Urnas , quartelada e nazismo moreno: Bolsonaro, a República das Quatro Estrelas e o apoio dos fascistas

“Ele não tem projeto para o país a não ser armar as pessoas para que se matem. Olhe o que os correligionários dele fazem. Vou dizer a vocês o que é o Bolsonaro. O casamento do neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, que corta direitos trabalhistas e sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso é que é o Bolsonaro”.
Fernando Haddad, definindo com precisão o Coiso durante coletiva em que foi novamente perguntado – tenham a santa paciência… – sobre o fictício kit gay nas escolas, uma das mentiras deslavadas do marketing do capitão-fujão de debates. A fake news do dia é dizer que Haddad ESCREVEU o tal kit.

O capitão-fujão de debates Jair Bolsonaro não é só o candidato dos militares, com quem promete lotar/lotear/lambuzar seu ministério, criando uma República da Caserna inédita desde os Anos de Chumbo. E que, por servilismo e deficiência intelectual, também pretende terceirizar seu programa de governo aos quatro estrelas  (muito apropriado que tramem no subsolo de um hotel na capital, o Brasília Imperial), sem falar do neoliberal entreguista Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”, a quem já anunciou que delegará o comando da economia. E que conta com um exército de robôs fabricantes de fake news maior do que seus apoios adestrados na Vila Militar do Rio, seu domicílio eleitoral, onde teve 86,2% dos votos (parabéns aos 13,8%). Bolsonaro, que na mídia internacional – não esquerdista, como Bloomberg, Reuters, New York Times e CNN, por exemplo – é descrito como o Brazilian far-right candidate, ou seja, o candidato de extrema-direita, e que aqui, como foge de debates e entrevistas, ganha no Jornal Nacional espaço até para aspas tuitadas por seu ghost writer, o presidente do PRN, digo, PSL, Gustavo Bebbiano, é também o candidato favorito dos mais perigosos e nojentos grupos ultrarradicais. Bolsonaro é apoiado por neonazistas brasileiros, com 50 tons de pele ou mais, entre eles o grupo skinhead Carecas do Brasil, com as características jaquetas de couro sem manga para mostrar os músculos que não cresceram em seus cérebros.  Criamos o “neonazista negro”, como pontuou o ator Zé de Abreu, os “morenazis”, como nomearam com propriedade alguns sites.

Imagens temporarias 8.jpg
LEGENDÃO, da ESQUERDA para a direita: Imagens reproduzidas no whatsapp de grupos neonazistas de cartazes colados em postes em cidades do Nordeste; Hitler no documentário “Arquitetura da Destruição”; Bolsonaro e seu amigo Marco Antônio Santos, neonazista assumido e que se traveste de Hitler; a jovem “marcada” com a suástica por radicais; Roger Waters e o #Elenão nas fuças dos coxinhas paulistas; Gilberto Gil em foto com o capoeirista Moa do Katendê, brutalmente assassinado por um militante de Bolsonaro; O Coiso com a Coisa Regina Duarte,  sempre do lado errado da história; Adolfo (ops) Sachsida, do Ipea, e Roberto Ellery, professor de Macroeconomia da UnB, alguns dos elos civis de Paulo Guedes com o núcleo militar;  pichação nazista em bairros de São Paulo; e imagens de Bolsonaro e seu filho cercado de seus parças fascistas e idolatrando o torturador Ustra.

