A teologia da compreensão: Boff perdoa Ciro e ensina que é possível falar com o coração e não com o fígado

Ciro Gomes xingar alguém não é novidade. A trajetória política de Ciro é uma coleção de impropérios e ofensas, sejamos coerentes, dirigidas a pessoas de todo espectro político. Ele também é um bom orador, considero-o um sujeito articulado e inteligente e, sem dúvida, seria meu voto no segundo turno, se fosse ele a enfrentar o Coiso. Mas, bom, Ciro tem a língua solta. Xinga como quem espirra. Sai meio que involuntariamente. Normalmente, Ciro não xinga na cara. Xinga quando o ofendido está bem longe. Ou quando não pode se defender, como o repórter em Roraima, botado pra correr por seus seguranças. O repórter mandou mal demais. Mas é razoável ofendê-lo? Os ciristas, claro, piram. Dessa vez, a metralhadora giratória do ex-presidenciável do PDT, aquele que passou toda a transição do primeiro para o segundo turno na Europa e depois voltou sem apoiar Fernando Haddad contra Jair Bolsonaro – não que isso tivesse salvo o petista, mas será uma omissão política que marcará sua vida pública – dessa vez mirou o teólogo Leonardo Boff.

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Boff, expoente da teologia da libertação no país e conhecido internacionalmente por sua defesa dos direitos dos pobres e excluído, é para Ciro Gomes um “bosta” e “bajulador” de Lula. Ciro precisa urgentemente entrar numa máquina do tempo e voltar de 2022 para o final de 2018. Por que a coisa aqui está feia.

Quando li a primeira vez, achei que era fake news. Nem Ciro seria capaz de ofender Boff. Nem é pela barba branca, mas é como xingar Papai Noel porque não gostou dos presentes de Natal. O que fez Boff para despertar a ira de Ciro. Bom, Boff é amigo de Lula. Um dos amigos mais íntimos. Pseudônimo do catarinense Leonardo Genésio Darci Boff, hoje com 79 anos, expoente da teologia da libertação no país e conhecido internacionalmente por sua defesa dos direitos dos pobres e excluídos, o teólogo, escritor e professor universitário, graduado em Teologia no Instituto dos Franciscanos de Petrópolis do Rio de Janeiro e doutor em Filosofia e Teologia pela Universidade de Munique, na Alemanha, já fez ele mesmo críticas ao PT. Aos excessos cometidos pelo partido, aos erros, aos desvios de sua história. E as levou a Lula. Não é um puxa-saco, é um amigo e um conselheiro. Mas em tempos de ódio, ricocheteiam sobre todos balas dirigidas a Lula.

À Folha de S. Paulo, nesta quarta, 31, Ciro jurou que nunca mais vai fazer campanha para o PT – uma salva de palmas para ele – e não revelou em quem votou no segundo turno. Oi??? Tá, ok, mas quando devia parar para respirar, Ciro puxou todo o oxigênio do cérebro e entrou no modo desgovernado. “Eles (“eles” são os petistas, tá gente) podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff (que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad). Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? (…) O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências”, vomitou. Frei Betto é outro desses “bajuladores”, na concepção de Ciro.

Engraçado, eu fico aqui pensando se Ciro, mesmo sem subir no palanque de Haddad, tivesse dado uma entrevista, na véspera do segundo turno, chamando Bolsonaro – a quem já xingou antes – de “bosta”. Mas Ciro não vive no país de Bolsonaro, nesses quatro anos de mandatos dados ao ditador. Pode voltar para a Europa a hora que quiser, entrar num período sabático, alegar exílio político, ou uma baboseira dessas. Só que Ciro foi esmagado pela teologia da compreensão de Boff, que, ao invés de devolver as ofensas – ele jamais faria isso – disse que entende o excesso do pedetista causado pelo seu caráter furioso. “Minha posição é dos filósofos, dentre os quais me conto: nem rir nem chorar, procurar entender. Entendo seu excesso a partir de seu caráter iracundo, embora na entrevista afirma que ‘tem sobriedade e modéstia’”, disse Boff ao UOL. Para o teólogo, a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) representa um risco à democracia. “Precisamos de uma Arca de Noé onde todos possamos nos abrigar, abstraindo das diferentes extrações ideológicas, para não sermos tragados pelo dilúvio da irracionalidade e das violências que poderão irromper”, afirmou.

A diferença entre Boff e Ciro é que o primeiro vive em novembro de 2018, a dois meses do Coiso tomar posse. Ciro vive em 2022.

Vira, virou: campanha formiguinha vira votos e esclarece indecisos contra o fascismo. Haddad está perto de ser eleito

Você esperava mais de Ciro Gomes, em sua platitude política? Que ele, por exemplo, diante da perspectiva de que um fascista como Bolsonaro fosse eleito, apoiasse Haddad – como fizeram, por exemplo, os antipetistas Rodrigo Janot e Joaquim Barbosa, para citar duas adesões recentes, entre tantas outras? Que subisse no palanque final com Haddad, alavancando a virada que se anuncia? Que ao menos postasse um vídeo nas redes sociais deixando claro seu apoio a Haddad? Um telegrama, pelo menos – ainda existem telegramas? Uma mensagem psicografada, quem sabe. Eu já disse que os eleitores de Ciro são muito melhores do que ele, como os eleitores de Haddad são melhores do que o PT. Ciro, na véspera da eleição mais importante da história recente do país, fez como o flácido João Doria(na): flagrado na suruba, gravou um vídeo ao lado da esposa defendendo a família e, claro, culpando o PT. Nas redes sociais, o candidato derrotado à Presidência do PDT, de volta ao Brasil após viagem à Europa, não declarou apoio a Haddad, como parte da militância de esquerda ainda esperava, e disse que vai “preservar um caminho” para que os brasileiros possam ter uma “alternativa”. O pedetista reconheceu que “todo mundo preferia” que ele “tomasse um lado e participasse da campanha”, mas ressaltou que não o faria. Seguiu a linha já desenhada pelo irmão Cid, senador eleito graças ao PT, e que, traiçoeiramente, usou um ato público de apoio ao PT para exigir “desculpas” do partido. Não há dúvidas. Ciro não se importa que Bolsonaro seja eleito, desde que ele esteja no páreo em 2022. Por isso, vou repetir, sem pretender ser messiânico: não esperava outra coisa de Ciro. Minha esperança está em seus eleitores. E nos indecisos – que visivelmente podem e precisam ser esclarecidos, ainda que no trajeto para a urna.

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Letícia Sabatella montou uma banca no centro do Rio de Janeiro; a ex do omisso Ciro Gomes, Patrícia Pillar, se disponibilizou para o diálogo; Leticia Colin e Luisa Arraes também foram para a rua conversando com as pessoas e virando voto; Herson Capri foi às ruas pra dialogar com as pessoas e virar voto; Leandra Leal, Marina Person, Laura Carvalho e Renan Quinalha montaram sua frente da virada do Centro de São Paulo, assim como Mariana Lima, Enrique Diaz e Maria Flor, viraram votos nas ruas; Guta Stresser escolheu como frente o Metrô da Barra, no Rio; Paulo Betti, militante histórico, panfletou e virou votos.

