Vira, virou: campanha formiguinha vira votos e esclarece indecisos contra o fascismo. Haddad está perto de ser eleito

Você esperava mais de Ciro Gomes, em sua platitude política? Que ele, por exemplo, diante da perspectiva de que um fascista como Bolsonaro fosse eleito, apoiasse Haddad – como fizeram, por exemplo, os antipetistas Rodrigo Janot e Joaquim Barbosa, para citar duas adesões recentes, entre tantas outras? Que subisse no palanque final com Haddad, alavancando a virada que se anuncia? Que ao menos postasse um vídeo nas redes sociais deixando claro seu apoio a Haddad? Um telegrama, pelo menos – ainda existem telegramas? Uma mensagem psicografada, quem sabe. Eu já disse que os eleitores de Ciro são muito melhores do que ele, como os eleitores de Haddad são melhores do que o PT. Ciro, na véspera da eleição mais importante da história recente do país, fez como o flácido João Doria(na): flagrado na suruba, gravou um vídeo ao lado da esposa defendendo a família e, claro, culpando o PT. Nas redes sociais, o candidato derrotado à Presidência do PDT, de volta ao Brasil após viagem à Europa, não declarou apoio a Haddad, como parte da militância de esquerda ainda esperava, e disse que vai “preservar um caminho” para que os brasileiros possam ter uma “alternativa”. O pedetista reconheceu que “todo mundo preferia” que ele “tomasse um lado e participasse da campanha”, mas ressaltou que não o faria. Seguiu a linha já desenhada pelo irmão Cid, senador eleito graças ao PT, e que, traiçoeiramente, usou um ato público de apoio ao PT para exigir “desculpas” do partido. Não há dúvidas. Ciro não se importa que Bolsonaro seja eleito, desde que ele esteja no páreo em 2022. Por isso, vou repetir, sem pretender ser messiânico: não esperava outra coisa de Ciro. Minha esperança está em seus eleitores. E nos indecisos – que visivelmente podem e precisam ser esclarecidos, ainda que no trajeto para a urna.

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Letícia Sabatella montou uma banca no centro do Rio de Janeiro; a ex do omisso Ciro Gomes, Patrícia Pillar, se disponibilizou para o diálogo; Leticia Colin e Luisa Arraes também foram para a rua conversando com as pessoas e virando voto; Herson Capri foi às ruas pra dialogar com as pessoas e virar voto; Leandra Leal, Marina Person, Laura Carvalho e Renan Quinalha montaram sua frente da virada do Centro de São Paulo, assim como Mariana Lima, Enrique Diaz e Maria Flor, viraram votos nas ruas; Guta Stresser escolheu como frente o Metrô da Barra, no Rio; Paulo Betti, militante histórico, panfletou e virou votos.

Na virada deste sábado para domingo, completei com um táxi uma corrida para casa. Estava com meus filhos, voltando do Maracanã. Pensava na segurança deles, desconsiderando a dor no bolso. Moro no Rio de Janeiro e entre o Maracanã e a Barra da Tijuca há um mundo de desigualdade e medo que todo o Brasil conhece bem. Na reta final da corrida, já com os filhos na casa da mãe, eu e o taxista, um morador do subúrbio do Rio, mudamos o tema de futebol – ele Vasco, eu Flamengo – para política. Quando a corrida se encerrou, meu amigo continuava Vasco, nem pretendi o contrário, mas deixou de ser um indeciso, propenso a votar em Bolsonaro, ou um potencial voto em branco. Havia compreendido que Haddad era a melhor opção para o país. O vira-vira foi intenso nos últimos dias, do trabalho de formiguinha nas redes sociais até campanhas de rua, inclusive com a presença de artistas, que convidavam os indecisos a refletir. Com diálogo e olho no olho, banquinhas, afeto e muita paciência, se mobilizaram nas ruas de diversas cidades do Brasil e se disponibilizam a conversar com eleitores indecisos. Tudo pela onda da virada, que acredito ser real, e não uma fantasia da minha bolha social. O instituto Vox Populi, o que mais se aproximou do resultado real no primeiro turno, mostra um empate, com uma poderosa onda pró-Haddad. Podemos virar neste domingo. Acredite.

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