No dia em que KKK elogiou Bolsonaro, poeira baixa com clã Ferreira Gomes graças à habilidade política de Haddad

De uma coisa ninguém duvida: os eleitores de Ciro e Cid Ferreira são melhores do que eles. O programa eleitoral de Bolsonaro deu o braço a Cid e tripudiou do piti do senador eleito, que aproveitou “ato pró-Haddad” – sim, era a ideia original – em Fortaleza, na segunda-feira, 15, para provocar a militância petista e disparar xingamentos. Cid, que se elegeu senador com o apoio negociado do PT, não agiu sem conhecimento de Ciro, obviamente. Ciro, como se sabe, está na Europa, enquanto a parte do Brasil que ele ajuda a representar – a tal centro-esquerda – se agarra aos arbustos no penhasco para não ter um presidente-ditador pelos próximos quatro anos. Se for estratégia é tão ruim quanto a demora de retirar a candidatura de Lula e colocar logo na rua a de Haddad. E antes que eu me esqueça, e saia do lead: desmobilização é tática de guerra. Não deixe de votar porque as pesquisas eleitorais indicam que Bolsonaro “está praticamente eleito”. Uma ova.

Quem não quiser comentar só porque ‘ouviu falar’ ou ‘leu em algum lugar’, perca alguns minutos e assista o vídeo. Vai perceber que Cid não agiu porque foi provocado, provocou deliberadamente a militância majoritariamente petista – “tem que fazer um mea culpa, tem que pedir desculpas, reconhecer que fizeram muita besteira” -, levou vaias, como era óbvio, e aí fez o movimento político planejado e calculado pelos Ferreira Gomes. “É bem feito perder a eleição. E vão perder feio”, esbravejou. E respondeu aos gritos de “Lula” com um “Lula tá preso, babaca” – e repetiu “babaca” várias vezes. Vamos combinar que nada justifica o ato político- e a falta de postura – de Cid. O PT deve um mea culpa? Deve. O ódio petrificado ao petismo é parte do molde que criou o monstronaro? É. É hora de dividir ou de combater um inimigo comum? Você responde. E quem descobrir por onde anda Ciro ou quem pôs um microfone nas mãos de Cid me avise.

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Ciro, ao lado de Lupi, que bradou contra a volta da ditadura, depois de reunião do PDT, e depois sumiu na Europa; Cid Gomes em pleno piti; e David Duke, o ícone da KKK, que adorou Bolsonaro

No começo da tarde desta terça, 16, Cid publicou uma mensagem em suas contas nas redes sociais dizendo que, “não quero me vingar de ninguém” e que “para o Brasil o menos ruim é o Haddad”. Não me chamem pra festa de um amigo desses. “Carrie, a Estranha” perde (quem já encheu o saco de minhas referências cinematográficas levante o mouse rs). Quase ao mesmo tempo, em outro ponto do globo, David Duke, uma espécie de líder hors-concours da KKK (Ku Klux Klan), um dos mais abomináveis grupos racistas do planeta, comentou a situação da política brasileira em um programa de rádio, conforme noticiou a BBC. “Ele (Bolsonaro) soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista”, completou. A piada já estava pronta, Haddad ensaiou tripudiar nas redes – “Meu adversário também está compondo com aliados e somando forças. Hoje ele recebeu o apoio da Ku Klux Klan” -, e ouviu desaforos de Bolsonaro. Mas o “apoio” diz muito sobre quem é Bolsonaro – e o perigo de elegê-lo. Fato.

Embora os sites tenham se esbaldado com a egotrip dos irmãos Ferreira Gomes, e os colunistas que ainda sobrevivem catem as sobras do tremendo mal-estar causado, é uma característica de Haddad que muitos criticam – um certo sangue-frio político e diplomacia para dar e vender – que implodiu a crise. Contra certamente muitos conselhos contrários, evitou revidar e buscou amenizar as declarações do aliado. “Eu não vou ficar comentando isso, até porque eu tenho uma amizade pessoal com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa. Prefiro sempre olhar o lado positivo”, disse a jornalistas. Em entrevista à rádio Jovem Pan (ugh) disse que “Ciro e Cid ficaram ressabiados com o PT por razões locais”. “Eu sei que não é comigo o problema”, comentou, citando ser “muito amigo” dos irmãos. Coordenador no Ceará da campanha do presidenciável do PT, o deputado federal reeleito José Guimarães (PT-CE) preferiu ser tosco. “Sobre os nossos legados e parcerias entre o PT e os Ferreira Gomes, discutiremos após o segundo turno”.

