Como enterrar a biografia apoiando o fascista Bolsonaro

Cada um apoia quem quiser, diria o historiador, cientista político, acadêmico, ou mesmo o “famoso” formador de opinião que vive dentro de uma bolha virtual, uma versão patética do “Bubble Boy” (menino bolha), o heroico garoto – isso é da minha época, pessoal não se culpem se não conheciam a história – David Vetter, nascido em 1971 – só cinco anos depois de mim – e que literalmente viveu todos os seus dias protegido por uma bolha de plástico. David, que tinha uma dessas doenças que a loteria genética sorteia uns poucos – uma Imunodeficiência Grave Combinada (SCID), um grupo muito raro de doenças potencialmente fatais em que a criança, já ao nascer, tem muito pouco ou nenhum sistema imunológico – resistiu bravamente durante 12 anos sem nunca, absolutamente nunca, ter sido tocado, mesmo pelos próprios pais. A história, que é muito, muito triste, me remete a uma metáfora inevitável.  A bolha em que as pessoas parecem viver – e não me refiro a mídia sociais apenas -, especialmente aqueles desconectados do Brasil real.  E, me poupando de falar em gente como Marco Antonio Villa e Olavo de Carvalho, que dispensam apresentações, cito um cientista político menos conhecido, Jorge Zaverucha, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco, para quem “é exagero dizer que candidato do PSL ameaça a democracia”. O pernambucano, em seu mundinho acadêmico, mostra como alguns brasileiros, que têm história pelo país – no esporte, nas artes, etc – insistem, por razões a serem estudadas, a ver no golpista Bolsonaro um cidadão normal. Ah, o afiado Zaverucha é suspeito de assediar uma mestranda da universidade, em 2011, e foi condenado pela Justiça Federal de Pernambuco (Leia).

Prefiro, particularmente, acreditar em gente como Francis Fukuyama, Steven Levitsky, Wanderley Guilherme dos Santos e a historiadora Heloisa Starling – e na maioria de acadêmicos, no Brasil e no exterior, que têm dito de forma quase unânime que Bolsonaro ameaça a democracia brasileira. Mas queria focar, nesse artigo, na patética peregrinação de “famosos” registrados nos últimos dias em redes sociais, pelos filhos do “coiso”, apoiando o capitão fascista, não importa que ele só aceite sua própria eleição e convoque os amigos “comandantes militares” a não aceitar outra opção democrática, ou seja, Fernando Haddad ou Ciro Gomes.

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O cientista político Jorge Zaverucha, professor da Universidade Federal de Pernambuco, no escritório de sua casa, em Recife. “Bolsonaro já falou muitos absurdos, é claro. Fechar o Congresso, fuzilar Fernando Henrique Cardoso. É mesmo preocupante elogiar Ustra, mas me parece que com o passar do tempo ele vem mudando de opinião. Antes era um estatista na economia, agora é liberal.” Tem pai de cientista político que é cego.

O mais interessante das visitas de “famosos” – relativize esse conceito – ao leito de Bolsonaro é que obedecem a três etapas, em alguns casos visivelmente forçadas: o agendamento (muitas vezes pedido pela assessoria do candidato), o registro obrigatório em foto ou vídeo e, claro, o post nas redes sociais, para mostrar que Elvis, ou melhor, o “mito” não morreu. Estou excluindo visitas, digamos, jornalísticas,  como de JL Datena, filiado ao DEM, que já desistiu de uma candidatura ao Senado, hoje comandando o sensacionalista Brasil Urgente, que usou a Band, de tantos combates democráticos, para ganhar audiência e ouvir Bolsonaro pregar, ao vivo e a cores, um golpe, e, agora, Boris Casoy, da RedeTV!, direto do hospital. O capitão escolhe bem os seguradores de microfone. Casoy é o democrata que, em 2009, na linha William Waack, sem saber que o áudio estava sendo transmitido, comentou, na véspera do réveillon, com colegas de estúdio: “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. O mais baixo da escala do trabalho”.

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Depois de pregar golpismo para Datena, da Band, Bolsonaro deu entrevista a Boris Casoy, da RedeTV!, direto do hospital. O capitão pinça bem os seguradores de microfone. Casoy é o democrata que, em 2009, na linha William Waack, sem saber que o áudio estava vazando, comentou, na véspera do réveillon, com colegas de estúdio: “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras” (Relembre).

