Bolsonaro quer instituir bipartidarismo – com ele ou contra ele -, ignorar legendas e transformar Congresso em sua montaria

O Congresso Nacional, do qual faz parte – é deputado federal desde 1991, depois de uma passagem como vereador na cidade do Rio e, antes disso, a carreira militar, entrando para a reserva do Exército em 1989 – parece algo que Jair Bolsonaro gostaria de ignorar. Um desses estorvos da democracia, que sempre mostrou desprezar, mas que o elegeu, com Sérgio Moro, com Supremo, com fake news, com tudo. Como o Legislativo está lá, por enquanto, o presidente eleito decidiu fazer política como nas melhores ditaduras do mundo: ignorando as legendas – inclusive a sua -, as lideranças parlamentares e partidárias – os chamados “caciques” -, ou seja, transformado o Congresso em um apêndice do Executivo. Em um fim de semana tipicamente militar (preparem-se, setoristas) – sábado, na comemoração do 73º aniversário da Brigada de Infantaria Paraquedista, e domingo na Escola de Educação Física do Exército, para participar do X Encontro do Calção Preto, que reúne antigos e atuais comandantes -, Bolsonaro, em um ato falho, entregou o que todos já tinham entendido. Ao falar da formação do ministério – até agora, dois “super ministros”, Guedes e Moro -, um bando de desconhecidos apartidários com o selo TFP de qualidade, e generais por toda parte  -, disse que estava escolhendo seu primeiro escalão “com pessoas isentas, independentes, que pensem no Brasil” – ah, bom! -, “e não na agremiação partidária”. Opa!

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Bolsonaro participa de encontro com antigos e atuais comandantes, professores e alunos da Escola de Educação Física do Exército, na Urca. Agenda militar e ministério montado com base em bancadas, escolhas pessoais e dicas de Olavinho. Uma maravilha será esse governo…

Se pudesse – mas não pode, porque foi eleito, e não recebeu super-poderes, nem foi picado por uma aranha radioativa -, Bolsonaro dissolveria os partidos, como fez a ditadura de 1964, que tanto admira, e instituiria o bipartidarismo. Dessa vez, não a Aliança Renovadora Nacional, a Arena, de apoio à ditadura, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição consentida, mas o Partido Pró-Bolsonaro (PPB) e o Partido Contra Bolsonaro (PCB) – ops. Ame-o ou Deixe-o, como nos lembrou o SBT de Silvio Santos. Se a Globo pode ter “Cem milhões de uns” – a Globo jura que, por meio de suas múltiplas plataformas de conteúdo, fala todos os dias com mais de 100 milhões de brasileiros, mas que campanha idiota -, porque a Câmara não pode ser 513 “uns” e o Senado 81 “uns”?

Aí você vai dizer que, atualmente, há 35 partidos políticos no Brasil – concordamos que muitos não representam nada, mas como ignorar MDB, PT, PSDB, DEM, PDT, PCdoB, Rede, Psol? Ok, surgiram SD, PPL, PATRI, PROS, SD, Novo, PSL…. mas vamos agora brincar que não existe pluripartidarismo? Foram eleitos 54 senadores de 20 partidos diferentes. A Câmara dos Deputados será composta por 513 deputados federais de 30 partidos diferentes. Vamos fingir que não? Está óbvio que Bolsonaro vai afundar nessa estratégia como Titanic, com sua bandinha marcial toando “Nearer, My God, To Thee”. Não, não sou Mãe Dinah, só vivi muito e enxergo longe.

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