candidato que fez a campanha mais suja da história, a ponto de inventar uma nova modalidade de mentira, montando com amigos empresários uma milionária fábrica de fake news pelo whatsapp, para entrar nos lares brasileiros por uma das janelas mais íntimas criadas pela tecnologia. Neste já histórico domingo, 28, poderemos, ao final do dia, desfilar na avenida um samba popular, ou rasgar uma página infeliz da nossa história (obrigado, Chico).

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Universidades invadidas pela polícia, impedindo manifestações democráticas contra o fascismo. O ensaio da orquestra ditatorial que vamos varrer para longe nas urnas

Nos últimos dias, uma das faces nefastas do fascismo, apoiado pela KKK norte-americana e visto até na mídia internacional mais neoliberal como uma ameaça, mostrou de vez a sua cara monstruosa, e hoje assusta até quem estava mais preocupado em destruir um partido, sem perceber que se botava ali o ovo da serpente, vindo na forma de um militar medíocre e de inteligência rasa, que passou a vida disseminando o mal e pregando contra os valores democráticos. E que, numa esquina de nossa vida política, eclodiu, atraindo os saudosistas das torturas, do elitismo e do preconceito vil contra minorias e tudo o que seja diferente com seu conceito doente de país.

No dia que antecede o grande dia, até nossa mídia destacou, entre constrangida e falsamente surpresa, a série de ações policiais e de dublês de fiscais eleitorais contra movimentos e ações estudantis de rejeição ao fascismo, invadindo o espaço sagrado de universidades de todo o país. Pelo menos 30 instituições foram alvo de operações da SS bolsonarista – caso emblemático da retirada da faixa “Direito UFF Antifascista da fachada da universidade em Niterói -, já treinando para o holocausto, sob a justificativa de propaganda eleitoral. Até a via de regra omissa procuradora-geral da República, Raquel Dodge, num soluço de bom senso, ajuizou ação por ver indícios claros de “ofensa à liberdade de expressão, de reunião e de cátedra. Reitores de universidades federais declararam repúdio e milhares de estudantes protestaram nas ruas. Da mesma forma, a ministra Cármen Lúcia concedeu neste sábado, 27, decisão para suspender os efeitos judiciais e administrativos que determinaram o ingresso de agentes da Justiça eleitoral e de policiais em universidades públicas e privadas.

Diante do grotesco Bolsonaro, a virada vai tomando a forma de onda que desafia os institutos de pesquisa.  Com 26,7 milhões de inscritos em seu canal no Youtube, que é um dos maiores do mundo, o youtuber Felipe Neto declarou seu voto em Fernando Haddad. Felipe, que não disfarça suas críticas ao PT, percebeu que existe um mal maior. Haddad também ganhou outros apoios de peso, como do jornalista Marcelo Tas, outro forte influenciador digital, e de Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, que chegou a cogitar ser candidato. Esses votos mostram que o antipetismo está perdendo para o medo da ameaça fascista.

Depois da linda campanha das mulheres pelo #EleNão, da comunhão democrática na Lapa, e de movimentos crescentes de rua de apoio a Haddad em capitais de todo o país, encerrar a campanha com a já conhecida resistência estudantil – revivendo a memória de Edson Luís de Lima Souto, secundarista brasileiro assassinado por policiais militares que invadiram o restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, no dia 28 de março de 1968 – não poderia ser mais representativo. Se o cenário pré-ditatorial não está claro pra você, abra os olhos. Suas viseiras podem estar lhe cegando. E vamos para a virada.