Mas a frase patética do dia ficou com um sujeito que andava quieto depois de um ‘Cala a boca, Magda’, o general Hamilton Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, para quem “tem aquela frase antiga, de que a esquerda só é unida na cadeia, porque é obrigada a andar junta”.  Um pândego. Só que essa frase era muito usada na ditadura para se referir à tortura de resistentes de esquerda.

Se Ciro está mesmo começando a asfaltar sua candidatura à Presidência em 2022 às custas de elegermos Bolsonaro, é de uma tremenda desonra a Leonel Brizola, o criador do seu partido – depois de perder a legenda PTB na volta do exílio -, que xingou o “sapo barbudo”, mas não hesitou em apoiar abertamente Lula contra o Coiso Collor. Lembro bem. Votei em Brizola no primeiro turno, em Lula no segundo. Meus primeiros votos para presidente. O velho caudilho era outra história mesmo.

Ah, a KKK ainda não abriu uma filial no Brasil. Ainda.

Apocalipse: Ibope aponta vantagem dos mortos-vivos. Só resta a Ciro parar de pensar com o fígado e usar a cabeça. E Haddad trocar o coração pelos punhos

Por mim, bastava o título, mas, mesmo cansado, vou escrever um pouco mais. Não vou entrar no armário da pesquisa Ibope desta noite, “a primeira pesquisa de intenção de voto para presidente no 2º turno”, destaque na escalada do Jornal Nacional, manchete de todos os jornais amanhã, festa na bolsa, o mercado tendo orgasmos múltiplos, as multinacionais do petróleo dando banquetes, o comando das Forças Armadas vertendo lágrimas em suas fardas com medalhas sem guerra. Ou vou. Um pouquinho. O resultado  – partindo da premissa de que os números são confiáveis e não estratégia de desmobilização – quase confirma, há duas semanas das eleições, o apocalipse zumbi com a volta dos mortos vivos fardados, junto com os neoliberais disfarçados com sangue e tripas (alguém aqui assiste Walking Dead?), com capitães mandando em generais, economistas medíocres se lambuzando com planilhas, e eleitores mostrando que o antipetismo evoluiu para uma imbecilidade política que beira a demência. De resto, é ditadura igual, e, se não questiono a urna eletrônica, ao contrário do Bolsonaro – não mais, pelo jeito -, questiono a inteligência de quem a usa. Se, e se, os resultados do ibope – e pesquisas similares – estiver correto.

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No Dia dos Professores, o professor Haddad homenageou os mestres, deu entrevistas defendendo a educação em tempo integral – o que a mídia distorceu como condenação ao ensino à distância -, e defendeu investimentos nas universidades públicas – o que a mídia viu como atestado de ociosidade dessas instituições. Jair Bolsonaro visitou o Bope (Batalhão de Operações Especiais) no Rio de Janeiro e antecipou que um general reacionário que defende revisar currículos e bibliografias usadas nas escolas, que pode ser seu ministro da Educação. Ciro? Ah, Ciro viaja…

Nos votos válidos, os resultados foram os seguintes, segundo o Ibope: Jair Bolsonaro (PSL): 59%, Fernando Haddad (PT): 41%. A rejeição a Haddad (“Não votaria nele de jeito nenhum”) chega a 47%, ultrapassando os 35% de Bolsonaro. Como é que é? Isto não é uma pesquisa, é um diagnóstico de tumor. Coordenador da campanha de Fernando Haddad à Presidência, o ex-governador da Bahia e senador eleito Jaques Wagner afirmou que a melhor estratégia para uma vitória na corrida presidencial seria o lançamento de Ciro Gomes (PDT) ao Palácio do Planalto. Peraí, o que eu não entendi? É fogo amigo ou traição – pura e simples? Ou existe mesmo um plano para levar Ciro Gomes triunfante de seu exílio de uma semana na Europa para transforma-lo no candidato da “frente-de-centro-esquerda-capaz-de-derrubar-o-fascista-bolsonaro”? Foi proposta da ex-candidata a vice de Ciro, senadora Katia Abreu, que sugeriu a substituição de Haddad por Ciro Gomes para “garantir a eleição”. Qual o jogo de Wagner? Qual o jogo de Ciro? Os eleitores do PT e de Ciro concordam com isso? Agora? Isso já não é curso de línguas, é aprender chinês em 15 dias.

