Com um pé no segundo turno, Haddad responde à truculência recomendando “carinho” com bolsonaristas

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Em um comício em frente à Catedral, no Centro de Florianópolis, Haddad arranca risadas imitando Lula, pede “carinho” com adversários e recomenda aos petistas responderem aos gestos de ódios dos bolsonaristas com um L de Lula

“Quando você vê um cara que está ali muito dilacerado, falando com o fígado, chama o cara para (tomar) um chope. Tenho certeza que resolve os problemas dele”.
Fernando Haddad, em Florianópolis, sugerindo que o incentivo ao “amor” é o que vai “unir o Brasil”.

Em sua maratona pelo país na reta final do primeiro turno – devidamente mapeada pelo comando de campanha, e, claro, por Lula -, Fernando Haddad, ao lado de sua vice Manuela D’Ávila, passou o começo da tarde de terça, 18, em Itajaí, onde conversou com pescadores da região Norte de Santa Catarina. Era sua primeira visita ao estado. Dali, seguiu para Florianópolis, onde realizou um comício em frente à Catedral, no Centro. Um homem diferente estava ali. Não apenas motivado pelos números frescos do Ibope (Assista aqui o vídeo do Jornal Nacional), que praticamente o colocam no segundo turno – subindo nada menos que 11 pontos em uma semana, e chegando a 19% (contra 11% de um estacionado Ciro), como adotando um novo tom, mirando em seu inevitável opositor no segundo turno (Bolsonaro, que foi de 26% para 28% no Ibope, dentro da margem de erro de dois pontos), pero sin perder la ternura jamás. As milhares de pessoas que ali pararam para ouvir Haddad viram seu candidato criticar as declarações estapafúrdias da chapa pura-farda, condenar o clima de “violência e intolerância” das eleições, mas fazer uma doce recomendação. Aconselhou a militância petista a “virar o voto” de eleitores de Bolsonaro, e dos indecisos, com “carinho”.

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William Bonner, no Jornal Nacional, cumpre a difícil missão de informar que, segundo o Ibope, Haddad cresceu 11 pontos em uma semana, descolou de Ciro Gomes e aproxima-se de Bolsonaro, que oscilou na margem de erro.

A militância respondeu com gritos de “Ele não!”, a campanha nas redes sociais que prega não votar no capitão. Os usuários também tem bombado o Twitter com a curiosa hashtag “meu bolsominion secreto”, sempre completando a frase com o relato de algum esqueleto no armário dos eleitores da dupla de coturno. “#meubolsominionsecreto quer ditadura militar, mas é a favor da liberdade de expressão”, postou um eleitor, seguindo a linha irônica. Os eleitores de Bolsonaro responderam com outra hashtag, com igual sucesso, #QuemMandouMatarBolsonaro – incentivando outra teoria conspiratória. A campanha Haddad-Manu também tem se preocupado com a onda de fake news, desde as que inventam falsos apoios de celebridades a Bolsonaro, como de Arnaldo Jabor, Padre Marcelo Rossi e Silvio Santos, como as que espalham que o número de Haddad é 17 (número de Bolsonaro) e não 13, e que Manuela D’Ávila tem o corpo coberto de tatuagens de Che Guevara e Lenin. Nenhum problema se tivesse, mas não tem. Compartilhada pelo WhatsApp, pelo Twitter e pelo Facebook, a imagem foi manipulada digitalmente para a inserção de desenhos dos líderes comunistas na pele da deputada estadual do Rio Grande do Sul. Tão amador que merecia o prêmio Paintbrush do ano.

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À esquerda, a foto original, real, e à direita, a montagem grotesca, manipulada digitalmente, e distribuída pelas redes sociais, mostrando falsas tatuagens de Che Guevara e Lenin no corpo de Manuela D’Ávila. Sem falar na faixa presidencial..

De fake em fake, circulou pelas redes nas últimas horas um suposto áudio de Bolsonaro – a voz era idêntica – distribuindo impropérios, inclusive contra seu vice. “Me tirem logo daqui. A gente tem uma eleição pra ganhar. Eu quero sair daqui. O fdp subindo pra caralho e eu aqui preso”, esbraveja. Fake news? Talvez. Mas Mourão virou um problema para Bolsonaro, desqualificando-o publicamente ao sugerir que sua fala sobre urnas eletrônicas fosse relevada. Segundo a Folha de S.Paulo, integrantes do núcleo duro da campanha de Bolsonaro fizeram uma reunião para tentar unificar o discurso e “tutelar” o vice do presidenciável.

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O staff do capitão presidenciável quer “tutelar” o vice general. Alguém paga para ver essa cena?

Haddad estava muito à vontade, em Florianópolis, e até imitou a maneira de falar do ex-presidente Lula (Assista aqui), no que foi ovacionado pelos presentes, que mesclaram gritos de “Haddad! Haddad!” e “olê olê olê olá, Lula, Lula”. Não muito longe dali, na carceragem da sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula é mantido como preso desde 7 de abril, o ex-presidente mandou um recado para o seu visitante do dia. “Lula quer ver reconhecida a sua inocência e não quer saber de indulto”, disse o deputado Wadih Damous, ex-presidente da OAB RJ. Adversários políticos, e a imprensa, tem estimulado uma crise na capanha petista sobre um eventual indulto de Haddad a Lula, o que o próprio candidato já negou, inclusive em entrevista ao G1 e CBN (Ouça aqui). Ainda assim, o portal publicou uma matéria intitulada “Indulto a Lula transforma-se em maior fantasma de Haddad” (Leia aqui).

