Moro, o pato manco, pode deixar governo e ir grasnar na terra de Trump

O ardiloso julgamento da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, que decidiu negar liberdade provisória ao ex-presidente Lula enquanto não conclui a análise de um pedido de suspeição do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, resolveu um problema. Mantém Lula no calabouço mais um tempo. Aquele tempo que vai se tornando indeterminado porque sempre há uma manobra política, uma firula jurídica, para manter Lula apodrecendo na cadeia. E se você é do grupo que acha que em agosto, com o fim do recesso judiciário, tudo se resolve, e que o decano Celso de Mello mudará seu voto para beneficiar Lula, melhor ir recolhendo seu otimismo. Menos crença no Supremo, por favor. O mecanismo para manter Lula preso é mais poderoso. E hoje passa também pelos militares. Com o General Augusto Heleno, com o GSI, com prisão perpétua, com tudo. Não me admirará mais se Lula ficar muitos anos presos, até que o governo Bolsonaro, ou quem o suceder, talvez ele mesmo, possa finalmente soltá-lo depois de quase uma década. Como espólio de guerra. Não terá mais utilidade. Será outro país. Como fizeram os romanos ao destruir Cartago na 3º Guerra Púnica, a terra estará salgada e os campos estarão incultos para sempre. A oposição terá sido trucidada. A República de Gilead, como na série O Conto da Aia, reinará soberano. E sem Canadá na fronteira. O Brasil será um país de direita.

Com Lula fora do baralho, porém, Bolsonaro precisará resolver um problema para seguir governando sem mais essa perturbação no ambiente. Terá que se livrar do pato manco. Pato manco, ou, no original, lame duke, foi uma expressão cunhada no século 18 pelos anglos saxões para taxar os políticos em fim de mandato, onde até o garçom, sem a presteza de antes, já serve de má vontade o café frio. Em sua curta carreira política, Moro virou um pato manco. Não serve para mais nada. Fez seu serviço sujo em Curitiba, prendendo Lula, com Supremo, com tudo, e foi premiado, com o Ministério da Justiça e a promessa, em 2020, de uma vaga no Supremo.  O problema é que Moro tornou-se imã de crises. O The Intercept, com suas precisas e cada vez mais comprometedoras revelações, inviabilizou Moro. Tornou-o um estorvo. Mantém o caso Lula dentro do governo. Mantém Lula no noticiário, de onde já havia desaparecido até vir um jornalista norte-americano, Glenn Greenwald, e provar que o ex-juiz federal, como um ditadorzinho da República da Lava Jato, dava orientações ao procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, e por tabela aos demais. Greenwald todo dia arranca mais algumas penas do pato tagarela. E não se intimida com ele, nem com sua voz de taquara rachada. Nesta terça, 25, enquanto o caso Lula era julgado no STF, o homem forte do The Intercept humilhava o Batoré de Maringá. “Moro não está defendendo o comportamento que ele teve, porque é impossível ele defender. Ele está fazendo algo diferente, uma tática muito cínica, ele está tentando enganar o público, dizendo que o material é falso”, disse Greenwald. “O interessante é que nenhuma vez Moro disse que qualquer coisa que estamos publicando foi alterada ou não é autêntica. Ele está sempre dizendo “poderia ser alterado.” Porque sabe que são verdadeiras. Como as ridículas “escusas” ao MBL, o Movimento Brasil Livre.

Greenwald, que foi ouvido pela comissão de Direitos Humanos da Câmara, não deixará Moro em paz. E tem feito seus estragos entre os aliados necessários de Bolsonaro. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, classificou como “graves”, se comprovadas, as mensagens reveladas pelo The Intercept. “Se fosse deputado ou senador, estava no Conselho de Ética, cassado ou preso”, disse Davi, segundo o site Poder 360, que promoveu um jantar com o parlamentar e convidados. Bolsonaro, por isso, está nesse momento, pensando em uma saída honrosa para Moro. Precisa se livrar dele. Tira-lo da Esplanada. Tira-lo de perto. Uma saída lugar comum seria uma embaixada. Quem sabe nos Estados Unidos – e nem precisaria ser o embaixador. Bisbilhotando o site da Embaixada, localizam-se ali alguns cargos interessantes. Ministro-Conselheiro para Assuntos Políticos. Conselheiro para o Setor Político – Relações com o Congresso dos EUA. Ou conselheiro Setor Político – Defesa e segurança. Não são a cara do Moro? Essa semana, ele está por lá.  Com muito custo, divulgou uma curiosa agenda oficial na terra de Trump, quem sabe seu futuro lar. Foi visitar instalações do centro de inteligência do governo americano na fronteira com o México. E vai à Virgínia, em visita à sessão de antiterrorismo do FBI e o National Targeting Center. Ah, de novo o FBI na agenda de Moro. Essa embaixada, ou um cargo de adido, realmente lhe cairia muito bem.

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