VAR pode VARrer Bolsonaro por infestar Whatsapp de Fake News; Empresários confessam dinheiro sujo na campanha

“Primeiro turno é Bolsonaro. Pra nós não ter que gastar (sic) mais dinheiro. Pra não ficar gastando no segundo turno. Quem tá indeciso é lá, é lá que tem que ser, porque ‘cabou, nós gasta (sic) menos dinheiro”.
Mário Gazin, na linguagem típica dos canalhas sovinas, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Gazin, ao lado de outro sangue-suga, Luciano Hang, dono da Havan, em twitter postado pelo próprio Bolsonaro.

O TSE, por enquanto, está petrificado. A Procuradoria-Geral da República, idem. Duas mulheres fortes no comando das duas casas – hora de dar umas marteladas para que Rosa Weber e Raquel Dodge não deem uma de Medusa. A Polícia Federal de Temer sabe-se lá o que faz, mas costuma ter bom senso de sobrevivência. Fato é que começam a transbordar pelo esgoto da campanha suja de Bolsonaro confissões de empresários, que, sem necessidade de acareação, confirmam as graves denúncias da Folha de S.Paulo de que foi montada pela campanha do PSL uma ‘Fantástica Fábrica de Fake News’, sustentada com doações ilegais, o popular caixa 2, para produzir uma avalanche de disparos pelas redes sociais e WhatsApp para uma base de usuários. Objetivo: fomentar uma grande campanha de ódio contra o PT na última semana da campanha. Como se ainda fossem necessárias mais provas, como a declaração de Bolsonaro de que “não controla” seus apoiadores – Oi? -, bombou na rede um vídeo compartilhado orgulhosamente, no dia 28 de agosto – portanto, antes da votação do primeiro turno -, pelo candidato do PSL à Presidência, onde Luciano Hang, dono da Havan – o tarado da Estátua da Liberdade – pergunta para o empresário Mário Gazin, outro magnata endinheirado do varejo, em quem votar. No jogral patético, Gazin responde, candidamente, a la Tio Patinhas: “Bolsonaro, e no primeiro turno, para nós não ter (sic) que gastar mais dinheiro no segundo turno”. Opa!

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Empreendedores ricos, mas politicamente estúpidos: Luciano Hang (esq) e  Mário Gazin (dir), típicos canalhas sovinas, gravam vídeo de apoio de apoio a Bolsonaro, mas Gazin só sabe falar do dinheiro que não aguenta mais gastar na campanha. Batom na cueca do caixa 2.

Sócios e executivos do Grupo Gazin doaram, como pessoas físicas, R$ 300 mil para o Diretório Regional do Democratas em Mato Grosso como contribuição eleitoral no primeiro turno, mas naquela ocasião dentro do “caixa 1”, como pessoas físicas. Os doadores foram Jair José Gazin, Mario Valério Gazin, Rubens Gazini, Antônio Roberto Gazin e João José da Silva. No total, o partido recebeu R$ 1.536.000 em doações desses filantropos. O Grupo Gazin é uma das maiores redes varejistas e atacadistas do País, além de aturar em outras áreas como consórcio, serviços, indústria de colchões, estofados, espumas, molas, distribuição de combustíveis, financeira, viagens e comércio eletrônico. Não duvido que tenham erguido seus impérios com enorme esforço pessoal, mas suas posições políticas e métodos de cooptação no mínimo levantam suspeitas sobre a rapidez com que enriqueceram, para dizer o mínimo. Aliás, sintam o nível desse cidadão Hazan.

É a ponta do iceberg? É. Uma protuberante ponta. Um grupo de 30 juristas, entre eles um ex-ministro do Supremo e um ex-ministro da Justiça, entregou à presidente do TSE, Rosa Weber, documento cobrando o mínimo: providências sobre o esquema de disseminação de mensagens contra o PT pago por empresas por meio do WhatsApp. “Se existe a lei que exige ficha limpa, por qual razão pode-se admitir que as eleições sejam contaminadas por propaganda irregular-ilícita?”, questionam os juristas. Entre os 30 signatários estão Lênio Streck, Sepúlveda Pertence (ex-ministro do STF), Celso Antônio Bandeira de Mello, Antônio Carlos de Almeida Castro Kakay, José Eduardo Martins Cardozo (ex-ministro da Justiça) e Alberto Zacharias Toron. O documento anexa uma série de exemplos de fake news disseminadas ao longo da campanha contra o candidato do PT.

