Dr Richel Cruz & Mr Bolsonaro

Doutor Jair Bolsonaro tem conseguido fazer um belo salseiro nessa transição para seu governo. Nada a estranhar, já que ele segue, seco de boas ideias, de um lado, um séquito de militares que desfrutam com suas estrelas e pijamas, a volta ao poder, e de outro uma Arca de Noé reacionária, que inclui ruralistas (“agronegócio”), bispos evangélicos, a “bancada da bala” – a fabricante de armas Taurus teve lucro líquido de R$ 48 milhões no terceiro trimestre -, economistas neoliberais reunidos em torno do “Posto Ipiranga” Paulo Guedes, e o mesmo Centrão velho de guerra. Difícil dizer onde trocou mais os pés pelas mãos, mas se considerarmos a repercussão, as consequências e o apelo popular – junto àquele que chamamos de eleitor – é possível dizer que a criação do programa Menos Médicos – ou melhor, o desmonte do programa Mais Médicos, foi o maior tiro no próprio coturno. Que deve ter agradado seu eleitorado zumbi – “Vão pra Cuba!” -, mas tende a fazer estragos não calculados. Não é pouco, depois de cinco anos de parceria, ver 8.332 profissionais cubanos voltarem para casa. Aconselhado de que o recuo seria pior, Bolsonaro pediu a Michel “transição fluida” Temer que abrisse concurso – queridos, os médicos e médicas brasileiros não querem ir para o interior -, manteve a tese de que os cubanos tinham o salário “confiscado” pelo governo da ilha e faziam “trabalho escravo” e vendeu o Brasil como o paraíso para os cubanos que quiserem pedir asilo. Ter sido eleito como o “anti-Lula”, em um momento vulnerável para o PT, alavancado por um golpe pelo Whatsapp, sem viajar o país, e debater seu programa, fez de Bolsonaro um presidente refém de gente demais.

 

Imagens temporárias 9_.jpg
O médico Richel Collazo Cruz quando chegou à cidade de Chapada, no RS, em 2014 – já adaptado ao chimarrão; outro médico cubano, Dixan Escalona Salazar, do Mais Médicos, atendendo paciente em posto de saúde em São Vandelino (RS); o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na aula inaugural do curso de treinamento da primeira leva de médicos cubanos; outro ex-ministro, Ricardo Barros, participa de evento e tira selfie durante recepção de médicos que começaram a atuar no Mais Médicos; Já o futuro ministro de Bolsonaro, Luiz Mandetta, ao lado de seu padrinho, Ronaldo Caiado, disse que atuação de cubanos parecia “convênio entre Cuba e o PT”. Ideologia cega maior que o medo de um apagão médico. Afinal, de quem importam os rincões se a eleição já passou?

A resistência ainda é muito menor que a perplexidade, mas, como estamos só começando, é preciso ficar atento aos movimentos ciliares – gestos que se multiplicam pelo país de quem, tendo votado em quem for, começa a perceber para onde vamos. Na cidade gaúcha de Chapada – 9.597 habitantes, 336 km de Porto Alegre, e onde os eleitores deram 63,7% dos votos válidos para o presidente eleito -, o prefeito Carlos Alzenir Catto (PDT) resolveu pensar rápido. Por sugestão da atual titular, chamou o cubano para assumir a Secretária Municipal de Saúde. O prefeito já encaminhou pedido à Câmara de Vereadores para alterar a lei orgânica do município, que prevê que apenas brasileiros podem ocupar o cargo em secretarias. Assim, se Collazo aceitar o convite, não terá empecilhos para assumir. Catto está no quarto mandato como prefeito da cidade e preferiu olhar primeiro para seu povo, que não quer perder o único médico cubano da cidade.

No começo de outubro, Chapada abriu um edital para contratar três médicos especializados em saúde da família, num regime de 40 horas semanais, pelo salário de R$ 11 mil, durante um ano. O mesmo valor que recebe o prefeito. Catto chegou a prorrogar o prazo de inscrições, mas não apareceram interessados. No artigo “Quantos jalecos nacionais substituirão cubanos?”, o colunista e blogueiro da Folha/Uol, Josias de Souza, questiona, em tom irônico: “A pergunta que se impõe é: quantos profissionais brasileiros toparão ocupar as vagas dos “escravos” cubanos?”. O problema é que 63,8% dos médicos brasileiros estão no Sudeste (41,9%), no Sul (14,3%) e no centro-oeste (7,6%). Mais da metade (55,1%) encontra-se nas capitais. O Ministério da Saúde informa que os médicos cubanos distribuíram-se em 2.885 cidades, das quais 1.575 não dispunham de um mísero doutor verde-amarelo. “Essa história de que há profissionais sobrando é de quem está nos grandes centros, na capital. Tem que sair da casinha e ver o que acontece nos municípios menores”, recomendou o prefeito. O problema é que Bolsonaro não conhece o sertão, a caatinga, a Amazônia, só o país ensinado na caserna.

