As ruas rugiram. Bolsonaro, que despreza o povo, não perde por esperar

Um curto registro para não dizer que não falei de flores. E as ruas rugiram. A pólvora não estava batizada. O pavio se acendeu e no dia 15 de maio – e prepare-se, novamente no dia 30 – um número que se aproximou de dois milhões de pessoas em mais de 200 cidades brasileiras – não hesite em chutar pra cima – explodiu nas ruas, na Paulista, na Candelária e na Lapa, na Esplanada dos Ministérios, na Praça Sete em Beagá, na Boca Maldita, em Curitiba, no Marco Zero do Recife, no Farol da Barra, lá estavam os Canhões de Navarone soltando chumbo grosso nesse governo torpe, inoperante e lastimável. Lá estavam as boas e velhas bandeiras da esquerda, mas estava também – e considero o fato novo dos atos -, um massa numerosa, amorfa, multicolor, panpartidára, plurideológia, muito bem-vinda. E com muita raiva.

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De Dallas, Texas – mas poderia ser de Oz, o elo pedido com o Kansas, ou de Richmond, da casa de Olavo de Carvalho – o homem que não matou facínora, nosso Liberty Valance, nosso Lee Marvin, mostrou seu ódio pelo povo. Por tudo o que não é espelho. Chamou os manifestantes – professores, alunos, pais, seus filhos – e visivelmente não era um ato partidário, mas político, lato sensu – de “idiotas úteis, imbecis”, um bando de “militantes que “não tem nada na cabeça”, “massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais do Brasil”. Ofuscou até o ministro da Educação, Abraham Weintraub, convocado pelo Congresso, para dizer suas asneiras. Quem é o idiota agora, Bolsonaro? Que, como se percebe claramente, não consegue controlar o caráter dos próprios filhos.

Como reconhece a própria mídia golpista, que tem cu e tem medo, foi o primeiro ato sólido contra Bolsonaro em pouco mais de cinco meses de governo. É muita coisa – inclusive para a própria mídia admitir. Novamente, insisto, um ato político, não partidário, foi lido por ele como uma ofensa pessoal. Com a miopia de quem nunca desceu do palaque, cuja política aprende não com Aristóteles ou Platão, mas com Olavo de Cavalho. Bolsonaro não desce do palanque, não adianta. Seu Brasil tem dois lados, um deles, o seu, minoritário. E só lhe interessa governar para esse. A Aurora Dourada está mais perdida que um Golden Shower numa noite de suruba.

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