Vira, virou: Haddad presidente reconciliará o país e devolverá golpistas a suas cavernas

Chegou a hora de votar. Brasileiras e brasileiros de todos os rincões do país vão sair de suas casas para o encontro mais especial da democracia: do cidadão com o voto. Não há meio termo e, descontando as exceções de praxe, não cabe omissão numa hora dessas. Até porque não há meio termo. Como poucas vezes na história, temos a colisão de lados diametralmente opostos da esfera política. Mais do que isso, para além da política e mesmo da ideologia, estamos diante de um confronto de dois mundos. Um democrático, representando a renovação das forças progressistas. O professor Fernando Haddad, e sua parceira de chapa, a jornalista Manuela d’Ávila, hoje representam a esperança de um país justo, igualitário, livre, fraterno, pacífico. A eleição de Haddad, que será arrancada no photochart, representará a devolução do país ao curso democrático e, com o tempo, a reconciliação nacional. A única chance de voltarmos a sermos todos irmãos nessa família complicada chamada Brasil.

Do outro lado, está a negação de tudo, o flerte com o fascismo, o divisionismo, uma chapa puro-coturno que prega o retrocesso e ameaça não apenas os programas sociais, mas as liberdades individuais e nosso recente reencontro com a democracia depois da ditadura implantada em 64  – e que os bolsominions idolatram, na maioria das vezes por pura ignorância. O candidato que cresceu no ódio, na pregação antidemocrática, na lavagem cerebral da mídia contra um partido e que criou como simbolo de campanha a morte – representada pelas armas -, lidera uma ultradireita violenta, sectária, preconceituosa. Um lobo tenebroso disfarçado como o cordeiro que devolverá os valores familiares e da pátria. Um candidato que fez a campanha mais suja da história, a ponto de inventar uma nova modalidade de mentira, montando com amigos empresários uma milionária fábrica de fake news pelo whatsapp, para entrar nos lares brasileiros por uma das janelas mais íntimas criadas pela tecnologia. Neste já histórico domingo, 28, poderemos, ao final do dia, desfilar na avenida um samba popular, ou rasgar uma página infeliz da nossa história (obrigado, Chico).

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Universidades invadidas pela polícia, impedindo manifestações democráticas contra o fascismo. O ensaio da orquestra ditatorial que vamos varrer para longe nas urnas

Nos últimos dias, uma das faces nefastas do fascismo, apoiado pela KKK norte-americana e visto até na mídia internacional mais neoliberal como uma ameaça, mostrou de vez a sua cara monstruosa, e hoje assusta até quem estava mais preocupado em destruir um partido, sem perceber que se botava ali o ovo da serpente, vindo na forma de um militar medíocre e de inteligência rasa, que passou a vida disseminando o mal e pregando contra os valores democráticos. E que, numa esquina de nossa vida política, eclodiu, atraindo os saudosistas das torturas, do elitismo e do preconceito vil contra minorias e tudo o que seja diferente com seu conceito doente de país.

No dia que antecede o grande dia, até nossa mídia destacou, entre constrangida e falsamente surpresa, a série de ações policiais e de dublês de fiscais eleitorais contra movimentos e ações estudantis de rejeição ao fascismo, invadindo o espaço sagrado de universidades de todo o país. Pelo menos 30 instituições foram alvo de operações da SS bolsonarista – caso emblemático da retirada da faixa “Direito UFF Antifascista da fachada da universidade em Niterói -, já treinando para o holocausto, sob a justificativa de propaganda eleitoral. Até a via de regra omissa procuradora-geral da República, Raquel Dodge, num soluço de bom senso, ajuizou ação por ver indícios claros de “ofensa à liberdade de expressão, de reunião e de cátedra. Reitores de universidades federais declararam repúdio e milhares de estudantes protestaram nas ruas. Da mesma forma, a ministra Cármen Lúcia concedeu neste sábado, 27, decisão para suspender os efeitos judiciais e administrativos que determinaram o ingresso de agentes da Justiça eleitoral e de policiais em universidades públicas e privadas.

Diante do grotesco Bolsonaro, a virada vai tomando a forma de onda que desafia os institutos de pesquisa.  Com 26,7 milhões de inscritos em seu canal no Youtube, que é um dos maiores do mundo, o youtuber Felipe Neto declarou seu voto em Fernando Haddad. Felipe, que não disfarça suas críticas ao PT, percebeu que existe um mal maior. Haddad também ganhou outros apoios de peso, como do jornalista Marcelo Tas, outro forte influenciador digital, e de Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, que chegou a cogitar ser candidato. Esses votos mostram que o antipetismo está perdendo para o medo da ameaça fascista.

Depois da linda campanha das mulheres pelo #EleNão, da comunhão democrática na Lapa, e de movimentos crescentes de rua de apoio a Haddad em capitais de todo o país, encerrar a campanha com a já conhecida resistência estudantil – revivendo a memória de Edson Luís de Lima Souto, secundarista brasileiro assassinado por policiais militares que invadiram o restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, no dia 28 de março de 1968 – não poderia ser mais representativo. Se o cenário pré-ditatorial não está claro pra você, abra os olhos. Suas viseiras podem estar lhe cegando. E vamos para a virada.

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