Guru Olavo diz que posto em Washington enterra carreira de Eduardo Bolsonaro

Se você espera alguma coerência da direita, aí é que ela não vem mesmo. Olavo de Carvalho, o guru de Jair Bolsonaro e de seus filhos, que vive em Richmond, Virgínia, está soltando fogos para a escolha do deputado Eduardo Bolsonaro, o Zero03, para a embaixada brasileira em Washington, certo? Considera um marco para a diplomacia brasileira, mesmo ao custo de uma briga imprevisível com senadores e ministros do Supremo, correto? Por sinal, deve ter seu dedo cheirando a fumo de cachimbo por trás de uma decisão tão estratégica, talkei? Tudo errado. Olavo de Carvalho gravou um vídeo no youtube pra dizer pra Bolsonanaro desistir da ideia e pra Eduardo focar no Congresso, onde tem uma missão importantíssima a cumprir. Que missão?

Quando aceitou o convite para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Eduardo assinou um requerimento para criação da CPI do Foro de São Paulo, uma velha tara da direita. A deputada federal Chris Tonietto (PSL-RJ) já estava colhendo assinaturas de parlamentares para lançar a tal CPI do Fim do Comunismo. A comissão visaria investigar a organização continental que, na visão da direita, reúne partidos e organizações de esquerda revolucionária na América Latina, prontos para subjugar o planeta com a pata peluda do comunismo. Pois Olavo acho que essa é a missão de Eduardo, tocar a CPI, que define como potencial “maior acontecimento da nossa história parlamentar” para “eliminar esse comunismo maldito que quase destruiu o Brasil”, e não ir fritar hambúrgueres em Washington.

Em seu surto, Olavo compara Bolsonaro ao “rei” do combate ao comunismo, e Eduardo, seu filho, o “cavaleiro andante”, o “campeão” escolhido para descer à arena e lutar por ele. “Ele não pode lançar um movimento dessa envergadura e depois simplesmente ser um funcionário diplomático em Washington. Isso não faz nenhum sentido. Lá ele nem poderá falar do assunto”, aponta o desesperado guru presidencial. Ele compara o movimento de Eduardo, de Brasília para Washington, ao de Kim Kataguiri – a que chama de “Kim Katacoquinho” -, de São Paulo para Brasília, que depois de fundar o Movimento Brasil Livre (MBL), acomodou-se num cargo de deputado federal. “Isso (virar embaixador) seria um retrocesso, seria a destruição da carreira de Eduardo Bolsonaro”, finaliza o tarólogo que se acha cientista político. Vamos combinar que é uma tremenda sacada.

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