Na virada deste sábado para domingo, completei com um táxi uma corrida para casa. Estava com meus filhos, voltando do Maracanã. Pensava na segurança deles, desconsiderando a dor no bolso. Moro no Rio de Janeiro e entre o Maracanã e a Barra da Tijuca há um mundo de desigualdade e medo que todo o Brasil conhece bem. Na reta final da corrida, já com os filhos na casa da mãe, eu e o taxista, um morador do subúrbio do Rio, mudamos o tema de futebol – ele Vasco, eu Flamengo – para política. Quando a corrida se encerrou, meu amigo continuava Vasco, nem pretendi o contrário, mas deixou de ser um indeciso, propenso a votar em Bolsonaro, ou um potencial voto em branco. Havia compreendido que Haddad era a melhor opção para o país. O vira-vira foi intenso nos últimos dias, do trabalho de formiguinha nas redes sociais até campanhas de rua, inclusive com a presença de artistas, que convidavam os indecisos a refletir. Com diálogo e olho no olho, banquinhas, afeto e muita paciência, se mobilizaram nas ruas de diversas cidades do Brasil e se disponibilizam a conversar com eleitores indecisos. Tudo pela onda da virada, que acredito ser real, e não uma fantasia da minha bolha social. O instituto Vox Populi, o que mais se aproximou do resultado real no primeiro turno, mostra um empate, com uma poderosa onda pró-Haddad. Podemos virar neste domingo. Acredite.

No dia em que KKK elogiou Bolsonaro, poeira baixa com clã Ferreira Gomes graças à habilidade política de Haddad

De uma coisa ninguém duvida: os eleitores de Ciro e Cid Ferreira são melhores do que eles. O programa eleitoral de Bolsonaro deu o braço a Cid e tripudiou do piti do senador eleito, que aproveitou “ato pró-Haddad” – sim, era a ideia original – em Fortaleza, na segunda-feira, 15, para provocar a militância petista e disparar xingamentos. Cid, que se elegeu senador com o apoio negociado do PT, não agiu sem conhecimento de Ciro, obviamente. Ciro, como se sabe, está na Europa, enquanto a parte do Brasil que ele ajuda a representar – a tal centro-esquerda – se agarra aos arbustos no penhasco para não ter um presidente-ditador pelos próximos quatro anos. Se for estratégia é tão ruim quanto a demora de retirar a candidatura de Lula e colocar logo na rua a de Haddad. E antes que eu me esqueça, e saia do lead: desmobilização é tática de guerra. Não deixe de votar porque as pesquisas eleitorais indicam que Bolsonaro “está praticamente eleito”. Uma ova.

Quem não quiser comentar só porque ‘ouviu falar’ ou ‘leu em algum lugar’, perca alguns minutos e assista o vídeo. Vai perceber que Cid não agiu porque foi provocado, provocou deliberadamente a militância majoritariamente petista – “tem que fazer um mea culpa, tem que pedir desculpas, reconhecer que fizeram muita besteira” -, levou vaias, como era óbvio, e aí fez o movimento político planejado e calculado pelos Ferreira Gomes. “É bem feito perder a eleição. E vão perder feio”, esbravejou. E respondeu aos gritos de “Lula” com um “Lula tá preso, babaca” – e repetiu “babaca” várias vezes. Vamos combinar que nada justifica o ato político- e a falta de postura – de Cid. O PT deve um mea culpa? Deve. O ódio petrificado ao petismo é parte do molde que criou o monstronaro? É. É hora de dividir ou de combater um inimigo comum? Você responde. E quem descobrir por onde anda Ciro ou quem pôs um microfone nas mãos de Cid me avise.

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Ciro, ao lado de Lupi, que bradou contra a volta da ditadura, depois de reunião do PDT, e depois sumiu na Europa; Cid Gomes em pleno piti; e David Duke, o ícone da KKK, que adorou Bolsonaro

No começo da tarde desta terça, 16, Cid publicou uma mensagem em suas contas nas redes sociais dizendo que, “não quero me vingar de ninguém” e que “para o Brasil o menos ruim é o Haddad”. Não me chamem pra festa de um amigo desses. “Carrie, a Estranha” perde (quem já encheu o saco de minhas referências cinematográficas levante o mouse rs). Quase ao mesmo tempo, em outro ponto do globo, David Duke, uma espécie de líder hors-concours da KKK (Ku Klux Klan), um dos mais abomináveis grupos racistas do planeta, comentou a situação da política brasileira em um programa de rádio, conforme noticiou a BBC. “Ele (Bolsonaro) soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista”, completou. A piada já estava pronta, Haddad ensaiou tripudiar nas redes – “Meu adversário também está compondo com aliados e somando forças. Hoje ele recebeu o apoio da Ku Klux Klan” -, e ouviu desaforos de Bolsonaro. Mas o “apoio” diz muito sobre quem é Bolsonaro – e o perigo de elegê-lo. Fato.

Embora os sites tenham se esbaldado com a egotrip dos irmãos Ferreira Gomes, e os colunistas que ainda sobrevivem catem as sobras do tremendo mal-estar causado, é uma característica de Haddad que muitos criticam – um certo sangue-frio político e diplomacia para dar e vender – que implodiu a crise. Contra certamente muitos conselhos contrários, evitou revidar e buscou amenizar as declarações do aliado. “Eu não vou ficar comentando isso, até porque eu tenho uma amizade pessoal com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa. Prefiro sempre olhar o lado positivo”, disse a jornalistas. Em entrevista à rádio Jovem Pan (ugh) disse que “Ciro e Cid ficaram ressabiados com o PT por razões locais”. “Eu sei que não é comigo o problema”, comentou, citando ser “muito amigo” dos irmãos. Coordenador no Ceará da campanha do presidenciável do PT, o deputado federal reeleito José Guimarães (PT-CE) preferiu ser tosco. “Sobre os nossos legados e parcerias entre o PT e os Ferreira Gomes, discutiremos após o segundo turno”.

Mas a frase patética do dia ficou com um sujeito que andava quieto depois de um ‘Cala a boca, Magda’, o general Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, para quem “tem aquela frase antiga, de que a esquerda só é unida na cadeia, porque é obrigada a andar junta”.  Um pândego. Só que essa frase era muito usada na ditadura para se referir à tortura de resistentes de esquerda.

Se Ciro está mesmo começando a asfaltar sua candidatura à Presidência em 2022 às custas de elegermos Bolsonaro, é de uma tremenda desonra a Leonel Brizola, o criador do seu partido – depois de perder a legenda PTB na volta do exílio -, que xingou o “sapo barbudo”, mas não hesitou em apoiar abertamente Lula contra o Coiso Collor. Lembro bem. Votei em Brizola no primeiro turno, em Lula no segundo. Meus primeiros votos para presidente. O velho caudilho era outra história mesmo.

Ah, a KKK ainda não abriu uma filial no Brasil. Ainda.

