Bolsonaro levaria zero na prova do Enem. Não se assuste se ele abolir a redação da avaliação dos alunos do ensino médio

“Agora acordei para o mundo. Eu estava dormindo antes. Foi assim que deixamos acontecer. Quando exterminaram o Congresso. Quando culparam os terroristas e suspenderam a Constituição, também não acordamos. Disseram que seria temporário. Nada muda instantaneamente. (… )”.
Trecho de fala da atriz Elizabeth Moss, protagonista e co-produtora da série ‘O Conto da Aia’, série distópica baseada em livro homônimo de Margareth Atwood. Temporada 1.

A redação do Enem 2018 – o Exame Nacional do Ensino Médio, o maior vestibular do Brasil, utilizado para avaliar a qualidade do ensino médio no país e porta de entrada para acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras – teve como tema a “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. O tema não surpreendeu professores, que apostavam em uma redação girando em torno de fake news, um dos temas mais polêmicos da campanha. Acabou sendo ainda mais amplo. O Enem deu a estudantes – muitos certamente eleitores de Jair Bolsonaro – a chance de discorrer sobre algoritmos, mídias sociais, manipulação, catarse cibernética. Nada mais apropriado. O ditador eleito montou uma ‘Fantástica Fábrica de Fake News‘, denunciada pela Folha de S.Paulo, nas mídias sociais e especialmente no Whatsapp, uma rede que gera muita confiança porque são pessoas próximas a elas que mandam as notícias. O objetivo de Bolsonaro foi alcançado: fomentar uma grande campanha de ódio contra o PT nas últimas semanas da campanha e financiadas por empresários amigos do “mito”. O TSE ficou petrificado. A Procuradoria-Geral da República, idem. Quanto ao Enem, às vésperas de um governo de ultradireita, que defende a “escola sem partido” e estimula o macarthismo por alunos, denunciando professores “comunistas”, não se surpreenda se acabar ou abolir a Redação das provas obrigatórias.

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Empreendedores ricos, Luciano Hang (esq) e  Mário Gazin (dir), típicos ricaços sovinas, gravaram vídeo de apoio a Bolsonaro, em que Gazin admitiu Caixa 2 e disse que não aguentava mais gastar na campanha de Bolsonaro. Deve ter valido a pena.

No ano passado, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), um dos filhotes do Coiso, publicou nas redes sociais uma foto do pai segurando uma camisa com a frase: “Direitos humanos esterco da vagabundagem”. Na legenda, o vereador sugeriu que a frase se torne tema para a redação do Enem se o pai “for eleito presidente”.

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No ano passado, o vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhotes do ditador eleito, publicou nas redes sociais uma foto do pai segurando uma camisa com a frase: “Direitos humanos esterco da vagabundagem”. Na legenda, o vereador sugeriu que a frase se torne tema para a redação do Enem se o pai “for eleito presidente”. Bom, o tema acabou sendo “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. Tomou, Papudo!

Se, redigindo, Bolsonaro já teria dificuldade de explicar, em palavras, o serviço sujo que delegou, por caixa 2, a empresas, responsáveis por fabricar e impulsionar fake news – vamos combinar que o forte do ex-capitão não são as palavras -, certamente o ultradireitista tiraria zero na prova de Redação, já que quem escreve textos que firam os direitos humanos pode perder até 200 dos 1 mil pontos possíveis. Imagine Bolsonaro, um homofóbico, misógino, preconceituoso, anti-direitos sociais e trabalhistas, defensor da ditadura de 64, que tem como ídolo o torturador Brilhante Ustra, escrevendo sem ferir a gramática, nem os direitos humanos. Não passaria do primeiro parágrafo.

Encagaçado, o ministro da Educação de Temer (quem?), um certo Rossieli Soares (quem??) teve, imagine só, que vir a público para dizer que o tema da edição de 2018 foi escolhido há quatro meses pelos técnicos do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A campanha eleitoral teve início em 16 de agosto. No primeiro dia do Enem, os candidatos fizeram também provas de Ciências Humanas e Linguagens, onde apareceram tópicos como feminismo, nazismo, escravidão, regime militar, crise de refugiados, entre outros. Na prova de Linguagens, uma pergunta abordava um dicionário criado somente para o vocabulário usado por travestis — a questão pedia que os candidatos decodificasse o que era dito. Bolsonaro, não pense que estou brincando, pode acabar querendo impugnar o Enem por ser parte do inventado kit gay uma de suas fake news da campanha.

