De guru a encosto, Olavo sequestra o MEC, depois de tutelar o Itamaraty

“Devo minha vida ao quibe cru. Quibe assado é para os covardes”.
Olavo de Carvalho, o guru-encosto de Jair Bolsonaro, no vídeo modestamente chamado de “O Olavo tem Razão”

Olavo de Carvalho, escritor e ensaísta para os amigos, tarólogo e picareta para os menos chegados, indicou dois ministros, o que por si só já é uma loucura. No Itamaraty, colocou o desqualificado Ernesto Araújo, mais ou menos como escalar uma sardinha para comandar um cardume de salmões imperiais. Para dar certo, ele vem tirando os salmões e metendo mais sardinhas em postos estratégicos. Vez por outra encaixa uma piaba ou um lambari. Uma política externa de subserviência aos interesses norte-americanos em nome de “libertar o Itamaraty” do marxismo e da “ideologia do PT”. Todo mundo sabe que a sardinha é doida. Numa recente aula magna aos novos diplomatas do Instituto Rio Branco (Assista) chama a política externa passada de “política do Barão de Munchausen”. Inverte as coisas. É Araújo quem tem uma carreira sem façanhas e com muita ficção. Mas o “guru” Olavo tem outra sardinha solta no aquário da Esplanada. Atende por Ricardo Vélez e é uma temeridade ambulante. Seguindo seu padrinho lunático, nas palavras de Bernardo Mello Franco, no Globo, Vélez não apenas obedece mais seu padrinho, mas com o aval de Jair Bolsonaro, deixou o Ministério da Educação ser sequestrado. De seu escritório em Richmond, na Virgínia, Olavo exigiu a demissão de três militares que se contrapunham a seus “pensamentos” no ministério. O expurgo mostra que de “guru”, Olavo virou um encosto no MEC.

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Em aula Magna no Itamaraty, falando em português e alemão, Ernesto Araújo dá em 17 minutos sua versão da doutrina globalista, detonando os Brics, rechaçando a China como parceria e defendendo “um novo ciclo de política externa” aliada aos norte-americanos e chamando o ciclo do PT no poder de ciclo de “Barão de Munchausen”.

Pressionado por uma crise provocada pela disputa de poder no Ministério da Educação entre a ala militar e grupos ligados a Olavo de Carvalho, o ministro Ricardo Vélez agiu como um Salomão de porre, metendo o pé nos fundilhos dos dois lados da briga. Se metade dos demitidos é formada por militares que atuavam na Secretaria-Executiva da pasta, incluindo Eduardo Miranda Freire de Melo, Cláudio Titericz e Ricardo Wagner Roquetti, este último o coronel da Aeronáutica que teve a brilhante ideia de enviar uma carta às escolas do país pedindo que o slogan de campanha de Bolsonaro fosse lido e que crianças fossem filmadas cantando o Hino Nacional, a outra metade é olavista. São eles, Silvio Grimaldo, que era assessor especial do ministro, Tiago Tondineli, chefe de gabinete, e Levi Diniz Lima, diretor na Fundação Joaquim Nabuco. Na noite de ontem, Olavo apontou sua mira para o ministro numa rede social: “Só a renovação total e sem complacências pode salvar a educação brasileira. Recomendei o ministro Velez, mas, se ele cair no erro monstruoso que mencionei, ponham-no para fora”, escreveu.

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Ricardo Vélez Rodríguez – fazendo biquinho de peixinho, cacoete frequente – enquanto elenca esquizofrenicamente prioridades de sua gestão no MEC. É outro tarado obcecado pela Era Petista. “É preciso combater o que se denominou de ideologia de gênero, com a destruição de valores culturais, da família, da igreja, da própria educação e da vida social”, pontuou. “Vamos combater o marxismo cultural em instituições de educação básica e superior. O MEC não será um bazar de enriquecimento“.

Vélez teve de cancelar uma viagem que estava marcada para Israel, Alemanha e Dubai para encarar a crise olaviana. Segundo Vera Magalhães, Olavo chegou a indicar nomes para o substituírem. Não os emplacou. Da Virgínia, o escritor manifestava estupefação via Twitter, tentando lidar com a resistência do ministro à sua influência. “O Vélez se vendeu ou se deu?” — disparou num. “Não vou perguntar ao Vélez os motivos do seu comportamento”, sugeriu noutro. “Não sou psiquiatra dele.” No plenário da Câmara, em campanha, o deputado Eduardo Bolsonaro vem pedindo aos colegas para que não falem mal do guru, conta Guilherme Amado. Mas anda difícil. Por enquanto, o que se sabe é que Bolsonaro decidiu manter Vélez à frente da pasta. Segue na berlinda do governo. Mas nesse governo, saltar da prancha pode ser apenas um passeio até o céu.

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