Apocalipse: Ibope aponta vantagem dos mortos-vivos. Só resta a Ciro parar de pensar com o fígado e usar a cabeça. E Haddad trocar o coração pelos punhos

Por mim, bastava o título, mas, mesmo cansado, vou escrever um pouco mais. Não vou entrar no armário da pesquisa Ibope desta noite, “a primeira pesquisa de intenção de voto para presidente no 2º turno”, destaque na escalada do Jornal Nacional, manchete de todos os jornais amanhã, festa na bolsa, o mercado tendo orgasmos múltiplos, as multinacionais do petróleo dando banquetes, o comando das Forças Armadas vertendo lágrimas em suas fardas com medalhas sem guerra. Ou vou. Um pouquinho. O resultado  – partindo da premissa de que os números são confiáveis e não estratégia de desmobilização – quase confirma, há duas semanas das eleições, o apocalipse zumbi com a volta dos mortos vivos fardados, junto com os neoliberais disfarçados com sangue e tripas (alguém aqui assiste Walking Dead?), com capitães mandando em generais, economistas medíocres se lambuzando com planilhas, e eleitores mostrando que o antipetismo evoluiu para uma imbecilidade política que beira a demência. De resto, é ditadura igual, e, se não questiono a urna eletrônica, ao contrário do Bolsonaro – não mais, pelo jeito -, questiono a inteligência de quem a usa. Se, e se, os resultados do ibope – e pesquisas similares – estiver correto.

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No Dia dos Professores, o professor Haddad homenageou os mestres, deu entrevistas defendendo a educação em tempo integral – o que a mídia distorceu como condenação ao ensino à distância -, e defendeu investimentos nas universidades públicas – o que a mídia viu como atestado de ociosidade dessas instituições. Jair Bolsonaro visitou o Bope (Batalhão de Operações Especiais) no Rio de Janeiro e antecipou que um general reacionário que defende revisar currículos e bibliografias usadas nas escolas, que pode ser seu ministro da Educação. Ciro? Ah, Ciro viaja…

Nos votos válidos, os resultados foram os seguintes, segundo o Ibope: Jair Bolsonaro (PSL): 59%, Fernando Haddad (PT): 41%. A rejeição a Haddad (“Não votaria nele de jeito nenhum”) chega a 47%, ultrapassando os 35% de Bolsonaro. Como é que é? Isto não é uma pesquisa, é um diagnóstico de tumor. Coordenador da campanha de Fernando Haddad à Presidência, o ex-governador da Bahia e senador eleito Jaques Wagner afirmou que a melhor estratégia para uma vitória na corrida presidencial seria o lançamento de Ciro Gomes (PDT) ao Palácio do Planalto. Peraí, o que eu não entendi? É fogo amigo ou traição – pura e simples? Ou existe mesmo um plano para levar Ciro Gomes triunfante de seu exílio de uma semana na Europa para transforma-lo no candidato da “frente-de-centro-esquerda-capaz-de-derrubar-o-fascista-bolsonaro”? Foi proposta da ex-candidata a vice de Ciro, senadora Katia Abreu, que sugeriu a substituição de Haddad por Ciro Gomes para “garantir a eleição”. Qual o jogo de Wagner? Qual o jogo de Ciro? Os eleitores do PT e de Ciro concordam com isso? Agora? Isso já não é curso de línguas, é aprender chinês em 15 dias.

Era o Dia dos Professores, e o professor Haddad deu entrevistas defendendo a educação em tempo integral – o que a mídia distorceu como condenação ao ensino à distância -, e defendeu investimentos nas universidades públicas – o que a mídia viu como atestado de ociosidade dessas instituições. Jair Bolsonaro visitou o educativo Bope (Batalhão de Operações Especiais) no Rio de Janeiro, uma das polícias mais truculentas do mundo – incensada pelo “Tropa de Elite” de Padilha, de “O Processo” -, e antecipou que um general reacionário pode ser seu ministro da Educação. Trata-se do general Aléssio Ribeiro Souto, já velho conhecido da campanha, que diz que “é muito forte a ideia” de se fazer ampla revisão dos currículos e das bibliografias usadas nas escolas para evitar que crianças sejam expostas a ideologias e conteúdo impróprio. Ele defende que professores exponham a “verdade” sobre o “regime de 1964” – revisionismo histórico, 1984, George Orwell, já falei disso aqui -, narrando, por exemplo, mortes “dos dois lados”. Ex-chefe do Centro Tecnológico do Exército, foi chamado a coordenar debates de ciência e tecnologia, mas acabou acumulando educação “por afinidade”. Contrário à política de cotas, defendeu o Estado de S.Paulo a “prevalência do mérito” e disse que, se a ideia for aceita por Bolsonaro, serão estudadas medidas “não traumáticas” para substituir as regras”.

Em entrevista à Rádio Jornal, de Barretos, Bolsonaro resumiu: o objetivo de seu governo é fazer “o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. É um visionário, com os olhos no retrovisor. Estamos fodidos se esse cara for eleito. Até esse momento, a campanha torpe de Bolsonaro, rei das fake news, fujão de debates, conseguiu amplificar a PTfobia, e os petistas não conseguiram desconstruir a farsa que é Bolsonaro, nem contaram com os aliados de quem esperavam, pelo menos, decência.

Neutralidade mata. Posição dúbia também.

“Ou nós colocamos as coisas nos trilhos para sair dessa com liberdade, com respeito, ou nós vamos muito mal. Se a imprensa não ajudar, essa campanha não vai terminar bem. Não é assim que se ganha uma eleição. (…) “A democracia está em risco. Acordem”.
Fernando Haddad engrossa a voz contra Bolsonaro ao falar após evento público no centro de São Paulo. É preciso falar ainda mais grosso.

“Eu não diria aberta, mas há uma porta. O outro não tem porta. Um tem um muro, o outro uma porta. Figura por figura, eu me dou com Haddad. Nunca vi o Bolsonaro”.
Fernando Henrique Cardoso, ao Estado de S.Paulo, se comportando com mais dignidade que alguns ditos esquerdistas

 

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Fernando Henrique, que em seu governo ouviu Bolsonaro dizer que deveria ter sido fuzilado, abre uma portinhola para Haddad, que, de concreto, só recebeu apoio convicto do ex-presidenciável Boulos, do Psol; Ciro Gomes, que deu “apoio crítico” a Haddad e depois sumiu no mapa, enquanto o país incendeia; Aécio e Beto Richa, os anões políticos do PSDB, que anunciaram apoio do capitão-fujão; e o fascista Olavo de Carvalho, que defendeu eliminação até física da oposição a um possível governo das Cavernas/Casernas

Enquanto desaponta a postura neutra – ou apoios burocráticos e decepcionantes, pelo menos ATÉ AGORA – de alguns homens públicos, incluindo ex-candidatos à Presidência ditos “progressistas”, na disputa terminal entre Haddad e Bolsonaro no segundo turno, o capitão fascista ajuda construindo um “arco de alianças” que parece mais “tiro no pé”. Dois tucanos de biografia em frangalhos e que representam o que de pior existe no partido, Aécio Neves e Beto Richa, ex-governadores de Minas Gerais e Paraná, que viram suas trajetórias políticas virarem pó, apoiaram o Coiso. Após delação da JBS e investigação na lava jato, Aécio derreteu, foi afastado do mandato, deixou o comando do PSDB, fugiu do Senado e segurou-se numa cadeira de deputado federal por Minas Gerais, com 106 mil votos, 19º lugar no estado (teve 51 milhões de votos no 2º turno em 2014, só para lembrar). Outro tucano que passou de gigante (ao menos na mídia) a anão político, Beto Richa amargou o sexto lugar na disputa para o Senado, com 3,73% dos votos após ser preso por corrupção no mês de setembro.

