Ministério das Relações Exteriores do Reino de Trump – Parte 3: a geografia da discriminação

O novo chanceler Ernesto “no Che” Araújo, um diplomata medíocre que virou paladino contra o marxismo e carpete do americanismo a la Trump – tudo com a devida autorização do futuro comandante em chefe -, passou do cretino para irresponsável na escala Gilberto Pão Doce de abalos cínicos. O ministro, da cota pessoal do astrólogo Olavo de Carvalho, que apoia o fechamento da Embaixada do Palestina e a transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém – um desastre para o comércio com os países árabes e muçulmanos -, agora defende simplesmente o distanciamento entre Brasil e China e a formação de uma aliança com países do novo populismo de direita, como Brasil, Estados Unidos e Itália, um “Brics antiglobalista sem a China”, conseguiu agora colocar de vez o país em um campo de batalhas ideológico inútil e contraprodutivo. Em seu twitter, que finalmente tem leitores, ele informou solenemente – vejo a cena, dentes trincados, olhos vidrados, a saliva escorrendo no canto dos lábios, emoção em cada poro – que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não vai ser convidado pelo Itamaraty para a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro em 1º de janeiro, em Brasília.

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Ernesto Araújo, o menino de Olavo, olhando para Bolsonaro como se olha um grande amor; a embaixada do Brasil em Israel na cidade de Tel Aviv; a deputada Erika Kokay (PT-DF), para quem as declarações do futuro chanceler contra a China, o maior parceiro comercial do Brasil, são “suicidas”; e Nicolás Maduro e Miguel Díaz-Canel, chefes de Estado que não serão convidados para a posse de Jair Bolsonaro. Deselegância perde.

Segundo o futuro chanceler, “não há lugar para Maduro numa celebração da democracia e do triunfo da vontade popular brasileira”. Segundo o colunista Lauro Jardim, no Globo, tampouco o regime cubano, hoje presidido por Miguel Díaz-Canel, será convidado. Cuba e Venezuela foram riscados do mapa bolsonarista. Não apenas uma discriminação ideológica-geográfica, mas uma descortesia que terá seu preço. A posse do presidente eleito deve atrair chefes de Estado de vários países, o que é natural – nem todos compartilhando sua ideologia, posição política ou alinhamento com a América de Trump. O nome disso é diplomacia. Pelo protocolo do Itamaraty, os líderes dos países sul-americanos costumam ser convidados para a solenidade de posse dos presidentes brasileiros. As críticas de Bolsonaro a Venezuela e a Cuba – “Vai pra Cuba” é quase um refrão bolsominion – não permitem a ele criar um mapa mundi próprio. Nem brincar com os interesses comerciais brasileiros ou desrespeitar a posição de tantos brasileiros que não consideram Venezuela ou Cuba monstros embaixo da cama.

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