A campanha de Fernando Haddad virou suas baterias para o caso, como não poderia deixar de ser, descolou as marcas de palco e os programas pre-gravados de lado para centrar fogo no horário eleitoral gratuito na televisão no esquema de propaganda ilegal pelo WhatsApp contra o PT. O programa petista conseguiu, talvez pela primeira vez na campanha, deixar Bolsonaro no córner, acusando a candidatura rival de ser bancada com “dinheiro sujo” de uma “organização criminosa”. Bolsonaro revidou com seu jeito meigo xingando Haddad de “canalha” e “vagabundo”, logo ele um bunda-suja. Explico aos não iniciados.

Vieram à tona entrevistas feitas há 40 anos com o então general-presidente Ernesto Geisel, o quarto e penúltimo da ditadura, concedidas à cientista política Maria Celina d’Araújo e ao antropólogo Celso Castro, entre julho de 1993 e abril de 1994 — e que, mais tarde, viraram um livro. Geisel afirma: “Bolsonaro é um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar”. O deputado é conhecido na corporação como “bunda-suja”, o termo usado pelos militares de alta patente — como Geisel — para designar aqueles que não subiram na carreira. Hoje ele está cercado de quatro estrelas de pijamas, saudosistas como ele do regime militar, e por parte da tropa iludida com seu discurso de volta aos “anos dourados” do regime.

E se Ciro Gomes emudeceu em seu descanso europeu, e seu irmão Cid trocou os pés pela língua transformando um ato de apoio a Haddad, em Fortaleza, em munição para Bolsonaro, o PDT – certamente autorizado por Ciro – apresentou ao TSE uma ação nesta sexta, 19, na qual pede que seja investigado o suposto esquema de financiamento ilegal de campanha por meio de empresários que teriam contratado o disparo de mensagens via WhatsApp como forma de favorecer o candidato Jair Bolsonaro. Na ação, o PDT acusa a campanha de Bolsonaro de disseminar fake news com o objetivo de prejudicar os adversários na campanha e defende que os votos dados a Bolsonaro no primeiro turno sejam anulados, com a convocação de novas eleições. A ação casa – complementa – com pedido do PT, na véspera, para declarar o candidato do PSL à Presidência inelegível por oito anos. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, se reuniu com a ministra Rosa Weber. Após a reunião, o advogado do partido, Eugênio Aragão, afirmou que a ministra prometeu uma resposta breve.

O processo do PDT, uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral), foi movido como repercussão à reportagem da Folha de S.Paulo, que na quinta, 18, apontou que empresas privadas estariam comprando pacotes de disparo em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp, com contratos de até R$ 12 milhões. Nesse turbilhão de emoções na reta final, o TSE, que havia convocado solenemente uma entrevista coletiva, junto com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, para esta sexta, 19, remarcou-a para domingo, 21, às 14h, na sede do tribunal em Brasília. O caldo engrossou.

 

O VAR eleitoral pode salvar a democracia

“Acho que dá (para virar), sobretudo com as denúncias de corrupção na campanha do Bolsonaro. (…) Se o TSE apurar as denúncias, estou confiante”.
Fernando Haddad à Reuters ao chegar no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

“Eu não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso (pagando para impulsionar fake news nas redes e whatsapp). Eu sei que fere a legislação. Mas eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência”.
Jair Bolsonaro, num quase mea culpa, ao Antagonista

