Só faltava essa. Um sargento traficante de cocaína viajando junto com a comitiva presidencial. Senado quer investigar.

Ninguém está livre de uma maré de azar, mas o governo Bolsonaro, pelo amor de Deus, jogou pedra na cruz, depois derrubou a cruz e fez uma fogueira. A história do militar-traficante, parte da comitiva presidencial, escalado para acompanhar o mandatário no trajeto que Bolsonaro faria de volta do Japão, onde participará do encontro de líderes do G20, ganhou tanta repercussão que transformou o evento em pó. Detido na terça, 25 – o assunto só veio a público no dia seguinte – no aeroporto de Sevilha, na Espanha, levando uma mala com 39 kg de cocaína – não se deu ao trabalho de disfarçar a muamba entre os pertences e roupas, era uma mala de cocaína pura e simplesmente -, o segundo-sargento Silva Rodrigues roubou a cena. Mostrou um óbvio esquema de tráfico de drogas, usando militares da Aeronáutica, nas barbas do poder, e, ao mesmo tempo expos a hipocrisia de um governo de valentões que não sabe abotoar o próprio suspensório. Coube mais uma vez ao menos insensato Hamilton Morão, presidente em exercício, admitir o mínimo: era uma super mula, ou “mula qualificada”, nas palavras do vice, repetindo a gíria usada para descrever quem transporta a droga no tráfico. Trata-se de um tremendo problema que exigirá uma investigação profunda até porque ninguém imagina que o militar agiu sozinho, nem pode adivinhar seu posto na cadeia de comando, ainda que se suponha que era só um transportador. É óbvio que há cúmplices e que estamos falando de tráfico internacional de drogas.

A TV Globo apurou que a aeronave onde estava o militar, que atua como comissário de bordo em voos da FAB, costuma fazer a rota presidencial antes do avião do presidente em viagens longas, e, por isso, fica à disposição do presidente para quando ele pousar no destino. Alguém acha que o sargento estava estreando no negócio paralelo? Mourão concordou, em entrevista no Planalto, que é preciso apurar as conexões do militar detido, a fim de esclarecer o transporte da cocaína no avião da FAB. O comunicado do Ministério da Defesa afirma que o caso está sendo investigado e que foi determinada a instauração do Inquérito Policial Militar (IPM). Bolsonaro, como sempre quando o calo lhe aperta, fingiu que era uma bobagem qualquer e um caso isolado. Em uma rede social, o presidente comentou o caso dizendo que os militares são pessoas formadas “nos mais íntegros princípios da ética e da moralidade” e que “caso seja comprovado o envolvimento do militar nesse crime -Oi? Caso seja comprovado? -, o mesmo será julgado e condenado na forma da lei”. Por pouco Bolsonaro não viajou com o sargento ao lado e com a mercadoria no bagageiro do avião presidencial. A prisão ocorreu quando o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) ainda estava no aeroporto da capital da Andaluzia. A aeronave servia como reserva para o presidente brasileiro que viaja em outro avião para participar da reunião do G-20 em Osaka, no Japão. Mas o sargento-traficante faria o percurso de volta no avião presidencial.

“É óbvio que pela quantidade de droga que o cara estava levando, Ele não comprou na esquina e levou. Ele estava trabalhando como mula e uma mula qualificada, vamos colocar assim”, declarou a jornalistas. Mais cedo, em entrevista à Rádio Gaúcha, Mourão destacou que as Forças Armadas não estão “imunes” ao “flagelo da droga” e disse que o militar será julgado e terá uma “punição bem pesada”. “Isso não é primeira vez que acontece seja na Marinha, seja no Exército, seja na Força Aérea. A legislação vai cumprir o seu papel e esse elemento vai ser julgado por tráfico internacional de drogas e vai ter uma punição bem pesada”, declarou o vice-presidente, com sinceridade. No melhor estilo murro na mesa, o general Augusto Heleno disse que “só se o GSI tivesse bola de cristal para prever” o carregamento de drogas na aeronave. Pelo Twitter, o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) rebateu a afirmação do ministro, lembrando que a segurança da comitiva presidencial é do GSI. “E se fosse uma bomba? É de responsabilidade do GSI a segurança presidencial, do avião presidencial e a averiguação da bagagem. Convenhamos, 40 kg não precisa nem de lupa,muito menos bola de cristal”, criticou o petista.

Como se o governo não precisasse de problemas, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Wetervon Rocha (PDT-MA) apresentaram requerimento para convidar o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, para prestar esclarecimentos à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado sobre o sargento-traficante. É pó, é pedra, é o fim do caminho…

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