A virada começou. Haddad será presidente

Não, não sou vidente. E obviamente nesse título tem voto, tem torcida e tem uma mensagem para você: não desmobilize. Não vá na onda dos institutos de pesquisa, relativize o que você lê na mídia tradicional, ignore as fake news, tente reverter um voto que seja – começando dentro de casa – e não deixe de votar no domingo, 28. Em Haddad e Manu, obviamente. Mas também não é só torcida. A visão emocionante da multidão nos Arcos da Lapa, no Rio, na terça, 23, mais do que um ato de enorme simbolismo e exemplo para o país, chamado não por acaso de “Ato da Virada” em apoio a Fernando Haddad, encharca os democratas – não apenas esquerdistas, a luta se tornou maior, você sabe disso – de esperança e respaldam um sentimento de há uma mudança no ar. Haddad e Manu tornaram-se maiores do que Lula e o PT – vejam que forma tortuosa de minimizar o antipetismo insuflado pela mídia, pelos eleitores que tiraram o ódio do armário e pelo exército de fake robôs tolerados pela Justiça Eleitoral, agredida nesta reta final até o limite do intolerável. Tornaram-se a única alternativa ao ao ódio, ao preconceito e ao retrocesso representados, com todas as medalhas coloridas e sem glória, pelo casal 20 do fascismo Bolsonaro-Mourão. Os apoios enrustidos de Ciro Gomes e Marina Silva – “apoio crítico” numa hora dessas é quase omissão – ajudaram, assim como o apoio de peito aberto de Guilherme Boulos. Mas, propaganda eleitoral à parte, foram Bolsonaro, filhos e apoiadores que têm feito o trabalho de desconstrução de si mesmos – ao contrário do papelão do PT com Marina Silva nas eleições passadas -, mostrando-se sem pudor com os antidemocratas que são. Sim, eles são assustadores. Sim, eles representam a volta às trevas.

Para não dizerem que não falei de números, usemos a matemática insuspeita de quem não quer a virada – mas não pode se desmoralizar. A vantagem de Bolsonaro sobre Haddad nas intenções de voto espontâneas caiu sete pontos porcentuais entre as duas pesquisas realizadas pelo Ibope no segundo turno. Embora mantenha a liderança em todas as abordagens, o Coiso teve uma queda mais acentuada nas menções em que os entrevistados dizem em quem pretendem votar sem serem estimulados com os nomes dos candidatos. Passou de 47% das intenções de voto espontâneas na pesquisa divulgada em 15 de outubro para 42% no levantamento divulgado na terça, 23. Caiu, inclusive, entre os evangélicos – apesar dos esforços dízimos de Edir Macedo, Universal e Record. O sincericídio torpe da trupe da caserna parece estar vencendo os púlpitos. Haddad, por sua vez, passou de 31% para 33% entre as duas pesquisas — a diferença entre os dois caiu de 16 para 9 pontos porcentuais. A movimentação dos dois candidatos também se repetiu nos votos válidos, que leva em conta a pesquisa estimulada e descarta os votos em branco, nulos e indecisos. Bolsonaro passou de 59% para 57% enquanto Haddad foi de 41% para 43%. No quesito rejeição – esse é um dado crucial porque ajuda a mergulhar o pântano dos indecisos, por mais filtros que se coloque – Bolsonaro subiu de 35% para 40%, salto de 5 pontos percentuais. Em contrapartida, a rejeição a Haddad diminuiu de 47% para 41%, baixando 6 pontos, números que favorecem o candidato da Coligação “O Povo Feliz de Novo”.

Tem mais. Enquanto Haddad segue massacrando Bolsonaro no Nordeste, o que tende a ser ampliado no mata-mata do segundo turno, a guerra do Sudeste-Sul também dá sinais sólidos de mudança. Na capital de São Paulo, o ex-prefeito Haddad já aparece com 51% dos votos válidos, ultrapassando os 49% dos votos de Bolsonaro – segundo o mesmo Ibope. Algo está se movendo e, no caso de São Paulo, já foi apelidado pela mídia de “Bolsodoria”. O voto casado em Bolsonaro para presidente e Doria para governador, micou. Segundo o Ibope, a dupla Fascistão e Milionário tem nesse momento pior desempenho entre os paulistanos do que entre os moradores do interior de São Paulo. Na capital paulista, Haddad chega a estar numericamente à frente de Bolsonaro, enquanto Márcio França, candidato do PSB e adversário de Doria na disputa estadual, lidera com 18 pontos de vantagem em relação ao tucano. Memória breve: Doria renunciou ao cargo de prefeito para disputar o governo do estado pouco mais de um ano depois de assumir, em 2017, mesmo tendo se comprometido a ficar na prefeitura até o fim do mandato. A onda de ódio espalhada pelo capitão-fujão de debates incomodou de tal forma que o ex-governador de São Paulo e ex-presidente do PSDB Alberto Goldman afirmou nesta quarta, 24, que irá votar em Haddad para presidente. Em um vídeo e texto publicados em sua página no Facebook, Goldman disse que “votará em Fernando Haddad contra a ameaça aos valores democráticos”. Dessitiu de votar nulo. Mais gente insuspeita tem feito essa reflexão.

