Marco Aurélio, Moro e o estilingue

O “estilingue funciona para quem está na vitrine”. A frase é do ministro Marco Aurélio Mello, um dos únicos a sair dos seus esconderijos no BatSupremo para rodar a capa sobre o “GrampoGate”, “Morogate”, ou simplesmente o furo do The Intercept, que mostrou quem é Sérgio Moro, que é Deltan Dallagnol e para que serviu a Lava Jato: virar de ponta-cabeça a história política brasileira a partir de 2016, derrubando uma presidente eleita por “pedaladas fiscais”, criminalizando o PT, e nacos de outros partidos, com delações e operações orquestradas a muitas mãos, prendendo Lula e impedindo que fosse hoje o presidente do Brasil – ou, no mínimo, Fernando Haddad. E, no meio de tudo isso, quebrando indústrias como a de construção civil e a naval e empurrando o Brasil para o buraco.

Mello falava, claro, de Moro, o Juiz que virou suco, o Super-Ministro que virou o Super-Mouse, o Arquivo X do governo Bolsonaro, que, como se confirmou, nada mais fez do que armar um grande esquema criminoso com alguns procuradores amestrados do Ministério Público, Dallagnol Powerpoint à frente, para assaltar as instituições brasileiras e parir seu protótipo de Estado. Não desmontavam um “Mecanismo”, montaram o seu próprio, ao contrário do que tentou romanticamente narrar José Padilha com sua série de terceira categoria na Netflix – um espécie de “Branca de Neve” onde a Bruxa é a heroína e Os Sete Anões montam uma quadrilha para assaltar o castelo.

Escorados por forças políticas – muitas do MDB que acabou depois encarcerando para manter as aparências, muitas do PSDB de Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves – o primeiro, uma das poucas vozes em defesa de Moro hoje, grato que é, o segundo o gatilho para o impeachment de Dilma Rousseff ao não aceitar o resultado das urnas, e por isso até hoje, solidário, não foi preso – e pela elite banqueira-empresarial, com seus Patos, MBLs e Joice Hasselmanns – fizeram emergir o submundo representado pelo capitão terrorista Jair Bolsonaro, seus filhos limítrofes, pelo astrólogo Olavo de Carvalho, pela fauna do PSL e do Novo, e entronaram, sem nenhuma maioria – nem mesmo nas redes sociais, mesmo com os robôs de Carluxo – uma direita que representa o oposto dos valores nacionais e quer destruir, pedra por pedra, tudo o que se fez nos anos de conquistas construídos pelo PT.

“Coitado do juiz Moro. O presidente (Jair Bolsonaro) o colocou numa sabatina permanente quando anunciou que houvera um acordo para ele deixar uma cadeira efetiva (de juiz federal), abandonando 22 anos de magistratura, para vir para Esplanada e ser auxiliar dele, colocando-o na vitrine”, seguiu o inspirado Marco Aurélio Mello, ao chegar para a sessão da Primeira Turma hoje. Moro, ironizou Mello, ficará “sendo acuado todo esse tempo” até abrir uma vaga no STF, em novembro de 2020, com a aposentadoria compulsória do ministro Celso de Mello. O presidente Jair Bolsonaro já informou que pretende nomear Moro para uma das vagas do Supremo. Foi o único erro de cálculo, talvez proposital, talvez provocativo, de Mello. Moro não dura até 2020, como Bolsonaro não dura até 2022.

“Todos nós somos contra a corrupção, mas não o combate a ferro e fogo. Porque aí é retrocesso em termos de Estado democrático de direito. Se havia combinação de atos, Ministério Público e juiz, aí realmente se tem algo grave”, afirmou o ministro Marco Aurélio Mello, que parece disposto a falar o que metade da República tem medo de pensar e a outra metade metade receio de aprofundar.

Ah, Moro? Por enquanto foi condecorado com a medalha da Ordem do Mérito Naval. Mas não se engane. É um navio indo a pique.

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