Nesta última semana estiveram presentes Luciano Hang, o empresário catarinense dono da Havan, a loja acusada por Cabo Daciolo de ser maçom por erguer estátuas da Liberdade pelo país; o ex-piloto de Emerson Fittipaldi, que carrega uma dívida milionária e corre o risco de falência (Leia na Época); os cantores Bruno, da dupla Bruno & Marrone, junto com Amado Batista – que foi preso e torturado na ditadura defendida por Bolsonaro) – (Leia aqui), o patético Carlos Vereza, que virou – ou sempre foi – um direitista de marca maior. Depois de ganhar muito dinheiro na Globo, em novelas como “O Rei do Gado”, “Direito de Amar” e “Selva de Pedra, Vereza dedica-se rancorosamente a detonar o ex-patrão (o vídeo gravado pela família Bolsonaro é tão curto quanto constrangedor (Veja e chore). Vereza viveu Graciliano Ramos em “Memórias do Cárcere”, de Nelson Pereira dos Santos, que conta a história da prisão do grande escritor na Ilha Grande, na era Vargas. Pelo jeito não aprendeu nada com isso.

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Não acredito em bruxas, golpes e Bolsonaro – mas eles existem

“Estou voltando com muito mais gás do que quando aconteceu o episódio”.
Jair Bolsonaro, sem trocadilhos, que segue internado pelo menos até o fim de semana e sonha participar de algum debate em um provável segundo turno.

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“Não posso falar pelos comandantes militares, respeito todos eles. Pelo que vejo nas ruas, não aceito resultado diferente da minha eleição.” Jair Bolsonaro convoca o golpe, e cita os chefes militares, em entrevista em seu quarto no hospital Albert Einstein, em São Paulo, a José Luiz Datena, do programa de televisão Brasil Urgente, da TV Band – a Band de Boechat, de Mitre, que se prestou a isso.

Em outubro de 2014, encerrada a votação que consagraria Dilma Rousseff presidente reeleita do Brasil, Aécio Neves, ainda movido por uma chama ética, falou sobre a sua derrota cercado de correligionários e puxa-sacos. É sempre interessante relembrar as palavras de Aécio logo após o pleito de 2014 (Reveja o insuspeito boletim eleitoral da Globo). “Combati o bom combate”, disse. Em novembro, falava em “oposição incansável e intransigente”. Logo depois, o mineiro e seu partido mudariam a estratégia, pediriam recontagem dos votos e anunciariam uma auditoria – que concluiu que não houve fraude. Era só uma senha. Em dezembro, Aécio diria à Globo que não foi derrotado por um partido político, e sim por uma “organização criminosa”. Olha a Lava Jato aí, gente! – Lula está preso e Aécio soltinho, só para lembrar. O PSDB, como reconheceu Tasso Jereissati recentemente, ainda paga o preço de não aceitar o resultado do pleito de 2014, trabalhar para derrubar Dilma, boicotando-a no Congresso, e depois apoiar o governo Temer. Dia 28 de setembro, quase outubro de 2018. Bolsonaro, projeto de ditador, incentiva o golpismo ao perceber que vai para o segundo turno com o petista Fernando Haddad, em desvantagem – ele decai, o adversário arranca.

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Outubro de 2014. Aécio Neves fala sobre a sua derrota para Dilma Rousseff nas eleições para presidente do Brasil. “Combati o bom combate”, disse. Logo depois, o mineiro e seu partido mudariam a estratégia, pediriam recontagem dos votos e anunciariam uma auditoria – que concluiu que não houve fraude. Foi pouco. O PSDB, como reconheceu Tasso Jereissati, ainda paga o preço de não aceitar o resultado do pleito de 2014, trabalhar para derrubar Dilma, boicotando-a no Congresso, e depois apoiar o governo Temer. Reprodução/TV Globo.