Enquanto isso, naquele país que corremos o risco de ser amanhã – e onde até a mídia do país compara Trump a Bolsonaro – o envio de pacotes com explosivos direcionados a críticos do presidente norte-americano está consternando a sociedade norte-americana. A distribuição dos artefatos começou na segunda, 22, e teve como alvos membros ou apoiadores do Partido Democrata – oposição a Trump. Depois disso, foram “presenteados” George Soros, doador de campanha dos democratas, no estado de Nova York, o ex-presidente Bill Clinton r Hillary Clinton, adversária de Trump nas eleições de 2016, e o escritório do ex-presidente Barack Obama. “Violência política não têm lugar nos EUA”, diz agora Trump, porteira arrombada. Alguém aqui se lembra como Bolsonaro começou a aparecer na mídia?

Ditador Bolsonaro quer fim do MEC e reitores biônicos nas universidades federais. Militar psicopata xinga e ameaça presidente do TSE. Doria cai na Pegadinha do Malandro

Está enterrado há oito anos em um cemitério de Brasília, com uma lápide queimando com fogo fátuo, o Capitão de mar e guerra José Carlos de Almeida Azevedo, último reitor biônico da Universidade de Brasília, indicado pela ditadura. Meu primeiro ano como estudante de Jornalismo na UnB teve esse verme como reitor. Felizmente, meu diploma não foi assinado por ele. Preposto do regime entre 1976 e 1985, com a universidade em ebulição democrática, Azevedo permitiu, por exemplo, que a Polícia Militar invadisse o campus da UnB para inibir uma greve estudantil. Reitores biônicos eram um dos símbolos da ditadura e do enterro da educação. Nos subterrâneos de um hotel em Brasília, a equipe que prepara o plano de governo do Coiso tem em mãos o calendário de escolhas dos reitores das universidades federais e um estudo sobre quem é quem nas instituições de ensino superior para servir de análise. A ideia: acabar com a escolha dos reitores pelas comunidades acadêmicas e retomar os reitores biônicos. Bolsonaro quer ir mais longe. Acabar com o Ministério da Educação. Se a reação for grande, vai colocar ali um militar na linha do general quatro neurônios Aléssio Ribeiro Souto, que elabora propostas para a educação em um eventual – vade retro – governo Bolsonaro. Entre outras boçalidades, ele defende queimar livros, recontar a história da ditadura de 64 e ensinar criacionismo nas escolas públicas.

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Equipe do ultradireitista Bolsonaro planeja acabar com o Ministério da Educação e escolher reitores das universidades federais. Auxiliares do candidato, que trabalham nos subterrâneos de um hotel em Brasília, propuseram ao Coiso que, uma vez eleito, não escolha o primeiro da lista e encontre um biônico, de preferência fardado

“Optam por manifestar ódio visceral e demonstrar intolerância com aqueles que consideram inimigo. Tem incapacidade de conviver com harmonia no seio de sociedade fundada em bases democráticas. Todo esse quadro imundo que resulta no vídeo, longe de traduzir liberdade de palavras, constitui corpo de delito com ofensas”.
Ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal

As cadelas fascistas de Bolsonaro, Mourão e demais tarados por torturadores seguem em seu cio antidemocrático há poucos dias do pleito. Nas redes sociais e grupos de whatsapp dissemina-se o ódio e prega-se a violência. Uma dessas bestas feras, um homem identificado como coronel da reserva do Exército Carlos Alves não se deu ao trabalho de esconder o rosto e limpar a baba ao gravar e postar um vídeo proferindo insultos à presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber – numa clara tentativa de intimidação. Coisa que, por sinal, Bolsonaro e família têm feito diretamente. No vídeo, Alves chama Rosa Weber de “vagabunda” e afirma que, se o TSE aceitar ação contra seu candidato de extrema de direita irá sofrer as consequências. “Se aceitarem essa denúncia ridícula e derrubarem Bolsonaro por crime eleitoral, nós vamos aí derrubar vocês aí, sim”, diz o vídeo.

