Fux, o ministro da peruca, apoia amigo despelado e faz cabelo e barba do Coaf

Pra mim, Fux, em tempos recentes, era apenas o ministro da peruca. A Maria Antonieta do Supremo. Me lembro de embates duros com colegas que teimavam que a fuinha morta no alto da cabeça de Sua Excelência era uma vasta cabeleira real. E nessas horas tinha um argumento irrebatível. “Careca reconhece peruca.” Luiz Fux faz parte de uma linhagem de ministros do Supremo Tribunal Federal que não mereciam estar lá. OK, se formos usar o mesmo critério no Executivo e no Legislativo, será uma chacina, mas o fato é que pelo menos metade da turma ali não merecia vestir a capa do Batman. Fux não fez parte dos erros originais do PT nas nomeações para a Suprema Corte nacional, foi um erro de FHC, que o indicou para o STJ, onde permaneceu até 2011, ano em que, aí sim, foi indicado pela presidente Dilma Rousseff ao cargo de ministro do Supremo. Espero não levar um golpe de jiu-jitsu do ministro, mas ele nunca me enganou. Nem ele, nem a peruca. Fux é o cara que ia dar um golpe mortal nas fake news que elegeram Bolsonaro, e agora é o ministro do STF que mandou suspender apuração sobre movimentação financeira de Fabrício Queiroz, atendendo pedido de Flavio Bolsonaro, de quem Queiroz foi assessor. A suspensão é provisória, até que relator do caso, Marco Aurélio Mello, decida após o recesso. Mas Fux já não é só o ministro da peruca. Ganhou um downgrade. É o legítimo sucessor do inominável Gilmar Mendes.

Vice-presidente do STF e ministro de plantão durante o recesso do Judiciário, Fux fez cabelo e barba do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Queiroz, o homem com licença para sumir, agora não precisa mais ficar doente para fugir das convocações do Ministério Público do Rio para depor. Ele não é mais um suspeito, até prova em contrário. O Coaf – momento memória – apontou movimentação “atípica” de R$ 1,2 milhão em uma conta bancária de Queiroz, então assessor do deputado estadual e hoje senador eleito Flavio Bolsonaro, durante um ano sem que houvesse esclarecimento. Flavio é um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro.

Fux entendeu que, como Flávio Bolsonaro passará a ter foro privilegiado em fevereiro, quando tomará posse como senador, caberá ao relator no STF decidir sobre a continuidade da investigação. Em maio do ano passado, o STF restringiu o foro privilegiado aos atos cometidos durante o mandato e em razão do cargo, mas também decidiu que cabe ao Supremo analisar o que fica no tribunal e o que vai para instâncias inferiores. O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, chegou a dizer que poderia apresentar denúncia mesmo sem os depoimentos de Queiroz e Flavio Bolsonaro. Com a decisão de Fux, isso não pode mais ser feito.

2 comentários em “Fux, o ministro da peruca, apoia amigo despelado e faz cabelo e barba do Coaf

  1. ELIAKIM CABRAL JUNIOR 17 de janeiro de 2019 — 23:43

    E as panelas? não vão soar? melhor não, senão seria um cheiro de c* no ar…

    Curtir

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