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Cenas gays do filme “Bohemian Rhapsody”, que conta a história do mito Freddie Mercury, vocalista e líder da banda Queen, estão sendo vaiadas (!) nos cinemas brasileiras. O descontentamento invadiu a Internet. Será que esse público não conhecia nem um pouquinho da história do Freddie?

E para não dizer que não falei de ódio, depois das vaias à lenda do rock Roger Waters, o ex-Pink Floyd, que exibiu em sua turnê no Brasil o #Elenão e o #Resist em um protesto contra a inescapável eleição de Bolsonaro, dessa vez quem teve a memória desrespeitada foi o cantor Freddie Mercury, vocalista e líder da banda Queen, que morreu de Aids em 1991, aos 45 anos de idade. Um dos filmes mais aguardados do ano, ‘Bohemian Rhapsody‘ chegou aos cinemas brasileiros na última semana, contando sua biografia. Se por um lado os fãs do grupo saíram extasiados da sala, outra parte dos espectadores brasileiros vaiaram (!) cenas homoafetivas exibidas no longa. E o descontentamento invadiu a Internet. Será que esse público não conhecia nem um pouquinho da história do Freddie? É de dar muita vergonha – e medo. Eu vejo “O Conto da Aia” e cada vez mais enxergo o Brasil.

Roger e Bono dão show de democracia defendendo o país onde não nasceram. Judiciário questiona líder do Pink Floyd

O irlandês Bono Vox se uniu ao inglês Roger Waters para denunciar a eleição do fascismo que muitos brasileiros só vão enxergar quando vier tiro, porrada e bomba. Nas últimas semanas, vimos a esplêndida e corajosa – para nós, democratas, histórica- turnê do fundador do Pink Floyd, não se importando com vaias aqui e ali, denunciando a ameaça fascista no Brasil. Como já leram aqui, no penúltimo show da turnê de Roger Waters, no Estádio Major Antônio Couto Pereira, em Curitiba – berço da Lava Jato e um dos estados mais fascistas do país- , o músico não se acovardou diante das ameaças de ações judiciais que pediram para que não emitisse opiniões sobre as eleições. O #Elenão voltou ao telão do show, por 30 segundos, antes da proibição eleitoral (Vale seguir seu Twitter). Outro músico do primeiro time mundial e conhecido por seu ativismo político, o vocalista da banda irlandesa de rock U2, ironizou Jair Bolsonaro, presidente eleito, em um show em Belfast, na Irlanda do Norte. “Milhões de pessoas estão prestes a ter o seu Carnaval transformado em um desfile militar por um homem chamado capitão Bolsonaro. Esse é o seu nome”, disse Bono Vox, na noite de sábado, 27.

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“Mesmo hoje, nesse dia de eleição. Duzentos milhões de pessoas prestes a ter seu carnaval transformado numa parada militar por um homem chamado Capitão Bossa Nova. Bolsonaro, não esqueçam o nome. Muitos nomes, mas apenas um rosto. O meu.”
Bono Vox, líder do U2, em show em Belfast

Ao se fantasiar com seu personagem Mr Macphisto, paródia do diabo de Fausto, o cantor pergunta à platéia: “Vocês já viram um político assim antes? Os diabos de Macphisto estão tomando o controle ao redor do mundo”, respondeu, caracterizado com chifres vermelhos, pó branco no rosto e uma boca meio de ‘Coringa”, meio de monstro. Meio Temer, meio Bolsonaro. Mac” vem de McDonalds, uma representação do capitalismo feita pela banda. “Phisto” vem de Mefistófiles, o demônio que faz o pacto com Fausto, da obra do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe. Fausto é um dos personagens mais complexos e conhecidos da literatura, que desiludido com o seu tempo, aceita o acordo com Mefistófiles. Em seguida, o cantor cita o presidente americano Donald Trump, o presidente filipino Rodrigo Duterte, que chama de “menino lindo”, e, por fim, Jair Bolsonaro. “O que vocês estão olhando, Belfast? Vocês nunca viram um político antes?”, perguntou o personagem durante o show. “Os demônios de MacPhisto estão tomando o poder ao redor do globo.” Queria muio estar lá, mas aí não poderia ter votado em Haddad.