“Não aceito resultado diferente da minha eleição”, afirmou Bolsonaro, “mito” do PSL, em entrevista em seu quarto no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde está internado desde o começo do mês. O entrevistador, escolhido a dedo, foi José Luiz Datena, do programa de televisão Brasil Urgente, da TV Band – a Band de Boechat, de Mitre, que se prestou a isso (Assista se tiver estômago). Bolsonaro deveria ter tido alta, não teve. Nada melhor que, diante do vice boquirroto e da capa de Veja, corroendo sua reputação e sua candidatura, inventasse um “Bolsonaro na UTI Exclusivo”. Bolsonaro é o Aécio hoje, só que com clarevidência e apoio militar. Não por acaso citou os “comandantes militares” como testemunhas – praticamente avalistas – de sua candidatura. A irresponsabilidade disso é tão grave que transforma o mal perdedor Aécio numa freira carmelita descalça. Não aceitar o resultado das urnas, e convocar os militares em sua defesa, é um escancarado apelo pela não aceitação do resultado legítimo das urnas, consequentemente da reação golpista. Se isso não tiver uma reação à altura, inclusive da Justiça Eleitoral, estaremos todos não apenas desmoralizados, mas perdidos. Preparem-se porque o pior pode estar por vir. E isso não é história de bruxa.

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Eduardo Bolsonaro, filho do mito”, entrevista o juiz Eduardo Luiz Rocha Cubas, do Juizado Especial Federal Cível de Formosa (GO), que pretendia conceder uma liminar em uma ação popular que questiona a segurança e a credibilidade das urnas. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou temporariamente o juiz de suas funções porque pretendia – leia duas vezes – determinar que o Exército recolhesse urnas eletrônicas na véspera das eleições. Youtube/Reprodução

Uma nota de rodapé – só força de expressão – que mostra a gravidade da situação. Nesta sexta, 28, à noite, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou temporariamente das funções um juiz que, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), pretendia determinar que o Exército recolhesse urnas eletrônicas na véspera das eleições. De acordo com a AGU, o juiz Eduardo Luiz Rocha Cubas, do Juizado Especial Federal Cível de Formosa (GO), pretendia conceder uma liminar em uma ação popular que questiona a segurança e a credibilidade das urnas. Há poucos dias, o tal juizeco de Formosa deu uma “entrevista”  sobre candidaturas avulsas ao filho de Jair Bolsonaro, Eduardo. Cubas falava na condição de presidente da Unajuf – União Nacional dos Juízes Federais – que, pasmem, colocou em seu site uma nota de solidariedade a Bolsonaro (Leia) e defendeu, numa campanha chamada “Por um Brasil Melhor”, candidaturas “não políticas e partidárias” e sim “candidaturas cívicas”.

Acredita em bruxas agora?

A denúncia que veio do frio e o iceberg que pode afundar Bolsonaro

Das profundezas do mar gelado das denúncias, um iceberg gigante foi despontando na reta final da campanha e congelou a chapa pura-farda: uma denúncia grave envolvendo o capitão-maridão Jair Bolsonaro desnudou sua vida pessoal – numa insuspeita associação Folha e Veja – para mostrar que o homem que odiava gays e minorias também tinha no armário o esqueleto de uma separação pra lá de litigiosa. Revelada, com requintes de crueldade, pela mídia que, embora não tenha nada de petista, beneficia o único candidato que nesse momento rivaliza com o Unabomber da caserna, Fernando Haddad. Claro que, se deixarmos o pensamento nos levar, podemos pensar também que a destruição de Bolsonaro – se ela ocorrer, o que parece improvável nesse momento -, beneficiaria a defunta terceira via – Geraldo Alckmin, Marina Silva e Ciro Gomes, para citar os menos distantes no páreo. O nome do iceberg onde colidiu o barco bolsonarista é Ana Cristina Valle.

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Bolsonaro fazendo a barba na suíte do Albert Einstein, sem camisa, deixando aparecer a cicatriz e, com a ajuda da lâmina de barbear, ressaltando a semelhança com uma nefasta figura histórica (não é montagem). Pouco depois, teria a notícia de que sua alta teria que esperar um pouco mais. Seus problemas seguem com a revelação de detalhes de sua separação e novas falas desastrosas do vice Mourão. Reprodução/Twitter.

