Só uma Super Nanny salva Bolsonaro

“Tá Todo Mundo Louco!
Oba!…Tube ri din din, din din!
Tube ri din din, din din!”
Silvio Brito

Trombei numa entrevista do Silvio Brito e ele contava sobre o processo de composição de “Tá Todo Mundo Louco!”, um de seus sucessos instantâneos, hit na época da ditadura, e de como uma de suas maiores emoções foi cantar essa música em um hospício, onde os ditos loucos enchiam o saco da diretora do estabelecimento para chamar o autor da música que os hipnotizara (Se quiser assistir também, clique aqui e releve o entrevistador). Silvio disse que quase pirou junto (ainda se fala ‘pirou’?) e teve um insight (insight se fala) que nunca esqueceu: estava conhecendo as pessoas mais sãs que já vira. Os verdadeiros loucos estavam lá fora. Nada poderia ser mais atual nesses dias em que um presidente descompensado vai de camiseta e sandálias à cerimônia em que decide o destino de todas as futuras gerações, com a reforma da Previdência que quer fazer virar seu legado, em que o escroque que comanda a ex-estatal Vale do Rio Doce não se digna a levantar-se respeitosamente no silêncio em homenagem as mortos que enterrou em sua barragem-sepultura, que um deputado estadual do Rio exibe triunfante a fatia da placa com nome de Marielle emoldurada na parede de seu gabinete e um agrocoxa, sapatos arruinados, posa de espírito-que-anda entre os índios amazônicos.

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Hospício Brasil: o ministro que odeia meio ambiente e despreza a memória de Chico Mendes posa de cocar de turista e roupinha de agrocoxa; Bolsonaro com camiseta, calça de jiu-jitsu e chinelos posando no Alvorada, sem vergonha do Di Cavalcanti ao fundo, antes de tomar a medicação; o CEO da Vale fazendo pose de anjo depois de matar quase três centenas de pessoas; o deputado que suspeitamente mantém a placa decepada com o nome de Marielle Franco emoldura e pendurada em seu gabinete, e Bolsonaro deixando o hospital de terno e se reunindo com a equipe com a camisa do Palmeiras. Tranquem tudo e joguem as chaves fora!

Praticamente de pijamas, Bolsonaro decidiu, após reunião, numa sala cheia de puffs instalada no Alvorada, em meio a uma sessão de fumo por narguilé – com uma inspiradora tapeçaria de Di Cavalcanti ao fundo -, junto com o Posto Ipiranga e Onyx “Ducha Higiênica” Lorenzoni, que a idade mínima de aposentadoria será de 65 anos para homens e de 62 para mulheres, para o setor privado e servidores públicos, com transição de 12 anos. Genial, o país está salvo. Aposentados, aos botes! Entre uma facada e outra nos futuros aposentados, o estrategista Bolsonaro ainda teve tempo de criar mais uma crise política, desautorizando publicamente um ministro, Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral, ao endossar mais uma grosseria de seu filho Carlos “O Chacal”, que simplesmente chamou um dos principais avalistas políticos do governo de “mentiroso”.

Como quem não tem mais bolsa de colostomia tem medo, Bolsonaro optou por manter o “mentiroso” e fruticultor Bebianno depois que ele prometeu sair atirando, com ou sem porte de arma. O que fez Bolsonaro decidir a queda de braço contra seu filho só as contas de campanha do PSL sabem. O curioso é que, segundo os jornais, Bebianno, cercado de generais por todos os lados no Planalto, contou com a trupe fardada para mantê-lo. Como não é o só o pimpolho da família que apronta, nem é a primeira cagada de Carlos, fica a dúvida, bem colocada pelo articulista político do Correio Braziliense, Luiz Carlos Azedo. “Não está claro se os filhos atrapalham ou se agem sob orientação do pai”. O permanente estado de torpor e indecisão de Bolsonaro leva a crer que só uma Super Nanny o salva.

Daí partimos para Mr Fábio Schvartsman, ex-Ultrapar, ex-Duratex, ex-Klabin, hoje na difícil missão de CEO da Vale S.A., que, depondo visivelmente #xatiado em um audiência da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha os desdobramentos do desastre em Brumadinho, manteve o olhar blasé de quem acompanha a cremação de um vizinho chato. Chamou a maior tragédia ambiental do país de “acidente”, sua corporação de joia – só se for a do túmulo de Tutankamon – e, inacreditável, foi o único que permaneceu sentado durante o minuto de silêncio em homenagem às vítimas do rompimento da barragem. Levou uma esculachada genial do deputado André Janones (Veja aqui), que parecia ser o único com culhão no recinto. Fábio Schvartsman não está preso porque esse país não mantém presos empresários ricos com bons advogados – exceto se tiverem algo a ver com o PT e/ou fizerem uma delação bacana.

O hospício do dia se encerra – momentaneamente – com o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), que, descobriu-se, mantém em seu gabinete na Assembléia Legislativa do Rio, um quadro feito com um fragmento da placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, rasgada por ele em outubro do ano passado durante a campanha, no mesmo palanque do governador Wilson “Heil” Witzel. Marielle, assassinada, ao lado de seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, um crime que, passados 11 meses, ainda não está solucionado, está morta, mas esse zumbi com mandato exala enxofre e sua decomposição política nuca terá fim. Viva com isso, seu babaca.

E, claro, teve a cena insólita do nosso Sting de suspensórios, o ministro que odeia meio ambiente e despreza a memória de Chico Mendes, o paulista Ricardo Salles, posar de cocar de turista e roupinha de agrocoxa para dizer que foi na Amazônia pela primeira vez. Como debochou O Globo, foi quase feriado em Mato Grosso. Sim, Mato Grosso. O paspalhão posou com índios paresis numa aldeia em Campo Novo do Parecis (MT). A região, segundo o IBGE, integra a Amazônia Legal. Portanto, Salles, tecnicamente, foi à Amazônia. Gol de placa. Tranquem tudo e joguem as chaves fora!

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