Debaixo dos caracóis do seu Twitter…

E você julgando o Magno Malta carta fora do baralho político – e o sujeito cheio de poder e influência. O ex-senador do Espírito Santo, não reeleito e descartado de forma vexatória não só do ministério, mas do convívio da família Bolsonaro, continua atuante no Twitter, seu último bastião de resistência contra o anonimato absoluto. E tem postado coisas incríveis, mostrando que, se tem mágoas ou rancores, ainda são menores que a força da corrente da sarjeta política. Sutil como um Velociraptor no cio, Malta não deixa de velar pela saúde do amado mestre, como fez em um vídeo do último 7 se fevereiro. “Muitos esquerdopatas torcendo pelo insucesso de Bolsonaro na sua saúde! Vou avisar, quem levantou ele foi Deus e PRAGA DE URUBU MAGRO não PEGA EM CAVALO GORDO (as caixas altas dão dele)”, avisou. Esquerdopatas? Ainda se usa isso..? Nesse ponto, Malta se junta aos irmãos Bolsonaro na guerra santa contra o vice Hamilton Mourão e outros da Junta Militar. “Dentro desse governo tem gente dentro do poder torcendo pra que ele não volte. Pra que não implemente a luta contra o aborto, a ideologia de gênero e as crianças e levando a capital do Brasil para Jerusalém, capital de Israel“, elenca, com sua emoção compassada. A proposta é ousada: um “levante no mundo espiritual” para que Bolsonaro “retome os destinos da Nação”, retirando do poder a milicada atrevida. Lembrei de Cabo Daciolo, da Ursal, dos sermões na montanhas…

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Magno Malta no Twitter: De onde ele tira forças pra continuar postando a favor de Bolsonaro depois de levar uma patada na bunda é um mistério insondável

Um passeio antropológico pelo Twitter de Malta mostra, reconheço, um cantor com o disco arranhado, mas fiel aos seus princípios retrógrados – e revelando uma estrutura de apoio fraturada, como não ficava evidente na campanha. O dublê de cantor gospel, do seu jeito Sinhozinho Malta de ser, com o estofo de quem parecia ser o homem de confiança do clã até o dia da eleição, deixa exposta, como joelho de zagueiro trombador, uma guerra interna  no governo recém-nascido. Há três dias, fez um vídeo de 50 segundos, no mínimo constrangedor, com o ex-anônimo e hoje presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a quem apresenta como “um jovem que ama o Deus de Israel”, possivelmente porque o senador do Amapá tem origem judia. Malta ainda reproduz servilmente o pífio discurso de Alcolumbre. Não deve ter sido fácil arrancar aqueles segundinhos ao lado do famoso da vez.

O homem dos anéis e colares dourados anda agitado. No dia 4 de fevereiro postou outro vídeo, intitulado “Quando você serve a Deus e luta pelos valores da família tradicional, se prepare porque vem ataque sujo de todo lado!” – não entendi os ataques, talvez as dores no joelho -, onde pede orações para sua luta contra dores na medula – “sou lesionado de medula e o Brasil sabe disso” – e nos joelhos. Não, você não sabia? Insensível. No melhor estilo Bolsonaro, Magno tem postado vídeos de um hospital privado mandando mensagens. Que cenário melhor? Um vídeo foi dirigido a Jean Wyllys, que abriu mão de seu mandato por sofrer ameaças de morte. Malta diz que ameaça por ameaça também recebe e que se Wyllys está “indo embora do Brasil é porque tá fugindo de alguma coisa. Papo furado”. Magno, aliás, é um mestre de frases icônicas. “O cidadão brasileiro se sentia como uma bicicleta sem cadeado nesse país”, diz um vídeo, de 15 de janeiro, postado enquanto um carro – graças a Deus não houve um acidente -, pra defender o decreto que liberaliza o porte de armas.

OK, aí você me pergunta: porque ficar seguindo Magno Malta no Twitter, ou no raio que o parta? Eu tenho duas respostas. A principal: é mais divertido que qualquer programa humorístico. Me julgue. Segundo: Se você considerar quem foi e quem poderia ter sido Magno Malta até o dia da eleição de Bolsonaro, antes de ser tragado pelo dreno da história, há muita coisa interessante a observar. Do que foi, do que poderia ter sido e do que ainda pode ser. Entendedores entenderão.

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