Exclusivo: Mickey vai vender Reforma da Previdência

“Vem Tchutchuca
Vem aqui pro seu Tigrão
Vou te jogar na cama
E te da muita pressão!
(…) Vem, vem
Tchutchuca
Vem aqui pro seu Tigrão
Vou te jogar na cama
E te da muita pressão!”
Trecho da música do “Bonde do Tigrão”, início dos anos 2000

“Entre nessa festa pra cantar com todos nós.
Ele é, o maior, viva o Mickey Mouse!
Hey, Mickey, Hey, Mickey,
Viva o Clube do Mickey!”
Tema de abertura do Clube do Mickey, anos 90

E quem disse que o Posto Ipiranga não tinha bom senso e noção do perigo. Rabo esquenta, senta no bloco de gelo. Paulo “Tchuchuca” Guedes, o tigrão dos aposentados e calça frouxa dos banqueiros, o homem, o mito, o golden boy dos Chicago Oldies, admitiu finalmente, que pela criação de classe media cristã, pela finesse que vem do beço, tem sérias dificuldades de explicar, assim, na cara dura, sem um scotch puro, a um aposentado ferrado, que não nasceu em berço de ouro e trabalhou vida inteira para conquistar cada centavo com quem pretende sobreviver à velhice, que a Reforma da Previdência é o melhor pra ele. Aposentadoria aos trocentos anos, desconstitucionalização da matéria, que permitirá a sua regulamentação por lei complementar, regime de capitalização – viva os bancos! – e uma legião de idosos miseráveis, sem acesso aos direitos mais básicos. O primeiro botão que soltar da lapela ou a dobrinha no corte italiano é acinturado e justo, será a morte da família. O diabo é que quem devia articular a reforma da Previdência, pedra de roque do atual governo, é o próprio presidente Jair Bolsonaro, que reconhece ter poucos conhecimentos de economia e ser um articulador político limitado. Aliás, ele se elegeu porquê mesmo? Outro tema. Fato é que, sem Bolsonaro, lesionado, e com Paulo Guedes, sentindo a panturrilha, não dá para seguir com o governo. Entrega a batata quente pro Mourão e vãombora? Hum… não. É um pássaro, é um avião, não, é Bruno Bianco.

Primeiro, Bruno Bianco é um cara legal, você deixa de ser preconceituo. Não venha com papo de fonoaudiólogo, seu insensível. Esse sujeito tem uma arma vocal, só que ao seu jeito. Secretário Executivo da Previdência, tá lá porque quer e conseguiu. Não ganhou nada no grito. Não berrou ‘A bola é minha’ pra intimidar ninguém. Nem seria de seu feitio. Bruno foi indicado pelo próprio Paulo Guedes para, em dupla dinâmica com Rogério Marinho, secretário de Previdência, ser a voz a sustentar a mãe de todas as reformas. Até porque, vamos combinar, se nem isso o Bolsonaro conseguir passar no Congresso, vai passar o que? A Anistia ao Brilhante Ustra? Pois foi assim, nessa segunda-feira, 8 de abril de Nosso Senhor Jesus Cristo, depois de um fim de semana supimpa, com o coração aberto, que Paulo Guedes admitiu. É o cara para o bastidores, para o trabalho, digamos, com a graxa e o formão. Se for preciso até pegar na prensa ou no garrote, vamos lá, mas tudo sem câmeras e transmissão ao vivo. “Tchutchca” foi a gota dágua.

Guedes negou nesta segunda-feira que tenha a pretensão de assumir o papel de articulador político para a aprovação da reforma da Previdência. Já era hora. Essa coisa de Posto Ipiranga foi um achado de propaganda, mas fez muito mal ao homem que incorporou a fama, pela voz de Bolsonaro, admitamos. O ministro participou do evento “E agora, Brasil?” – ótimo nome – e foi direto ao ponto: “Eu não tenho a pretensão de ser coordenador político. Vocês viram meu desempenho. Não tenho bom temperamento para fazer essa função. A coordenação da reforma está em excelentes mãos”, disse Guedes, lançando logo o troféu gogó de ouro. o Bruno Bianco, que é a voz do Mickey, foi logo nomeado. “Eu não tenho a pretensão de ser coordenador político. Vocês viram meu desempenho. Não tenho bom temperamento para fazer essa função. A coordenação da reforma está em excelentes mãos, como Rogério Marinho, o Bruno Bianco, que é a voz do Mickey. Eu sou animal de combate em economia, não sou para fazer essa coordenação”, foi logo qualificar o -grrrr– o tigrão.

Não sei, sinceramente, eu que ja sofri tantos preconceitos, o quanto Bianco se dá bem com a alcunha. Pode ficar puto – e com razão, pode tirar de letra. O fato é que, desde assumiu o cargo, secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho, nome formal do seu cargo, tem uma voz que chama a atenção na Esplanada. Não eco. Destoa.  O que não é necessitariamente ruim. A gente defende um cara que tem a língua presa- so fucking what? Mas é, vá la, curioso.O Posto Ipiranga nomeia como porta-voz um “sem bandeira”, que nem loja de conveniência tem para o xixi de beira de estrada, e tudo bem?   Em discursos no Congresso ou entrevista, sempre recebe “aqueles olhares”. Ficou mais famoso por um vídeo curto de fevereiro. Falando, claro, da reforma da Previdência. Se você abstraiu a a voz e focou no discurso, é uma pessoa mais evoluída do que eu (Ouça e veja aqui). Não há tradução em libras. OK. Só eu no planeta lembrei dos Thunderbirds (Reveja). Para não parecer montagem, Bruno esteve no Pânico na TV, na Rádio Jovem Pan, de fevereiro passado (Aqui). Esse é o novo porta-voz da Previdência. Os olhares entre os debatedores não é só uma busca de moscas no estúdio. Ok, a gente dá a voz a tapa e cada um fala o que pensa. Mas tem alguma coisa errada nesse governo, não tem?

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