A Live mortinha de Bolsonaro

O presidente decidiu instituir as lives das quintas, 18h30 – da forma que lhe é peculiar.  Errática, sem foco, autoindulgente. Será um Deus nos acuda semanal, considerando a habilidade de Bolsonaro com as palavras e os erros sistemáticos que vem cometendo toda vez que converte seus gestos e grunhidos em palavras. Talvez devesse tentar desenhos nas paredes. Mas são tantas as besteiras que fala que não é improvável que a live se torne uma espécie de “erramos” ao vivo, com o presidente explicando o que quis dizer quando disse ou teclou mais cedo. De terno e gravata apertados – dá a nítida sensação de que ele queria estar com as camisas piratas do Brasil ou do Palmeiras -, ladeado por dois herméticos generais – à direita, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, e à esquerda – não me entendam mal – o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno -, realizou uma arriscada transmissão ao vivo, uma temeridade para quem faz o que faz nas redes sociais. Atenção, Adnet, isso dá um quadro sensacional. Assista.

Bolsonaro não tinha o que dizer. Tinha o que retificar. “Não temos tanto o que fazer, mas desfazer o que foi feito de errado nesses últimos 20 anos”, disse. E concentrou-se em defender a fala feita mais cedo, na cerimônia de aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais no Rio de Janeiro, quando disse que a democracia e a liberdade “só existem quando as Forças Armadas querem”, o que exigira que Augusto Heleno e o vice-presidente Hamilton Mourão explicassem que o presidente, coitado, fora “mal interpretado” na declaração e não estava tutelando o poder civil ao militar.

Nessa linha, Bolsonaro disse que sua declarações estavam dando origem às “mais variadas interpretações possíveis” – que novidade -, e passou a palavra a Heleno, descrito como alguém “mais antigo, mais idoso, mais experiente”. “O sr considerou a frase polêmica?”, perguntou, no estilo jogral, Bolsonaro a Heleno. “Tentaram distorcer isso como se fosse um presente dos militares aos civis. Não é nada disso. As Forças Armadas são, por determinação constitucional e legal, os detentores do emprego legal da violência”, declarou Heleno, que não ajudou muito. Segundo o presidente, os militares passarão a ser tratados com “dignidade e respeito”, o que, de acordo com ele, não acontecia nos governos anteriores.

 “Os militares, diferentemente do que aconteceu nos últimos 20 anos, serão tratados com dignidade e com respeito. Afinal de contas, em todas as pesquisas, geralmente, as Forças Armadas estão em primeiro lugar na aceitação da opinião pública”. Ah, Bolsonaro decidiu congelar as lombadas eletrônicas, não criando nenhuma nova – “O objetivo não é diminuir acidentes”, mas faturar, segundo ele, a despeito dos números de redução de acidentes e mortes no trânsito – e prometeu reeditar a Caderneta de Saúde da Adolescente, sei lá porquê. Mais foi dito, mas reproduzir é redundante e você pode assistir aqui, mas esse Bolsonaro 18h30 tem tudo pra ser a live mais mortinha que existe. Desculpa aí, Carluxo.

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