Em grupos de whatsapp – mensagens fortes, a que tivemos acesso e não reproduziremos para preservar quem nos passou -, neonazistas e fascistas de vários graus de demência têm comemorado a possível eleição de Bolsonaro e feito planos para o que chamam de “ações de correção” contra minorias nas grandes capitais, certos de que terão vida mansa e repressão zero com um presidente que prega o ódio, o racismo, homofobia e a misoginia. Fora do curral de seus grupos fechados, estimulam o ódio usando as ferramentas – e são muitas – que as redes oferecem e a enorme dificuldade que a Justiça Eleitoral, o Ministério Público e a Polícia Federal têm de combater não apenas fake news, mas hate news. Como mostrou a revista Época (vale a leitura dessa raridade:), rede narcísica, a internet estimula um novo personagem: o troll, o usuário – ou robô – que provoca e enfurece outras pessoas, com comentários ignorantes e, muitas vezes, criminosos. No mundo de asfalto e tijolos, multiplicam-se pichações de extrema-direita.  Está em toda parte. Caso dos bairros São Miguel Paulista, Butantã e no Metrô São Bento, no Largo de São Bento, em São Paulo. Algumas das mensagens mais singelas: “Ideologia de gênero é o caralh#”, “Vão se f*der seus negros e feministas de merda. Gays do demo”.

O chão do estacionamento do campus Praia Vermelha da UFRJ, em frente à faculdade de Comunicação, amanheceu com esta pichação: “Vaga para professores negros”. Trata-se de uma área com muitos cotistas (Leia). Já nos banheiros do do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e no Centro Acadêmico de Filosofia e Ciências Sociais, no Centro do Rio foram feitas pichações com o número 88 — que representa a saudação nazista “Heil Hitler” (H é a 8ª letra do alfabeto, 88 seria HH ou “Heil Hitler”). Também foram feitas ameaças a estudantes indígenas (Leia). A senha para reduzir a gravidade dos fatos é dizer que são casos isolados. Não são. São muitos sinais do que poderá vir.  A tag #BOL卐ONARO, que substitui o S do nome do presidenciável por uma suástica nazista, chegou aos assuntos mais comentados no Twitter. Dúvidas?

Vamos adiante. Os elementos nazistas no discurso político de Bolsonaro e a presença de fascistas em seu staff e apoiadores são tão claras que só não cegam quem já não quer ou não consegue enxergar. O slogan da campanha de Bolsonaro é “O Brasil acima de tudo” – que ganhou o subtítulo “Deus acima de todos” para agradar Edir Macedo e aliados evangélicos. O slogan do nazismo era “Deutschland über alles” (literalmente, a Alemanha acima de tudo), retirado de um verso do hino alemão composto por Haydn em 1797. Não se trata, evidentemente, de um ato falho ou uma ‘sacada’ de algum marqueteiro, como lembrou o blog Nocaute, do escritor Fernando Morais. O slogan “O Brasil acima de tudo” é um claro aviso do que virá se ele ganhar.” Nas redes é apoiado por grupo como “Brasil, Pátria Livre do Comunismo”, de cunho fascista (mão confundir com o Partido da Pátria Livre) e propagador de fake news. Outro exemplo é o Nacional Democracia (DAP), que cultua, como Bolsonaro, o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador confesso e condenado. Há alguns anos, um grupo capitaneado pelo movimento neonazista White Pride World Wide convocou um “ato cívico” em prol de Bolsonaro no vão livre do Museus de Artes de São Paulo (Masp). Depois disso, submergiram. Mas têm tudo para voltar com força no caso da terrível possibilidade de Bolsonaro vestir a faixa presidencial  – que a revista Veja já lhe deu.

Heil Witzel, o candidato fascista do PSC ao governo do Rio – cujo apoio Bolsonaro agora finge que não quer -, ex-juiz com passagem pela Marinha, apareceu em um palanque de campanha, em Petrópolis, no domingo anterior ao primeiro eleição, assistindo aos então candidatos Daniel Silveira e Rodrigo Amorim destruindo a placa de rua feita em homenagem à vereadora do Psol ASSASSINADA Marielle Franco, cujo crime permanece impune. Voltando um pouquinho no tempo podemos apreciar Bolsonaro posando em fotos ao lado do então candidato a vereador do Rio, Marco Antônio dos Santos, fã de Adolf Hitler, que se traveste com roupas nazistas, e chegou a ir à Câmara do Rio caracterizado como seu ídolo. Ele foi participar de um “debate” sobre o projeto “Escola sem partido”, de autoria do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), com broches militares no paletó e bigodinho e corte de cabelo característicos do ditador responsável pelo massacre de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Disse que se vestia como um “francês” – ignorante como é, nunca deve ter ouvido falar dos “aliados ocultos de Hitler”, os nacionais que apoiaram a invasão nazista durante a França ocupada.

