Em nome do pai: Eduardo, Flávio e Carlos se bicarão na deep web política

Em nome de Bolsonaro, de Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro e do espírito de porco, amém. Não citarei Laura e Renan Bolsonaro, menores de idade – ainda assim, foram usados na campanha. Dizer que Eduardo, Flávio e Carlos são mimados não reflete plenamente essa família rodrigueana. A extensão de seu trabalho – repare que nenhum foi nomeado, não por pudor ético, para cargo algum, e que até o filho Eduardo, antes cotado para presidir a Câmara, já foi descartado, assim como Carlos para a Secom, e Flávio para a liderança do Governo no Senado -, está nos bastidores. Na capacidade – e credibilidade momentânea, para parte da população – de espalhar boatos pelas redes, agir nos bastidores, baforar, sem tragar, cortinas de fumaça, saiam do gabinete 905 da Câmara Municipal do Rio ou dos subsolos da transição.

Carlos, o twitteiro, escreveu na noite de 26/11, que a morte de Jair Bolsonaro não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto. Principalmente após a sua posse. “É fácil mapear uma pessoa transparente e voluntariosa. Sempre fiz minha parte exaustivamente. Pensem e entendam todo o enredo diário”, recomendou o tuíte do vereador, reabrindo um tema da campanha, que impulsionou o pai e só interessa ao presidente eleito. Lentamente, entendi isso. Questionar a motivação do doido de pedra Adélio Bispo de Oliveira, o esfaqueador de Bolsonaro, é uma segunda facada. Alimentada pela família do-re-mi e por rêmoras políticas, como a deputada-plagiadora Joyce Hasselmann, ajuda a manter a aura do mito e afastar ambições quatro estrelas, que se multiplicam pela Esplanada.

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Da esquerda para a direita: o repentino tweet alarmista de Carlos Bolsonaro, escanteado da Secom; a troca de delicadezas entre Bolsonaro e o filho  aparentemente Eduardo falando sobre Carlos; o presidente eleito e o filho senador Flávio, cargo que nunca ocupou;  e Eduardo na Fox falando  como se fosse um chanceler hors concours.

Enquanto isso, em um tour pelos States, Eduardo, o do bonezinho pró-Trump, deu uma entrevista à rede de direita Fox News, apoiadora radical de Donald Trump – uma levantação de bola sem-vergonha -, afirmando que foi aos Estados Unidos para dar os “primeiros passos no resgate da credibilidade do Brasil” e mandar “uma clara mensagem de que não seremos mais um país socialista”. Filho do meio do primeiro casamento de Jair, é o mais ligado ao pai, segundo pessoas próximas à família, e também o mais impulsivo, com um histórico de aversão à mídia e paixão pelas redes sociais. Eduardo, que age como um chanceler oculto, dá voz ao desprezo pela questão ambiental, a perigosa submissão aos Estados Unidos, que compromete exportações para a China, e também a desnecessária questão da embaixada em Jerusalém. O apresentador Lou Dobbs diz que vê muitas semelhanças entre o presidente brasileiro eleito e Donald Trump. Eduardo confirma a semelhança entre Trump e Bolsonaro e diz que seu pai não segue a agenda do politicamente correto. Se tivesse hombridade, por mais tosco que seja o preposto de Olavo de Carvalho, o ministro indicado para a pasta das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, crítico do “marxismo cultural” no Itamaraty, renunciaria.

“Por que alçar o próprio filho à condição de gênio e interlocutor na política externa, capaz de fazer a primeira viagem internacional e até de sabatinar o futuro chanceler?”, questiona – opa! – a colunista Eliane Cantanhêde – ela mesma! -, ao falar sobre a desenvoltura do filho de Jair Bolsonaro nos temas da política internacional. Há uma clara disputa interna entre os filhos de Bolsonaro, menos por poder, mais por influência. Um dos que menos fala, o senador eleito Flávio Bolsonaro, já afirmou que será um “para-raios” de demandas dos senadores endereçadas ao Planalto. Faz sentido, ele é o filho do homem. E, obviamente, compete com as funções da Casa Civil, de Onyx, com a Secretaria-Geral, de Bebbiano, e com a Secretaria de Governo, do general Carlos Alberto dos Santos Cruz. Ou não estamos entendendo nada, e Bolsonaro é um gênio, ou há corvos demais e sementes de menos.

Fotos de Lula Marques, de 03 de fevereiro de 2017, de Bolsonaro, no celular de Jair Bolsonaro – memória, pessoal, memória -, nos relembram que problemas, atritos e ambições acontecem em qualquer família. Se acontecem numa partilha de herança, imagine na briga por espaço com o pai presidente eleito. Nela, é possível ver uma troca de mensagens pelo WhatsApp entre Bolsonaro e o filho, Eduardo Bolsonaro. A foto foi feita durante a eleição para a Câmara dos Deputados, no dia 10/02/207. A primeira mensagem, do pai para o filho, diz: “Se a imprensa te descobrir ai, e o que está fazendo, vão comer seu figado e o meu. Retorne imediatamente”. Em seguida, Eduardo responde:”Quer me dar esporro tudo bem. Vacilo foi meu. Achei que a eleição só fosse semana que vem. Me comparar com o merda do seu filho, calma lá”. Na eleição para presidência da Câmara, Jair Bolsonaro teve apenas quatro votos. Eduardo não compareceu ao plenário que reelegeu Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o biênio 2017/2018.

Para bom entendedor…

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