O primeiro impacto veio com a denúncia, publicada no dia 25 pela Folha de S.Paulo, revelando o conteúdo de um telegrama (Veja Twitter do repórter Rubens Valente)em que Ana Cristina, ex-mulher do candidato do PSL à Presidência, diz ao Itamaraty que foi ameaçada de morte por Bolsonaro — à época, eles disputavam a guarda do filho Renan. Hoje apoiadora da campanha do ex-marido, Ana Cristina atribuía sua saída do Brasil com o filho a essa ameaça, segundo o telegrama. Em um dos trechos do telegrama, o embaixador Carlos Henrique Cardim diz que “a senhora Ana Cristina Siqueira Valle disse ter deixado o Brasil há dois anos (em 2009) ‘por ter sido ameaçada de morte’ pelo pai do menor (Bolsonaro). Aduziu ela que tal acusação poderia motivar pedido de asilo político neste país [Noruega]”. Quem ouviu a denúncia de Ana Cristina foi o vice-cônsul na embaixada brasileira em Oslo, segundo o embaixador. Em entrevista ao Correio Braziliense, Ana Cristina negou ter sido ameaçada. Gravou um vídeo, logo viralizado nas redes do ex-marido (Assista aqui), negando tudo, como se não passasse de uma fantasia, apesar dos documentos. O Itamaraty se negou a comentar. Tudo resolvido? Aí veio a capa de Veja, já nas bancas (Para assinantes).

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As revistas semanais, as penúltimas antes do pleito: Veja ferra Bolsonaro, Carta Capital destaca a hashtah #Elenão, Época faz jornalismo light – mas destaca produtora-fantasma de Bolsonaro – e IstoÉ, engajada, diz que “Lula montou um QG de campanha”, o que chama de “Projeto Haddad”

Veja mergulha no divórcio dos dois, com fartura de documentos. Tendo tido acesso ao processo, os repórteres descobriram que ela acusou o ex-marido de ocultar o patrimônio pessoal na divisão de bens. De acordo com os documentos que apresentou, ele também ocultou muito do que tinha da Justiça Eleitoral, em 2006. Para as eleições, o deputado afirmou que tinha um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações que somavam R$ 434 mil. Ele não revelou que possuía, ainda, mais três casas, um apartamento, outra sala comercial e cinco lotes. Tudo somado dava R$ 7,8 milhões, incompatíveis com sua renda de parlamentar.

Ana Cristina não ficou nisso. Afirmou que Bolsonaro tinha uma renda mensal de R$ 100 mil à época, R$ 183 mil em valores atualizados. E que roubara o conteúdo de um cofre pertencente ao casal com jóias, dólares e reais que somavam R$ 1,6 milhão. Veja entrou em contato com ela. “Quando você está magoado, fala coisas que não deveria”, ela disse. “Bolsonaro é digno, carinhoso, honesto e provedor.” Ana concorre a uma vaga de deputada federal com o nome Cristina Bolsonaro.

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Ana Cristina Valle, hoje em campanha com sobrenome Bolsonaro, tenta convencer a todos de que apenas “falou demais” e que o capitão foi um ex-maridão exemplar. A leitura da Folha e de Veja desmoraliza essa conversinha.

Após acusações de ex de Bolsonaro, vices mulheres reforçaram a campanha #Elenão. Candidatas do PCdoB, PDT e PSOL participarão de atos neste sábado. anuela d’Ávila (PCdoB), vice de Fernando Haddad (PT), e Sônia Guajajara (PSOL), vice de Guilherme Boulos (PSOL), irão à manifestação em São Paulo, enquanto Kátia Abreu (PDT), vice de Ciro Gomes (PDT), estará em ato em Goiânia (GO). Ana Amélia, do PP, claro, não aderiu. Questionada sobre como se posicionaria em um eventual segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, os mais bem colocados nas pesquisas mais recentes de intenção de voto, a gaúcha foi taxativa: “No PT, não há chances”.

“Os direitos não são dados, mas conquistados”.
Norberto Bobbio, filósofo italiano

Como se Bolsonaro não precisasse de mais problemas, seu vice, o companheiro de chapa e farda general Hamilton Mourão – o que já falou demais ao se referir a índios, negros e mulheres descasadas – continua brincando de falar do que não entende. Falando à Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana, Mourão, que sabe tanto de economia quanto Bolsonaro – ou seja, rigorosamente nada -, deflagrou nova crise na chapa ao atacar publicamente o décimo-terceiro salário e abono de férias, qualificando os benefícios – marcos no direito trabalhista do Brasil, que têm quase 60 anos -como “jabuticabas brasileiras”. Os candidatos rivais, claro, fizeram a festa, e Bolsonaro, mais uma vez, fingiu que desautorizou o vice, como se seu guru da economia não chamasse Paulo “Vale tudo” Guedes. “O 13° salário do trabalhador está previsto no art. 7° da Constituição em capítulo das cláusulas pétreas. Criticá-lo, além de uma ofensa à quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”, tuitou Bolsonaro, e retuitou Mourão.

