1984 + Fahrenheit 451: Bolsonaro prega macartismo, incentiva dedo-durismo e elege professores como alvos

A “Escola sem partido” defendida pela capitão eleito, seu séquito de generais robôs, economistas toscos e por aquela parte de eleitores zumbis que acha que escola, professor, livros e pensamento livre são coisas de comunistas, evoluiu para a “Escola Macartista”, onde os “soldados” do fascismo começam a marchar, mostrando que, além de provavelmente montar uma baita rede de informações, como o SNI da ditadura, Bolsonaro estimulará o voluntarismo antidemocrático, o serviço sujo de informantes, nos moldes da ditadura, provavelmente com o apoio do MBL. “A orientação que dou a toda a garotada do Brasil: vamos filmar o que acontece nas salas de aula e divulgar”, pregou Bolsonaro nas redes sociais, incentivando o dedo-durismo típico dos regimes de exceção. Os professores parecem ser o primeiro alvo de Bolsonaro, que pode ter como ministro da Educação um dos generais de pijama de seu time medíocre de futuros ministros, o fardado Aléssio Ribeiro Souto, que defende a revisão bibliográfica e curricular para evitar o “ensino partidarizado” e acredita no revisionismo da ditadura de 1964, para amacia-la em uma revolução contra o comunismo. O incentivo à intimidação foi refletida essa semana pela deputada estadual eleita por Santa Catarina, a ruiva Ana Caroline Campagnolo (PSL), que divulgou nas redes sociais um comunicado pedindo que estudantes catarinenses gravem e denunciem manifestações político-partidárias. 1984 + Fahrenheit 451.

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O ditador eleito grava vídeo – dirigido a um aluno de Serra (ES) – para pedir que alunos filmem os professores em sala de aula e os delatem. “Entre um contato conosco, tenho uma surpresinha para esses professores”, ameaçou. Está fazendo “escola”. A deputada estadual eleita por Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo (PSL) – na foto com um bastão escrito “Direitos Humanos”, pediu o monitoramento de professores e incentivou nas redes sociais um comunicado pedindo para que estudantes catarinenses gravem e denunciem manifestações político-partidária.

Nesse caso, houve reação e o Ministério Público de Santa Catarina vai investigar a conduta da aprendiz de reaça que se propôs até a criar um disque-professores comunistas.  Esfregaram na cara da fascista de primeiro mandato – e que mora num apartamento do Minha Casa, Minha Vida (pausa para gargalhar) – um abaixo-assinado de mais de 200 mil assinaturas com uma petição para impugná-la. Em nota, os sindicatos representantes dos trabalhadores em educação das redes pública e privada municipal, estadual e federal do Estado de Santa Catarina classificaram o comunicado da ‘louca do PSL’ como ameaça e ataque à liberdade de ensinar do professor. Segundo os sindicatos, isso “é tipicamente aplicado em regimes de autoritarismo e censura”. Agentes infiltrados nas universidades e o incentivo ao dedo-durismo foram marcas da ditadura, principalmente nas universidades, então focos de resistência. Eram os chamados “elementos de segurança”, muitos expostos em meio aos documentos já desclassificados da ditadura militar, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional.

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A foto de um homem identificado apenas como “elemento de segurança” chama a atenção em meio aos documentos já desclassificados da ditadura militar, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional. Pode ser uma das raras imagens identificadas pela própria ditadura sobre um tipo muito comum na época, que muitos prejuízos causaram à comunidade universitária do país: os agentes infiltrados nas universidades, responsáveis por dedurar estudantes e professores que militavam contra o regime. O dedo-durismo está voltando.

Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), em todo o país, professores já têm sofrido ameaças. A orientação do sindicato é que os docentes que passarem por situação de constrangimento e ameaças mantenham a tranquilidade e reúnam o máximo de evidências e provas das situações e copiem os conteúdos caso as ameaças tenham sido feitas por meio de redes sociais. Os professores devem procurar a seção sindical local para que as medidas cabíveis sejam tomadas. Em nota, a Anistia Internacional diz que crescem no Brasil os relatos de professores em escolas e em universidades que têm sofrido pressões indevidas, coerções e intimidações.

