Olavo surta enquanto Richmond perde influência para a Vila Militar

Onde termina uma briga entre o guru de Moe, Larry e Curly e os generais que Bolsonaro apinhou no Planalto e nos ministérios? Na polícia ou no hospício? Por enquanto, fica no território asséptico das redes sociais, numa troca violenta de farpas, quase todas arremessadas do lado do afetadérrimo Olavo de Carvalho – que realmente se acha a última Coca-Cola no deserto. Fato é que passamos o primeiro mês do governo e descobrimos que, ao contrário da fogueira de vaidades que costuma queimar a Esplanada, a guerra de egos no atual governo se dá entre o Daniel Boone de ‎Richmond, Virgínia – o original era de Boonesborough, Kentucky -, e os ombros estrelados do Eixo Monumental. De onde vem, afinal, o ódio no coraçãozinho de Olavo dirigido ao vice-presidente Hamilton Mourão, ao chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e os demais fardados de Bolsonaro? Aversão a fardas e armas não é, embora Olavo prefira os marines. Pois Olavo, que achou ter as cordas nas mãos, controlando os filhos presidenciais percebeu que está perdendo o controle sobre o seu boneco ventríloquo. Com os filhos mais queimados que peru em Dia de Ação de Graças, Bolsonaro, farejou Olavo, está cada vez mais nas mãos daqueles que eram seus superiores hierárquicos até 31 de dezembro.

“A fúria dele é porque os generais sabem que ele é o que ele é: um bosta”, diagnostica um amigo psiquiatra, que por acaso é vizinho de choupana de Olavo. O repórter Guilherme Amado, que tem uma interessante coluna na revista Época, teve uma sacada. Saber se Hamilton Mourão, tido como um militar culto, tinha a obra de Olavo de Carvalho entre seus livros de cabeceira. Nem que fosse “A imagem do homem na astrologia”, seu primeiro livro, lançado em 1980. Ou, quem sabe, “O imbecil coletivo: atualidades inculturais brasileiras”, onde desancou a intelectualidade brasileira no melhor estilo Lobão, e “O Mínimo que Você Precisa Saber para não Ser um Idiota”, outro livro cujo título é melhor que a obra. Guilherme Amado, que não é foca, sabia que não. Ouviu Mourão posar de filósofo. Leu “From Colony to Superpower”, do americano George Herring, e “Estado fraturado”, do darling da direita Denis Rosenfield. Deixou a melhor pergunta pro final. Perguntado se já leu Olavo de Carvalho, deu “um riso de deboche”, na descrição do repórter. No Facebook, Olavo acusou o golpe. Disse que o vice-presidente da República é uma “vergonha para as Forças Armadas” e trama contra o presidente. Olavo disse que o general “provou que é valente o bastante para combater um homem que está com o ventre aberto numa cama de hospital”.

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Olavo de Carvalho e sua ofensiva – literalmente – contra os militares brasileiros: “O militar no Brasil só vive no meio militar, não tem fraqueza social fora disso. Quando está entre repórteres se mija de temor reverencial e de prazer”.

Poucos dias antes, em seu canal no YouTube, Olavo postou o vídeo “Injustiça Monstruosa”, que, como sempre, recomendo que você veja e ouça. Na gravação, se diz vítima de uma trama da mídia, desde os tempos imemoriais do Orkut, acusou as Forças Armadas de abrir covardemente as pernas para o atracamento do PT “e do comunismo” no poder e atacou o pronunciamento do vice-presidente, Hamilton Mourão, que defendeu o papel parlamentar do deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), que abriu mão de seu mandato e decidiu ficar no exterior temendo que as ameaças de morte contra ele se cumprissem. A mágoa: Mourão nunca, nunquinha, o defendeu. Olavo também criticou Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, por “falar com a mídia”, que Olavo vê como peste bubônica.

Alguns amigos queridos me perguntam, com curiosidade sincera, porque dou Ibope a esse idiota. Eu respondo que não dou audiência, exponho as vísceras das serpentes paridas pelos bolsominions. Se elas não federem, ninguém vai notar que estão lá e as pessoas passarão por cima delas como quem contorna os mendigos que dormem nas esquinas de Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília ou Belo Horizonte.

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