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Com um chicote na mão – versão Ana Amélia da caserna -, que ganhou de presente de ruralistas, que usaram o objeto para machucar petistas durante a passagem da Caravana de Lula pelo Rio Grande do Sul. Além de condenar direitos trabalhistas, como o décimo-terceiro salário e abono de férias, o General Mourão disse que o Brasil é um “cavalo maravilhoso que precisa ser montado por um ginete com mãos de seda e pés de aço”. Sem comentários. Reprodução.

O chamado “núcleo duro” da campanha de Jair Bolsonaro – difícil imaginar um núcleo mais duro que Bolsonaro ou Mourão – já fizeram reunião para tentar unificar e tutelar o polêmico vice. Não se tem notícia que alguém tenha conseguido enquadrar o general. Para piorar, Gustavo Bebianno, o centralizador presidente interino do PSL e advogado de Bolsonaro, tem se estranhado com Eduardo, deputado filho do presidenciável, que é o mais atuante na campanha. Aguarda-se, na ordem, a próxima pesquisa eleitoral e a próxima crise interna na chapa pura-farda.

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A estranha foto retuitada pelo general Mourão em seu twitter, em 27 de setembro, de sua galeria de asneiras. Um armário cheio de armas e a frase “Reformando”. O militar reproduziu postagem do direitista Guilherme Fiúza: “7 de outubro, Dia Mundial Sem PT”. Defina “Sem PT”, Fiúza. Reprodução/Twitter.

Ah, a alta hospitalar de Bolsonaro foi adiada por causa de uma crise bacteriana. O que não impediu o candidato de postar uma curiosa foto no Instagram, no banheiro de seu quarto no Albert Einstein, sem camisa – para o corte no abdômen ficar visível – e fazendo a barba. “Me preparando para voltar à ativa!”, escreveu o capitão. O que tem isso de curioso? Na foto, Bolsonaro, com sua franja característica, é flagrado no momento em que o aparelho de barbear deslizava em cima de sua boca. Se você adivinhar com quem ele ficou parecido na cena ganha uma viagem com tudo pago para Braunau am Inn.

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Fernando Haddad segue forte na campanha, com um pé no segundo turno e chance de vira, vira! ainda antes de 7 de outubro. Na foto, em grande comício em Florianópolis. Na reta final, todo cuidado é pouco que os fabricantes de fake news, como a atriz coxinha Luana Piovani. Ricardo Stuckert / Divulgação

Em tempo – O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, autorizou a colunista Mônica Bergamo, da Folha, a entrevistar o ex-presidente Lula. O ex-presidente está preso em Curitiba desde 7 de abril. Nenhuma entrevista foi autorizada até hoje. O jornal argumentou ao STF que uma decisão da 12ª Vara Federal em Curitiba que negou a permissão para a entrevista impôs censura à atividade jornalística e mitigou a liberdade de expressão, em afronta a decisão anterior do Supremo. Lewandowski concordou que era censura mesmo.

 

Haddad coloca um pé no Planalto, Bolsonaro emborca e terceira via implode

Pesquisa Ibope divulgada na noite desta segunda, 24, a 15 dias do pleito, com a indefinição do eleitorado desabando – brancos e nulos caíram de 29 pontos, em 20/08, para 12 pontos agora -, mostrou que Fernando Haddad, o candidato do PT e de Lula à Presidência, está com um pé no Palácio do Planalto. Todos os indicadores são favoráveis a ele. Para botar o segundo pé, terá que enfrentar o segundo turno com o capitão Jair Bolsonaro, que parece ter batido no teto, reduzindo a curva de crescimento e agora se estabilizando. Haddad, por outro lado, segue crescendo. A diferença entre Bolsonaro e Haddad caiu de 9% para 6%, aproximando-se da margem de erro. Há um mês, o “coiso”, nome carinhoso dado ao concorrente do PSL por quem evita até dizer seu nome, vencia o petista por 20% a 4%. Sim, o candidato do PT pode ultrapassar o candidato da direita já no primeiro turno. Haddad tem mais motivos para comemorar, e Bolsonaro para se agitar na cama – não vá abrir os pontos, capitão!. Bolsonaro caiu em todos os cenários do segundo turno e passa a perder de Haddad (43% x 37%), Ciro (46% x 35%) e até do picolé de chuchu (41% x 36%) -, empatando somente com a insossa Marina (39%). Ou seja, Ciro abriu 11 pontos em relação a Bolsonaro, Alckmin, 5%, e Haddad pela primeira vez passou Bolsonaro, abrindo avantajados 6 pontos.