Nessa barafunda política, um dos personagens surpreendentes do segundo turno até agora tem sido o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda que concluamos que esteja apenas no modo instinto de sobrevivência do partido que criou. Mas foi FHC – que, por Bolsonaro, já teria sido fuzilado – quem disse, em entrevista ao Estado de S.Paulo, que o capitão-fujão de debates “representa tudo que não gosto”, abrindo portas para um até há pouco impensável diálogo com setores do PSDB. FHC já disse que havia um muro entre ele e Bolsonaro, mas uma porta com Haddad, que poderiam abrir “em nome da democracia”. Momento memória: em entrevista à TV Bandeirantes em 1999, Bolsonaro afirmou que seria impossível realizar mudanças no Brasil por meio do voto. “Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”, declarou na ocasião.

Ciro Gomes, terceiro colocado no primeiro turno e com um forte capital eleitoral à esquerda, continua devendo um apoio mais explícito a Haddad – mais do que dizer, pelas redes sociais, o obvio: que Bolsonaro é inaceitável e que “ditadura nunca mais”. Mas cadê a agenda com Haddad? Eles não subirão juntos em nenhum palanque? Não posarão juntos? Eles sabem o que isso representa – e meus amigos eleitores de Ciro também, portanto, me desculpem a insistência. O PDT informou que Ciro não subirá ao palanque nem fará campanha, e viajou para a Europa, devendo voltar apenas na semana da votação do segundo turno. Oi?

O “apoio crítico” anunciado pelo ex-candidato do PDT à candidatura de Haddad é muito pouco para o tamanho da encrenca. Enquanto isso, Bolsonaro, ganhou seu primeiro palanque no Nordeste, o candidato do PDT (!) ao governo do Rio Grande do Norte, que também disputa o segundo turno. Carlos Eduardo (PDT) enfrenta Fátima Bezerra (PT). Pode isso, Ciro? Vamos ficar mesmo rebobinando a fita de quem deveria ter apoiado quem com Bolsonaro colocando o primeiro pé na rampa presidencial. E até o PSTU (suspiro) divulgou nota em seu site na qual manifesta voto em Haddad, mas afirmou que não dará apoio político ao petista. Precisávamos de mais Boulos na esquerda brasileira. Neutralidade mata. Posição dúbia também. Ou vão esperar cumprirem-se os desígnios do “filósofo” fascista Olavo de Carvalho, guru da direita, que, como escreveu Caetano Veloso, em artigo na Folha de S.Paulo, “Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo”, sugere em texto que, caso Bolsonaro se eleja, imediatamente após a posse, seus opositores sejam não apenas derrotados, mas “totalmente destruídos” enquanto grupos, organizações e até indivíduos. Não acredita, leia aqui.

Urnas , quartelada e nazismo moreno: Bolsonaro, a República das Quatro Estrelas e o apoio dos fascistas

“Ele não tem projeto para o país a não ser armar as pessoas para que se matem. Olhe o que os correligionários dele fazem. Vou dizer a vocês o que é o Bolsonaro. O casamento do neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, que corta direitos trabalhistas e sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso é que é o Bolsonaro”.
Fernando Haddad, definindo com precisão o Coiso durante coletiva em que foi novamente perguntado – tenham a santa paciência… – sobre o fictício kit gay nas escolas, uma das mentiras deslavadas do marketing do capitão-fujão de debates. A fake news do dia é dizer que Haddad ESCREVEU o tal kit.

O capitão-fujão de debates Jair Bolsonaro não é só o candidato dos militares, com quem promete lotar/lotear/lambuzar seu ministério, criando uma República da Caserna inédita desde os Anos de Chumbo. E que, por servilismo e deficiência intelectual, também pretende terceirizar seu programa de governo aos quatro estrelas  (muito apropriado que tramem no subsolo de um hotel na capital, o Brasília Imperial), sem falar do neoliberal entreguista Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”, a quem já anunciou que delegará o comando da economia. E que conta com um exército de robôs fabricantes de fake news maior do que seus apoios adestrados na Vila Militar do Rio, seu domicílio eleitoral, onde teve 86,2% dos votos (parabéns aos 13,8%). Bolsonaro, que na mídia internacional – não esquerdista, como Bloomberg, Reuters, New York Times e CNN, por exemplo – é descrito como o Brazilian far-right candidate, ou seja, o candidato de extrema-direita, e que aqui, como foge de debates e entrevistas, ganha no Jornal Nacional espaço até para aspas tuitadas por seu ghost writer, o presidente do PRN, digo, PSL, Gustavo Bebbiano, é também o candidato favorito dos mais perigosos e nojentos grupos ultrarradicais. Bolsonaro é apoiado por neonazistas brasileiros, com 50 tons de pele ou mais, entre eles o grupo skinhead Carecas do Brasil, com as características jaquetas de couro sem manga para mostrar os músculos que não cresceram em seus cérebros.  Criamos o “neonazista negro”, como pontuou o ator Zé de Abreu, os “morenazis”, como nomearam com propriedade alguns sites.

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LEGENDÃO, da ESQUERDA para a direita: Imagens reproduzidas no whatsapp de grupos neonazistas de cartazes colados em postes em cidades do Nordeste; Hitler no documentário “Arquitetura da Destruição”; Bolsonaro e seu amigo Marco Antônio Santos, neonazista assumido e que se traveste de Hitler; a jovem “marcada” com a suástica por radicais; Roger Waters e o #Elenão nas fuças dos coxinhas paulistas; Gilberto Gil em foto com o capoeirista Moa do Katendê, brutalmente assassinado por um militante de Bolsonaro; O Coiso com a Coisa Regina Duarte,  sempre do lado errado da história; Adolfo (ops) Sachsida, do Ipea, e Roberto Ellery, professor de Macroeconomia da UnB, alguns dos elos civis de Paulo Guedes com o núcleo militar;  pichação nazista em bairros de São Paulo; e imagens de Bolsonaro e seu filho cercado de seus parças fascistas e idolatrando o torturador Ustra.