Nesta terça, 20, o deputado Luiz Henrique Mandetta, ortopedista e deputado do DEM, foi escolhido para ser o próximo ministro da Saúde. Qualidades? Sempre foi contra o Mais Médicos. “Esse era um dos riscos de se fazer um convênio e terceirizando uma mão de obra tão essencial. Os critérios, à época, me parece que eram muito mais um convênio entre Cuba e o PT, e não entre Cuba e o Brasil, porque não houve uma tratativa bilateral, mas, sim, uma ruptura unilateral”, afirmou o novo ministro. Este governo começa a escrever, já em suas primeiras páginas, um grande ensaio sobre a cegueira.

Moro ministro de Bolsonaro é prova da trama política que levou ao impeachment de Dilma, à prisão de Lula, à eclosão do antipetismo e à entrega do pré-sal

Dilma Rousseff é reeleita. Aécio Neves jura a presidente de impeachment e pede recontagem dos votos. PMDB e PSDB inviabilizam o governo petista no Congresso e o asfixiam com “pautas bomba”. Eduardo Cunha condena Dilma Rousseff por pedaladas fiscais. Michel Temer assume e realiza o oposto do programa da chapa eleita e segue a cartilha neoliberal, rifando o pré-sal. Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, apresenta seu power point colocando Lula como chefe do esquema. O juiz Sérgio Moro condena e manda prender Lula, tirando-o da disputa presidencial. Chegam as eleições e o candidato do PSL monta uma fantástica fábrica de fake news pelo whatsapp contra Haddad, denunciada pela Folha, mas a Justiça Eleitoral- como antes o TCU, o STJ e o Supremo – fingem de mortos. Bolsonaro fecha um pacto de sangue com Edir Macedo, o sangue-suga-mor da Igreja Universal do Cofre de Deus. A mídia bota carga no antipetismo, tenta emplacar alguns candidatos fake, como Luciano Huck, até que, no funil do segundo turno, cai nos braços do ultradireitista Bolsonaro. Às favas o país. Bolsonaro é eleito menos pelos seus zumbis e robôs, e mais pelos mais de 30% dos brasileiros que optaram pelo “não voto” – 42,1 milhões de Pilatos. Bolsonaro monta um ministério patético e – como se tirasse um ás da manga – convida para comandar o Ministério da Justiça – e a Polícia Federal – o responsável pela Lava Jato, Sérgio Moro, que aceita. Está mais claro agora ou é preciso um power point?

sergiomoro.jpg
Em nome do pai, do filho e do fascismo. Moro, o cara que perseguiu o PT, arrancou delações a fórceps – tirando o sigilo da de Palocci durante as eleições – e mandou prender Lula para que não fosse candidato, aceitou convite de Bolsonaro e diz que será ministro da Justiça para “afastar riscos de retrocessos”. Como o próprio vice Mourão confessou, o convite se deu durante a campanha.. Em nota, o Judge Dredd da terra dos pinhais prometeu “forte agenda anticorrupção”. Contra quem será?

Moro não será apenas um ministro de Bolsonaro. Terá poderes tão grandes que já está aberta a temporada de apostas de que já é um candidato natural à sucessão do Coiso. Moro, que jurou em entrevista ao Estadão em novembro de 2016, que jamais entraria para a política, não só entrou de cabeça, ao aceitar ser ministro do candidato vitorioso que derrotou nas urnas o PT que ele desconstruiu em sua Corte, como já está sendo inflado a ser o candidato do governo à sucessão de Jair Bolsonaro — que tem repetido que não concorrerá a um segundo mandato. A ideia já circula entre integrantes do “núcleo duro” da equipe do capitão reformado – “núcleo duro” nessa turma é redundância -, segundo jornalistas bem informadas, como Mônica Bergamo. Moro não poderá mais interrogar o ex-presidente Lula, como faria em 14 de novembro, mas nem precisa.

gabriela-hardt-03
Gabriela Hardt, a juíza que vai substituir Moro na Lava Jato, é farinha da mesma Lava Jato. É antipetista, anti-Lula e acha que o PT roubou o futuro do país – como seus posts nas redes sociais escancaram. Seu pai, o engenheiro químico Jorge Hardt Filho, trabalhou na Petrobras por mais de duas décadas. Receptiva aos pleitos dos policiais federais e dos procuradores, estará pronta a servir o chefe, agora como ministro.