Era o Dia dos Professores, e o professor Haddad deu entrevistas defendendo a educação em tempo integral – o que a mídia distorceu como condenação ao ensino à distância -, e defendeu investimentos nas universidades públicas – o que a mídia viu como atestado de ociosidade dessas instituições. Jair Bolsonaro visitou o educativo Bope (Batalhão de Operações Especiais) no Rio de Janeiro, uma das polícias mais truculentas do mundo – incensada pelo “Tropa de Elite” de Padilha, de “O Processo” -, e antecipou que um general reacionário pode ser seu ministro da Educação. Trata-se do general Aléssio Ribeiro Souto, já velho conhecido da campanha, que diz que “é muito forte a ideia” de se fazer ampla revisão dos currículos e das bibliografias usadas nas escolas para evitar que crianças sejam expostas a ideologias e conteúdo impróprio. Ele defende que professores exponham a “verdade” sobre o “regime de 1964” – revisionismo histórico, 1984, George Orwell, já falei disso aqui -, narrando, por exemplo, mortes “dos dois lados”. Ex-chefe do Centro Tecnológico do Exército, foi chamado a coordenar debates de ciência e tecnologia, mas acabou acumulando educação “por afinidade”. Contrário à política de cotas, defendeu o Estado de S.Paulo a “prevalência do mérito” e disse que, se a ideia for aceita por Bolsonaro, serão estudadas medidas “não traumáticas” para substituir as regras”.

Em entrevista à Rádio Jornal, de Barretos, Bolsonaro resumiu: o objetivo de seu governo é fazer “o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. É um visionário, com os olhos no retrovisor. Estamos fodidos se esse cara for eleito. Até esse momento, a campanha torpe de Bolsonaro, rei das fake news, fujão de debates, conseguiu amplificar a PTfobia, e os petistas não conseguiram desconstruir a farsa que é Bolsonaro, nem contaram com os aliados de quem esperavam, pelo menos, decência.

Marielle vive. Não o fascismo

Marielle vive, apesar da impunidade do estado e da polícia, de Bolsonaro e seu candidato de direita ao governo do Rio, Heil Witzel – que participou, junto com dois candidatos do PSL, os ogros Rodrigo Amorim e Daniel Oliveira, da cerimônia fascista que quebrou a placa de rua que simbolicamente homenageava a vereadora do Psol ASSASSINADA no dia 14 de março no Estácio, região central da cidade – e, apesar do país grotesco em que estamos nos convertendo. Resistir é preciso, nos lembrou Roger Waters.

Neste domingo, 14, em ato em homenagem a Marielle, executada junto com o motorista Anderson Gomes, manifestantes distribuíram mil placas com o nome da parlamentar na Cinelândia, onde ficava a placa arrancada e depois destruída em comício em Petrópolis. Uma resposta esplêndida aos fascistas. Houve protesto contra o presidenciável Jair “Fujão de debates” Bolsonaro, do mesmo partido (“Ele não!)”, e gritos de apoio a seu oponente, Fernando Haddad (PT) (Haddad sim!). “Fascistas, fascistas não passarão!”, gritaram os manifestantes, exibindo as placas, no início da tarde, na capital fluminense.

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Hei Witzel, o candidato fascista ao Governo do Rio, que cercado de dois ogros candidatos do PSL, realizou uma cerimônia fascista em Petrópolis para destruir a placa que homenageava a vereadora assassinada Marielle Franco. Covardes e seres humanos abomináveis. No canto direito, o brasão alemão da família Witzel

Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, participou do ato na Cinelândia, e ajudou a distribuir placas que, por orientação dos manifestantes, não foram penduradas nas ruas, mas guardadas “como memória”. Em minutos, as placas acabaram. Além de Mônica, estiveram presentes os pais da vereadora, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto, e parlamentares, como os deputados Marcelo Freixo e Jandira Feghali, além do ex-deputado Chico Alencar.

A campanha, veja só, foi promovida pelo site Sensacionalista, um noticiário satírico eletrônico, que propôs a campanha – essa, séria – “Eles rasgam uma, nós fazemos cem”, mas acabaram arrecadando o suficiente para mil placas. O objetivo inicial era conseguir R$ 2 mil, que seriam usados para a confecção de 100 placas. Em 20 minutos ele foi atingido. Chegaram a R$ 39.743, com 1.569 doadores – pessoas físicas e jurídicas.