Em grupos de whatsapp – mensagens fortes, a que tivemos acesso e não reproduziremos para preservar quem nos passou -, neonazistas e fascistas de vários graus de demência têm comemorado a possível eleição de Bolsonaro e feito planos para o que chamam de “ações de correção” contra minorias nas grandes capitais, certos de que terão vida mansa e repressão zero com um presidente que prega o ódio, o racismo, homofobia e a misoginia. Fora do curral de seus grupos fechados, estimulam o ódio usando as ferramentas – e são muitas – que as redes oferecem e a enorme dificuldade que a Justiça Eleitoral, o Ministério Público e a Polícia Federal têm de combater não apenas fake news, mas hate news. Como mostrou a revista Época (vale a leitura dessa raridade:), rede narcísica, a internet estimula um novo personagem: o troll, o usuário – ou robô – que provoca e enfurece outras pessoas, com comentários ignorantes e, muitas vezes, criminosos. No mundo de asfalto e tijolos, multiplicam-se pichações de extrema-direita.  Está em toda parte. Caso dos bairros São Miguel Paulista, Butantã e no Metrô São Bento, no Largo de São Bento, em São Paulo. Algumas das mensagens mais singelas: “Ideologia de gênero é o caralh#”, “Vão se f*der seus negros e feministas de merda. Gays do demo”.

O chão do estacionamento do campus Praia Vermelha da UFRJ, em frente à faculdade de Comunicação, amanheceu com esta pichação: “Vaga para professores negros”. Trata-se de uma área com muitos cotistas (Leia). Já nos banheiros do do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e no Centro Acadêmico de Filosofia e Ciências Sociais, no Centro do Rio foram feitas pichações com o número 88 — que representa a saudação nazista “Heil Hitler” (H é a 8ª letra do alfabeto, 88 seria HH ou “Heil Hitler”). Também foram feitas ameaças a estudantes indígenas (Leia). A senha para reduzir a gravidade dos fatos é dizer que são casos isolados. Não são. São muitos sinais do que poderá vir.  A tag #BOL卐ONARO, que substitui o S do nome do presidenciável por uma suástica nazista, chegou aos assuntos mais comentados no Twitter. Dúvidas?

Vamos adiante. Os elementos nazistas no discurso político de Bolsonaro e a presença de fascistas em seu staff e apoiadores são tão claras que só não cegam quem já não quer ou não consegue enxergar. O slogan da campanha de Bolsonaro é “O Brasil acima de tudo” – que ganhou o subtítulo “Deus acima de todos” para agradar Edir Macedo e aliados evangélicos. O slogan do nazismo era “Deutschland über alles” (literalmente, a Alemanha acima de tudo), retirado de um verso do hino alemão composto por Haydn em 1797. Não se trata, evidentemente, de um ato falho ou uma ‘sacada’ de algum marqueteiro, como lembrou o blog Nocaute, do escritor Fernando Morais. O slogan “O Brasil acima de tudo” é um claro aviso do que virá se ele ganhar.” Nas redes é apoiado por grupo como “Brasil, Pátria Livre do Comunismo”, de cunho fascista (mão confundir com o Partido da Pátria Livre) e propagador de fake news. Outro exemplo é o Nacional Democracia (DAP), que cultua, como Bolsonaro, o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador confesso e condenado. Há alguns anos, um grupo capitaneado pelo movimento neonazista White Pride World Wide convocou um “ato cívico” em prol de Bolsonaro no vão livre do Museus de Artes de São Paulo (Masp). Depois disso, submergiram. Mas têm tudo para voltar com força no caso da terrível possibilidade de Bolsonaro vestir a faixa presidencial  – que a revista Veja já lhe deu.

Heil Witzel, o candidato fascista do PSC ao governo do Rio – cujo apoio Bolsonaro agora finge que não quer -, ex-juiz com passagem pela Marinha, apareceu em um palanque de campanha, em Petrópolis, no domingo anterior ao primeiro eleição, assistindo aos então candidatos Daniel Silveira e Rodrigo Amorim destruindo a placa de rua feita em homenagem à vereadora do Psol ASSASSINADA Marielle Franco, cujo crime permanece impune. Voltando um pouquinho no tempo podemos apreciar Bolsonaro posando em fotos ao lado do então candidato a vereador do Rio, Marco Antônio dos Santos, fã de Adolf Hitler, que se traveste com roupas nazistas, e chegou a ir à Câmara do Rio caracterizado como seu ídolo. Ele foi participar de um “debate” sobre o projeto “Escola sem partido”, de autoria do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), com broches militares no paletó e bigodinho e corte de cabelo característicos do ditador responsável pelo massacre de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Disse que se vestia como um “francês” – ignorante como é, nunca deve ter ouvido falar dos “aliados ocultos de Hitler”, os nacionais que apoiaram a invasão nazista durante a França ocupada.

A Alemanha, por sinal, está mais preocupada em combater o neonazismo do que o Brasil, que deu 50 milhões de votos a Bolsonaro – embora parte possa ser revertida no segundo turno quando, com informação e diálogo, possamos, quem sabe, acordá-los para o perigo que o Coiso representa. Neste sábado,13, a Alemanha, país com mais investimentos de multinacionais no Brasil, como a Volkswagen, Mercedes e Siemens, mandou um recado ao Brasil. Segundo a presidente do Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro, Yasmin Fahimi, uma possível eleição de Bolsonaro pode impedir uma retomada da parceria estratégica. “O Brasil está à beira de uma grande ruptura. Ficamos chocados como o fato de que, com Jair Bolsonaro, uma pessoa que tornou socialmente aceitável um discurso de ódio tenha chegado à liderança”, disse ela. “Do lado alemão, não vejo nenhuma base para uma parceria estratégica com um presidente Bolsonaro”.

Aliás, um vídeo publicado pela Embaixada da Alemanha no Brasil em suas redes sociais viralizou no cenário de polarização política no Brasil. Concebido para divulgar a história da Alemanha, a peça, publicada há um mês, informa que os alemães “são ensinados a confrontar os horrores do Holocausto” —o extermínio sistemático de judeus pelo regime nazista. A afirmação despertou militantes de direita brasileiros que acreditam – ou fingem acreditar – que o nazismo seria um movimento de esquerda porque o partido liderado por Adolf Hitler se chamava, oficialmente, Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – sim, para os nazibolsonaristas, Hitler era uma espécie de petista. Entre os comentários em redes sociais, há aqueles que negam, inclusive, o massacre de 6 milhões de judeus.

Os fascistas ficaram possessos agora como o fundador do Pink Floyd, o músico britânico Roger Waters, que em tour pelo Brasil não se omitiu frente ao ódio que a extrema-direita propaga e a ameaça de Bolsonaro subir a rampa do Planalto. Projetou em um telão uma lista de políticos autoritários que se destacam no mundo e, entre eles, Jair Bolsonaro. As hashtags #EleNão e #Resist projetadas em seguida fizeram fez seu show entrar para a história. As vaias perderam para os gritos de apoio ao lendário bardo do rock progressivo. “Achavam que Another Brick in The Wall era sobre construção civil?”, ironizaram alguns sites, falando dos fake fãs que vão a shows sem saber a diferença entre Roger Waters e Roger Moreira, o patético e decadente “líder” do Ultraje a Rigor – que, claro, apoia o direitista, visitou-o no hospital e agora fala mal do Pink Floyd.