Não só porque sua sucessora Gabriela Hardt, a juíza que vai substituir Moro na Lava Jato, é farinha da mesma Lava Jato. É antipetista, anti-Lula e estará pronta a servir o chefe, agora como ministro. Mas porque Moro agora é o dono do pedaço. Terá não só a fusão das pastas do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, como a própria Polícia Federal, o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União, órgão de controle interno do Governo Federal responsável por realizar atividades relacionadas à defesa do patrimônio público, o Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica que combate cartéis, e o Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, este último hoje ligado ao ministério da Fazenda. Após o encontro protocolar com Bolsonaro – até porque a decisão já estava tomada -, Moro divulgou nota dizendo que aceitou “honrado” o convite. Moro disse, ainda, que aceitava o cargo com “certo pesar” pois terá que abandonar a carreira de juiz após 22 anos de magistratura – na pior das hipóteses, sabe que tem vaga certa no STF de Bozo. Moro é o quinto ministro anunciado pelo governo Bolsonaro. Outros quatro já foram anunciados: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia), general Augusto Heleno (Defesa) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

Deltan Dallagnol, procurador do Ministério Público Federal durante apresentação das denúncias
O procurador fundamentalista Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da Lava Jato e membro da Igreja Batista de Bacacheri, em Curitiba, também aguarda seu convite para o ministério Bolsonaro pelos bons serviços prestados. Na foto, em sua famosa apresentação de power point que virou meme, colocando Lula ao centro de esquema chamado de petrolão. Cumpriu fielmente sua missão de inflamar preconceitos e paixões e aniquilar a possibilidade de Lula ter um julgamento justo e imparcial

O PT está perplexo. Foi pego de calças nas mãos. Mal absorveu a derrota de Fernando Haddad, terá que lidar agora com esse relevante fato político. As reações, de bate pronto, foram as esperadas. Os advogados de defesa de Lula ingressaram na 13ª Vara Criminal de Curitiba (PR) com um pedido de nulidade do processo relativo ao Instituto Lula, movido pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo juiz Sérgio Moro. A argumentação da defesa do ex-presidente é pela prática de lawfare (uso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política). De acordo com os advogados, a “conexão política” do juiz de primeira instância com o presidente eleito fica evidente diante do convite aceito por Moro na manhã desta quinta, 01/11. “Moro é um juiz ativista e agora assumiu esse lado”, fez coro o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que defende atualmente 17 pessoas em processos ligados à Operação Lava Jato. Kakay criticou a rapidez do juiz Moro ao aceitar o cargo, tão poucos dias após a confirmação da vitória de Bolsonaro nas urnas, em 28 de outubro. “É quase assustador ele assumir com essa gana um cargo de ministro da Justiça tão logo saia o resultado das eleições, antes mesmo da posse. Porque nós estamos vendo um juiz que instrumentalizou o poder Judiciário, e isso é gravíssimo. De certa forma, a partir de agora, ele terá que responder por isso.”

14set2017---o-advogado-criminalista-antonio-carlos-de-almeida-castro-o-kakay-1505504884755_300x420
Do advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende réus na Lava Jato: “Ele (Moro) é um juiz ativista político. Agora ele assumiu o lado ativista político. Ele envergonha o poder Judiciário. (…) A aceitação desse cargo comprova aquilo que nós advogados, eu inclusive, estamos dizendo há bastante tempo: a parcialidade do juiz Moro. (…) O ato que ele fez é lamentável para o poder Judiciário, compromete o poder Judiciário. A isenção do juiz é uma das principais garantias que o cidadão tem.”

Enquanto isso no Rio, como bem descreveu o valoroso jornalista Jan Theophilo, no Informe JB – que, como eu, não é petista, comunista, maoista, stalinista, mas tem olhos e enxerga -, na coluna “Os snipers do Seu Wilson”, vivemos o microcosmo da ditadura eleita. Juiz medíocre, reacionário e rico, como a maioria de seus pares, conhecido pelo vídeo onde aplaude dois mequetrefes bombados, em um comício em Petrópolis, quebrando a placa de homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco, solta de dentro de sua bolha soluções fáceis – e, pior, já experimentadas e que deram em nada. Exceto em mais mortes de civis – geralmente favelados, negros, jovens e pobres. Pois o novo governador Wilson Witzel, apoiador de Bolsonaro, defendeu “abater” (palavras dele) – derrubar por terra, matar a tiros, exterminar – quem estiver de posse de um fuzil. Ele quer também, coerentemente com sua ética, prorrogar por mais 10 meses a intervenção militar no Rio, com resultados pífios. Ao Estúdio I, da GloboNews, governador eleitor disse que pediu levantamento de policiais da Core e do Bope qualificados para matar bandidos de longa distância e que liberará disparos de helicópteros. “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, disse ao Estadão. Vai ser uma chacina. De pobres.

frame-00-16-08.448.jpg
Eleitos, acabaram os escrúpulos e os cuidados com as palavras dos fascistas eleitos. Juiz medíocre, reacionário e rico, como a maioria de seus pares, Heil Witzel, governador eleito do Rio, pediu levantamento de policiais da Core e do Bope qualificados para matar bandidos de longa distância e que liberará disparos de helicópteros. Pro estado que já teve zepelim vigiando os céus, acabou a inocência. É a política de segurança pública nos snipers. “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, disse o fascista.

