Moro ministro de Bolsonaro é prova da trama política que levou ao impeachment de Dilma, à prisão de Lula, à eclosão do antipetismo e à entrega do pré-sal

Dilma Rousseff é reeleita. Aécio Neves jura a presidente de impeachment e pede recontagem dos votos. PMDB e PSDB inviabilizam o governo petista no Congresso e o asfixiam com “pautas bomba”. Eduardo Cunha condena Dilma Rousseff por pedaladas fiscais. Michel Temer assume e realiza o oposto do programa da chapa eleita e segue a cartilha neoliberal, rifando o pré-sal. Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, apresenta seu power point colocando Lula como chefe do esquema. O juiz Sérgio Moro condena e manda prender Lula, tirando-o da disputa presidencial. Chegam as eleições e o candidato do PSL monta uma fantástica fábrica de fake news pelo whatsapp contra Haddad, denunciada pela Folha, mas a Justiça Eleitoral- como antes o TCU, o STJ e o Supremo – fingem de mortos. Bolsonaro fecha um pacto de sangue com Edir Macedo, o sangue-suga-mor da Igreja Universal do Cofre de Deus. A mídia bota carga no antipetismo, tenta emplacar alguns candidatos fake, como Luciano Huck, até que, no funil do segundo turno, cai nos braços do ultradireitista Bolsonaro. Às favas o país. Bolsonaro é eleito menos pelos seus zumbis e robôs, e mais pelos mais de 30% dos brasileiros que optaram pelo “não voto” – 42,1 milhões de Pilatos. Bolsonaro monta um ministério patético e – como se tirasse um ás da manga – convida para comandar o Ministério da Justiça – e a Polícia Federal – o responsável pela Lava Jato, Sérgio Moro, que aceita. Está mais claro agora ou é preciso um power point?

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Em nome do pai, do filho e do fascismo. Moro, o cara que perseguiu o PT, arrancou delações a fórceps – tirando o sigilo da de Palocci durante as eleições – e mandou prender Lula para que não fosse candidato, aceitou convite de Bolsonaro e diz que será ministro da Justiça para “afastar riscos de retrocessos”. Como o próprio vice Mourão confessou, o convite se deu durante a campanha.. Em nota, o Judge Dredd da terra dos pinhais prometeu “forte agenda anticorrupção”. Contra quem será?

Moro não será apenas um ministro de Bolsonaro. Terá poderes tão grandes que já está aberta a temporada de apostas de que já é um candidato natural à sucessão do Coiso. Moro, que jurou em entrevista ao Estadão em novembro de 2016, que jamais entraria para a política, não só entrou de cabeça, ao aceitar ser ministro do candidato vitorioso que derrotou nas urnas o PT que ele desconstruiu em sua Corte, como já está sendo inflado a ser o candidato do governo à sucessão de Jair Bolsonaro — que tem repetido que não concorrerá a um segundo mandato. A ideia já circula entre integrantes do “núcleo duro” da equipe do capitão reformado – “núcleo duro” nessa turma é redundância -, segundo jornalistas bem informadas, como Mônica Bergamo. Moro não poderá mais interrogar o ex-presidente Lula, como faria em 14 de novembro, mas nem precisa.

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Gabriela Hardt, a juíza que vai substituir Moro na Lava Jato, é farinha da mesma Lava Jato. É antipetista, anti-Lula e acha que o PT roubou o futuro do país – como seus posts nas redes sociais escancaram. Seu pai, o engenheiro químico Jorge Hardt Filho, trabalhou na Petrobras por mais de duas décadas. Receptiva aos pleitos dos policiais federais e dos procuradores, estará pronta a servir o chefe, agora como ministro.

Não só porque sua sucessora Gabriela Hardt, a juíza que vai substituir Moro na Lava Jato, é farinha da mesma Lava Jato. É antipetista, anti-Lula e estará pronta a servir o chefe, agora como ministro. Mas porque Moro agora é o dono do pedaço. Terá não só a fusão das pastas do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, como a própria Polícia Federal, o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União, órgão de controle interno do Governo Federal responsável por realizar atividades relacionadas à defesa do patrimônio público, o Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica que combate cartéis, e o Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, este último hoje ligado ao ministério da Fazenda. Após o encontro protocolar com Bolsonaro – até porque a decisão já estava tomada -, Moro divulgou nota dizendo que aceitou “honrado” o convite. Moro disse, ainda, que aceitava o cargo com “certo pesar” pois terá que abandonar a carreira de juiz após 22 anos de magistratura – na pior das hipóteses, sabe que tem vaga certa no STF de Bozo. Moro é o quinto ministro anunciado pelo governo Bolsonaro. Outros quatro já foram anunciados: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia), general Augusto Heleno (Defesa) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