Não nos esqueçamos que a coligação de Jair Bolsonaro entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a inelegibilidade de Fernando Haddad com argumento de propaganda irregular em favor do petista durante shows de Roger Waters. O medíocre ministro do desmoralizado TSE, Jorge Mussi, corregedor-geral eleitoral, que nada fez sobre a Fantástica Fábrica de Fake News montada pelo Coiso, conseguiu seus 15 segundos de fama ao pedir manifestação dos produtores responsáveis pelos shows de Roger Waters no Brasil por “propaganda eleitoral irregular”. No TSE desde outubro de 2017, o ministro votou contra candidatura do ex-presidente Lula com base na Lei da Ficha Limpa. País adernando, Judiciário na proa. Nós temos Chico Buarque, Roger Watares e Bono Vox, eles têm Magno Malta, Amado Batista e Fagner. Vergonha alheia à máxima potência.

Urnas , quartelada e nazismo moreno: Bolsonaro, a República das Quatro Estrelas e o apoio dos fascistas

“Ele não tem projeto para o país a não ser armar as pessoas para que se matem. Olhe o que os correligionários dele fazem. Vou dizer a vocês o que é o Bolsonaro. O casamento do neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, que corta direitos trabalhistas e sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso é que é o Bolsonaro”.
Fernando Haddad, definindo com precisão o Coiso durante coletiva em que foi novamente perguntado – tenham a santa paciência… – sobre o fictício kit gay nas escolas, uma das mentiras deslavadas do marketing do capitão-fujão de debates. A fake news do dia é dizer que Haddad ESCREVEU o tal kit.

O capitão-fujão de debates Jair Bolsonaro não é só o candidato dos militares, com quem promete lotar/lotear/lambuzar seu ministério, criando uma República da Caserna inédita desde os Anos de Chumbo. E que, por servilismo e deficiência intelectual, também pretende terceirizar seu programa de governo aos quatro estrelas  (muito apropriado que tramem no subsolo de um hotel na capital, o Brasília Imperial), sem falar do neoliberal entreguista Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”, a quem já anunciou que delegará o comando da economia. E que conta com um exército de robôs fabricantes de fake news maior do que seus apoios adestrados na Vila Militar do Rio, seu domicílio eleitoral, onde teve 86,2% dos votos (parabéns aos 13,8%). Bolsonaro, que na mídia internacional – não esquerdista, como Bloomberg, Reuters, New York Times e CNN, por exemplo – é descrito como o Brazilian far-right candidate, ou seja, o candidato de extrema-direita, e que aqui, como foge de debates e entrevistas, ganha no Jornal Nacional espaço até para aspas tuitadas por seu ghost writer, o presidente do PRN, digo, PSL, Gustavo Bebbiano, é também o candidato favorito dos mais perigosos e nojentos grupos ultrarradicais. Bolsonaro é apoiado por neonazistas brasileiros, com 50 tons de pele ou mais, entre eles o grupo skinhead Carecas do Brasil, com as características jaquetas de couro sem manga para mostrar os músculos que não cresceram em seus cérebros.  Criamos o “neonazista negro”, como pontuou o ator Zé de Abreu, os “morenazis”, como nomearam com propriedade alguns sites.

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LEGENDÃO, da ESQUERDA para a direita: Imagens reproduzidas no whatsapp de grupos neonazistas de cartazes colados em postes em cidades do Nordeste; Hitler no documentário “Arquitetura da Destruição”; Bolsonaro e seu amigo Marco Antônio Santos, neonazista assumido e que se traveste de Hitler; a jovem “marcada” com a suástica por radicais; Roger Waters e o #Elenão nas fuças dos coxinhas paulistas; Gilberto Gil em foto com o capoeirista Moa do Katendê, brutalmente assassinado por um militante de Bolsonaro; O Coiso com a Coisa Regina Duarte,  sempre do lado errado da história; Adolfo (ops) Sachsida, do Ipea, e Roberto Ellery, professor de Macroeconomia da UnB, alguns dos elos civis de Paulo Guedes com o núcleo militar;  pichação nazista em bairros de São Paulo; e imagens de Bolsonaro e seu filho cercado de seus parças fascistas e idolatrando o torturador Ustra.