Aos 40 minutos do segundo tempo, o time dos Ogros da Caserna parece levar uma vantagem difícil de tirar. Quase impossível, se você acreditar no Ibope ou no Datafolha, que mostram Bolsonaro perto dos 60% dos votos válidos. Complicada mesmo no cenário da pesquisa CUT/Vox Populi, que dá Bolsonaro com 53% e Haddad com 47%. Se essa diferença for mesmo de 6 pontos percentuais, há esperança nas urnas. Mas uma grave denúncia contra Bolsonaro e o esgoto a céu aberto que virou sua campanha abriram um clarão de esperança. O pedido feito pelo PT para impugnar a candidatura de Bolsonaro, a partir de uma manchete da Folha de S.Paulo – reportagem de Patrícia Campos Mello, aliás, agressivamente atacada por seguidores de Bolsonaro -, mostrando a fábrica de fake news via whatsapp montada pela campanha do capitão, e custeada alegremente por um grupo de sangue-sugas, entre eles Luciano Hang, dono da Havan, o sujeito que é tarado pela Estátua da Liberdade – pode se tornar a bala de prata da campanha. Já criou um fato novo e deve ser fortemente explorado pela campanha de Haddad, ainda que, no TSE, ricocheteie no laquê impenetrável de Rosa Weber ou na peruca Luiz XV de Luiz Fux. Ele que já declarou, há pouco tempo, que a Justiça Eleitoral poderia anular o resultado de uma eleição se esse resultado for decorrência da difusão massiva de notícias falsas. Bom, Fux também prometeu absolver Zé Dirceu… Vale ler o The Intercept sobre as convicções de Fux.

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Haddad, entre a esposa, Ana Estela, e a vice Manuela: vítima de uma fábrica de fake news montada pela campanha de Bolsonaro e bancada por caixa 2 de empresários como o dono da Havan, só quer que a Justiça Eleitoral faça seu trabalho. Mas quem está lá é Luiz XV Fux, que prometeu combater as fake news e agora, com as provas nas mãos, brinca de estátua

O fato é que a ‘Fantástica Fábrica de Fake News’ de Bolsonaro é ilegal, caracteriza doação de campanha por empresas, vedada pela legislação eleitoral, ou seja, caixa 2 – hashtag #caixa2dobolsonaro. Em agosto, o El País já havia arranhado o tema. Na prestação de contas do candidato do PRN, digo, PSL, consta apenas a empresa AM4 Brasil Inteligência Digital, como tendo recebido R$ 115 mil para mídias digitais. Segundo a Folha, os contratos chegaram a R$ 12 milhões e, por meio de compra de “disparos em massa” pelo whatsapp para uma base de usuários, deveriam fomentar uma grande campanha de ódio contra o PT a partir de domingo, 21, abrindo a última semana da campanha. Fux está esperando o que para pedir o VAR? “Basta prender um empresário e vão entregar a quadrilha toda”, sugeriu Haddad. Se Rosa e Fux descongelarem, pode – e devem – impugnar a candidatura de Bolsonaro e mudar completamente o pleito, que pode até ser remarcado. Bolsonaro, evidentemente, jura pela alma de Brilhante Ustra que isso é mentira. Ao site Antagonista, Bolsonaro disse não ter controle sobre o que empresários apoiadores dele fazem. Epa!

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Rosa Weber, que é presidente da Corte, foi acusada por colegas de pouco jogo de cintura ao lidar com situações de crise, como as fake news da tropa de Bolsonaro, e até com os próprios pares. Constrangimento e saia justa no TSE.
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Luiz XV Fux, fazendo cara de sério e prometendo combater as fake news na campanha eleitoral. Que tal cumprir dessa vez sua palavra, ministro?

 

O TSE adiou uma coletiva de imprensa que estava prevista para as 16h desta sexta, 19, e remarcou para domingo, 21, às 14h, na sede do tribunal em Brasília. Participariam a ministra Rosa Weber, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, o diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, além do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), general Sérgio Etchegoyen.

O Whatsapp foi mais rápido. Enviou notificação extrajudicial para as agências Quickmobile, Yacows, Croc services e SMS Market determinando que parem de fazer envio de mensagens em massa e de utilizar números de celulares obtidos pela internet, que as empresas usavam para aumentar o alcance dos grupos na rede social. Além disso, a empresa teria banido do aplicativo contas associadas às agências citadas. Curiosamente, um dos filhos do Coiso, Flávio Bolsonaro, eleito para o Senado pelo Rio, choramingou nesta sexta, 19, pelas redes sociais que teve o seu número de telefone banido pelo WhatsApp. Epa! Em entrevista para a BBC, o WhatsApp disse que seria impossível fazer novas ações antes do segundo turno das eleições.