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Celso de Mello mostra que o STF, de tantas lambanças, percebeu que agora deve ser um dique de contenção ao fascismo e de garantia à liberdade de pensamento. “O pluralismo político que legitima livre circulação de ideias é um dos fundamentos do estado democrático de direito, diz a Constituição da República.” STF veta ação policial nas universidades.

Ah, a maioria do STF – que, quem diria, está se tornando um dique de contenção dos abusos- confirmou decisão que suspendeu ações policiais em campus. Universidades públicas de ao menos nove estados brasileiros foram alvos de operações autorizadas por juízes eleitorais na semana passada. As ações aconteceram para averiguar denúncias de campanhas político-partidárias que estariam acontecendo dentro das universidades.

Já no Congresso, outra vitória. Deputados da oposição conseguiram impedir que a comissão especial discutisse o projeto de lei Escola Sem Partido. Apenas oito parlamentares registraram presença, impedindo que houvesse quórum. O projeto, cujo objetivo é “não cooptar os alunos para nenhuma corrente política, ideológica ou partidária”, estava esquecido e foi agendado de última hora após a eleição do Coiso. Na atual redação, fica também proibido o ensino sobre questões de gênero ou orientação sexual. Até o fim do mês, o STF deve julgar propostas de Escola Sem Partido. A tendência é de que sejam consideradas inconstitucionais, segundo a bem informada Monica Bergamo, na Folha.

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A mediocridade de nomes cotados para o futuro ministério do ditador eleito: deputado Onyx “Caixa 2” Lorenzoni, Casa Civil; general da reserva Augusto “Fora Direitos Humanos” Heleno, na Defesa; o tenente-coronel da reserva Marcos “Fui Astronauta” Pontes, na Ciência e Tecnologia; general Aléssio “Queimem livros” Ribeiro Souto, que pode ir parar na Educação; o economista Paulo “Posto Ipiranga” Guedes, na Economia; Gustavo “Fake News” Bebianno, presidente do PSL, que pode ir para a Secretaria-Geral da Presidência; Presidente da União Democrática Ruralista, o pecuarista Luiz “fora MST” Antônio Nabhan Garcia, para a Agricultura; o juiz federal Sérgio “Lava Jato e prende Lula” Moro, que pode ser o xerife de um superministério da Justiça e Segurança Pública, mandando na Polícia Federal; e Magno “Sinhozinho Malta Gospel”, que perdeu a vaga no Senado e terá uma boquinha no governo.

Bolsonaro segue montando seu ministério medíocre, formado, pelos nomes anunciados até agora, por generais linha-dura, pecuaristas e religiosos reacionários, economistas medíocres e toda a hora de múmias que, com a vitória do Coiso, saiu de seus sarcófagos. Dois deles já conseguiram bater de frente, o deputado Onyx “Caixa 2” Lorenzoni, cotado para a Casa Civil, e o camelô de estatais Paulo “Posto Ipiranga” Guedes, vaga certa na pasta da Economia. O pomo da discórdia, a polêmica reforma da Previdência. “(Onyx) Está dizendo que não tem pressa na Previdência”, se queixou Guedes. “Aí o mercado cai. É político falando de economia. É a mesma coisa que eu sair falando de política.” Guedes precisa urgentemente ir a um spa e ser massageado com pedras onyx, muito usadas para sessões terapêuticas e de cura energética. Também devem estar na Esplanada o general da reserva Augusto “Fora Direitos Humanos” Heleno, na Defesa; o tenente-coronel da reserva Marcos “Fui Astronauta” Pontes, na Ciência e Tecnologia; Gustavo “Fake News” Bebianno, presidente do PSL, que pode ir para a Secretaria-Geral da Presidência; o “novo Caiado” Luiz “fora MST” Antônio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista, para a Agricultura; o juiz federal Sérgio “Lava Jato e prende Lula” Moro, que pode ser o xerife de um superministério da Justiça e Segurança Pública, mandando na Polícia Federal. Será que vai abrir o polpudo salário de juiz? O vice Mourão “língua solta” revelou, para constrangimento geral, que Moro já havia sido sondado durante a campanha! E, claro, o guru espiritual de Bolsonaro, o encaracolado Magno “Sinhozinho Malta Gospel”, que perdeu a vaga no Senado e, em retribuição, terá uma boquinha no governo, nem que seja como trovador de aluguel.