Em grupos de whatsapp – mensagens fortes, a que tivemos acesso e não reproduziremos para preservar quem nos passou -, neonazistas e fascistas de vários graus de demência têm comemorado a possível eleição de Bolsonaro e feito planos para o que chamam de “ações de correção” contra minorias nas grandes capitais, certos de que terão vida mansa e repressão zero com um presidente que prega o ódio, o racismo, homofobia e a misoginia. Fora do curral de seus grupos fechados, estimulam o ódio usando as ferramentas – e são muitas – que as redes oferecem e a enorme dificuldade que a Justiça Eleitoral, o Ministério Público e a Polícia Federal têm de combater não apenas fake news, mas hate news. Como mostrou a revista Época (vale a leitura dessa raridade:), rede narcísica, a internet estimula um novo personagem: o troll, o usuário – ou robô – que provoca e enfurece outras pessoas, com comentários ignorantes e, muitas vezes, criminosos. No mundo de asfalto e tijolos, multiplicam-se pichações de extrema-direita.  Está em toda parte. Caso dos bairros São Miguel Paulista, Butantã e no Metrô São Bento, no Largo de São Bento, em São Paulo. Algumas das mensagens mais singelas: “Ideologia de gênero é o caralh#”, “Vão se f*der seus negros e feministas de merda. Gays do demo”.

O chão do estacionamento do campus Praia Vermelha da UFRJ, em frente à faculdade de Comunicação, amanheceu com esta pichação: “Vaga para professores negros”. Trata-se de uma área com muitos cotistas (Leia). Já nos banheiros do do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e no Centro Acadêmico de Filosofia e Ciências Sociais, no Centro do Rio foram feitas pichações com o número 88 — que representa a saudação nazista “Heil Hitler” (H é a 8ª letra do alfabeto, 88 seria HH ou “Heil Hitler”). Também foram feitas ameaças a estudantes indígenas (Leia). A senha para reduzir a gravidade dos fatos é dizer que são casos isolados. Não são. São muitos sinais do que poderá vir.  A tag #BOL卐ONARO, que substitui o S do nome do presidenciável por uma suástica nazista, chegou aos assuntos mais comentados no Twitter. Dúvidas?

Vamos adiante. Os elementos nazistas no discurso político de Bolsonaro e a presença de fascistas em seu staff e apoiadores são tão claras que só não cegam quem já não quer ou não consegue enxergar. O slogan da campanha de Bolsonaro é “O Brasil acima de tudo” – que ganhou o subtítulo “Deus acima de todos” para agradar Edir Macedo e aliados evangélicos. O slogan do nazismo era “Deutschland über alles” (literalmente, a Alemanha acima de tudo), retirado de um verso do hino alemão composto por Haydn em 1797. Não se trata, evidentemente, de um ato falho ou uma ‘sacada’ de algum marqueteiro, como lembrou o blog Nocaute, do escritor Fernando Morais. O slogan “O Brasil acima de tudo” é um claro aviso do que virá se ele ganhar.” Nas redes é apoiado por grupo como “Brasil, Pátria Livre do Comunismo”, de cunho fascista (mão confundir com o Partido da Pátria Livre) e propagador de fake news. Outro exemplo é o Nacional Democracia (DAP), que cultua, como Bolsonaro, o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador confesso e condenado. Há alguns anos, um grupo capitaneado pelo movimento neonazista White Pride World Wide convocou um “ato cívico” em prol de Bolsonaro no vão livre do Museus de Artes de São Paulo (Masp). Depois disso, submergiram. Mas têm tudo para voltar com força no caso da terrível possibilidade de Bolsonaro vestir a faixa presidencial  – que a revista Veja já lhe deu.

Heil Witzel, o candidato fascista do PSC ao governo do Rio – cujo apoio Bolsonaro agora finge que não quer -, ex-juiz com passagem pela Marinha, apareceu em um palanque de campanha, em Petrópolis, no domingo anterior ao primeiro eleição, assistindo aos então candidatos Daniel Silveira e Rodrigo Amorim destruindo a placa de rua feita em homenagem à vereadora do Psol ASSASSINADA Marielle Franco, cujo crime permanece impune. Voltando um pouquinho no tempo podemos apreciar Bolsonaro posando em fotos ao lado do então candidato a vereador do Rio, Marco Antônio dos Santos, fã de Adolf Hitler, que se traveste com roupas nazistas, e chegou a ir à Câmara do Rio caracterizado como seu ídolo. Ele foi participar de um “debate” sobre o projeto “Escola sem partido”, de autoria do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), com broches militares no paletó e bigodinho e corte de cabelo característicos do ditador responsável pelo massacre de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Disse que se vestia como um “francês” – ignorante como é, nunca deve ter ouvido falar dos “aliados ocultos de Hitler”, os nacionais que apoiaram a invasão nazista durante a França ocupada.