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Meme dos memes: Jair ‘Willy Wonka’ Bolsonaro, o dono da Fantástica Fábrica de Fake News, montada por seus amigos. Perguntado sobre o assunto, foi evasivo, dizendo que não controla o que os apoiadores fazem, abrindo a interpretação para quem acha que ela está por trás de tudo

A reportagem da Folha teve enorme repercussão no meio político e na mídia, mas, curiosamente, foi solenemente ignorada pela Globo, como pontuou o sempre atento blogueiro Maurício Stycer. O “Jornal Nacional” optou por falar do caso de forma indireta, citando a decisão do PT de pedir a inelegibilidade de Bolsonaro “por suposto esquema de divulgação de notícias contra o PT nas mídias sociais”, como disse William Bonner.

Fujão de debates, foi liberado pela equipe médica, ciosa de seus diplomas – os médicos Antonio Luiz Macedo e Leandro Echenique -, a participar pelo menos do último debate, na TV Globo, mas avisou que não iria. Sem atestado médico, caiu a farsa e ficou exposta a estratégia de quem não tem o que dizer. Bolsonaro é intelectualmente limitado, conhece quase nada além de temas militares e de suas obsessões anti-direitos humanos, e seria devorado por Haddad, um professor e um político preparado. Talvez Bolsonaro fosse se a adversária fosse Dilma. Mas Haddad seria um risco de expor o falso mito, que será, e está evidente, um marionete dos interesses que o elegem – empresariado oportunista e inescrupuloso, quatro estrelas saudosos de poder, ruralistas reacionários, maiorais evangélicos que querem expandir seus templos transformados em caixas registradoras e implantar o fundamentalismo, inclusive nas escolas. Nosso ‘Conto da Aia’ particular. Um pesadelo. A ascensão do subterrâneo, general Villas Bôas e seguidores do ex-capitão, Edir Macedo, Silas Malafaia e manipuladores eletrônicos dessa estirpe, economistas medíocres a serviço de um neoliberalismo ultrapassado e que massacra os trabalhadores.

Para alguns analistas, como Alon Feuerwerker, se é difícil que a denúncia contra Bolsonaro, sem uma ação da Justiça Eleitoral, mude os rumos das eleições, a tão pouco tempo dos brasileiros voltarem às urnas, elas podem ter colocado no coturno de Bolsonaro, se eleito, uma bomba relógio que precisará ser desarmada já em seus primeiros meses de governo. Impeachment? Pessoalmente, não acredito que um governo Bolsonaro dure dois anos.

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Temer, o impopular: do golpe parlamentar às vésperas de ficar sem mandato, sem foro privilegiado e com um processo cabeludo que, se o país fosse sério, o levaria em pouco tempo para o xadrez.

Já Temer – lembram dele, o quase ex-presidente?, o sujeito mais impopular da história – tem passado mais tempo com seus advogados no Alvorada do que passando laquê nos cabelos e cremes nas mãozinhas. O pedido de seu indiciamento no inquérito dos Portos, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, junto com sua filha Maristela e amigos de longa data, é só o final melancólico de um governo que assumiu com um golpe parlamentar, capitaneado por ele e por Eduardo Cunha, junto com a tucanada ligada a Aécio Neves. A terceira denúncia era esperada e Temer tenta, em seus últimos respiros como presidente, a anulação do ato da Polícia Federal junto ao STF. Quem sabe, num possível governo Bolsonaro, a não prisão de Temer possa ser mercadoria para negociar um apoio do MDB à base parlamentar do capitão.

Como enterrar a biografia apoiando o fascista Bolsonaro

Cada um apoia quem quiser, diria o historiador, cientista político, acadêmico, ou mesmo o “famoso” formador de opinião que vive dentro de uma bolha virtual, uma versão patética do “Bubble Boy” (menino bolha), o heroico garoto – isso é da minha época, pessoal não se culpem se não conheciam a história – David Vetter, nascido em 1971 – só cinco anos depois de mim – e que literalmente viveu todos os seus dias protegido por uma bolha de plástico. David, que tinha uma dessas doenças que a loteria genética sorteia uns poucos – uma Imunodeficiência Grave Combinada (SCID), um grupo muito raro de doenças potencialmente fatais em que a criança, já ao nascer, tem muito pouco ou nenhum sistema imunológico – resistiu bravamente durante 12 anos sem nunca, absolutamente nunca, ter sido tocado, mesmo pelos próprios pais. A história, que é muito, muito triste, me remete a uma metáfora inevitável.  A bolha em que as pessoas parecem viver – e não me refiro a mídia sociais apenas -, especialmente aqueles desconectados do Brasil real.  E, me poupando de falar em gente como Marco Antonio Villa e Olavo de Carvalho, que dispensam apresentações, cito um cientista político menos conhecido, Jorge Zaverucha, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco, para quem “é exagero dizer que candidato do PSL ameaça a democracia”. O pernambucano, em seu mundinho acadêmico, mostra como alguns brasileiros, que têm história pelo país – no esporte, nas artes, etc – insistem, por razões a serem estudadas, a ver no golpista Bolsonaro um cidadão normal. Ah, o afiado Zaverucha é suspeito de assediar uma mestranda da universidade, em 2011, e foi condenado pela Justiça Federal de Pernambuco (Leia).