A Alemanha, por sinal, está mais preocupada em combater o neonazismo do que o Brasil, que deu 50 milhões de votos a Bolsonaro – embora parte possa ser revertida no segundo turno quando, com informação e diálogo, possamos, quem sabe, acordá-los para o perigo que o Coiso representa. Neste sábado,13, a Alemanha, país com mais investimentos de multinacionais no Brasil, como a Volkswagen, Mercedes e Siemens, mandou um recado ao Brasil. Segundo a presidente do Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro, Yasmin Fahimi, uma possível eleição de Bolsonaro pode impedir uma retomada da parceria estratégica. “O Brasil está à beira de uma grande ruptura. Ficamos chocados como o fato de que, com Jair Bolsonaro, uma pessoa que tornou socialmente aceitável um discurso de ódio tenha chegado à liderança”, disse ela. “Do lado alemão, não vejo nenhuma base para uma parceria estratégica com um presidente Bolsonaro”.

Aliás, um vídeo publicado pela Embaixada da Alemanha no Brasil em suas redes sociais viralizou no cenário de polarização política no Brasil. Concebido para divulgar a história da Alemanha, a peça, publicada há um mês, informa que os alemães “são ensinados a confrontar os horrores do Holocausto” —o extermínio sistemático de judeus pelo regime nazista. A afirmação despertou militantes de direita brasileiros que acreditam – ou fingem acreditar – que o nazismo seria um movimento de esquerda porque o partido liderado por Adolf Hitler se chamava, oficialmente, Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – sim, para os nazibolsonaristas, Hitler era uma espécie de petista. Entre os comentários em redes sociais, há aqueles que negam, inclusive, o massacre de 6 milhões de judeus.

Os fascistas ficaram possessos agora como o fundador do Pink Floyd, o músico britânico Roger Waters, que em tour pelo Brasil não se omitiu frente ao ódio que a extrema-direita propaga e a ameaça de Bolsonaro subir a rampa do Planalto. Projetou em um telão uma lista de políticos autoritários que se destacam no mundo e, entre eles, Jair Bolsonaro. As hashtags #EleNão e #Resist projetadas em seguida fizeram fez seu show entrar para a história. As vaias perderam para os gritos de apoio ao lendário bardo do rock progressivo. “Achavam que Another Brick in The Wall era sobre construção civil?”, ironizaram alguns sites, falando dos fake fãs que vão a shows sem saber a diferença entre Roger Waters e Roger Moreira, o patético e decadente “líder” do Ultraje a Rigor – que, claro, apoia o direitista, visitou-o no hospital e agora fala mal do Pink Floyd.

Uma coisa que é impossível não observar. O silêncio obsequioso da quase totalidade da chamada grande mídia ao crescimento do fascismo, com sua falsa preocupação de tratar igualmente – em espaço e conteúdo  – Haddad e Bolsonaro. A mesma crítica vale aos demais candidatos progressistas, exceto por Guilherme Boulos, do Psol, a quem, como ex-candidato de esquerda, é dada muito pouca voz. Terceiro candidato a presidente mais votado no primeiro turno, Ciro Gomes viajou para a Europa e, depois de um decepcionante “apoio crítico” a Haddad, utilizou as redes sociais para dar a primeira declaração sobre o processo eleitoral. Pelo Twitter , fez críticas a Bolsonaro. “Eu acho uma grave ameaça, pelo extremismo.” Ciro, é muito pouco. Esperamos mais de você.

Ah, e, como não registrar, a pé fria Regina Duarte está de volta – como sempre do lado errado da história.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s