Reviravolta no ar: o ódio está criando o medo – e o medo dessa vez, não só a esperança, pode derrotar o cramunhão

Os sinais estão em toda parte. Suástica tatuada com canivete na pele de uma jovem gaúcha, a placa de Marielle destruída – com a presença de um candidato ao governo do Rio, Heil Witzel, que apoia o Coiso -, o capoeirista Moa do Katendê morto a facadas após declarar voto no PT, o estudante curitibano agredido por um grupo em frente à reitoria da Universidade Federal do Paraná por usar um boné do MST, e muitos, muitos, casos, ao seu redor, ao nosso redor, não noticiados pela mídia que tenta forjar imparcialidade que nunca teve diante de candidatos tão desiguais. Em Pernambuco, uma jornalista foi agredida e ameaçada de estupro por dois homens depois de votar e disse que um deles vestia camisa do candidato do PSL. Só neste ano, segundo levantamento da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), foram registrados 137 de alguma agressão casos a jornalistas que cobrem a campanha.

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O ódio versus a Esperança. Mais nada.

Não por acaso, as agressões vêm do mesmo lado, o do candidato que defende armas para todos, ensina crianças de colo a atirar usando os dedinhos miúdos, metralha petistas no palanque com um tripé convertido em arma mortal (“Vamos fuzilar a petralhada”), defende torturadores e quer forrar a Esplanada de generais. E que sofreu, na pele, infelizmente, uma facada desferida por um dos debeis mentais que entraram nessa onda (ouça Bob Fernandes). Evocado por autores de atos de violência ocorridos em diversos locais do país nos últimos dias, o presidenciável do PSL disse que lamenta – com pouquíssima ênfase -, mas não tem como controlar o que chamou de “casos isolados”. E continuou seu discurso de ódio, de separatismo, de dissensão, de conflito.
Sento para almoçar. Uma mulher apavorada conversa com a amiga ao celular.
– O cara cismou que eu era gay e queria me agredir, o que posso fazer – diz a mulher ao telefone, com a amiga, lágrimas nos olhos.
Não consigo ouvir a amiga do outro lado, mas conversa-se um tempo sobre grupos de whatsapp e sobre pessoas pobres votando no Coiso.
– Ela não mora em Nilópolis? Casou com um negro? E é Bolsonaro?
Risos nervosos.
– O clima nesse país… eu nunca vi isso. É um clima de ódio, de preconceito, de perseguição que não tem paralelo.
A amiga pegunta algo sobre PT.
– Amiga, eu nunca votei no PT, nunca. Mas vou votar agora. Esse Bolsonaro não pode ser eleito. É o fim do pais.
A amiga argumenta.
– Não adianta. Eles só querem ouvir o que é igual ao que eles falam. Não querem dar ouvido ao que os outros falam. Eles são a cara do ódio. Me sinto na Alemanha nazista.
O país, que já viveu chacinas, como Carandiru, Candelária, Vigário Geral, Corumbiara, Taquaril, Eldorado de Carajás, o país dos grupos de extermínio, das milícias, da polícia que mais mata, tem a chance final, em algumas semanas, de não tornar sua violência institucional e política de governo.

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