Prefiro, particularmente, acreditar em gente como Francis Fukuyama, Steven Levitsky, Wanderley Guilherme dos Santos e a historiadora Heloisa Starling – e na maioria de acadêmicos, no Brasil e no exterior, que têm dito de forma quase unânime que Bolsonaro ameaça a democracia brasileira. Mas queria focar, nesse artigo, na patética peregrinação de “famosos” registrados nos últimos dias em redes sociais, pelos filhos do “coiso”, apoiando o capitão fascista, não importa que ele só aceite sua própria eleição e convoque os amigos “comandantes militares” a não aceitar outra opção democrática, ou seja, Fernando Haddad ou Ciro Gomes.

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O cientista político Jorge Zaverucha, professor da Universidade Federal de Pernambuco, no escritório de sua casa, em Recife. “Bolsonaro já falou muitos absurdos, é claro. Fechar o Congresso, fuzilar Fernando Henrique Cardoso. É mesmo preocupante elogiar Ustra, mas me parece que com o passar do tempo ele vem mudando de opinião. Antes era um estatista na economia, agora é liberal.” Tem pai de cientista político que é cego.

O mais interessante das visitas de “famosos” – relativize esse conceito – ao leito de Bolsonaro é que obedecem a três etapas, em alguns casos visivelmente forçadas: o agendamento (muitas vezes pedido pela assessoria do candidato), o registro obrigatório em foto ou vídeo e, claro, o post nas redes sociais, para mostrar que Elvis, ou melhor, o “mito” não morreu. Estou excluindo visitas, digamos, jornalísticas,  como de JL Datena, filiado ao DEM, que já desistiu de uma candidatura ao Senado, hoje comandando o sensacionalista Brasil Urgente, que usou a Band, de tantos combates democráticos, para ganhar audiência e ouvir Bolsonaro pregar, ao vivo e a cores, um golpe, e, agora, Boris Casoy, da RedeTV!, direto do hospital. O capitão escolhe bem os seguradores de microfone. Casoy é o democrata que, em 2009, na linha William Waack, sem saber que o áudio estava sendo transmitido, comentou, na véspera do réveillon, com colegas de estúdio: “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. O mais baixo da escala do trabalho”.

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Depois de pregar golpismo para Datena, da Band, Bolsonaro deu entrevista a Boris Casoy, da RedeTV!, direto do hospital. O capitão pinça bem os seguradores de microfone. Casoy é o democrata que, em 2009, na linha William Waack, sem saber que o áudio estava vazando, comentou, na véspera do réveillon, com colegas de estúdio: “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras” (Relembre).

Nesta última semana estiveram presentes Luciano Hang, o empresário catarinense dono da Havan, a loja acusada por Cabo Daciolo de ser maçom por erguer estátuas da Liberdade pelo país; o ex-piloto de Emerson Fittipaldi, que carrega uma dívida milionária e corre o risco de falência (Leia na Época); os cantores Bruno, da dupla Bruno & Marrone, junto com Amado Batista – que foi preso e torturado na ditadura defendida por Bolsonaro) – (Leia aqui), o patético Carlos Vereza, que virou – ou sempre foi – um direitista de marca maior. Depois de ganhar muito dinheiro na Globo, em novelas como “O Rei do Gado”, “Direito de Amar” e “Selva de Pedra, Vereza dedica-se rancorosamente a detonar o ex-patrão (o vídeo gravado pela família Bolsonaro é tão curto quanto constrangedor (Veja e chore). Vereza viveu Graciliano Ramos em “Memórias do Cárcere”, de Nelson Pereira dos Santos, que conta a história da prisão do grande escritor na Ilha Grande, na era Vargas. Pelo jeito não aprendeu nada com isso.