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Em cima, Eliseu Padilha, atual ministro da Casa Civil, e Onyx Lorenzoni, futuro chefe da pasta. Abaixo, Jim Carrey e Jeff Daniels em “Debi & Lóide”. Não confundam, os políticos são os de cima. 

Ah, Bolsonaro e Temer se reunirão na próxima semana em Brasília. Onyx e Eliseu Padiha, ex e futuro chefes da mesma pasta, juntos, deve ser uma daquelas cenas dantescas. Onyx apresentou ao governo lista com 22 nomes para integrar equipe de transição. Dizem os maldosos que Padilha sorriu e cochichou ao lado: “E nós éramos ruins…”.

 

Kataguiri segue estratégia tucana e tenta salvar MBL batendo em Bolsonaro

“Não interessa quem seja seu candidato a presidente da República, ele (Bolsonaro) não dá, ele não dá, ele nunca pode ser presidente da República”
Kim Kataguiri, do direitista MBL, em post nas redes sociais, no último dia 20/09, pregando o voto contra Bolsonaro, aderindo ao #Elenão e defendendo a democracia, a imprensa e as minorias. Um espanto.

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Penteado novo, a mesma barba rala, Kataguiri, valete do MBL e candidato a deputado federal pelo DEM, no vídeo em que elegeu o ex-parça Bolsonaro a reencarnação do mal

 

Aliados desde antes do impeachment, MBL, o Movimento Brasil Livre de Kim Kataguiri, e o capitão Jair Bolsonaro, não trocam mais elogios mútuos, nem sentam no mesmo boteco há alguns meses, o que culminou com um vídeo (Assista aqui e se esforce para não rir) do agora candidato a deputado federal pelo DEM, numa cara-de-pau sem limites, aderindo ao #Elenão – o movimento criado pelas “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, hackeado recentemente nas redes sociais. Ideólogo do grupo de extrema-direita que serviu a Eduardo Cunha e Paulo Skaf para criar um movimento fabricado de rua, arregimentando coxinhas e reacionários pró-impeachment de Dilma Rousseff, Kataguiri é tudo, menos um antibolsonarista. Ou um democrata. Em maio de 2015, estava na foto clássica – um dos porta-retratos do golpe parlamentar -, ao lado de Eduardo Cunha, Bolsonaro e manada, embaixo da faixa “Um Brasil livre da corrupção”. Kataguiri é assim: em setembro de 2016, postaria nas redes um “Tchau, querido” quando Cunha foi cassado por 450 votos.

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Álbum de família, maio de 2015, o início da lambança: Eduardo Cunha, Bolsonaro e Kataguiri, movidos pelo patriotismo, se unem contra a corrupção do PT.  Em setembro de 2016, o líder do MBL comemoraria a cassação de Cunha com um ingrato “Tchau, querido”.

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Em 2015 também, Kataguiri postou uma foto usando uma arma de airsoft para levantar, pelo Facebook, uma das bandeiras bolsonaristas: o fim do Estatuto do Desarmamento. Pouco antes disso, o MBL saia em defesa de Bolsonaro, que havia se tornado réu em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal por injúria e apologia ao crime de estupro. A página do grupo no Facebook publicou um post dizendo que Bolsonaro era “vítima de fascismo censório em ação no STF”. Em fevereiro de 2017, Kataguiri, cabelos ainda compridos e algo próximo de um buço desenhando os lábios, reunia-se tranquilamente com Eduardo Bolsonaro, filho do capitão, e Marco Feliciano, próceres da fatia mais abjeta do Congresso, para discutir estratégias pós-impeachment.