A Alemanha, por sinal, está mais preocupada em combater o neonazismo do que o Brasil, que deu 50 milhões de votos a Bolsonaro – embora parte possa ser revertida no segundo turno quando, com informação e diálogo, possamos, quem sabe, acordá-los para o perigo que o Coiso representa. Neste sábado,13, a Alemanha, país com mais investimentos de multinacionais no Brasil, como a Volkswagen, Mercedes e Siemens, mandou um recado ao Brasil. Segundo a presidente do Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro, Yasmin Fahimi, uma possível eleição de Bolsonaro pode impedir uma retomada da parceria estratégica. “O Brasil está à beira de uma grande ruptura. Ficamos chocados como o fato de que, com Jair Bolsonaro, uma pessoa que tornou socialmente aceitável um discurso de ódio tenha chegado à liderança”, disse ela. “Do lado alemão, não vejo nenhuma base para uma parceria estratégica com um presidente Bolsonaro”.

Aliás, um vídeo publicado pela Embaixada da Alemanha no Brasil em suas redes sociais viralizou no cenário de polarização política no Brasil. Concebido para divulgar a história da Alemanha, a peça, publicada há um mês, informa que os alemães “são ensinados a confrontar os horrores do Holocausto” —o extermínio sistemático de judeus pelo regime nazista. A afirmação despertou militantes de direita brasileiros que acreditam – ou fingem acreditar – que o nazismo seria um movimento de esquerda porque o partido liderado por Adolf Hitler se chamava, oficialmente, Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – sim, para os nazibolsonaristas, Hitler era uma espécie de petista. Entre os comentários em redes sociais, há aqueles que negam, inclusive, o massacre de 6 milhões de judeus.

Os fascistas ficaram possessos agora como o fundador do Pink Floyd, o músico britânico Roger Waters, que em tour pelo Brasil não se omitiu frente ao ódio que a extrema-direita propaga e a ameaça de Bolsonaro subir a rampa do Planalto. Projetou em um telão uma lista de políticos autoritários que se destacam no mundo e, entre eles, Jair Bolsonaro. As hashtags #EleNão e #Resist projetadas em seguida fizeram fez seu show entrar para a história. As vaias perderam para os gritos de apoio ao lendário bardo do rock progressivo. “Achavam que Another Brick in The Wall era sobre construção civil?”, ironizaram alguns sites, falando dos fake fãs que vão a shows sem saber a diferença entre Roger Waters e Roger Moreira, o patético e decadente “líder” do Ultraje a Rigor – que, claro, apoia o direitista, visitou-o no hospital e agora fala mal do Pink Floyd.

Uma coisa que é impossível não observar. O silêncio obsequioso da quase totalidade da chamada grande mídia ao crescimento do fascismo, com sua falsa preocupação de tratar igualmente – em espaço e conteúdo  – Haddad e Bolsonaro. A mesma crítica vale aos demais candidatos progressistas, exceto por Guilherme Boulos, do Psol, a quem, como ex-candidato de esquerda, é dada muito pouca voz. Terceiro candidato a presidente mais votado no primeiro turno, Ciro Gomes viajou para a Europa e, depois de um decepcionante “apoio crítico” a Haddad, utilizou as redes sociais para dar a primeira declaração sobre o processo eleitoral. Pelo Twitter , fez críticas a Bolsonaro. “Eu acho uma grave ameaça, pelo extremismo.” Ciro, é muito pouco. Esperamos mais de você.

Ah, e, como não registrar, a pé fria Regina Duarte está de volta – como sempre do lado errado da história.

Coiso amarela e Haddad propõe debate na enfermaria. Roger Waters lava nossa alma e ergue muro contra o fascista

“A costura e os afagos públicos já começaram. “A construção do país é tijolo por tijolo, ninguém faz nada sozinho”.
Jacques Wagner, quase citando Roger Waters, ao colunista Bernardo Mello Franco, do Globo. O ex-governador e senador eleito pela Bahia ajuda a costurar um “arco de alianças” com Ciro Gomes, que traz consigo 13 milhões de votos, e o Centro

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Médico cirurgião Antonio Luiz de Macedo, do Albert Einstein, que atende Bolsonaro e lhe deu nesta quarta, 10, atestado médico para fugir dos quatro primeiros debates presidenciais na TV, nessa e na outra semana. Queria ser um band-aid escondido pra ver essa consulta médica