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O índice de rejeição de Bolsonaro bateu o recorde de 46%, ou seja quase metade dos eleitores não votaria nele nem que ele deixasse a barba crescer e tivesse ceceio na fala. Com a polarização da disputa, e o antipetismo achando sua trincheira fardada, Haddad estabilizou nos 30% de rejeição, número histórico dos que dizem “detestar o PT” ou “não gostar do PT”. Outro um terço vota no PT, historicamente. O outro terço decide a eleição – daí a importância das alianças, que serão antecipadas e não esperarão o segundo turno. Isso porque a terceira via implodiu. Em 20/08, Marina Silva tinha 12%, Ciro Gomes 9% e Geraldo Alckmin, 7%. Ciro, Alckmin e Marina têm agora, respectivamente, 11%, 8% e 5%, como peixes se debatendo na areia.

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Fernando Haddad, perto de liderar as pesquisas de intenção de voto, visitou o ex-presidente Lula na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba: conselhos e orientações no momento em que o PT vê chegar mais perto sua volta ao Planalto. Ele disse, em entrevista na saída, observar movimentos “exóticos” no Brasil, como “suposições” sobre urnas eletrônicas e resultados de eleições, já rebatidos por STF e TSE.

Até o fim da semana, quando sai o Datafolha, alguns movimentos políticos devem acontecer: o Centrão – DEM, PP, PR, PRB e SD – deve desembarcar de Alckmin, em parte rumo a Bolsonaro, e eleitores de Ciro e Marina começarão a migrar para Haddad, o chamado “voto útil” ou, no caso, antibolsonarista. Os rastejantes João Amoêdo (3%), Álvaro Dias (2%) e Henrique Meirelles (2%), mortos-vivos na campanha, junto com Guilherme Boulos (1%) podem surpreender se retirando e apoiando um dos candidatos, a um preço módico. No caso dos três primeiros, uma bala – doce! – para quem adivinhar o rumo dos candidatos dos banqueiros e da Lava Jato.

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Jair Bolsonaro, estacionado nas pesquisas e vendo Haddad pelo retrovisor preparar ultrapassagem, escreveu nas redes sociais que está acima dos partidos e postou foto, no hospital, recebendo visita de seu candidato ao Senado em São Paulo, Major Olímpio, que está levando uma sova do petista Eduardo Suplicy, e vídeo ao lado do patético Carlos Vereza. Ah, e deu “exclusiva” a Augusto Nunes garantindo que seu “atentado” foi político.

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A antecipação do Ibope, que só confirma o movimento das últimas pesquisas, já havia levado o paciente do Hospital Albert Einstein a balbuciar, pelas redes sociais, que sua equipe está “comprometida com interesses da nação e não com indicações de lideranças de partidos políticos”. Ou seja, vendo sua candidatura ir para o CTI, faz o tradicional discurso anti-democrático dizendo-se “acima dos partidos”. No fim da noite de domingo, coerente com sua estatura, o presidenciável que, se eleito, pode ter o ator pornô Alexandre Frota como ministro da Cultura, postou nas redes que os incentivos à cultura permanecerão, “mas para artistas talentosos, que estão iniciando suas carreiras e não possuem estrutura”. “O que acabará são os milhões do dinheiro público financiando ‘famosos’ sob falso argumento de incentivo cultural, mas que só compram apoio! Isso terá fim!”, afirmou no Twitter. Não, candidato, o fim é todo seu.

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Em entrevista a rádios, Geraldo Alckmin defendeu o aumento da pena para crimes hediondos. Crime hediondo é o que o Centrão prepara para o tucano até o final da semana. Vendo o candidato empacado, vai vazar pela porta dos fundos.

