Ecoterroristas infiltrados na Ancine, no Inpe e no Datasus

O estranho ser que habita Bolsonaro, e que vive em um condomínio fechado na Barra da Tijuca, com incursões semanais a Brasília, e eventuais a Washington, viveu nas últimas horas momentos de exposição, com declarações excêntricas em sequência pautando a mídia. Como afirmar que não existe fome no Brasil, ameaçar censurar a Ancine, a Agência Nacional do Cinema, para que troque os “pornôs” por filmes sobre “heróis” nacionais, e triturar a reputação do Inpe, o tradicional Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, entidade respeitabilíssima desde os anos 60, dizendo simplesmente que seus dados sobre queimadas são manipulados e que poderia estar a “serviço de alguma ONG” ambientalista. Pelo menos nesse último caso me ocorreu que os ecoterroristas da Sociedade Secreta Silvestre (SSS), que Veja achou na deep web, podem estar por trás da trama. A SSS certamente deve ter uma célula no Inpe cujo único objetivo é cooptar os cientistas locais, superdimensionado o desmatamento para prejudicar o nome do Brasil no exterior. Que floresta amazônica derrubada que nada, nunca se viu tanta árvore no pulmão do planeta. Isso é trama dos ecoterroristas. O estranho ser que habita Bolsonaro vai dar um jeito no Inpe, nem que feche aquela joça.

E olho também nas telonas, já que Bolsonaro, depois de transferir o Conselho Superior do Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil – será que Onyx já ouviu falar de Alexandre Frota? -, decidiu acender a luz vermelha sobre a Agência Nacional do Cinema, que poderá ser privatizada ou extinta caso, palavras do presidente, não seja possível impor um filtro às produções do país. A ideia é tão luminosa que parece pegadinha dos ecoterroristas – teriam eles uma célula dedicada à cultura? -, afinal o que se propõe é trocar a censura classificatória dos filmes por uma censura prévia direto na linha de produção. Uma comissão de notáveis, com maioria militar, claro, escolheria os temas a serem tratados nas produções. Zé Padilha poderia ser nossa  “Leni” Riefenstahl, produzindo filmes que fortaleçam a pátria e os valores da família. “Bruna Surfistinha” foi só o anti-exemplo que lhe ocorreu – Bolsonaro nunca deve ter visto uma pornochanchada na vida. Quem sabe, para começar, produzir, em parceria com a Netflix, os Cinco Indomáveis, sobre a vida dos ditadores Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, ídolos de Bolsonaro. Ou talvez, Dr. Tibiriça, o Bom Médico, série passada nos anos 70 numa prisão do DOI-CODI. Ou, ainda, se associar à NatGeo numa produção na linha Eram os Terraplanistas Astronautas? Isso sim faria do cinema nacional um sucesso. Bolsonaro não falou nas novelas, mas a Globo não perde por esperar.

Mas o estranho ser que habita Bolsonaro, depois de falar de ciências e de cultura, dois temas muito caros a ele, resolveu atacar de uma vez por todos essa lenda urbana, nefasta para a imagem do país, criada pelo Betinho e pelo Fome Zero, pauta do Fórum de São Paulo, que é dizer que há pobres e famintos no Brasil. Não sei o que servem nesses cafés da manhã com a imprensa, mas deve ter alguma substância alucinógena fortíssima no suco ou nos biscoitos de manteiga. Só alguém num estado de absoluto torpor espiritual para concluir, sem medo se ridicularizar,  que “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não.” E Bolsonaro arrematou: “Você não vê gente mesmo pobre pelas ruas com físico esquelético como a gente vê em alguns outros países pelo mundo” disse o presidente, sem citar nominalmente quais nações seriam essas, mas, obviamente, falando da África. Bolsonaro deve estar vendo muito The Walking Dead. Mais tarde, avisado pelo estranho ser que o habita, Bolsonaro concedeu que “alguns passam fome” no Brasil. Alguns quantos,  Bolsonaro? Dez? Uma dúzia? Como assim, dados do Datasus, portal do Ministério da Saúde, registraram entre 2008 e 2017 – último ano disponibilizado pelo ministério – 63.712 mortes causadas por problemas ligados à desnutrição, uma média de 17 óbitos por dia ou 6 mil por ano. Aí, não. Fecha esse Datasus também. Infiltrado de ecoterroristas.

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