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Recordar é viver. Início de 2017, Eduardo Bolsonaro, Kataguiri e Marco Feliciano posam após discutir estratégias pós-impeachment. Antes disso, em 2015, o neófito Kataguiri postou uma foto empunhando uma arma de airsoft , que atira projéteis plásticos não letais, para condenar o Estatuto do Desarmamento. Bolsonaro ficou em estado de graça.

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“Um dos nomes que pode ser visto como (alguém) de fora (da velha política), apesar de ter mandato há 20 anos, é o Bolsonaro. Ele foi um cara que ficou de fora de tudo o que estava acontecendo dentro do Congresso, e no governo federal. Ele é um nome que representa o anti-establishment”, analisou Kataguiri, entrevistado por um certo Marcelo Bonfá – por favor, não confunda com o ex-baterista do Legião -, em 12 de dezembro de 2017 (Assista aqui). Mesmo recentemente, em 31 de julho passado (Assista aqui), Kataguiri não resistiu e criticou a bancada de entrevistadores que cercou Bolsonaro no Roda Viva. “Os entrevistadores só ficaram de socialistas do Leblon, do Baixo Augusta. Mentindo pra tentar desqualificar o Bolsonaro. Não entrevistaram o presidente da República”, reclamou o candidato do DEM pelo Youtube.

Não se pretende aqui, evidentemente, cobrar coerência de quem vive do disfarce e da patranha, como não se vai cobrar senso democrático e inteligência política de gente como Alexandre Frota, Rodrigo Constantino e Felipe Melo. Só ajudar a explicar que Kataguiri – que colocou Bolsonaro para discursar em caminhões do MBL e fazia selfies com adoradores do Revoltados OnLine, que por sua vez abraçavam amigos do Vem Pra Rua –, apenas segue, há algum tempo, a estratégia tucana de tentar colocar Geraldo Alckmin na vaga de Bolsonaro no segundo turno.

O MBL, que virou uma colcha de retalhos – lançou 16 candidatos por nove partidos, a maior parte da base de apoio a Alckmin para a Presidência -, depende disso para sobreviver (Leia a Folha). Sem o impeachment de Dilma para catalizar multidões, responsáveis diretos por colocar o megaimpopular Michel Temer no poder, o MBL corre o risco real de acabar se, sem carro de som e palanque, não fizer uma bancada. E isso só acontecerá se Alckmin não sair da atual indigência de votos. No Twitter, o filho do capitão, Flávio, deixou até registrado: “O MBL está dando chilique. Achava que, com a ruína do PT, o PSDB ocuparia o espaço que ficou aberto. Não contava que a direita ia surgir com um nome de tanto peso como o do Jair Bolsonaro.” Quem assiste “análises” feitas apenas um ano atrás por Kataguiri mostra que o dublê de cientista político nem de longe também sonhou com a arrancada de um Fernando Haddad.

Sem alguém para mexer os fios, Kataguiri é um marionete sem palco e sem platéia.

Atrás de doações, MBL oferece até jantar com Kataguiri, Val e Holiday

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Fugindo do ostracismo, Kim Kataguiri, que quer a primeira vaga de deputado federal do MBL, e Arthur “Mamãefalei” do Val, que tenta uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, são alguns dos 16 candidatos do movimento nas eleições de outubro. (Obs. Os números dos candidatos foram retirados porque este blog não faz propaganda de grupo ativista de direita)

