Sabe a diferença entre o cérebro de Weintraub e um saco de pó? O saco.

O patético dublê de Gene Kelly, Abraham Weintraub, que pelo menos vinha se atendo ao seu curral ideológico, trocou de roupa – talvez agora seja o Inspetor Clouseau -, e perdeu completamente a linha para lamber o saco do chefe e defender o indefensável: o caso do militar que foi preso por transportar 39 quilos de cocaína em um dos aviões que fariam suporte à comitiva do presidente Jair Bolsonaro em Osaka, no Japão, onde o presidente participa de uma reunião de cúpula do G20. Diante do constrangimento geral, Weintraub poderia:

(  ) Opção A – Ter ignorado o assunto, fingido de morto, como fizeram quase todos no governo – exceto os militares e Judge Moro – e ido tratar de educação, de preferência não de mais cortes no ensino;
(  ) Opção B – Ter feito um comentário genérico, a la Itamaraty e Ministério da Defesa, de que tudo está sendo apurado, que o militar está preso e responderá por seus atos. E que possivelmente é um caso isolado, a “mula privilegiada” de Mourão. Embora isso seja só uma tese.
(  ) Opção C – Chutar o pau da barraca, misturar alhos com bugalhos, fazer piada de assunto sério, ideologizar o assunto, como uma criança que responde a um meme provocador nas redes sociais, e seguir concorrendo ao posto de ministro mais canalha do ano.

Preferiu a opção C. Claro. Pois Abraham Weintraub, no Twitter, escreveu que o avião presidencial “já transportou drogas em maior quantidade”, em referência aos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Não parou por aí. Em outro tuíte, o boçal escreveu: “Tranquilizo os “guerreiros” do PT e de seus acepipes: o responsável pelos 39 kg de cocaína NADA tem a ver com o Governo Bolsonaro. Ele irá para a cadeia e ninguém de nosso lado defenderá o criminoso. Vocês continuam com a exclusividade de serem amigos de traficantes como as FARC”. Acepipes? Como flagrou o escritor Fernando Moraes, o ministro da Educação certamente confundiu “acepipes” com “asseclas”. Acepipe é, de acordo com o Dicionário Eletrônico Houaiss, “prato delicado servido para abrir o apetite; aperitivo, petisco” e, por extensão de sentido, “qualquer comida bem feita e apetitosa; pitéu”.

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Os tuítes de Von Weitrub: pesos e acepipes.

Weintraub, que já foi caracterizado como palhaço até pela capa da revista Istoé, tornou-se o idiota de plantão mais visível no governo já que Tia Damares anda falando pouco. Ao final de abril, declarou que promoveria cortes em universidades por causa da promoção de “balbúrdia” nos câmpi. Gerou dois megaprotestos públicos contra o governo. Posteriormente, afirmou que não se tratava de corte, mas sim de contingenciamento de recursos, e usou barrinhas de chocolates para tentar explicar, pateticamente, a medida. Estava ao lado de Bolsonaro, que preferiu comer o chocolate a prestar atenção.  Também já protagonizou um vídeo em que faz uma paródia do filme “Cantando na Chuva” para rebater as críticas a supostas fake news contra sua pasta.

Após a declaração do ministro, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse, também no Twitter, que o ministro se comporta como “moleque” e que “não está a altura do cargo”. Também afirmou que o partido vai entrar na Justiça contra Weintraub. A falta de compostura de Weintraub o fez ouvir críticas até de políticos moderados. Candidato à Presidência derrotado em 2018, João Amoêdo (Novo), reagiu. “Ministro, não tenha compromisso com o erro, peça desculpas”, escreveu. “Vamos trabalhar pela educação e pelos brasileiros, com a postura que se espera de um ministro de Estado”. Nome da Rede para o Planalto em 2018, Marina Silva escreveu que “o Brasil precisa de mais educação e não menos. “É lamentável o Ministro da Educação brincar com um episódio grave, que já prejudicou a imagem do país no exterior, às vésperas do G-20. Basta de falta de educação!” Para o presidente do Cidadania, Roberto Freire, ex-PPS, há no governo “uma disputa entre os que mais boçalidades fazem ou dizem. Ao comentar o episódio da apreensão de drogas pela polícia espanhola, em avião da FAB da Comitiva do Presidente da República o ministro da Educação pontificou na calhordice”.

A bem da verdade, Weintraub não foi o único membro do primeiro escalão a se posicionar sobre a prisão do sargento, botando panos quentes. Também no Twitter, o ministro da justiça Sergio Moro afirmou que a situação “é uma ínfima exceção em corporação (FAB) que prima pela honra” e que “o caso será “devidamente apurado pelas autoridades espanholas e brasileiras”. Sim, Moro é o ministro da Justiça. Nenhuma palavra sobre combate às drogas. E de quem nada se espera é que não sai nada mesmo. Filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) compartilhou a publicação de Weintraub e comentou: “E na vez que o Fidel Castro morreu! Recorde no voo para Cuba!”. Oi? Weintraub, traduz, por favor.

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