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O STF vai fazer o mínimo: investigar as agressões de um militar boçal que gravou um vídeo babando ódio e ameaçando e xingando a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, tentando intimida-la caso barre a candidatura do ogro Bolsonaro

Dessa vez, nossas Cortes, omissas até a medula desde o início do processo eleitoral, ajudando a criminalizar Lula e o PT, única alternativa democrática à onda fascista, não ficaram só no declaratório – ainda que se destaque a fortíssima frase do decano Celso de Mello, sempre contido, atacando o que sempre esteve visível: o “ódio visceral” e a “intolerância (dos bolsominions) com aqueles que consideram inimigo”. A Segunda Turma do Supremo aprovou, por 5 votos a zero, requerimento para que a Procuradoria Geral da República investigue o vídeo do coronel Alves, parasita da democracia, que esquece quem paga seus soldos, o povo.

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“A cadela do fascismo está sempre no cio”,  escreveu Bertolt Brecht. Uma dessas cadelas alimentadas pela onda Bolsonaro, identificado como coronel da reserva do Exército Carlos Alves, grava e posta vídeo proferindo insultos à presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber. Besta sem culhões.

O PT havia pedido ao TSE para declarar o candidato do PSL à Presidência inelegível por oito anos, sustentado pela descoberta pela Fantástica Fábrica de Fake News montada pela engenharia suja do capitão, como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo. O jornal relata casos de empresas apoiadoras de Bolsonaro que compraram pacotes de disparo de mensagens contra o PT por meio do WhatsApp. Essa prática é ilegal por ser evidência clara de doação de campanha feita por empresas. Desde 2015, empresas estão proibidas de fazer doação eleitoral. Segundo o jornal, as empresas apoiadoras de Bolsonaro compram um serviço chamado “disparo em massa” usando a base de usuários do candidato do PSL ou bases vendidas por agências de estratégia digital.

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A piada do dia tem botox “Sex tapes” que colocam João Doria, absorto, numa suruba com algumas “modelos” contratadas – só assim -, fez o candidato ao governo de São Paulo gravar vídeo no Instagram. Não, ele não se retratou. Ao lado da mulher Bia, negou que seja o cidadão quase desfalecido na cama com as beldades remuneradas. Geração de emprego?

Sex Tapes e Doria – E o que qualquer assessoria recomendaria a um candidato envolvido num suposto escândalo de “sex tapes”, sem que ninguém tenha certeza se é ele mesmo que aparece no vídeo? Não fale do assunto se não for absolutamente essencial, senão promoverá a suposta infâmia (Doria nega que seja ele o personagem masculino deitado na cama, meio desanimado, em meio a uma suruba com “modelos”). Não, Doria, que idolatra os americanos, copia até o padrão (equivocado) dos gringos de lidar com crises como essas. Ao lado da mulher, calada, semblante fechado, nega veementemente que seja o homem no vídeo que viralizou. E, claro, culpou o PT. “Essa baixaria é obra daquele que vai à missa sendo ateu, joga fora a Bíblia que recebeu de presente de um desavisado e que recebe ordens de um corrupto, ladrão e presidiário! FORA PT”, escreveu. Virou fenômeno de compartilhamentos e menções nas redes sociais. “Doria” e “João Doria” foram parar no trending topic do Twitter mundial. Bom ou ruim para o candidato? Nesse país, difícil dizer. Pode ganhar pontos pela exuberância das divas, mas perder pela flacidez de seu comportamento. Por razões sentimentais não postaremos os vídeos – você vai achar ou já recebeu pelo whatsapp. Fique com o “pronunciamento” consternado de Doria, fritando de ódio a ponto de derreter o botox.