Uma coisa que é impossível não observar. O silêncio obsequioso da quase totalidade da chamada grande mídia ao crescimento do fascismo, com sua falsa preocupação de tratar igualmente – em espaço e conteúdo  – Haddad e Bolsonaro. A mesma crítica vale aos demais candidatos progressistas, exceto por Guilherme Boulos, do Psol, a quem, como ex-candidato de esquerda, é dada muito pouca voz. Terceiro candidato a presidente mais votado no primeiro turno, Ciro Gomes viajou para a Europa e, depois de um decepcionante “apoio crítico” a Haddad, utilizou as redes sociais para dar a primeira declaração sobre o processo eleitoral. Pelo Twitter , fez críticas a Bolsonaro. “Eu acho uma grave ameaça, pelo extremismo.” Ciro, é muito pouco. Esperamos mais de você.

Ah, e, como não registrar, a pé fria Regina Duarte está de volta – como sempre do lado errado da história.

Coiso amarela e Haddad propõe debate na enfermaria. Roger Waters lava nossa alma e ergue muro contra o fascista

“A costura e os afagos públicos já começaram. “A construção do país é tijolo por tijolo, ninguém faz nada sozinho”.
Jacques Wagner, quase citando Roger Waters, ao colunista Bernardo Mello Franco, do Globo. O ex-governador e senador eleito pela Bahia ajuda a costurar um “arco de alianças” com Ciro Gomes, que traz consigo 13 milhões de votos, e o Centro

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Médico cirurgião Antonio Luiz de Macedo, do Albert Einstein, que atende Bolsonaro e lhe deu nesta quarta, 10, atestado médico para fugir dos quatro primeiros debates presidenciais na TV, nessa e na outra semana. Queria ser um band-aid escondido pra ver essa consulta médica

Bolsonaro não irá a nenhum dos quatro debates do 2º turno que que estavam programados para essa – Rede Bandeirantes – e a próxima semana – Estadão/Gazeta, SBT/Folha e RedeTV/IstoÉ. Ordens médicas. Mais especificamente do médico cirurgião Antonio Luiz de Macedo, do Albert Einstein, que examinou Bolsonaro nesta quarta, 10, e informou à imprensa que o candidato do PSL ao Planalto terá alta para atividades públicas de campanha a partir da quinta-feira da próxima semana, dia 18. Ou seja, só deverá ir ao debate da RecordTV, de seu apoiador Edir Macedo, e da Globo, que na melhor linha “Cria cuervos que te sacarán los ojos” não sabe o que fazer com o Coiso que ajudou a parir. Bolsonaro foge do pau não é por acaso. Todas as suas manifestações púbicas, não ensaiadas, sobre temas relevantes – educação, saúde, economia, cultura e mesmo segurança pública – que fujam dos clichês, frases decoradas e daquela patética coreografia de armas com os dedos, são um fiasco. Bolsonaro não é só um analfabeto político, é um sujeito limitadíssimo intelectualmente. Foi aconselhado que é melhor silenciar, arrumando, como bom flanador, um atestado médico (Leia o Balaio do Kotscho), e torcendo para que, pela força da inércia, ganhe no segundo turno pelo menos mantendo os votos que teve no primeiro.

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No Twitter, Haddad propõe a Bolsonaro que, diante do impedimento médico de sair de casa para os debates – exceto se for na Record -, eles realizem o debate em uma enfermaria. Provocação oportuna diante do adversário amarelão.

O capitão não tem propostas, ou não foi informado delas – e não só terceirizou a economia para Paulo Guedes, que, segundo a Folha de S.Paulo de hoje está sendo investigado pelo Ministério Público Federal em Brasília sob suspeita de fraudar negócios com fundos de pensão de estatais, como já sinalizou que vai terceirizar o resto da Esplanada para os militares, com pelo menos quatro a cinco generais como ministros, algo inédito desde o fim da ditadura (Leia O Globo), criando uma espécie de República de Generais. A manchete do Estadão de hoje é mais do que preocupante: “Generais ganham espaço e formulam planos de Bolsonaro”, segundo o jornal no subsolo de um hotel em Brasília. Nada mais apropriado para uma campanha subterrânea de um candidato toupeira.

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Meme que bombou nas redes sociais: Roger Waters, ex-Pink Floyd, que em sua turnê pelo Brasil não se omitiu e encampou o #elenão contra o Coiso, e o outro Roger,  o Rocha Moreira, ex-Ultraje a Rigor, que apoia Bolsonaro, mas ficou (quase) famoso pelo hit “Inútil”, onde diz, de forma premonitória, “A gente não sabemos (sic) escolher presidente”.

A reação de qualquer ser humano minimamente decente ao disparate Bolsonaro está marcando a passagem pelo Brasil do novo show do ex-Pink Floyd Roger Waters, que exibiu na tela um rotundo #elenão em show para 45 mil pessoas em sua performance no Allianz Parque, em São Paulo, na noite de terça, 9 – e deve repetir país afora. Fascistas vaiaram, democratas aplaudiram. O momento foi icônico. Após um longo intervalo depois de cantar o clássico “Another brick in the wall”, um coral de crianças com camisas escritas “resist” (resista) entrou no palco e o telão explodiu com a frase de repulsa.

Bolsonaro é uma vergonha tão explícita para a democracia brasileira que, antes mesmo de uma possível – vade retro! – eleição sua, já estamos sendo ridicularizados internacionalmente. Jornais de todo o mundo traçam perfis de um ditador em gestação e o comparam, no aspecto insanidade, a Donald Trump. O The New York Times, que, como sabemos, não é nenhum Granma ou Pravda, destacou que o candidato de extrema-direita tem um “carinho pela ditadura” e é ofensivo com mulheres, negros e gays. Mas ninguém é mais direto que John Oliver, um dos apresentadores de maior sucesso da TV dos EUA e vencedor do Emmy, com o dominical “Last Week Tonight”, que endossou o movimento #EleNão e disse que Bolsonaro é “um ser humano terrível”.

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John Oliver, um dos apresentadores de maior sucesso da TV dos EUA, com o dominical “Last Week Tonight”, endossou o #elenão e disse que Bolsonaro é “um ser humano terrível”.

Debates que estavam previstos para o segundo turno. Dos quatro primeiros, o Coiso já fugiu.

11/10 – Band – 22h
14/10 – Gazeta- 19h30
15/10 – RedeTV! – 22h
17/10 – SBT – 18h20
21/10 – Record – 22h
26/10 – Globo – 21h30

Nordeste foi o dique que impediu o alagamento fascista. A hora agora é de montar açudes de resistência pelo país

Ontem eu falava em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Gláuber Rocha, a miséria no nordeste brasileiro, a alusão à Guerra dos Canudos, os cangaceiros, os fanáticos religiosos, a vida entre o sertão e o mar. Por uma dessas coincidências, essa é a Semana do Nordestino, criada para homenagear o poeta popular Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré. Poderia ter sido criada ontem para homenagear os 15,3 milhões de nordestinos que, pelo menos por 20 dias, salvaram o país de já ter um ditador eleito – esse paradoxo nacional – na Presidência, permitindo o segundo turno da disputa entre o petista, Fernando Haddad, candidato de Lula, e o militar da reserva, o jagunço da direita. Como todos já sabem, o candidato do PSL venceu em todos os estados do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul. Já Haddad teve seu melhor desempenho no Nordeste, onde teve a maior parte dos votos em 8 dos 9 estados e em 3 das 9 capitais. Derrotado com quase 2,5 milhões de votos a menos do que Haddad nos nove estados, Bolsonaro deve reforçar sua campanha na região, além de seduzir os eleitores de Ciro Gomes, que já declarou #EleNão. E que, com os 12,5% de votos recebidos no primeiro turno, será um dos principais pesos políticos na balança do segundo turno.