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Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, participou de ato na Cinelândia, no centro do Rio, que distribuiu mil placas de rua em homenagem à vereadora executada em 14 de março; Mil placas foram confeccionadas com a iniciativa do site Sensacionalista, na campanha “Eles rasgam, nós fazemos”. Momento democrático em tempos fascistas

O ato foi a segunda homenagem a Marielle em dois dias. Na véspera, a Estação Primeira de Mangueira escolheu o seu samba-enredo para o carnaval de 2019. Adivinhe? O enredo “História para ninar gente grande”, de autoria do carnavalesco Leandro Vieira, se propõe a contar a história do Brasil e citará a vereadora assassinada.

Neutralidade mata. Posição dúbia também.

“Ou nós colocamos as coisas nos trilhos para sair dessa com liberdade, com respeito, ou nós vamos muito mal. Se a imprensa não ajudar, essa campanha não vai terminar bem. Não é assim que se ganha uma eleição. (…) “A democracia está em risco. Acordem”.
Fernando Haddad engrossa a voz contra Bolsonaro ao falar após evento público no centro de São Paulo. É preciso falar ainda mais grosso.

“Eu não diria aberta, mas há uma porta. O outro não tem porta. Um tem um muro, o outro uma porta. Figura por figura, eu me dou com Haddad. Nunca vi o Bolsonaro”.
Fernando Henrique Cardoso, ao Estado de S.Paulo, se comportando com mais dignidade que alguns ditos esquerdistas

 

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Fernando Henrique, que em seu governo ouviu Bolsonaro dizer que deveria ter sido fuzilado, abre uma portinhola para Haddad, que, de concreto, só recebeu apoio convicto do ex-presidenciável Boulos, do Psol; Ciro Gomes, que deu “apoio crítico” a Haddad e depois sumiu no mapa, enquanto o país incendeia; Aécio e Beto Richa, os anões políticos do PSDB, que anunciaram apoio do capitão-fujão; e o fascista Olavo de Carvalho, que defendeu eliminação até física da oposição a um possível governo das Cavernas/Casernas

Enquanto desaponta a postura neutra – ou apoios burocráticos e decepcionantes, pelo menos ATÉ AGORA – de alguns homens públicos, incluindo ex-candidatos à Presidência ditos “progressistas”, na disputa terminal entre Haddad e Bolsonaro no segundo turno, o capitão fascista ajuda construindo um “arco de alianças” que parece mais “tiro no pé”. Dois tucanos de biografia em frangalhos e que representam o que de pior existe no partido, Aécio Neves e Beto Richa, ex-governadores de Minas Gerais e Paraná, que viram suas trajetórias políticas virarem pó, apoiaram o Coiso. Após delação da JBS e investigação na lava jato, Aécio derreteu, foi afastado do mandato, deixou o comando do PSDB, fugiu do Senado e segurou-se numa cadeira de deputado federal por Minas Gerais, com 106 mil votos, 19º lugar no estado (teve 51 milhões de votos no 2º turno em 2014, só para lembrar). Outro tucano que passou de gigante (ao menos na mídia) a anão político, Beto Richa amargou o sexto lugar na disputa para o Senado, com 3,73% dos votos após ser preso por corrupção no mês de setembro.

Nessa barafunda política, um dos personagens surpreendentes do segundo turno até agora tem sido o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda que concluamos que esteja apenas no modo instinto de sobrevivência do partido que criou. Mas foi FHC – que, por Bolsonaro, já teria sido fuzilado – quem disse, em entrevista ao Estado de S.Paulo, que o capitão-fujão de debates “representa tudo que não gosto”, abrindo portas para um até há pouco impensável diálogo com setores do PSDB. FHC já disse que havia um muro entre ele e Bolsonaro, mas uma porta com Haddad, que poderiam abrir “em nome da democracia”. Momento memória: em entrevista à TV Bandeirantes em 1999, Bolsonaro afirmou que seria impossível realizar mudanças no Brasil por meio do voto. “Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”, declarou na ocasião.

Ciro Gomes, terceiro colocado no primeiro turno e com um forte capital eleitoral à esquerda, continua devendo um apoio mais explícito a Haddad – mais do que dizer, pelas redes sociais, o obvio: que Bolsonaro é inaceitável e que “ditadura nunca mais”. Mas cadê a agenda com Haddad? Eles não subirão juntos em nenhum palanque? Não posarão juntos? Eles sabem o que isso representa – e meus amigos eleitores de Ciro também, portanto, me desculpem a insistência. O PDT informou que Ciro não subirá ao palanque nem fará campanha, e viajou para a Europa, devendo voltar apenas na semana da votação do segundo turno. Oi?

