Bolsonaro é o Recruta Zero que se acha o general do quartel Brasil

Jair Bolsonaro, eleito graças a um derrame de fake news na campanha, sorria tanto durante o encontro com o presidente fake da Venezuela, Juan Guaidó, que parecia estar ganhando o Nobel da Paz – e, quem sabe, reside aí sua esperança com essa política externa tresloucada no estranho universo paralelo em que vive o Capitão, talvez algo parecido com o quartel Camp Swampy.  Num governo em que o chanceler de fato é o vice Hamilton Mourão, em que seu filho Eduardo viaja o mundo como um adido biruta para assuntos aleatórios, e em que Ernesto “No Che” Araújo vive brincando de war num Itamaraty de fantasia, Bolsonaro vai se convertendo em um comandante-em-chefe de mentirinha, o Recruta Zero achando que vai mandar no Sargento Taínha – ou, pior, no General Dureza.

Nesta quinta, 28, o Capitão envergonhou milhões de brasileiros e venezuelanos fazendo um pronunciamento no Palácio do Planalto ao lado de Juan Guaidó, após os dois se reunirem mais cedo. Distribuiu sorrisos forçados, soltou frases que não dizem nada – “Nós não pouparemos esforços dentro – obviamente – da legalidade, da nossa Constituição e de nossas tradições, para que a democracia seja restabelecida na Venezuela” – e constrangeu até o próprio autodeclarado presidente, que certamente esperava mais que confete e serpentina, mesmo na véspera do Carnaval. O que continua valendo é o que disse Mourão: o Brasil tentará encontrar uma solução “sem qualquer medida extrema” para “devolver a Venezuela ao convívio democrático das Américas”. 

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O presidente Jair Bolsonaro e o autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, durante encontro no Planalto. “Deus é brasileiro e venezuelano”, disse o Capitão com pendores de Papa. Foto: Marcos Corrêa/PR

Na véspera, em Itaipu, Bolsonaro, o colecionador de ossos, chamara o ditador paraguaio Alfredo Stroessner, déspota do mais longevo regime de exceção sul-americano, de “estadista”. Isso ao lado do filho de um ex-assessor de Stroessner, o atual presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, outro que, por sinal, receberá Guaidó.

O errático comandante do quartel Camp Swampy prepara mais duas viagens internacionais, onde, para variar, falará como um tuiteiro e voltará a prometer o que não vai cumprir, mas que será suficiente par causar mais danos diplomáticos e comerciais. Primeiro visitará os Estados Unidos e, se depender de seu filho Eduardo, dará alguma declaração sobre o assunto que confronta Donald Trump com seu Congresso. Não se espante se Bolsonaro defender a construção do polêmico muro na fronteira dos EUA com o México e, quem sabe, solte uma piadinha em fazer o mesmo com a Venezuela bolivariana. Vocês duvidam mesmo?

Depois, no fim de março, Bolsonaro irá para Israel, e certamente voltará com a baboseira de transferir a embaixada do Brasil naquele país de Tel Aviv para Jerusalém – o que já causou estragos nas relações muito mais relevantes com as nações árabes e islâmicas, grandes importadoras de proteína animal do Brasil. Confirmadas as visitas, Bolsonaro, depois de agir como cheerleader de Trump, poderá ser caso eleitoral de Benjamin Netanyhau. A viagem a Israel, prevista para 31 de março a 4 de abril, ocorrerá dias antes das eleições locais, marcadas para o dia 9 de abril. O primeiro-ministro Netanyhau disputa a reeleição. Para Netanyahu, a transferência da embaixada seria o melhor dos mundos. Apenas Estados Unidos e Guatemala mudaram as embaixadas para Jerusalém até hoje.

 

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