“Tia” Damares defende (a sério) “Bolsa-Estupro” na Gilead de Bolsonaro

A pastora Damares Alves, futura chefe do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, e mais conhecida por ser assessora do quase ex-senador e calamitoso cantor gospel Magno Malta, podia estar roubando, matando, batendo em cachorro, mas ela só quer que a República de Gilead a ser fundada por Bolsonaro continue cúmplice das mortes por aborto clandestino. Que atingem, invariavelmente, mulheres negras, jovens, solteiras e com até o ensino fundamental que caem nas mãos de açougueiros e não podem pagar os “abortistas” de classe média. Como solucionar isso? O Prêmio Ideia de Jerico do Ano já está garantido a Damares, que quer agilizar a aprovação do Estatuto do Nascituro, para proteger fetos. O Estatuto inclui o que já é chamado de “bolsa-estupro”, para mulheres que engravidarem de estupradores e decidirem ter o filho assim mesmo. Você leu direito. Estão oferecendo grana para que mulheres se violentem uma segunda vez e tenham filhos de estupradores. A bolsa, segundo o texto do Estatuto, deve ser paga pelo estuprador, mas, se ele não for identificado, o dinheiro sairia dos cofres públicos. É possível algo mais repelente? Não consegui imaginar, e olhem que li as últimas declarações dela (“Eu vi Jesus num pé de goiaba” ficou no top 5), do Mourão, do Ernesto Araújo, do Ricardo Salles e até revi o piti desalinhado do Onyx.

Leia o artigo anterior sobre “Tia” Damares.

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Futura ministra, a pastora “Tia” Damares, defende prioridade para aprovação de Estatuto do Nascituro, que cria o “Bolsa-Estupro” em que – segurem o estuprador o Estado pagariam pensão alimentícia às crianças concebidas de violência sexual. Claro, desde que a mãe aceite não abortar. Grotesco perde.

“O projeto mais importante em que a gente vai estar trabalhando é o Estatuto do Nascituro”, disse ela, chegando, serelepe, ao CCBB Brasília, sede do gabinete de transição, ao ser questionada sobre qual a prioridade da sua pasta no Congresso. Vejam bem, a ministra da MULHER, da FAMíLIA e dos DIREITOS HUMANOS, que ainda contrabandeou para dentro a Funai, a Fundação Nacional do Índio, tem como projeto máximo o “bolsa-estupro”. O Estatuto, na sua versão original, também transformava o aborto ilegal em crime hediondo, mas isso foi retirado do texto numa versão posterior. “Nós vamos estabelecer políticas públicas para o bebê na barriga da mãe nesta nação.” Políticas públicas para o bebê na barriga da mãe. Aí nasce, vem o Escola Sem Partido, o Menos Médicos, o Cultura Nem Pensar, e todo o Método Ludovico de preparar nossas futuras gerações.

Para fechar, vamos aos números. Cerca de 1 milhão de abortos induzidos ocorrem todos os anos no Brasil, por diversas razões – inclusive as previstas em lei: casos em que a gestação implica risco de vida para a mulher, quando a gestação é decorrente de estupro (já previstos no código penal de 1940) e no caso de anencefalia (recentemente julgado pelo STF). Infelizmente em nosso país são poucos os serviços que funcionam regularmente e as mulheres tem dificuldade em encontrar informações sobre eles. Muitos médicos recusam a realizá-los alegando objeção de consciência, principalmente nos casos de aborto decorrente de violência sexual. Os procedimentos inseguros de interrupção voluntária da gravidez levam à hospitalização de mais de 250 mil mulheres por ano, cerca de 15 mil complicações e 5 mil internações de muita gravidade. Nos últimos 10 anos, foram duas mil mortes maternas por esse motivo, numa estimativa muito conservadora. Números mais realistas, de entidades de defesa dos direitos das mulheres, falam em quatro mortes por dia.

Bom dia, Vietnã.

 

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