Acabaram os rebeldes sem causa. Chegou a causa. É a geração mobile versus as Tias Lydias de Olavo de Carvalho

O novelo segue sendo desenrolado, revelando o que se esperava – e, desatando nó aqui, nó ali, o Ministério Bolsonaro vai tomando sua forma teratológica. Um governo paramilitar, de ultradireita, nível ‘O Conto da Aia‘ nos direitos humanos, sociais e das minorias, nível ‘Laranja Mecânica‘ em seu projeto fascista de ensino – área que a própria base evangélica considera “estratégica” -, com o tal Escola sem Partido e a proibição de que se discuta em sala de aula assuntos envolvendo gênero e sexualidade. No Itamaraty, simbiose total com os interesses americanos, com um chanceler adorador de Donald. E com as bancadas evangélicas, ruralistas, da bala, dos planos de saúde, mandando a ponto de entregarem a área de assuntos fundiários para a UDR (União Democrática Ruralista) e vetarem um educador moderado do Instituto Ayrton Senna para o Ministério da Educação porque não comungava com o tal Escola sem Cérebro. O resto da cretinocracia une o pior do argentarismo bancário e neopentecostal com um projeto de autocracia mezzo fardada, mezzo terninho de “apóstolo”. São os gângsters com doutorado da Escola de Chicago, cujos sobrenomes bem poderiam ser Nitti, Esposito, Drucci, Colosimo e Dillinger.

Se o moderado Mozart Neves é avançado demais para comandar o MEC, basta chamar o pai dos burros, Olavo de Carvalho, o “pensador”, o “ideólogo” de ultradireita, radicado na terra de “Papa” Trump, que já indicou o chanceler Ernesto Araújo, e agora emplacou seu segundo nome para a Esplanada,  o “professor e filósofo” colombiano, Ricardo Velez Rodriguez, professor de milico, saído batendo os coturnos dos quadros da Escola de Comando do Estado Maior do Exército para o MEC. Ele também acha que o ensino no país tornou-se refém de uma “doutrinação de índole na ideologia marxista”. Outra Tia Lydia a tentar criar a distopia verde e amarela. Antes do discípulo de Olavo, outra casta estatal  -, a dos procuradores da República -, mostrou-se pronta para a missão de iniciar o Tratamento Ludovico: esvaziar as cabeças dos nossos filhos, impedi-los de pensar, de contestar, “caminhando e cantando e seguindo a canção”. E colocar no lugar a “educação moral e cívica” da ditadura e o ensino das academias militares, um internato de almas e espíritos livres.

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Da esquerda para a direita: cena do Método Ludovico, a terapia fictícia de aversão assistida mediante o uso de drogas utilizada no romance e filme Laranja Mecânica – longa de Stanley Kubrick sobre o romance de Anthony Burgess; o “bombeiro” do filme “Fahrenheit 451”, de ‎François Truffaut‎, baseado na obra de Ray Bradbury, que conta a história do homem que incendeia livros ao invés de conter incêndios; o novo ministro da Educação, o colombiano Ricardo Velez Rodriguez, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, apoiado pela bancada evangélica; o procurador Guilherme Schelb, que defende “tirar o socialismo da mente das pessoas”, como Edir Macedo, que fez sua fortuna pessoal tirando o diabo do corpo de seus fiéis, em farsas teatrais; e o general da reserva Aléssio Ribeiro Souto, para quem os “livros de história que não tragam a verdade sobre 64 precisam ser eliminados”. Fogo!

Daí surgiu o nome Guilherme Schelb, o último dos cotados para a vaga, mas, depois de uma sabatina, desprezado por Bolsonaro. Nas redes sociais, Schelb defende o projeto Escola Sem Partido e diz que há doutrinação e manipulação comunista nas escolas – onde era essa escola, que eu perdi? Schelb defende “tirar o socialismo da mente das pessoas” e diz que Bolsonaro vai “expulsar socialistas do governo” – senti um cheirinho de Edir Macedo e enxofre na frase. Assim como Ernesto “Tio Sam” Araújo acha que havia um viés de esquerda em nossa política externa. Quem sabe não instalam uns cavalinhos inspirados na obra do escultor Josef Thorak em frente ao Itamaraty. E transformam José “O Mecanismo” Padilha em nossa Leni Riefenstahl.

No CCBB, a Führerbunker de Jair Bolsonaro em Brasília, formando seu ministério DEM/Arena-PSL-militares de pijama, sentiu o peso de uma bota gigantesca sobre a cabeça com a escolha para o MEC. Cedeu aos seus mais baixos instintos ao nomear um Montag, partidário do Tratamento Ludovico de extermínio de socialismo nas escolas. Como já defendia outro cotado para a vaga,  Aléssio Ribeiro Souto, general da reserva, para quem os “livros de história que não tragam a verdade sobre 64 precisam ser eliminados”.

No Congresso, a comissão especial da Câmara que discute a volta a 1964, ou, mais especificamente, o tal Escola Sem Partido, realizou novamente nesta quinta, 22, reunião sob clima tenso e com bate-boca entre deputados e manifestantes. Desde julho, é a nona reunião convocada para discutir e votar o parecer do relator, o travesso deputado federal Flavinho (PSC-SP). Com posse prevista somente para fevereiro de 2019, o deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP) entrou na comissão e sentou entre os deputados usando bóton de parlamentar na lapela sem ter tomado posse ainda. A votação, mais uma vez, vem sendo adiada após sucessivos tumultos nas sessões. Imagine o delicioso inferno que será esse Congresso em 2019, o ano da besta. “Ano que vem será um ano de guerra aqui na Casa”, disse o pastor e ex de Frota – segundo o astro de Brasileirinhas -, Pastor Marco Feliciano (Pode-SP). Será, Pastor. Será.

E, de repente, conversando com amigos, atentei para algo. O que estão propondo fazer com esses jovens – nem falo dos pais, como eu – da geração smartphone, dos youtubers, do pensamento livre – é um barril de pólvora. Ou, atualizando a metáfora, uma caixa de TNT do Minecraft. Vai dar ruim. Escola sem partido? Educação Moral e Cívica? OSPB (Organização Social e Política Brasileira)? Alguém acha que esse lixo do nosso tempo – eu que nasci em 1966 e entrei na Universidade de Brasília em 1987, ainda com um reitor biônico, o capitão Azevedo (capitão-de-Mar-e-Guerra José Carlos de Almeida Azevedo) – vai ser engolido por nosso filhos? Pois é, os caras criaram as Fake News pelo Whatsapp para se eleger, ganharam e agora acham que vão devolver o país a 1964, começando pela educação. Vão ganhar uma banana na velocidade da luz. E não adianta o MBL querer invadir a UNE com seus cara-borradas. Podemos ter o nosso maio de 1968 – sem que tenhamos que ser franceses e nem comer escargot – eca!

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O Ministério Bolsonaro, so far: uma união de DEM/Arena-PSL-militares de pijama, com uma base parlamentar que une as bancadas evangélica, ruralista e da bala. Vamos lá, de 0 a 10, que nota você daria para esse nightmare team?

É engraçado como as cores do mundo real só parecem realmente reais quando as vemos numa tela. Ou após uma eleição.

3 comentários em “Acabaram os rebeldes sem causa. Chegou a causa. É a geração mobile versus as Tias Lydias de Olavo de Carvalho

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