A deep web de Alexandre Garcia

Alexandre Garcia tem uma fascinação por mortes. Talvez porque a sua não tarde, pela lógica da vida. Talvez porque prefira refletir sobre a morte alheia do que a pensar naquelas que cercaram sua própria vida, uma delas, desgraçadamente, de seu filho que suicidou-se. A última vez que ouvi falar do ex-rei da Globo foi quando postou no Twitter um comentário nada menos que escroto sobre Lula e a ida ao velório de seu neto de 7 anos. “Como estará agora a cabeça do ex-presidente condenado, de volta ao quarto onde cumpre o primeiro de 25 anos? Depois de um dia com a tristeza da perda do neto, mas também o gostinho efêmero da liberdade e dos aplausos? Para todos os que mexem com o que é público pensarem”, postou Alexandre Garcia em sua rede social. Pois as redes sociais de Garcia desceram definitivamente ao nível de deepweb, com seu comentário em tom de deboche da morte do ex-presidente do Peru, Alan Garcia. O ex-presidente faleceu em decorrência dos ferimento após atirar contra si mesmo durante uma operação policial que pretendia prendê-lo por envolvimento em caso de corrupção ligado à empreiteira brasileira Odebrecht. “Alan Garcia, amigo da Odebrecht, morreu de vergonha”, tuitou o jornalista, gerando repulsa até em seus seguidores. Logo ele, Garcia, cujo furo mais arrombado concedeu para a revista de erotismo Ele&Ela, posando na cama de cuecas para uma reportagem intitulada “O Porta-Voz da Abertura”. Na época, Garcia era trainee de serviçal trabalhando como porta-voz do último presidente do período da ditadura militar do Brasil, general João Batista Figueiredo, cargo do qual foi, obviamente, exonerado devido à repercussão da entrevista. Depois disso, seguiu trabalhando pela ditadura, mas na Globo.

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O tweet canalha de Alexandre Garcia, que perdeu um filho, vítima de um suicídio, e faz chacota com o suicídio de outras pessoas

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Alexandre Eggers Garcia, funcionário dedicado da Rede Globo durante 31 anos – muita gente gostaria de saber como anda sua aposentadoria do Banco do Brasil -, ajudando a emissora a manter-se sempre colada em quem estivesse no Planalto – exceto pelo período petista – e, claro, com grande faturamento comercial, parece não estar com dificuldade de lidar com o ócio. Como o guru de Bolsonaro, criou seu patético canal no Youtube, onde caga regras e secreta preconceitos. A faixa inaugural do canal foi cortada por Bolsonaro, que, numa roda de blogueiros limpos, e também pelo Twitter, recomendou que os brasileiros seguissem o homem da barba branca e da alma negra. Garcia também copiou Olavo em outro jeito de faturar um extra: criar turmas de alunos para ensinar um pouco do ofício. Imagina-se que ética jornalística não esteja entre as disciplinas do mestre diletante. Nem gestão de pessoas ou relação interpessoal, considerando a maneira como tratava os colegas. Garcia deve ensinar o que em Brasília se costuma chamar de “cobertura dos bastidores do poder”. Se acha a expressão suspeita, então você entendeu o espirito da disciplina.

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Alexandre Garcia em seu curso de “educação política”, em foto postada no twitter. Fujam, crianças, fujam enquanto é tempo. Vão ler Cláudio Abramo, Bernardo Kucinski, Leandro Fortes, Nilson Lage, Ricardo Kotscho, Lucas Figueiredo. Vão ver Ricardo Stuckert, Evandro Teixeira e Lula Marques.

Quando deixou as telinhas, Garcia atuava como comentarista político do Bom Dia Brasil e, não raro, estava na bancada do Jornal Nacional. Foi um dos mediadores do debate entre os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor, em 1989, cuja edição manipulada, levada ao ar no dia seguinte no Jornal Nacional, é uma dessas excrescências que nunca se apaga. De resto, Alexandre usava o espaço disponível, inclusive nos telejornais de Brasília, para arrotar moralismo e cagar regras. Gostava de falar de má educação no trânsito. Algo engraçado para quem andava de motorista particular, sempre apressado.

No final do ano passado, descumpriu os Princípios Editoriais da emissora ao apoiar publicamente o já presidente eleito Jair Bolsonaro em um post no Facebook – a emissora proibiu expressamente seus jornalistas de se engajar em campanhas políticas, anunciar apoio, etc. Garcia escreveu que a eleição de Bolsonaro representava “uma revolução de ideias”. Como se vê, pelos primeiros cem dias de governo, fujam das aulas de “educação política” do barba branca. Vão ler Cláudio Abramo, Bernardo Kucinski, Leandro Fortes, Nilson Lage, Ricardo Kotscho, Lucas Figueiredo. Vão ver Ricardo Stuckert, Evandro Teixeira e Lula Marques.

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No sentido horário, a nada mole vida de Alexandre Garcia no Twitter: No Mosteiro de São Bento em Brasília, o prior, Dom Justino, lava e beija seus pés. Pena que Alexandre Garcia não aprenda nada com o gesto da humildade; Em simpósio internacional, recebendo a Ordem do Mérito da Sociedade Brasileira de Ultra-sonografia. Oi??!; Visitando o Centro de Instrução de Blindados FARDADO; Seu carro “engalanado” após a da missa pelos golpe de 31 de março, no Mosteiro de São Bento; Falando para ortopedistas em Campinas. Sobre política ou hérnia de disco?; Comemorando em sua mansão os 43 anos em Brasília; no convescote com Bolsonaro e “coleguinhas” escolhidos a dedo, e com Ana Hickmann, que defendeu Sérgio Moro e xingou Lula na Internet.

 

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