O “apoio crítico” anunciado pelo ex-candidato do PDT à candidatura de Haddad é muito pouco para o tamanho da encrenca. Enquanto isso, Bolsonaro, ganhou seu primeiro palanque no Nordeste, o candidato do PDT (!) ao governo do Rio Grande do Norte, que também disputa o segundo turno. Carlos Eduardo (PDT) enfrenta Fátima Bezerra (PT). Pode isso, Ciro? Vamos ficar mesmo rebobinando a fita de quem deveria ter apoiado quem com Bolsonaro colocando o primeiro pé na rampa presidencial. E até o PSTU (suspiro) divulgou nota em seu site na qual manifesta voto em Haddad, mas afirmou que não dará apoio político ao petista. Precisávamos de mais Boulos na esquerda brasileira. Neutralidade mata. Posição dúbia também. Ou vão esperar cumprirem-se os desígnios do “filósofo” fascista Olavo de Carvalho, guru da direita, que, como escreveu Caetano Veloso, em artigo na Folha de S.Paulo, “Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo”, sugere em texto que, caso Bolsonaro se eleja, imediatamente após a posse, seus opositores sejam não apenas derrotados, mas “totalmente destruídos” enquanto grupos, organizações e até indivíduos. Não acredita, leia aqui.

Urnas , quartelada e nazismo moreno: Bolsonaro, a República das Quatro Estrelas e o apoio dos fascistas

“Ele não tem projeto para o país a não ser armar as pessoas para que se matem. Olhe o que os correligionários dele fazem. Vou dizer a vocês o que é o Bolsonaro. O casamento do neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, que corta direitos trabalhistas e sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso é que é o Bolsonaro”.
Fernando Haddad, definindo com precisão o Coiso durante coletiva em que foi novamente perguntado – tenham a santa paciência… – sobre o fictício kit gay nas escolas, uma das mentiras deslavadas do marketing do capitão-fujão de debates. A fake news do dia é dizer que Haddad ESCREVEU o tal kit.

O capitão-fujão de debates Jair Bolsonaro não é só o candidato dos militares, com quem promete lotar/lotear/lambuzar seu ministério, criando uma República da Caserna inédita desde os Anos de Chumbo. E que, por servilismo e deficiência intelectual, também pretende terceirizar seu programa de governo aos quatro estrelas  (muito apropriado que tramem no subsolo de um hotel na capital, o Brasília Imperial), sem falar do neoliberal entreguista Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”, a quem já anunciou que delegará o comando da economia. E que conta com um exército de robôs fabricantes de fake news maior do que seus apoios adestrados na Vila Militar do Rio, seu domicílio eleitoral, onde teve 86,2% dos votos (parabéns aos 13,8%). Bolsonaro, que na mídia internacional – não esquerdista, como Bloomberg, Reuters, New York Times e CNN, por exemplo – é descrito como o Brazilian far-right candidate, ou seja, o candidato de extrema-direita, e que aqui, como foge de debates e entrevistas, ganha no Jornal Nacional espaço até para aspas tuitadas por seu ghost writer, o presidente do PRN, digo, PSL, Gustavo Bebbiano, é também o candidato favorito dos mais perigosos e nojentos grupos ultrarradicais. Bolsonaro é apoiado por neonazistas brasileiros, com 50 tons de pele ou mais, entre eles o grupo skinhead Carecas do Brasil, com as características jaquetas de couro sem manga para mostrar os músculos que não cresceram em seus cérebros.  Criamos o “neonazista negro”, como pontuou o ator Zé de Abreu, os “morenazis”, como nomearam com propriedade alguns sites.

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LEGENDÃO, da ESQUERDA para a direita: Imagens reproduzidas no whatsapp de grupos neonazistas de cartazes colados em postes em cidades do Nordeste; Hitler no documentário “Arquitetura da Destruição”; Bolsonaro e seu amigo Marco Antônio Santos, neonazista assumido e que se traveste de Hitler; a jovem “marcada” com a suástica por radicais; Roger Waters e o #Elenão nas fuças dos coxinhas paulistas; Gilberto Gil em foto com o capoeirista Moa do Katendê, brutalmente assassinado por um militante de Bolsonaro; O Coiso com a Coisa Regina Duarte,  sempre do lado errado da história; Adolfo (ops) Sachsida, do Ipea, e Roberto Ellery, professor de Macroeconomia da UnB, alguns dos elos civis de Paulo Guedes com o núcleo militar;  pichação nazista em bairros de São Paulo; e imagens de Bolsonaro e seu filho cercado de seus parças fascistas e idolatrando o torturador Ustra.

