Stephen Fry desnuda Bolsonaro, Mourão Balão veste faixa presidencial e gays tem mais quorum que ato fascista

“Por onde andará Stephen Fry?
Por onde andará Stephen?
Ninguém sabe
Do seu paradeiro
Ninguém sabe
Pra onde ele foi
Pra onde ele vai…”

Opa, eu sei, Zeca Baleiro (Assista o vídeo). O ator britânico está de olho nas eleições no Brasil e já entendeu a encruzilhada em que estamos melhor do que muito brasileiro. O ator, roteirista, apresentador de televisão, cineasta e comediante viralizou nas redes sociais brasileiras – estou há dias para escrever sobre isso e peço desculpas pela falta de tempo – ao comentar sua posição sobre o fascista Jair Bolsonaro, líder (temporário) das pesquisas de intenção de voto para presidente, que teve o desprazer, e o choque de entrevistar para a televisão britânica (Veja). Fry é um sir na entrevista e ouve barbaridades perplexo, mas sem perder a fleuma. Comentar mais é bobagem, melhor assistir e se chocar junto (Veja aqui  e aqui). Fry fala de cadeira – e lembra isso. Entrevistou Bolsonaro na Assembléia Legislativa do Rio – antro de corruptos -, em programa para a TV britânica, e ouviu dele que “não há homofobia no Brasil”, apenas gays histéricos e aproveitadores políticos. “Foi um dos confrontos mais sinistros que já tive como ser humano”, reconheceu Fry, descrevendo os olhos de Bolsonaro como “bem mortos e apavorantes”.

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O ator, roteirista, apresentador de televisão, cineasta e comediante britânico Stephen Fry, fala de sua experiência de entrevistar Jair “Ou eu ou ninguém” Bolsonaro e do pavor que teve com suas palavras e olhar. Ele suplica aos brasileiros que pensem bem antes de votar. #EleNão #EleNunca
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Imagine um lord inglês entrevistando um ogro… Se falasse inglês, o monoglota e agiota Bolsonaro diria “My precious”, na linha Gollum seduzido pela faixa presidencial.

Enquanto isso, por que o país não para, na Avenida Paulista, uma festa de fascistas, coxinhas e correlatos, um dia depois dos grandes atos #EleNão, em repúdio ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (Veja a manifestação histórica liderada por mulheres no Brasil vista por quatro ângulos). Apoiadores de Bolsonaro promoveram uma, vamos admitir, manifestação em prol do candidato. Um boneco inflável com farda do Exército – E FAIXA PRESIDENCIAL, uhhh – que representa o candidato a vice do PSL, general da reserva Hamilton Mourão foi o, digamos, diferencial. Não deixa de ser curioso que isso ocorra na mesma semana em que Bolsonaro o desinflou publicamente. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do “coiso”, bateu na tecla da possibilidade de fraude nas urnas, bla, bla, bla. Em cima do carro de som, disse na Paulista que seu pai vencerá a eleição no primeiro turno, caso o sistema de urna eletrônica não sofra fraude. “Se a urna (eletrônica) não for fraudada, vai ser no primeiro turno”, disse ele.

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Os bolsominions fizeram um ato na Avenida Paulista com um boneco inflável com farda do Exército que representa o candidato a vice, general da reserva Hamilton Mourão, na mesma semana em que Bolsonaro o desinflou publicamente. E o boneco usava faixa presidencial – ops. Não dá pra dizer que os caras não tem humor.
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Eduardo “coisinho”, no ato coxinha na Paulista, e Janaína Paschoal, em momento Bruxa de Blair, na época em que advogou pelo impeachment da primeira mulher presidente, Dilma Rousseff, por “pedaladas fiscais”, levando Temer, Moreira, Padilha, Geddel e quadrilha ao Planalto. Segundo ele, “as mulheres de direita são mais bonitas que as da esquerda” porque “não defecam nas ruas”. Possivelmente os dois nunca foram apresentados.