No bueiro da família Bolsonaro, fechar o Supremo é só uma das opções. Se não querem “eleger” uma ditadura, eleitores ainda têm alguns dias para pensar

A família Bolsonaro é tudo, menos imprevisível. É como um subterrâneo fétido onde basta levantar qualquer tampa de bueiro, em qualquer ponto, e sabemos que virá um mau cheiro insuportável. Jair Bolsonaro – e sua família -, como descreveu até o The New York Times em editorial “é um brasileiro de direita com opiniões repulsivas. Ele disse que preferiria um filho morto a um homossexual; que uma colega no Congresso era feia demais para ser estuprada; que os afro-brasileiros são preguiçosos e gordos; que aquecimento global é apenas uma ‘fábula’. Ele é nostálgico dos generais e torturadores que governaram o Brasil por 20 anos. No próximo domingo, no segundo turno da eleição, o Sr. Bolsonaro provavelmente será eleito presidente do Brasil”. Bom, esperemos que o NYT esteja errado pelo menos na última frase. O NYT esqueceu de listar a defesa de Bolsonaro da isenção de julgamento de PMs que matam em serviço – o aval para a carnificina em áreas pobres. Ou alguém imagina que se esteja falando de ações em condomínios na Barra da Tijuca, Morumbi ou Lago Sul?

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O editorial do NYT que chama Bolsonaro de homem de direita “com opiniões repulsivas”. “Ele disse que preferiria um filho morto a um homossexual; que uma colega no Congresso era feia demais para ser estuprada; que os afro-brasileiros são preguiçosos e gordos. (…) Ele é nostálgico dos generais e torturadores que governaram o Brasil por 20 anos.”

O último bueiro levantado do esgoto de ideias desses ogros que alternam farda e terninho é um vídeo capturado em 9 de julho. Quando respondia a perguntas de alunos de um curso preparatório para concurso da Polícia Federal, o deputado federal Eduardo Bolsonaro se manifestou sobre a possibilidade de o Supremo impugnar a candidatura de seu pai. “Eles vão ter que pagar para ver”, afirmou. “O pessoal até brinca: se quiser fechar o STF, você não manda nem um jipe, manda um soldado e um cabo. Não é querendo desmerecer o soldado e o cabo. O que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua?” (Assista). No vídeo, ele também menciona o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a “moral” do juiz Sergio Moro. “É igual a soltar o Lula. O Moro peitou um desembargador que está acima dele, por quê? Porque o Moro está com moral pra cacete. Você vai ter que ter c. para conseguir reverter uma decisão dele. Ele só joga lá. Quero ver quem vai dar o contrário”, concluiu. Ministros do STF reagiram, como o decano do tribunal, Celso de Mello, que disse a Mônica Bergamo que a declaração era “inconsequente e golpista”. O vaga-lume político FHC piscou: as afirmações “cheiram a fascismo”. E ficamos por isso mesmo,  segue a campanha. Mais um dia, mais um passo para o cadafalso.

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O ogro Eduardo Bolsonaro, deputado federal mais votado da história do País, com 1,8 milhão de votos, e a prosaica defesa do fechamento do STF: “Se quiser fechar o STF, você não manda nem um jipe, manda um soldado e um cabo”. Ensaio para uma inevitável ditadura, que ainda pode ser detida pelo voto.

Papai Bolsonaro, candidato da KKK, como já fez outras vezes com os filhos e com Mourão, o general em quem pensa mandar, tentou dar uma de Mandrake, hipnotizando a platéia. Primeiro questionou se não foi tirado do contexto. “Se alguém falou em fechar o STF, precisa consultar um psiquiatra.” Até aí ia bem. E aí mudou o foco. “Está havendo hoje manifestação em todo o Brasil. É sinal de que a população está realmente preocupada com o futuro e quer alguém diferente do PT na presidência.” Oi? Eduardo recuou, sem convicção. Jogo de cena. Como os áudios vazados de William Waack ou de Boris Casoy, seguidos de sinceras desculpas. Em breve, se o exército de robôs seguir zumbindo fake news nos grupos de Whatsapp e nas redes sociais, com a complacência da Justiça Eleitoral, e os zumbis bolsominions continuarem seu caminho trôpego até as urnas, nem mais desculpas virão. Nós sabemos o que virá. Uma ditadura que não vai durar dois anos até ser engolida pelos próprios bueiros que abriu.