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Daciolo volta às montanhas e revela: Bolsonaro foi rendido pela maçonaria

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Cabo Daciolo volta ao alto da montanha para refletir sobre as eleições presidenciais e conclui: o Capitão Bolsonaro foi capturado pela maçonaria por meio de seu vice, o general Mourão.

De gênio e louco todo mundo tem um pouco. Eu, geralmente, prefiro ouvir os loucos. Cabo Daciolo subiu as montanhas – como costuma fazer quando não está em algum debate denunciando a Ursal ou gravando seus segundos no programa eleitoral. Acendeu a fogueira, meditou e resolveu postar um novo vídeo nas redes (Assista aqui) com uma revelação: Bolsonaro foi punido por render-se à maçonaria. Enquanto a mídia acompanha, em terra firme, a lenta recuperação do candidato do PSL à Presidência, internado numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Albert Einstein após levar uma facada, Daciolo flutuou em pensamentos para aconselhar o capitão: fuja do general Hamilton Mourão, seu vice, “maçom declarado”. Daciolo está convencido que há uma ligação direta entre o “atentado” e o vice da sociedade associada aos Illuminati, Cavaleiros Templários e esses nomes que você conhece por obras como O Código da Vinci e Sherlock Holmes.

“O problema é com quem o Bolsonaro passou a andar. Ele tem amigos maçons, ele frequenta o meio dos maçons. O seu vice está lá dentro da maçonaria. Aqueles que querem liberdade, igualdade e fraternidade só entre eles”, aponta Daciolo. A viagem quase psicodélica de Daciolo no vídeo que, claro, bombou nas redes – bíblia na mão esquerda, gesticulando muito, semblante carregado – e possivelmente esgotado pelo jejum que diz ter se imposto -, guarda um ponto de contato com a realidade. Mourão já visitou lojas maçônicas, inclusive no Distrito Federal, no final do ano passado, quando propôs uma intervenção militar para solucionar os problemas da política. Daciolo também não perdoa a “rendição” de Bolsonaro a Paulo Guedes, seu guru econômico, capa da revista Crusoé. Segundo a tese de Daciolo, os maçons desistiram de Geraldo Alckmin, estacionado nas pesquisas.

General Mourão durante sua palestra na maçonaria em Brasília
General Mourão durante sua palestra em loja da maçonaria em Brasília, em setembro de 2017, quando afirmou que, na visão dele e de companheiros do Alto Comando do Exército, “ou as instituições solucionam o problema político retirando da vida pública os elementos envolvido em todos os ilícitos ou então nós teremos que impor uma solução”.

O deputado federal do partido Patriota – que segue parecendo mais um pastor do que um candidato à Presidência – admite, ainda, no vídeo, que muitos o tratam por maluco. “Muitos não estão entendendo ainda, estão achando que estamos loucos, mas para discernir o que está acontecendo só no plano espiritual”, recomenda. Em seu vídeo anterior, que também deu o que falar, tendo ao fundo um estabelecimento da rede Havan, que tem lojas de departamento em várias cidades do Brasil – que costuma enfeitar com réplicas da estátua da liberdade, símbolo norte-americano -, o patriota prometeu retira-las, “uma por uma” em todo o Brasil. Vai ser mais fácil Donald Trump cumprir a promessa de construir um muro na fronteira com o México.

Daciolo tem sofrido cobrança dentro do próprio partido para descer as montanhas e aparecer mais – ir às ruas em campanha, conceder entrevistas, participar de debates. Há quem desconfie que, mais do que não conspurcar a própria honra repetindo a rotina dos demais candidatos, Daciolo está de olho em manter o mandato. Pela estratégia, retiraria sua candidatura ao Planalto até o dia 17 para tentar se reeleger na Câmara. O presidente da sigla, Adilson Barroso, aconselhou Daciolo a desistir da candidatura se não alcançar ao menos 5% das intenções de voto – publicou o jornal Gazeta do Povo. Por enquanto, Daciolo não passa de 1%. “Não tem isso de renúncia, quem fala isso está infiltrado no meio”, descartou o cabo, que promete para breve “novas revelações”. Imagine só.