Ministério das Relações Exteriores do Reino de Deus – Parte 4: a guilhotina de Ernesto “Robespierre” Araújo

A gente achando que o futuro chanceler Ernesto “no Che” Araújo, o diplomata mais medíocre que já liderou a Casa de Rio Branco, paladino contra o marxismo e carpete do americanismo a la Trump, não seria capaz de inventar nenhuma nova malignidade antes de tomar posse e o filhote de Olavo de Carvalho conseguiu retroagir à França pós-Revolução de 1792 e virar o primeiro Robespierre de Bolsonaro. Sem o menor escrúpulo e parecendo já controlar o Itamaraty de Aloysio “ALN” Nunes Ferreira, Araújo, 51 anos, cha-te-a-do por ter sido chamado de jovem e inexperiente demais para o cargo, iniciou uma série de expurgos de quem teria sim condições de liderar o Ministério das Relações Exteriores. Antes, confirmou seu “olho” Otávio Brandelli, 54, para ser o secretário-geral do Itamaraty, segundo posto na hierarquia. Araújo não quer sombra. A mídia fala em “choque geracional”, como se isso fosse algo positivo. Os expurgos começaram por dois respeitados embaixadores que iam assumir altos cargos em Brasília, já informados pela equipe de transição do governo Jair Bolsonaro de que seus serviços não serão mais necessários. Foram, na prática, “demitidos”.

Leia também “Ministério das Relações Exteriores do Reino de Trump – Parte 3: a geografia da discriminação”, “Ministério das Relações Exteriores do Reino de Trump – Parte 2” e “Ministério das Relações Exteriores do Reino de Trump“.

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Ernesto “Robespierre” Araújo, um dos repolhinhos de Olavo de Carvalho na Esplanada, olhando para Bolsonaro como se deve olhar um grande amor; seu “olho” Otávio Brandelli, indicado para ser o secretário-geral do Itamaraty, segundo posto na hierarquia do ministério; Aloysio Nunes, de homem de confiança de Carlos Marighella na luta armada a quadro de destaque do PSDB; e dois dos guilhotinados antes mesmo do futuro governo assumir: os embaixadores Everton Vargas e Ricardo Neiva Tavares, guilhotinados em prol do – argh! – “choque geracional” do novo Ministério das Relações Exteriores do Reino de Trump.

A guilhotina do Robespierre de fraldas pesou sobre as cabeças de Everton Vargas, 63, que deixara o cargo de embaixador na União Europeia para assumir como subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia. Foi informado de que a subsecretária não mais existirá no formato atual e não recebeu nenhuma indicação de que receberá outra função. O embaixador Ricardo Neiva Tavares era o titular da embaixada em Viena e ia assumir a subsecretária-geral de Assuntos Políticos Multilaterais, Europa e América do Norte. Também foi orientado a ficar pianinho porque está fora da nova orquestra. Mais: os atuais ocupantes das subsecretárias também foram informados de que não permanecerão em seus cargos, porque, entre outras coisas, a reforma no organograma da instituição irá fundir algumas delas. Mas, novamente, a forma como foi feita a comunicação foi vista como bastante deselegante – alguns foram “demitidos” por telefone.

É evidente o clima de “caça às bruxas” no futuro Ministério das Relações Exteriores do Reino de Trump. Uma das casas mais profissionais da República, que, no pós-democracia foi chefiada por pessoas como Francisco Rezek, Celso Lafer, Luiz Felipe Lampreia, Antonio Patriota e Celso Amorim, está na sala de descompressão da espaçonave Bolsonaro I. Com precário conhecimento da Casa, desrespeito à instituição que serve – ou, a essa altura, da qual se serve -, e com uma visão estreita e ideológica de sua missão – justamente aquilo que diz combater -, o futuro chanceler vende sua miopia e arrogância como qualidades. Sua “inovação” mais recente – depois de afrontar o mundo árabe, com o anúncio da mudança da sede da embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém – e “desconvidar” dois países amigos, Venezuela e Cuba, para a posse do presidente eleito, anunciou como grande feito a criação de um Departamento do Agronegócio, que, pela lógica, deverá ter um diplomata indicado pela bancada ruralista. “Nos governos petistas, o Itamaraty foi a casa do MST. Agora estará à disposição do produtor”, escreveu no Twitter, a descarga mais frequente de sua estupidez.

O cara não acredita em aquecimento global – pra que Acordo Global de Clima se esse derretimento das camadas polares e o aumento anual da temperatura no planeta é só fake news? A organização não-governamental Observatório do Clima chamou de “estarrecedora” a escolha de “Robespierre” Araújo como ministro das Relações Exteriores. Segundo a entidade, as posições assumidas pelo diplomata em artigos e outras publicações de sua autoria podem fazer do Brasil um “anão diplomático e um pária global”. O moleque engravatado de Olavo de Carvalho já afirmou também que o Brasil deixará o Pacto Global de Migração da ONU, que foi assinado há dias em Marrocos. Em seu palanque, o Twiter, disse que o pacto é um instrumento “inadequado” para lidar com o problema e que a migração não deve ser “indiscriminada”. Ainda não se falou na construção de um muro com a Venezuela, mas aguarda-se para breve anúncio. Pelo Twitter.

Um comentário em “Ministério das Relações Exteriores do Reino de Deus – Parte 4: a guilhotina de Ernesto “Robespierre” Araújo

  1. É uma pena que no Itamaraty “rebelião” não seja uma forma adequada de reação. Esse sujeito merecia ficar falando sozinho.

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