No bueiro da família Bolsonaro, fechar o Supremo é só uma das opções. Se não querem “eleger” uma ditadura, eleitores ainda têm alguns dias para pensar

A família Bolsonaro é tudo, menos imprevisível. É como um subterrâneo fétido onde basta levantar qualquer tampa de bueiro, em qualquer ponto, e sabemos que virá um mau cheiro insuportável. Jair Bolsonaro – e sua família -, como descreveu até o The New York Times em editorial “é um brasileiro de direita com opiniões repulsivas. Ele disse que preferiria um filho morto a um homossexual; que uma colega no Congresso era feia demais para ser estuprada; que os afro-brasileiros são preguiçosos e gordos; que aquecimento global é apenas uma ‘fábula’. Ele é nostálgico dos generais e torturadores que governaram o Brasil por 20 anos. No próximo domingo, no segundo turno da eleição, o Sr. Bolsonaro provavelmente será eleito presidente do Brasil”. Bom, esperemos que o NYT esteja errado pelo menos na última frase. O NYT esqueceu de listar a defesa de Bolsonaro da isenção de julgamento de PMs que matam em serviço – o aval para a carnificina em áreas pobres. Ou alguém imagina que se esteja falando de ações em condomínios na Barra da Tijuca, Morumbi ou Lago Sul?

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O editorial do NYT que chama Bolsonaro de homem de direita “com opiniões repulsivas”. “Ele disse que preferiria um filho morto a um homossexual; que uma colega no Congresso era feia demais para ser estuprada; que os afro-brasileiros são preguiçosos e gordos. (…) Ele é nostálgico dos generais e torturadores que governaram o Brasil por 20 anos.”

O último bueiro levantado do esgoto de ideias desses ogros que alternam farda e terninho é um vídeo capturado em 9 de julho. Quando respondia a perguntas de alunos de um curso preparatório para concurso da Polícia Federal, o deputado federal Eduardo Bolsonaro se manifestou sobre a possibilidade de o Supremo impugnar a candidatura de seu pai. “Eles vão ter que pagar para ver”, afirmou. “O pessoal até brinca: se quiser fechar o STF, você não manda nem um jipe, manda um soldado e um cabo. Não é querendo desmerecer o soldado e o cabo. O que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua?” (Assista). No vídeo, ele também menciona o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a “moral” do juiz Sergio Moro. “É igual a soltar o Lula. O Moro peitou um desembargador que está acima dele, por quê? Porque o Moro está com moral pra cacete. Você vai ter que ter c. para conseguir reverter uma decisão dele. Ele só joga lá. Quero ver quem vai dar o contrário”, concluiu. Ministros do STF reagiram, como o decano do tribunal, Celso de Mello, que disse a Mônica Bergamo que a declaração era “inconsequente e golpista”. O vaga-lume político FHC piscou: as afirmações “cheiram a fascismo”. E ficamos por isso mesmo,  segue a campanha. Mais um dia, mais um passo para o cadafalso.

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O ogro Eduardo Bolsonaro, deputado federal mais votado da história do País, com 1,8 milhão de votos, e a prosaica defesa do fechamento do STF: “Se quiser fechar o STF, você não manda nem um jipe, manda um soldado e um cabo”. Ensaio para uma inevitável ditadura, que ainda pode ser detida pelo voto.

Papai Bolsonaro, candidato da KKK, como já fez outras vezes com os filhos e com Mourão, o general em quem pensa mandar, tentou dar uma de Mandrake, hipnotizando a platéia. Primeiro questionou se não foi tirado do contexto. “Se alguém falou em fechar o STF, precisa consultar um psiquiatra.” Até aí ia bem. E aí mudou o foco. “Está havendo hoje manifestação em todo o Brasil. É sinal de que a população está realmente preocupada com o futuro e quer alguém diferente do PT na presidência.” Oi? Eduardo recuou, sem convicção. Jogo de cena. Como os áudios vazados de William Waack ou de Boris Casoy, seguidos de sinceras desculpas. Em breve, se o exército de robôs seguir zumbindo fake news nos grupos de Whatsapp e nas redes sociais, com a complacência da Justiça Eleitoral, e os zumbis bolsominions continuarem seu caminho trôpego até as urnas, nem mais desculpas virão. Nós sabemos o que virá. Uma ditadura que não vai durar dois anos até ser engolida pelos próprios bueiros que abriu.

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