Mas o desespero de Bolsonaro pode ser medido pela “exclusiva” que deu para o jornalista (sic) Augusto Nunes (Aqui) no quarto em que está internado. Ao falar do ataque do maluco que o esfaqueou no último dia 6 de setembro, em Juiz de Fora, disse acreditar – sem nenhuma prova, mas para que prova, né? – que o ataque foi planejado. “Entendo que foi algo planejado. Foi político, não há a menor dúvida. Me tirando de combate… você pega os três ou quatro próximos na relação, eles são muito parecidos”, disse, fazendo referência às pesquisas de intenção de votos.

Datafolha diverge de Ibope e encolhe Haddad. Só Haddad.

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Haddad concede entrevista a Renata Lo Prete, no Jornal da Globo, e dessa vez consegue falar. Ele reconheceu a importância da figura de Lula na transferência de votos, mas lembrou a força do PT, repetiu que não haverá indulto ao ex-presidente (pauta criada pela mídia)  e disse que desconfia de “dois pesos e duas medidas” nos processos contra o PT e os demais partidos.

Fernando Haddad concedia uma entrevista ao Jornal da Globo – civilizadíssima sob o comando da âncora Renata Lo Prete, sem as interrupções seriais de William Bonner e Renata Vasconcellos no Jornal Nacional, alguns dias antes -, na madrugada de quinta, 20, enquanto o Datafolha vazava nos primeiros minutos do dia sua mais recente pesquisa de intenção de voto para a eleição presidencial. A pesquisa do Datafolha foi feita na terça, 18, e quarta, 19, enquanto a do Ibope, divulgada na véspera, aferiu a intenção de voto do eleitor entre domingo, 16, e terça, 18. Há, portanto, a coincidência de um dia entre as pesquisas, com a vantagem, em termos de atualidade, por assim dizer, para o Datafolha em relação a quarta. Ainda assim, a pesquisa mais recente parece ter um delay em relação à outra – o que certamente será explicado por Carlos Augusto Montenegro e Mauro Paulino como metodologia, conjuntura, etc. Afinal, a margem de erro é a mesma. Fato é que no Ibope não havia mais dúvida e Haddad, subindo em uma semana 11 pontos, alcançava 19%, deixando Ciro estacionado em 11%, praticamente cravando um segundo turno com Bolsonaro (28%). No novíssimo Datafolha, Bolsonaro tem os mesmos 28%, mas Haddad tem 16% e Ciro 13% – portanto, tecnicamente empatados. Entre uma pesquisa e outra, oito pontos de diferença viraram três. Não há diferença significativa entre as duas pesquisas em se tratando dos demais candidatos. Como nenhum fato novo explica um encolhimento de Haddad em um dia, há que se perguntar: quem está errado?

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Imagem postada por Jair Bolsonaro no Twitter. Dessa vez ele não falou, mas procurou passar para o eleitorado uma ideia de progressiva melhora, o que é essencial para que não o vejam como incapacitado e descarreguem o voto útil em Alckmin ou Marina.

Os intervalos das pesquisas não são idênticos – mas são próximos -, e é possível comparar  os espaços de tempo – levando em conta que o Datafolha tem uma pesquisa a mais. No Ibope, Haddad tinha 8% (11/09) e cresceu para 19% (18/09). No Datafolha, Haddad tinha 9% (10/09), data parecida, subiu para 13% (14/09) e, em seis dias, chegou a 16% (20/09). Não bate. Já no caso da rejeição, as pesquisas coincidem. No Ibope, Bolsonaro tem rejeição de 42% e Haddad de 29%. No Datafolha, 43% e 29% respectivamente. A diferença é que no Datafolha Marina tem rejeição maior que de Haddad (32%) e no Ibope menor (26%). Ainda assim, são 6% de diferença entre as pesquisas, acima da margem de erro. Nas simulações de segundo turno, e ficando apenas nos favoritos, o Ibope aponta um empate entre Haddad e Bolsonaro (40% cada) e Ciro (40% e Bolsonaro (39%). No Datafolha, Ciro ganha de Bolsonaro por boa margem, 45% a 39%. E Haddad e Bolsonaro empatam (41%).

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Ibope x Datafolha: repare que o encolhimento expressivo, na pesquisa mais recente, é apenas de Haddad. Alguém vai ter que explicar isso. Arte: Reprodução UOL.

Em outras palavras, pelo Datafolha/TV Globo, Haddad ainda não descolocou de Ciro e Ciro tem mais chance no segundo turno. E vem aí o Vox Populi para desempatar a peleja.