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Haddad comemora ida para o segundo o turno das eleições. O PT espera receber apoios considerados como naturais, de PDT, PSOL e PSB. E terá que mudar sua estratégia para desconstruir o fascista Bolsonaro. Segundo um slogan, o resultado do primeiro turno pode ser lido como a raiva vencendo a esperança. Apertará confirmo dia 28?
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Ciro Gomes se pronuncia após não ir ao segundo turno da eleição. Seus votos podem cobrir uma parte importante dos 17 pontos que separam Haddad de Bolsonaro, a quem já chamou de “nazista filho da puta”. Sem o apoio explícito de Ciro, foto juntos, tudo o que tem direito, Haddad morrerá na praia

E se o Nordeste foi o dique que impediu o alagamento fascista, Haddad terá não só que preservar e até ampliar os votos nordestinos – violência e igrejas frearam avanço de Haddad no Nordeste – como recuperar o voto dos pobres, historicamente mais identificados com o PT, só que não nesse primeiro turno – nas demais regiões com o país. Montar com a militância, e com programas eleitorais fortes, açudes eleitorais, onde cada barreira conta. Desconstruir o antipetismo é a chave, mas também é preciso recolher os terços, esquecer o exorcismo, que não está adiantando, e mostrar a inexperiência administrativa e o radicalismo tosco que são as marcas de Bolsonaro.

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Símbolo do eleitor nordestino que resistiu ao fascismo e votou em Haddad, Moa do Katende, mestre capoeirista foi tirado da roda com um golpe covarde e fatal. Foi morto por um eleitor de Bolsonaro, que o atacou pelas costas com 12 facadas. Não poderá festejar os 64 anos que iria completar no dia 29 deste mês. Mas poderá virar um dos símbolos desse segundo turno.

Aliás, é terrível ver – embora não tivesse dúvida de que isso aconteceria – as agressões e ataques contra nordestinos, desde que os resultados saíram na noite de domingo. Não me peçam para reproduzir aqui. O mínimo que estão propondo é a separação do Nordeste do Brasil, já batizado de Cuba do Sul, Venezuela, essas baboseiras da direita. Isso por gente que votou em Alexandre Frota, Kim Kataguiri, Arthur Mamãe Falei, Joyce Hasselmann, Tiririca, Celso Russomano, Janaina Paschoal, Marco Feliciano, e, claro, em Bolsonaro e filhos. Todos surfando na onda fascista. A cadela do fascismo salivando a cada palavra de ordem dos líderes da nova direita. O vírus do ódio. Que parece estar contaminando o organismo social, inoculado para destruir o sistema imunológico e atingir níveis epidêmicos. Esta madrugada, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, o Moa do Katende, foi morto com 12 facadas nas costas, em um bar no Engenheiro Velho de Brotas, região central de Salvador, após uma discussão política em que se disse eleitor do PT. Assassino: um eleitor de Bolsonaro. Mississipi em Chamas. The Purge: Election Year. Vão começar agora a degolar e enforcar petistas, como propõem alguns posts de defensores do candidato? Moa do Katende não poderá festejar os 64 anos que iria completar no dia 29 deste mês. Mas poderá virar um dos símbolos desse segundo turno.

 

Lula é Haddad, Haddad é Lula, reconhece agora até o TSE. Mas vídeo não pode

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Haddad agora é Lula. Quer dizer, já era, mas agora o TSE autorizou

Fernando Haddad está virtualmente no segundo turno – e a pesquisa Ibope de quarta, 26, reforçou isso, com Jair Bolsonaro com 27%, Haddad com 21% e Ciro, nadando lá atrás, com respeitáveis, mas insuficientes, 12%. Lula está concretamente preso e inelegível — enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Haddad assumiu a vaga de Lula na vigésima quinta hora. O PT resistiu o quanto pode para desistir da candidatura do ex-presidente – e foi criticado pela “estratégia arriscada”. Não era estratégia, era ética. Os entendedores entenderão. Os opositores criarão teses. Mas na eleição mais esquisita da moderna República brasileira, Haddad não podia dizer que é candidato de Lula – não sem controvérsia. Por que isso arrasta votos para Haddad, mais votos, o que é crucial desde que foi confirmado na cabeça de chapa — e Manuela D’Ávila na vice —, dando largada da operação em que o PT aposta todas as suas fichas nas eleições presidenciais: transferir ao menos parte do enorme capital político do ex-presidente para seu pupilo. Muitos ainda não o conhecem, só sabem que Lula, impedido, indicou alguém. No Nordeste, ele é “Andrade”. O sertão pernambucano onde Lula já teve 90% dos votos, o petista tem adesão mesmo sendo desconhecido. Como mostrou a Folha, muitos acham até que é filho de Lula. Ou ungido. Pensem bem, Haddad só foi oficializado no dia 11/09 – duas semanas atrás.

Pois a embalagem publicitária do “Haddad é Lula e Lula é Haddad” – nenhum outro partido tem interesse nisso, imagine um “Aécio é Alckmin” ou “Temer é Meirelles – só foi autorizada oficialmente agora pelo Tribunal Superior Eleitoral, num delay magnifico, permitindo, nesta quarta, 26, por 6 votos a 1, que a campanha do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, utilize como slogan “Haddad é Lula”. Ministros analisaram e rejeitaram uma representação apresentada pelo Partido Novo – de João Amoêdo, pródigos 3% no Ibope – questionando propagandas da coligação do PT. Eles decidiram que a assinatura não gera confusão entre os eleitores sobre quem é o presidenciável da legenda.

O relator, ministro Sérgio Silveira Banhos – nomeado por Michel Temer na vaga aberta pelo atual ministro efetivo do tribunal Admar Gonzaga -, foi o único voto contrário ao uso do logotipo e afirmou que a marca poderia provocar “confusão” no eleitor. “A presença do nome de Lula pode sim levar o eleitor a certa confusão, o que enseja a a pronta remoção do logotipo”, disse. Os ministros Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes, Tarcísio Vieira de Carvalho e Rosa Weber, presidente do tribunal, defenderam que, como a lei não proíbe esse uso do nome de Lula, deveria prevalecer o princípio da liberdade de expressão.

Por outro lado, o TSE rejeitou recurso apresentado pela defesa do ex-presidente para Lula gravar áudios e vídeos para a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

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Mais um debate – agora UOL, Folha e SBT. Resta saber se ainda acrescentam algo para o eleitor. Bolsonaro “ameaça” participar dos próximos.