Mas o supra sumo da estupidez – falando sério, é de corar burro de carga – foi a frase de Eduardo Bolsonaro, possivelmente tentando, do seu jeito tosco e preconceituoso, atingir as mulheres que lotaram as ruas do país no movimento #EleNão, misturando beleza e ideologia femininas. “As mulheres de direita são mais bonita que as da esquerda. Elas não mostram os peitos nas ruas e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita tem mais higiene”, vomitou o “coisinho”. Possivelmente, ele nunca foi apresentado a Janaína Paschoal. Aliás, você sabe porque a Bolsonaro Family – deve dar um reality porreta, nível Kardashians – está tão preocupada? Pesquisas, amigas e amigos, mostram que intenções de voto entre homens e mulheres nestas eleições têm a maior diferença da história. O candidato do PSL é o mais rejeitado pelas mulheres; o voto feminino pode ser decisivo nas eleições. “Se Bolsonaro conseguir 30% dos votos das mulheres, ele vai precisar de 70% dos votos dos homens para vencer. Fica difícil”, exemplificou o cientista político Bruno Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, em entrevista para a BBC News Brasil. Segundo o Datafolha, 43% das mulheres não votariam ‘de jeito nenhum’ em Bolsonaro.

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Jair Bolsonaro segue atrás de Lula nas intenções de voto entre o eleitorado feminino. E lidera o ranking dos presidenciáveis rejeitados por elas. Na foto, uma das humilhações à deputada Maria do Rosário, a quem empurrou, ameaçou, chamou de “vagabunda” e disse que “não estupraria porque não merece” (Relembre aqui  e aqui).

Depois de ler isso, e botar os bofes pra fora, respire e ouça Haddad tocando “Blackbird”, dos Beatles, em reunião com artistas. Ah, enquanto os preconceituosos rebolavam sua fúria na Paulista, a Parada do Orgulho LGBTI levou uma multidão à orla de Copacabana – pelo menos 1 milhão pessoas, segundo a organização. Com os termômetros marcando 30°, milhares de pessoas participaram na Avenida Atlântica da 23ª Parada do Orgulho LGBTI. Oito trios elétricos animaram o público na altura do Posto 5. Nanda Costa e Lan Lanh se beijaram para a alegria geral. A rainha do rebolado, Gretchen, também estava lá com a filha, Thammy. Esse ano a manifestação teve como tema “Vote em ideias, não em pessoas. Vote em quem tem compromisso com as causas LGBTI”. O intuito foi despertar na comunidade LGBTI mais engajamento e participação nesse momento político, escolhendo candidatos que tenham compromisso com as causas e lutas em prol do respeito e diversidade. O #EleNão estava lá.

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A Atlântica, no Rio lacrou com a 23ª Parada do Orgulho LGBTI. Oito trios elétricos animaram o público na altura do Posto 5. Esse ano a manifestação teve como tema “Vote em ideias, não em pessoas. Vote em quem tem compromisso com as causas LGBTI”. Tá claro?

No fundo é isso. Existe em mim, talvez em você, o senso, em muita gente, felizmente, o que chamamos de senso comum, noções comumente admitidas pelos indivíduos, que faz a voz de Mr. Fry mexer com meus brios e me fazer, ao longo de todo um domingo domingo de sol no Rio, escrever esse texto. E tem os outros. Os espíritos de porco, se quisermos ser bem-humorados, os fascistas canalhas, ignorantes, que no vácuo de Bolsonaro libertaram-se de suas amarras e soltam seus preconceitos como se não houvesse amanhã. O problema pra vocês é que sempre há amanhã. E o que se faz e escreve – não adianta, portanto, general Aléssio Ribeiro Souto, que quer queimar os livros que “não falam a verdade” sobre 1964 (Leia e se espante) – é que a verdade não se apaga mais.

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A prova viva – e embigodada – de que a formação militar é um lixo e uma fábrica de expelir ogros: formado na Aman (Academia das Agulhas Negras) e no IME (Instituto Militar de Engenharia, general da reserva Aléssio Ribeiro Souto, um dos mimos fardados de Bolsonaro, defende eliminar os livros que chamem 64 de “ditadura”, acabar com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e revisão da grade curricular de alunos e professores brasileiros para eliminar o que classifica como “ideologização” na educação brasileira.

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