Bolsonaro não irá a nenhum dos quatro debates do 2º turno que que estavam programados para essa – Rede Bandeirantes – e a próxima semana – Estadão/Gazeta, SBT/Folha e RedeTV/IstoÉ. Ordens médicas. Mais especificamente do médico cirurgião Antonio Luiz de Macedo, do Albert Einstein, que examinou Bolsonaro nesta quarta, 10, e informou à imprensa que o candidato do PSL ao Planalto terá alta para atividades públicas de campanha a partir da quinta-feira da próxima semana, dia 18. Ou seja, só deverá ir ao debate da RecordTV, de seu apoiador Edir Macedo, e da Globo, que na melhor linha “Cria cuervos que te sacarán los ojos” não sabe o que fazer com o Coiso que ajudou a parir. Bolsonaro foge do pau não é por acaso. Todas as suas manifestações púbicas, não ensaiadas, sobre temas relevantes – educação, saúde, economia, cultura e mesmo segurança pública – que fujam dos clichês, frases decoradas e daquela patética coreografia de armas com os dedos, são um fiasco. Bolsonaro não é só um analfabeto político, é um sujeito limitadíssimo intelectualmente. Foi aconselhado que é melhor silenciar, arrumando, como bom flanador, um atestado médico (Leia o Balaio do Kotscho), e torcendo para que, pela força da inércia, ganhe no segundo turno pelo menos mantendo os votos que teve no primeiro.

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No Twitter, Haddad propõe a Bolsonaro que, diante do impedimento médico de sair de casa para os debates – exceto se for na Record -, eles realizem o debate em uma enfermaria. Provocação oportuna diante do adversário amarelão.

O capitão não tem propostas, ou não foi informado delas – e não só terceirizou a economia para Paulo Guedes, que, segundo a Folha de S.Paulo de hoje está sendo investigado pelo Ministério Público Federal em Brasília sob suspeita de fraudar negócios com fundos de pensão de estatais, como já sinalizou que vai terceirizar o resto da Esplanada para os militares, com pelo menos quatro a cinco generais como ministros, algo inédito desde o fim da ditadura (Leia O Globo), criando uma espécie de República de Generais. A manchete do Estadão de hoje é mais do que preocupante: “Generais ganham espaço e formulam planos de Bolsonaro”, segundo o jornal no subsolo de um hotel em Brasília. Nada mais apropriado para uma campanha subterrânea de um candidato toupeira.

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Meme que bombou nas redes sociais: Roger Waters, ex-Pink Floyd, que em sua turnê pelo Brasil não se omitiu e encampou o #elenão contra o Coiso, e o outro Roger,  o Rocha Moreira, ex-Ultraje a Rigor, que apoia Bolsonaro, mas ficou (quase) famoso pelo hit “Inútil”, onde diz, de forma premonitória, “A gente não sabemos (sic) escolher presidente”.

A reação de qualquer ser humano minimamente decente ao disparate Bolsonaro está marcando a passagem pelo Brasil do novo show do ex-Pink Floyd Roger Waters, que exibiu na tela um rotundo #elenão em show para 45 mil pessoas em sua performance no Allianz Parque, em São Paulo, na noite de terça, 9 – e deve repetir país afora. Fascistas vaiaram, democratas aplaudiram. O momento foi icônico. Após um longo intervalo depois de cantar o clássico “Another brick in the wall”, um coral de crianças com camisas escritas “resist” (resista) entrou no palco e o telão explodiu com a frase de repulsa.

Bolsonaro é uma vergonha tão explícita para a democracia brasileira que, antes mesmo de uma possível – vade retro! – eleição sua, já estamos sendo ridicularizados internacionalmente. Jornais de todo o mundo traçam perfis de um ditador em gestação e o comparam, no aspecto insanidade, a Donald Trump. O The New York Times, que, como sabemos, não é nenhum Granma ou Pravda, destacou que o candidato de extrema-direita tem um “carinho pela ditadura” e é ofensivo com mulheres, negros e gays. Mas ninguém é mais direto que John Oliver, um dos apresentadores de maior sucesso da TV dos EUA e vencedor do Emmy, com o dominical “Last Week Tonight”, que endossou o movimento #EleNão e disse que Bolsonaro é “um ser humano terrível”.

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John Oliver, um dos apresentadores de maior sucesso da TV dos EUA, com o dominical “Last Week Tonight”, endossou o #elenão e disse que Bolsonaro é “um ser humano terrível”.

Debates que estavam previstos para o segundo turno. Dos quatro primeiros, o Coiso já fugiu.

11/10 – Band – 22h
14/10 – Gazeta- 19h30
15/10 – RedeTV! – 22h
17/10 – SBT – 18h20
21/10 – Record – 22h
26/10 – Globo – 21h30