Nesta reta final da campanha, embora poucos tenham notado, teve até debate promovido por UOL, Folha e SBT, nesta quarta, 26, que rendeu ataques diretos entre candidatos, com frases e posicionamentos duros. Bolsonaro, ainda internado no Albert Einstein, não pôde ir. O candidato tem previsão de alta para agora, sexta-feira, e, segundo seu médico, ele poderá estar presente no debate da TV Record — que ocorre domingo —, assim como no da TV Globo, que será quinta que vem.

Haddad e Ciro trocaram cabeçadas. “Eu, francamente, se puder governar sem o PT, eu prefiro; porque, nesse momento, o PT representa uma coisa muito grave para o país, menos pelos benefícios, que não foram poucos, que produziu, mas mais porque transformou-se numa estrutura de poder odienta que acabou criando o Bolsonaro, essa aberração”, disse Ciro. “Acabo de ver o Ciro Gomes dizer que não pretende governar com o PT, mas, poucos meses atrás, me convidava para vice-presidente da sua chapa e chamava essa chapa de dream team, o time dos sonhos”, ironizou Haddad.

Bom, Cabo Daciolo foi Cabo Daciolo. Ele desceu o monte Céu Aberto, na Baixada Fluminense, onde estava em um retiro espiritual, para falar o que costuma falar. “Eu estou profetizando para a nação brasileira: eu vou ser o próximo presidente da República, para a honra e a glória do senhor Jesus, em primeiro turno, com 51% dos votos”. Se ele diz quem somos nós e os institutos para duvidar.

Haddad coloca um pé no Planalto, Bolsonaro emborca e terceira via implode

Pesquisa Ibope divulgada na noite desta segunda, 24, a 15 dias do pleito, com a indefinição do eleitorado desabando – brancos e nulos caíram de 29 pontos, em 20/08, para 12 pontos agora -, mostrou que Fernando Haddad, o candidato do PT e de Lula à Presidência, está com um pé no Palácio do Planalto. Todos os indicadores são favoráveis a ele. Para botar o segundo pé, terá que enfrentar o segundo turno com o capitão Jair Bolsonaro, que parece ter batido no teto, reduzindo a curva de crescimento e agora se estabilizando. Haddad, por outro lado, segue crescendo. A diferença entre Bolsonaro e Haddad caiu de 9% para 6%, aproximando-se da margem de erro. Há um mês, o “coiso”, nome carinhoso dado ao concorrente do PSL por quem evita até dizer seu nome, vencia o petista por 20% a 4%. Sim, o candidato do PT pode ultrapassar o candidato da direita já no primeiro turno. Haddad tem mais motivos para comemorar, e Bolsonaro para se agitar na cama – não vá abrir os pontos, capitão!. Bolsonaro caiu em todos os cenários do segundo turno e passa a perder de Haddad (43% x 37%), Ciro (46% x 35%) e até do picolé de chuchu (41% x 36%) -, empatando somente com a insossa Marina (39%). Ou seja, Ciro abriu 11 pontos em relação a Bolsonaro, Alckmin, 5%, e Haddad pela primeira vez passou Bolsonaro, abrindo avantajados 6 pontos.

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O índice de rejeição de Bolsonaro bateu o recorde de 46%, ou seja quase metade dos eleitores não votaria nele nem que ele deixasse a barba crescer e tivesse ceceio na fala. Com a polarização da disputa, e o antipetismo achando sua trincheira fardada, Haddad estabilizou nos 30% de rejeição, número histórico dos que dizem “detestar o PT” ou “não gostar do PT”. Outro um terço vota no PT, historicamente. O outro terço decide a eleição – daí a importância das alianças, que serão antecipadas e não esperarão o segundo turno. Isso porque a terceira via implodiu. Em 20/08, Marina Silva tinha 12%, Ciro Gomes 9% e Geraldo Alckmin, 7%. Ciro, Alckmin e Marina têm agora, respectivamente, 11%, 8% e 5%, como peixes se debatendo na areia.

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Fernando Haddad, perto de liderar as pesquisas de intenção de voto, visitou o ex-presidente Lula na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba: conselhos e orientações no momento em que o PT vê chegar mais perto sua volta ao Planalto. Ele disse, em entrevista na saída, observar movimentos “exóticos” no Brasil, como “suposições” sobre urnas eletrônicas e resultados de eleições, já rebatidos por STF e TSE.

Até o fim da semana, quando sai o Datafolha, alguns movimentos políticos devem acontecer: o Centrão – DEM, PP, PR, PRB e SD – deve desembarcar de Alckmin, em parte rumo a Bolsonaro, e eleitores de Ciro e Marina começarão a migrar para Haddad, o chamado “voto útil” ou, no caso, antibolsonarista. Os rastejantes João Amoêdo (3%), Álvaro Dias (2%) e Henrique Meirelles (2%), mortos-vivos na campanha, junto com Guilherme Boulos (1%) podem surpreender se retirando e apoiando um dos candidatos, a um preço módico. No caso dos três primeiros, uma bala – doce! – para quem adivinhar o rumo dos candidatos dos banqueiros e da Lava Jato.

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Jair Bolsonaro, estacionado nas pesquisas e vendo Haddad pelo retrovisor preparar ultrapassagem, escreveu nas redes sociais que está acima dos partidos e postou foto, no hospital, recebendo visita de seu candidato ao Senado em São Paulo, Major Olímpio, que está levando uma sova do petista Eduardo Suplicy, e vídeo ao lado do patético Carlos Vereza. Ah, e deu “exclusiva” a Augusto Nunes garantindo que seu “atentado” foi político.

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A antecipação do Ibope, que só confirma o movimento das últimas pesquisas, já havia levado o paciente do Hospital Albert Einstein a balbuciar, pelas redes sociais, que sua equipe está “comprometida com interesses da nação e não com indicações de lideranças de partidos políticos”. Ou seja, vendo sua candidatura ir para o CTI, faz o tradicional discurso anti-democrático dizendo-se “acima dos partidos”. No fim da noite de domingo, coerente com sua estatura, o presidenciável que, se eleito, pode ter o ator pornô Alexandre Frota como ministro da Cultura, postou nas redes que os incentivos à cultura permanecerão, “mas para artistas talentosos, que estão iniciando suas carreiras e não possuem estrutura”. “O que acabará são os milhões do dinheiro público financiando ‘famosos’ sob falso argumento de incentivo cultural, mas que só compram apoio! Isso terá fim!”, afirmou no Twitter. Não, candidato, o fim é todo seu.

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Em entrevista a rádios, Geraldo Alckmin defendeu o aumento da pena para crimes hediondos. Crime hediondo é o que o Centrão prepara para o tucano até o final da semana. Vendo o candidato empacado, vai vazar pela porta dos fundos.

Mas o desespero de Bolsonaro pode ser medido pela “exclusiva” que deu para o jornalista (sic) Augusto Nunes (Aqui) no quarto em que está internado. Ao falar do ataque do maluco que o esfaqueou no último dia 6 de setembro, em Juiz de Fora, disse acreditar – sem nenhuma prova, mas para que prova, né? – que o ataque foi planejado. “Entendo que foi algo planejado. Foi político, não há a menor dúvida. Me tirando de combate… você pega os três ou quatro próximos na relação, eles são muito parecidos”, disse, fazendo referência às pesquisas de intenção de votos.