O Incrível Exército de Bolsoleone contra o bolivarianismo

“Estamos aqui pelo voto do povo. Só as pessoas colocam e só as pessoas removem. (…) Pode um ‘qualquer’ se declarar presidente ou é o povo que elege o presidente?”.
Nicolás Maduro, respondendo ao golpe do ilegítimo Juan Guaidó, apoiado por Bolsonaro, Trump e asseclas

Há menos de um mês no cargo, e colecionando patetices e fanfarronices geopolíticas que enchem os democratas de vergonha alheia e esvaziam a balança comercial na mesma proporção, o maltrapilho Bolsoleone tenta levar seu exército de quatro estrelas de pijamas a uma cruzada anticomunista e antibolivariana, como se tivesse herdado, com sua eleição à base de fake news, um mandato para arbitrar o bem e o mal no planeta, inclusive de democracias eleitas por seus povos. Mal consegue controlar as próprias fezes e tenta, como um subxerife de araque, vigiar o perigo vermelho, ainda que seja uma beterraba metida na salada de preconceitos que é sua cabeça moldada nos quartéis. Não conseguirá porque o capitão reformado, montado em seu pangaré Ernesto Araújo, não tem uma liderança real sobre seus comandados. A própria tropa já percebeu suas incríveis limitações, mais expostas que fratura de beque trombador, e não vai conduzir o país a uma aventura, muito menos na vizinha Venezuela do presidente Nicolás Maduro, que o Brasil, convertido em capacho dos interesses de Donald Trump, agora vê como a República Capitalista de Guaidó. Mourão, que Bolsonaro, de forma pusilânime, chama sempre de contemporâneo da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), já mostrou que Bolsoleone manda nele, mas não o lidera.

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Ministro da Defesa venezuelano Vladimir Padrino Lopez e cúpula militar dão coletiva de imprensa em Caracas. A Força Armada da Venezuela denunciou a autoproclamação do líder do Legislativo, Juan Guaidó, como presidente interino do país, como um “golpe de Estado” e afirmou que Maduro é o “presidente legítimo”. O capitão reformado Bolsonaro teria tal apoio se a situação fosse invertida?

Bolsoleone, que em Davos podia ter feito cabelo, barba e bigode hitleriano, mas que não consegue se expressar além dos limites intelectuais de uma tuitada – fez um discurso em soluços de seis minutos e ainda pagou o vexame de trocar uma conferência à imprensa internacional por uma entrevista à TV de Edir Macedo, seu aliado político-religioso -, tem canalizado suas piores decisões para a política externa. Com “Tia” Damares cuidando da lojinha da moralidade, e a dupla de cruzadores Guedes-Mouro ainda no estaleiro de suas intenções, Bolsoleone, que não tem Posto Ipiranga na diplomacia – com boa vontade, um duto furado vazando obscenidades ideológicas -, ligou o ventilador na direção do planeta. A embaixada vai para Jerusalém. Árabe, limite-se ao Habib’s. O Mercosul é um inútil clube de pobres. A falida argentina é a parça sul-americana. África não existe, invenção dos quilombolas. Bolivariano bom é ex-bolivariano, como Evo Morales. E God save America. Esses conceitos sofisticados transformaram a histórica Casa de Rio Branco, depois de uma “despetizada”, em um entreposto da diplomacia canalha de Olavo de Carvalho. Isso até Bolsoleone descobrir que a palavra Itamaraty tem o significado de pedra cor-de-rosa, e sair ceifando vi-a-dos e de-so-cu-pa-dos.

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, falando da sacada do Palácio Miraflores, em Caracas, ao lado de sua mulher, Cilia Flores, e do presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, depois que um certo Guaidó decidiu ser presidente sem eleição e voto, o que o bolivariano tem de sobra; Bolsoleone reconhecendo o opositor de Maduro como presidente da Venezuela; Ernesto Araújo, a menina dos olhos de Olavo de Carvalho, no avião presidencial ao lado dos ministros-estrela; e o pária Juan Guaidó fazendo pose de macho com foto de Simon BOLÍVAR nas mãos. Liderança que surgiu após os protestos estudantis de 2007, na Venezuela, uma espécie de Kim Kataguiri sem os olhinhos puxados.

Seria sofisticado demais imaginar que Bolsoleone quer levar o Brasil à guerra. Ele é um capitão reformado, o mais complexo que conseguiu na carreira foi tentar um plano para explodir bombas em quartéis e outros locais estratégicos no Rio de Janeiro. Que ele, num desleixo de sinceridade, admitiu a uma repórter de Veja, em textos publicados em 1986 e 1987. Ou vamos queimar na fogueira, junto com os livros didáticos que falam em “ideologia de gênero”, os arquivos da cambaleante Veja, e ignorar que esse que hoje nos preside admitiu ter cometido atos de indisciplina e deslealdade para com os seus superiores no Exército? E depois de eleito ganhou medalhinha. Bolsoleone não tem a evolução, o treinamento e a vivência de um general para pensar em estratégias, avanços e recuos – embora de recuos o presidente do “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” e ‘Fake News acima do Whatsapp‘, seja muito bom. O que Bolsoleone quer é fabricar uma aura de estadista que nunca terá, ganhar uma fleuma de influente que jamais alcançará. Nem por Medida Provisória ganhará importância. Até porque Maduro é muito mais presidente de seu povo do que Bolsonaro jamais será do seu.

 

 

2 comentários em “O Incrível Exército de Bolsoleone contra o bolivarianismo

  1. Gilberto Pão Doce é um dos melhores blogs que acesso. Claro, direto, objetivo; doses bem mescladas de ironia e seriedade, texto leve e escorreito.

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    1. Obrigado, Ivo, muita bondade sua. Espalhe.

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