Este não está sendo um bom ano para o MBL, sigla do Movimento Brasil Livre, que há dois meses sofreu um baque na reputação, e nas contas, quando o Facebook, de olho na rede de fake news e perfis enganosos montada pelo grupo ativista de direita, retirou do ar quase 200 páginas administrada por seus membros. O grupo vem definhando desde o fim dos protestos em 2016, com apoio financeiro de grupos empresariais e partidos como PMDB, PSDB e Solidariedade (Leia matéria do UOL), que ajudaram a criar um clima artificial de clamor popular pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, tão falso quando o Pato da Fiesp – que, aliás, virou um sapo. O MBL, cuja especialidade é atacar o PT e as esquerdas, também ficou órfão de seus candidatos presidenciais, o último deles o dono das lojas Riachuelo, Flávio Rocha (PRB), que desistiu da corrida ao Planalto, deixando o MBL com a broxa na mão. Antes, o movimento, que quer uma vaga para Kataguiri na Câmara e pelo menos reeleger Fernando Holiday vereador – no total, oito concorrerão a uma vaga na Câmara dos Deputados, sete para as Assembleias Legislativas e uma em chapa majoritária, como vice-governador (Leia na Folha) – flertou com o Livres, então um braço do PSL, ensaiou uma aliança com o Partido Novo do milionário João Amoêdo – o que provocou um racha interno – e terminou nos braços do DEM e do PSDB, onde se concentra a maior parte de seus candidatos. Ou seja, estão sem candidato presidencial para o segundo turno.  Ou não.

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Em post recente nas redes sociais, o MBL dá pista de quem vai apoiar no segundo turno. Alguma dúvida?

Mas a preocupação imediata dessa juventude liberal é grana.  Até porque não se sabe até quando os caridosos irmãos Koch – Charles e David Koch, bilionários americanos que financiam movimentos conservadores de direita pelo mundo-, vão continuar pingando seus dólares. Os Koch são gente muito solidária com determinadas causas, como financiar comunicadores ligados ao Tea Party, cientistas que insistem que a mudança climática é um fenômeno natural e até a National Rifle Association (NRA), que dispensa apresentações. Os Koch, porém, querem ginetes. E o MBL é um pangaré em crise.

Assinaturas, claro, são formas democráticas de arrecadar para um movimento, partido ou veículo alternativo de comunicação. O que chama a atenção nos pacotes oferecidos pelo MBL são os valores, os nomes e, claro, as vantagens.

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O MBL decidiu criar um plano novo de adesão, o quinto combo que oferece em seu site, e aumentar de três para cinco as doações únicas (à direita). Até recentemente, eram quatro combos e três possíveis doações (à esquerda). O novo combo, “Rolo Compressor”, que pode ser assinado por módicos R$ 1.000, traz uma vantagem única: um jantar com os líderes do MBL, gente como Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Artur do Val.

Recentemente, o MBL decidiu criar um plano novo de adesão, o quinto combo que oferece em seu site, e aumentar de três para cinco as doações únicas. O novo combo foi batizado de “Rolo Compressor”, que pode ser assinado por módicos R$ 1.000. Por mês. Oferece tudo o que o até então plano mais vantajoso oferecia – o “Exterminador (!) de Pelegos”, R$ 500 por mês -, com uma vantagem única: um jantar com os líderes do MBL, gente como Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Artur do Val. Não fica claro quem paga a conta.

Além disso, oferece 10% de desconto na loja MBL (o que inclui camisetas – uma delas, com a inscrição “Lugar de Mulher é no Tanque”, e no verso a foto de um tanque de guerra -, pixulecos com Lula presidiário, canecas, jaquetas e meias e toalhas de academia – afinal, o membro do MBL cuida de sua forma), kit anual de produtos, convites para “eventos exclusivos” e “pimbas” ilimitados. Explique-se: “Pimba” – que em algumas regiões do país significa “bilau” – é o direito de ter seu comentários lido no “MBL News”, o canal do grupo no Youtube, espaço livre para julgamentos preconceituosos e piadas fascistas. Ou seja, o MBL comercializa em seu pacote de adesões comentários em seu “telejornal”.

Há ainda os planos “Agente da CIA”, o mais em conta, “Irmãos Koch”, justa homenagem aos mecenas, e “Mão Invisível”, bem sugestivo. As doações únicas podem ir de R$ 50 a R$ 1.500. Até o meio do ano, a doação mais cara era de R$ 300. Mas a inflação está aí para todos. Na lojinha do MBL há um apelo sintomático. “Não deixe o MBL acabar, compre nossos produtos”. Recentemente, passaram a aceitar doações em BTC, ou bitcoins. Tudo pela causa.