No dia em que KKK elogiou Bolsonaro, poeira baixa com clã Ferreira Gomes graças à habilidade política de Haddad

De uma coisa ninguém duvida: os eleitores de Ciro e Cid Ferreira são melhores do que eles. O programa eleitoral de Bolsonaro deu o braço a Cid e tripudiou do piti do senador eleito, que aproveitou “ato pró-Haddad” – sim, era a ideia original – em Fortaleza, na segunda-feira, 15, para provocar a militância petista e disparar xingamentos. Cid, que se elegeu senador com o apoio negociado do PT, não agiu sem conhecimento de Ciro, obviamente. Ciro, como se sabe, está na Europa, enquanto a parte do Brasil que ele ajuda a representar – a tal centro-esquerda – se agarra aos arbustos no penhasco para não ter um presidente-ditador pelos próximos quatro anos. Se for estratégia é tão ruim quanto a demora de retirar a candidatura de Lula e colocar logo na rua a de Haddad. E antes que eu me esqueça, e saia do lead: desmobilização é tática de guerra. Não deixe de votar porque as pesquisas eleitorais indicam que Bolsonaro “está praticamente eleito”. Uma ova.

Quem não quiser comentar só porque ‘ouviu falar’ ou ‘leu em algum lugar’, perca alguns minutos e assista o vídeo. Vai perceber que Cid não agiu porque foi provocado, provocou deliberadamente a militância majoritariamente petista – “tem que fazer um mea culpa, tem que pedir desculpas, reconhecer que fizeram muita besteira” -, levou vaias, como era óbvio, e aí fez o movimento político planejado e calculado pelos Ferreira Gomes. “É bem feito perder a eleição. E vão perder feio”, esbravejou. E respondeu aos gritos de “Lula” com um “Lula tá preso, babaca” – e repetiu “babaca” várias vezes. Vamos combinar que nada justifica o ato político- e a falta de postura – de Cid. O PT deve um mea culpa? Deve. O ódio petrificado ao petismo é parte do molde que criou o monstronaro? É. É hora de dividir ou de combater um inimigo comum? Você responde. E quem descobrir por onde anda Ciro ou quem pôs um microfone nas mãos de Cid me avise.

Imagens temporarias 8
Ciro, ao lado de Lupi, que bradou contra a volta da ditadura, depois de reunião do PDT, e depois sumiu na Europa; Cid Gomes em pleno piti; e David Duke, o ícone da KKK, que adorou Bolsonaro

No começo da tarde desta terça, 16, Cid publicou uma mensagem em suas contas nas redes sociais dizendo que, “não quero me vingar de ninguém” e que “para o Brasil o menos ruim é o Haddad”. Não me chamem pra festa de um amigo desses. “Carrie, a Estranha” perde (quem já encheu o saco de minhas referências cinematográficas levante o mouse rs). Quase ao mesmo tempo, em outro ponto do globo, David Duke, uma espécie de líder hors-concours da KKK (Ku Klux Klan), um dos mais abomináveis grupos racistas do planeta, comentou a situação da política brasileira em um programa de rádio, conforme noticiou a BBC. “Ele (Bolsonaro) soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista”, completou. A piada já estava pronta, Haddad ensaiou tripudiar nas redes – “Meu adversário também está compondo com aliados e somando forças. Hoje ele recebeu o apoio da Ku Klux Klan” -, e ouviu desaforos de Bolsonaro. Mas o “apoio” diz muito sobre quem é Bolsonaro – e o perigo de elegê-lo. Fato.

Embora os sites tenham se esbaldado com a egotrip dos irmãos Ferreira Gomes, e os colunistas que ainda sobrevivem catem as sobras do tremendo mal-estar causado, é uma característica de Haddad que muitos criticam – um certo sangue-frio político e diplomacia para dar e vender – que implodiu a crise. Contra certamente muitos conselhos contrários, evitou revidar e buscou amenizar as declarações do aliado. “Eu não vou ficar comentando isso, até porque eu tenho uma amizade pessoal com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa. Prefiro sempre olhar o lado positivo”, disse a jornalistas. Em entrevista à rádio Jovem Pan (ugh) disse que “Ciro e Cid ficaram ressabiados com o PT por razões locais”. “Eu sei que não é comigo o problema”, comentou, citando ser “muito amigo” dos irmãos. Coordenador no Ceará da campanha do presidenciável do PT, o deputado federal reeleito José Guimarães (PT-CE) preferiu ser tosco. “Sobre os nossos legados e parcerias entre o PT e os Ferreira Gomes, discutiremos após o segundo turno”.

Mas a frase patética do dia ficou com um sujeito que andava quieto depois de um ‘Cala a boca, Magda’, o general Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, para quem “tem aquela frase antiga, de que a esquerda só é unida na cadeia, porque é obrigada a andar junta”.  Um pândego. Só que essa frase era muito usada na ditadura para se referir à tortura de resistentes de esquerda.

Se Ciro está mesmo começando a asfaltar sua candidatura à Presidência em 2022 às custas de elegermos Bolsonaro, é de uma tremenda desonra a Leonel Brizola, o criador do seu partido – depois de perder a legenda PTB na volta do exílio -, que xingou o “sapo barbudo”, mas não hesitou em apoiar abertamente Lula contra o Coiso Collor. Lembro bem. Votei em Brizola no primeiro turno, em Lula no segundo. Meus primeiros votos para presidente. O velho caudilho era outra história mesmo.

Ah, a KKK ainda não abriu uma filial no Brasil. Ainda.

2 comentários em “No dia em que KKK elogiou Bolsonaro, poeira baixa com clã Ferreira Gomes graças à habilidade política de Haddad

  1. Excelente, Ricardo! Haddad é um sujeito diferenciado, educado e inteligente. É bom avisarmos que ainda podemos ganhar a eleições, enquanto Bolsonaro já escolhe sua equipe. Já vimos esse filme antes.

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