Moro Dredd, o exterminador de petistas, faz Palocci refém e tenta balear Haddad

New_Project_64_CWW6TLp
Em um mundo dominado pela miséria e corrupção, e onde a justiça e a lei precisaram ser dissolvidas, o juiz Moro Dredd, usando o bordão “Eu sou a lei!”, atira para matar. No último episódio dessa saga, ele sequestrou Antonio Palocci e, mesmo contra o Ministério Público, que não viu provas na sua “delação implorada”, divulgou para a mídia uma série de ilações, sem qualquer prova. Isso – tchan, tchan, tchan! – na semana de eleições presidenciais e afetando um dos candidatos presidenciais e o partido que odeia.

O mundo dos quadrinhos está de luto. Carlos Ezquerra, cocriador do Juiz Dredd, faleceu nesta segunda-feira, 01, aos 70 anos. Ezquerra criou o famoso anti-herói ao lado do escritor John Wagner, que ganhou adaptações cinematográficas com Sylvester Stallone e Karl Urban no papel título. Dredd é um vingador em um mundo apocalíptico, dominado pela violência, miséria e crimes, e onde a justiça e a lei precisaram ser dissolvidas. Ele assume com uma força tarefa a nova ordem e usa o bordão “Eu sou a lei!” – antes de executar sua vítima da vez. A tal “força de pacificação”, com alto poder de fogo e licença para prender, julgar, condenar e executar os criminosos na própria cena do crime, são os tais “Juízes”. Não, o cenário não é Curitiba, mas o que seriam as antigas cidades de Boston e Washington, e a força tarefa não se chama Lava Jato. Mas no nosso mundinho político, acovardado por acusações que vem até do hiperespaço, reapareceu a versão tupiniquim do juiz exterminador, Moro Dredd, em mais uma demonstração de que está mais para justiceiro aniquilador de petistas do que para um magistrado isento, independente, equilibrado, enfim, essas coisas fora de moda.

Mas por que estamos falando de Moro Dredd se a Lava Jato foi para as cucuias desde que o ex-presidente Lula foi encarcerado e impedido de participar do processo eleitoral e Dallagnol, Santos Lima e a oligarquia do MP sumiram do mapa (não acredite nos boatos de que prestam serviço pro bono para a campanha de Álvaro “Botox” Dias)? Ah, é que Moro Dredd, a seis dias das eleições, decidiu sequestrar Antonio Palocci, o alvo que lhe pareceu mais óbvio, e, acreditando poder atingir o PT e Haddad, mandou retirar o sigilo de parte do pré-acordo de delação “implorada” do ex-ministro no âmbito da Operação Lava Jato – o que, obviamente, ganhou a mídia proporcional que se esperava. Embora tenham sido feitas há quase sete meses, e rejeitadas pelo Ministério Público Federal (!) por inconsistência total e absoluta, as delações sem provas foram acolhidas pelo juiz federal da 13ª Vara de Curitiba, nesta segunda. Nada será provado, evidentemente, o que vale é o “barulhinho bom” na mídia e, com sorte, algum estrago na campanha, de modo que prejudique o PT odiado por Moro e a parte da sociedade que ele representa. Não vou sequer me dar ao trabalho de repetir as acusações, quem quiser que leia no seu veículo preferido. Em agosto, o STF decidiu que delações sem provas devem ser sumariamente arquivadas, mas Moro Dredd, claro, está acima disso.

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula afirmou que “Palocci mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova”. Os advogados dizem ainda que a decisão de Moro “apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente” e que o juiz “tem o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados”. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que Moro “não podia deixar de participar do processo eleitoral” e que ele tenta “pela enésima vez destruir Lula”. Palocci está preso desde 2016.

Como escreveu, em nota, a ex-presidente Dilma Rousseff, uma das citadas, o que fica evidente é que a negociação feita por essa delação implica que Palocci, depois de pagar R$ 37,5 milhões, poderá “requerer ou representar ao juiz pela concessão de perdão judicial”, ter reduzida “em até dois terços a pena privativa de liberdade e/ou sua substituição por restritiva de direitos” e, ainda, “a suspensão do processo e do prazo prescricional”. Um negócio da China – ou melhor, de Curitiba.