Deltan Dallagnol, procurador do Ministério Público Federal durante apresentação das denúncias
O procurador fundamentalista Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da Lava Jato e membro da Igreja Batista de Bacacheri, em Curitiba, também aguarda seu convite para o ministério Bolsonaro pelos bons serviços prestados. Na foto, em sua famosa apresentação de power point que virou meme, colocando Lula ao centro de esquema chamado de petrolão. Cumpriu fielmente sua missão de inflamar preconceitos e paixões e aniquilar a possibilidade de Lula ter um julgamento justo e imparcial

O PT está perplexo. Foi pego de calças nas mãos. Mal absorveu a derrota de Fernando Haddad, terá que lidar agora com esse relevante fato político. As reações, de bate pronto, foram as esperadas. Os advogados de defesa de Lula ingressaram na 13ª Vara Criminal de Curitiba (PR) com um pedido de nulidade do processo relativo ao Instituto Lula, movido pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo juiz Sérgio Moro. A argumentação da defesa do ex-presidente é pela prática de lawfare (uso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política). De acordo com os advogados, a “conexão política” do juiz de primeira instância com o presidente eleito fica evidente diante do convite aceito por Moro na manhã desta quinta, 01/11. “Moro é um juiz ativista e agora assumiu esse lado”, fez coro o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que defende atualmente 17 pessoas em processos ligados à Operação Lava Jato. Kakay criticou a rapidez do juiz Moro ao aceitar o cargo, tão poucos dias após a confirmação da vitória de Bolsonaro nas urnas, em 28 de outubro. “É quase assustador ele assumir com essa gana um cargo de ministro da Justiça tão logo saia o resultado das eleições, antes mesmo da posse. Porque nós estamos vendo um juiz que instrumentalizou o poder Judiciário, e isso é gravíssimo. De certa forma, a partir de agora, ele terá que responder por isso.”

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Do advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende réus na Lava Jato: “Ele (Moro) é um juiz ativista político. Agora ele assumiu o lado ativista político. Ele envergonha o poder Judiciário. (…) A aceitação desse cargo comprova aquilo que nós advogados, eu inclusive, estamos dizendo há bastante tempo: a parcialidade do juiz Moro. (…) O ato que ele fez é lamentável para o poder Judiciário, compromete o poder Judiciário. A isenção do juiz é uma das principais garantias que o cidadão tem.”

Enquanto isso no Rio, como bem descreveu o valoroso jornalista Jan Theophilo, no Informe JB – que, como eu, não é petista, comunista, maoista, stalinista, mas tem olhos e enxerga -, na coluna “Os snipers do Seu Wilson”, vivemos o microcosmo da ditadura eleita. Juiz medíocre, reacionário e rico, como a maioria de seus pares, conhecido pelo vídeo onde aplaude dois mequetrefes bombados, em um comício em Petrópolis, quebrando a placa de homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco, solta de dentro de sua bolha soluções fáceis – e, pior, já experimentadas e que deram em nada. Exceto em mais mortes de civis – geralmente favelados, negros, jovens e pobres. Pois o novo governador Wilson Witzel, apoiador de Bolsonaro, defendeu “abater” (palavras dele) – derrubar por terra, matar a tiros, exterminar – quem estiver de posse de um fuzil. Ele quer também, coerentemente com sua ética, prorrogar por mais 10 meses a intervenção militar no Rio, com resultados pífios. Ao Estúdio I, da GloboNews, governador eleitor disse que pediu levantamento de policiais da Core e do Bope qualificados para matar bandidos de longa distância e que liberará disparos de helicópteros. “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, disse ao Estadão. Vai ser uma chacina. De pobres.

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Eleitos, acabaram os escrúpulos e os cuidados com as palavras dos fascistas eleitos. Juiz medíocre, reacionário e rico, como a maioria de seus pares, Heil Witzel, governador eleito do Rio, pediu levantamento de policiais da Core e do Bope qualificados para matar bandidos de longa distância e que liberará disparos de helicópteros. Pro estado que já teve zepelim vigiando os céus, acabou a inocência. É a política de segurança pública nos snipers. “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, disse o fascista.

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