O planeta solitário do astronauta Marcos Cesar Pontes

Onde vive o astronauta Marcos Cesar Pontes? Como come? Onde dorme? O que faz? Não, você não precisará esperar um especial do Globo Repórter. Tentaremos responder isso aqui hoje. Primeiro, é preciso dizer que ele não divulga oficialmente sua agenda no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – o nome pomposo de sua pasta que é um dos patinhos feios do Governo Bolsonaro, levando em conta verba e seu prestígio. É um buraco negro ministerial. Não sei se era bem o que imaginava esse “herói brasileiro”, que há treze anos estava a bordo da Soyuz TMA-8 e se tornou o primeiro astronauta brasileiro a vencer a atmosfera terrestre rumo à Estação Espacial Internacional (ISS). Faltando-nos heróis, ele foi, sem dúvida, um. Se fosse um Vingador, poderia até ser o Homem Formiga, mas estava lá enfrentando Thanos. Voltando ao planeta Bolsonaro, sua “Agenda do ministro” é um grande vazio, como um céu sem estrelas, ou uma Lua em pleno eclipse. Zero. Percorrendo as últimas notícias do ministério, lá está ele, cabeça branca, terno tamanho GG Plus, sem uniforme, capacete ou travesseiro, aparecendo na página de abertura do site. A agenda é da semana passada, 09/05, mas é o que temos como hardnews. Bomba! “Ministro pede esforço conjunto para recuperar orçamento de ciência e tecnologia” diz a manchete do site, o que é comovente, e patética, considerando que nesta quarta, 15, é dia de greve geral justamente porque o governo do astronauta, esse governo, o governo Thanos, destroçou o que se chamava de educação, pesquisa, ciência e tecnologia no país. O astronauta – que parece mais alheio que o personagem homônimo da Turma da Mônica – pediu ajuda ao Congresso – oinn- para recuperar o orçamento do ministério para 2019, que sofreu um contingenciamento de 42%, equivalente a R$ 2,1 bilhões. Peraí, , o coronel da reserva Marcos Pontes  não entendeu que o contingenciamento foi imposto pelo seu capitão-presidente?

Entre suas estratégias, disse aos congressistas, estão “atualizar o valor das bolsas de pesquisa, modernizar laboratórios e promover o intercâmbio de pesquisadores”. Será que Marcos Pontes ouviu dizer que o CNPq, ligado à sua pasta, foi dizimado, e que a vizinha Capes, ligada ao Ministério da Educação, virou pó?. Quase 5.000 bolsas de mestrado e doutorado da Capes, consideradas “ociosas”, foram congeladas sem aviso prévio. E que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) está em pé de guerra por vaidade de cargos de gente letrada? Em que planeta anda vivendo Pontes, nosso herói? Vamos evoluir – ou involuir. No dia 08/05, seus ingratos, Marcos Pontes participou de uma videoconferência no Palácio do Planalto para anunciar a marca de 1 milhão de estudantes atendidos por internet via satélite, pelo programa Gesac. Um milhão, uau! Vamos lá, explicar  – porque esse é o país do aposto. O programa Governo Eletrônico oferece gratuitamente conexão à internet em banda larga – por meio do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações, o tal Gesac, direcionado, prioritariamente, para comunidades em estado de vulnerabilidade social. Acontece? não. A Telebras informou o número exato de pontos de acesso ativos no programa: 3,8 mil. Uma diferença de 996,2 mil. Bobagem. Vale o marketing. Com sorte e com verba, até agosto, o governo poderá contabilizar 10 mil escolas e mais de 3 milhões de alunos atendidos. Vai acontecer? Também não. E o um milhão? Ficou lindo na plaquinha fake news do Bolsonaro. Mas é uma grosseira mentira. E o astronauta serviu de claque.

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Testemunhas oculares da presença do ministro Marcos Pontes em audiência da Comissão de Ciência e Tecnologia, na semana passada, para pedir – oinn- o descontingenciamento da verba pasta. Ele não entendeu nada; O astronauta e Bolsonaro, seu feitor, exibem uma placa fake de milhão alunos atingidos pelo programa Gesac; e a brincadeira com os terraplanistas no Twitter.

Resta ir ao escoadouro natural de todo membro do governo Bolsonaro para ter mais notícias: as redes sociais. O que diz o Twitter de Marcos Cesar Pontes – cabotinamente nomeado @Astro_Pontes. Não procure agendas, procure chorumelas. Se ele trabalha, é em outra galáxia. De engraçada, a porretada nos terraplanistas – que são muitos no governo Bolsonaro, cuidado astronauta! – com uma charge que mostra cientistas lançando um satélite em órbita, permitindo, por exemplo, a Internet, pra um tal de “Beto” – que pessoalmente achei a cara do Carluxo – bradar com o celular na mão:“A Terra é plana!!!”. De  resto, um festival de parabéns: aos 67 anos da Esquadrilha da Fumaça (merecidos!), a “todas as mamães por sua data comemorativa”, e por aí vai. Numa pesquisa mais extensa na Internet, descobre-se que – pasmem! – ele acompanhou Bolsonaro na comitiva aos Estados Unidos e que foi um dos que assinou o – vou usar o nome técnico – “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas Brasil e Estados Unidos para o uso comercial do Centro Espacial de Alcântara” – a popular entrega do território nacional aos ianques geopoliticistas. Fora disso, os jornais só registram, em janeiro, sua cerimônia de transmissão do cargo, quando o astronauta, talvez ainda esperançoso em dias melhores, defendeu – parafraseio a mídia que cobriu o evento – sua defesa da “maior participação da iniciativa privada no financiamento da ciência nacional”.

Deve ser solitário o planeta onde vive hoje o astronauta Marcos Cesar Pontes.

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