Outra má notícia para Bolsonaro: na noite de ontem, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, 11 ações da campanha de Bolsonaro contra programas de Haddad e Alckmin. O Candidato do PSL questionou a participação do ex-presidente em uma das propagandas do candidato Haddad. Também foram negadas dez representações de Bolsonaro contra propagandas do candidato do Geraldo Alckmin. Ministros afirmaram que Lula pode aparecer em imagens de arquivo. “A pena de proibição de aparição seria acrescentar pena de banimento à conclusão que trilhamos no processo de registro de candidatura”, afirmou o ministro Tarcísio Vieira.

Daciolo volta às montanhas e revela: Bolsonaro foi rendido pela maçonaria

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Cabo Daciolo volta ao alto da montanha para refletir sobre as eleições presidenciais e conclui: o Capitão Bolsonaro foi capturado pela maçonaria por meio de seu vice, o general Mourão.

De gênio e louco todo mundo tem um pouco. Eu, geralmente, prefiro ouvir os loucos. Cabo Daciolo subiu as montanhas – como costuma fazer quando não está em algum debate denunciando a Ursal ou gravando seus segundos no programa eleitoral. Acendeu a fogueira, meditou e resolveu postar um novo vídeo nas redes (Assista aqui) com uma revelação: Bolsonaro foi punido por render-se à maçonaria. Enquanto a mídia acompanha, em terra firme, a lenta recuperação do candidato do PSL à Presidência, internado numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Albert Einstein após levar uma facada, Daciolo flutuou em pensamentos para aconselhar o capitão: fuja do general Hamilton Mourão, seu vice, “maçom declarado”. Daciolo está convencido que há uma ligação direta entre o “atentado” e o vice da sociedade associada aos Illuminati, Cavaleiros Templários e esses nomes que você conhece por obras como O Código da Vinci e Sherlock Holmes.

“O problema é com quem o Bolsonaro passou a andar. Ele tem amigos maçons, ele frequenta o meio dos maçons. O seu vice está lá dentro da maçonaria. Aqueles que querem liberdade, igualdade e fraternidade só entre eles”, aponta Daciolo. A viagem quase psicodélica de Daciolo no vídeo que, claro, bombou nas redes – bíblia na mão esquerda, gesticulando muito, semblante carregado – e possivelmente esgotado pelo jejum que diz ter se imposto -, guarda um ponto de contato com a realidade. Mourão já visitou lojas maçônicas, inclusive no Distrito Federal, no final do ano passado, quando propôs uma intervenção militar para solucionar os problemas da política. Daciolo também não perdoa a “rendição” de Bolsonaro a Paulo Guedes, seu guru econômico, capa da revista Crusoé. Segundo a tese de Daciolo, os maçons desistiram de Geraldo Alckmin, estacionado nas pesquisas.

General Mourão durante sua palestra na maçonaria em Brasília
General Mourão durante sua palestra em loja da maçonaria em Brasília, em setembro de 2017, quando afirmou que, na visão dele e de companheiros do Alto Comando do Exército, “ou as instituições solucionam o problema político retirando da vida pública os elementos envolvido em todos os ilícitos ou então nós teremos que impor uma solução”.

O deputado federal do partido Patriota – que segue parecendo mais um pastor do que um candidato à Presidência – admite, ainda, no vídeo, que muitos o tratam por maluco. “Muitos não estão entendendo ainda, estão achando que estamos loucos, mas para discernir o que está acontecendo só no plano espiritual”, recomenda. Em seu vídeo anterior, que também deu o que falar, tendo ao fundo um estabelecimento da rede Havan, que tem lojas de departamento em várias cidades do Brasil – que costuma enfeitar com réplicas da estátua da liberdade, símbolo norte-americano -, o patriota prometeu retira-las, “uma por uma” em todo o Brasil. Vai ser mais fácil Donald Trump cumprir a promessa de construir um muro na fronteira com o México.

Daciolo tem sofrido cobrança dentro do próprio partido para descer as montanhas e aparecer mais – ir às ruas em campanha, conceder entrevistas, participar de debates. Há quem desconfie que, mais do que não conspurcar a própria honra repetindo a rotina dos demais candidatos, Daciolo está de olho em manter o mandato. Pela estratégia, retiraria sua candidatura ao Planalto até o dia 17 para tentar se reeleger na Câmara. O presidente da sigla, Adilson Barroso, aconselhou Daciolo a desistir da candidatura se não alcançar ao menos 5% das intenções de voto – publicou o jornal Gazeta do Povo. Por enquanto, Daciolo não passa de 1%. “Não tem isso de renúncia, quem fala isso está infiltrado no meio”, descartou o cabo, que promete para breve “novas revelações”. Imagine só.