Em um Congresso ultra-reacionário, eleição de senador gay, defensor dos direitos humanos, é respiro de alívio. E exorciza o bibelô do “Coiso”

Com uma seleção desprezível de eleitos como Alexandre “Brasileirinhas” Frota, Kim Kataguiri, Arthur Mamãe Falei – dois filhotes do MBL -, Joyce “Plágio” Hasselmann, Tiririca, Janaina “Bruxa de Blair” Paschoal, Marco “Rímel” Feliciano e bolsominions com diferentes graus de disfunção cerebral – já batizada de “A bancada do Coma” -, a direita fascista teve que engolir o primeiro senador assumidamente homossexual, Fabiano Contarato (Rede), campeão de votos no bendito Espírito Santo. Ele não apenas arejou o Senado, diminuindo um pouco o impacto pela não eleição de Dilma Rousseff, Eduardo Suplicy, Roberto Requião e Lindbergh Farias, como teve a requinte de deixar de fora Magno Malta, o “vice dos sonhos” de Bolsonaro, conhecido por demonstrações de LGBTfobia. Pastor evangélico e cantor de músicas gospel, do tipo que usa roupas apertadas e se enche de jóias – pode dar boas risadas se procurar no youtube -, Malta é tão desequilibrado que caiu da prancha e não conseguiu surfar na onda direitista. Contarato teve 1.117.039 votos (31,15%) e será uma pena se não ajudar a carrear parte considerável deles para Fernando Haddad.

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Cena linda: Fabiano Contarato, da Rede, campeão de votos para o Senado no bendito Espírito Santo, é gay, adotou um menino lindo, hoje com 4 anos, e resistiu ao preconceito e às fake news. E exorcizou o Sinhozinho Malta. Se não apoiar Haddad, não entendo mais nada.

Em seu discurso de vitória, o senador eleito disse que sua campanha foi a de “Davi contra dois Golias”, citou expressões bíblicas e usou a narrativa do amor contra o ódio. Contarato é homossexual, casado, tem um filho de 4 anos – vítima de fake news abomináveis durante a campanha – e defende o casamento LGBT. Em sua primeira disputa a um cargo eletivo – filiou-se à Rede neste ano – Contarato dedetizou outras pestes políticas do estado, como o tucano Ricardo Ferraço. A segunda vaga para o Senado ficou o “instrutor da Swat” (!) Marcos do Val, do PPS, que gosta de posar valorizando os bíceps. O curioso – e o interessante –  sobre Contarato, que tem cara de ex-frei progressista, mas é delegado da Polícia Civil, é que, como descreveu a Carta Capital, em um perfil muito feliz, suas ideias modernas, em uma sociedade que mostra uma face cada vez mais atrasada, dialogam com algumas posições conservadoras. Ou seja, ele é humano.

Sua candidatura, que teve muito de defesa da família – em todas suas as formas –, também incorporou a inevitável questão da segurança pública. O Espírito Santo é o segundo estado mais violento do Brasil para crianças e jovens: 23,8% dos homicídios cometidos no estado em 2016 vitimaram menores de 19 anos de idade. E ele é especialista em Impactos da Violência na Escola pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Contarato, por outro lado, posicionou-se contra o aborto. Longe de me preocupar com contradições, que, como disse, são da natureza humana, as posições predominantemente avançadas do delegado que excomungou o pastor Sinhozinho Malta mostra que há esperança – e ela não está nos extremos.

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