Em grupos de whatsapp – mensagens fortes, a que tivemos acesso e não reproduziremos para preservar quem nos passou -, neonazistas e fascistas de vários graus de demência têm comemorado a possível eleição de Bolsonaro e feito planos para o que chamam de “ações de correção” contra minorias nas grandes capitais, certos de que terão vida mansa e repressão zero com um presidente que prega o ódio, o racismo, homofobia e a misoginia. Fora do curral de seus grupos fechados, estimulam o ódio usando as ferramentas – e são muitas – que as redes oferecem e a enorme dificuldade que a Justiça Eleitoral, o Ministério Público e a Polícia Federal têm de combater não apenas fake news, mas hate news. Como mostrou a revista Época (vale a leitura dessa raridade:), rede narcísica, a internet estimula um novo personagem: o troll, o usuário – ou robô – que provoca e enfurece outras pessoas, com comentários ignorantes e, muitas vezes, criminosos. No mundo de asfalto e tijolos, multiplicam-se pichações de extrema-direita.  Está em toda parte. Caso dos bairros São Miguel Paulista, Butantã e no Metrô São Bento, no Largo de São Bento, em São Paulo. Algumas das mensagens mais singelas: “Ideologia de gênero é o caralh#”, “Vão se f*der seus negros e feministas de merda. Gays do demo”.

O chão do estacionamento do campus Praia Vermelha da UFRJ, em frente à faculdade de Comunicação, amanheceu com esta pichação: “Vaga para professores negros”. Trata-se de uma área com muitos cotistas (Leia). Já nos banheiros do do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e no Centro Acadêmico de Filosofia e Ciências Sociais, no Centro do Rio foram feitas pichações com o número 88 — que representa a saudação nazista “Heil Hitler” (H é a 8ª letra do alfabeto, 88 seria HH ou “Heil Hitler”). Também foram feitas ameaças a estudantes indígenas (Leia). A senha para reduzir a gravidade dos fatos é dizer que são casos isolados. Não são. São muitos sinais do que poderá vir.  A tag #BOL卐ONARO, que substitui o S do nome do presidenciável por uma suástica nazista, chegou aos assuntos mais comentados no Twitter. Dúvidas?

Vamos adiante. Os elementos nazistas no discurso político de Bolsonaro e a presença de fascistas em seu staff e apoiadores são tão claras que só não cegam quem já não quer ou não consegue enxergar. O slogan da campanha de Bolsonaro é “O Brasil acima de tudo” – que ganhou o subtítulo “Deus acima de todos” para agradar Edir Macedo e aliados evangélicos. O slogan do nazismo era “Deutschland über alles” (literalmente, a Alemanha acima de tudo), retirado de um verso do hino alemão composto por Haydn em 1797. Não se trata, evidentemente, de um ato falho ou uma ‘sacada’ de algum marqueteiro, como lembrou o blog Nocaute, do escritor Fernando Morais. O slogan “O Brasil acima de tudo” é um claro aviso do que virá se ele ganhar.” Nas redes é apoiado por grupo como “Brasil, Pátria Livre do Comunismo”, de cunho fascista (mão confundir com o Partido da Pátria Livre) e propagador de fake news. Outro exemplo é o Nacional Democracia (DAP), que cultua, como Bolsonaro, o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador confesso e condenado. Há alguns anos, um grupo capitaneado pelo movimento neonazista White Pride World Wide convocou um “ato cívico” em prol de Bolsonaro no vão livre do Museus de Artes de São Paulo (Masp). Depois disso, submergiram. Mas têm tudo para voltar com força no caso da terrível possibilidade de Bolsonaro vestir a faixa presidencial  – que a revista Veja já lhe deu.

Heil Witzel, o candidato fascista do PSC ao governo do Rio – cujo apoio Bolsonaro agora finge que não quer -, ex-juiz com passagem pela Marinha, apareceu em um palanque de campanha, em Petrópolis, no domingo anterior ao primeiro eleição, assistindo aos então candidatos Daniel Silveira e Rodrigo Amorim destruindo a placa de rua feita em homenagem à vereadora do Psol ASSASSINADA Marielle Franco, cujo crime permanece impune. Voltando um pouquinho no tempo podemos apreciar Bolsonaro posando em fotos ao lado do então candidato a vereador do Rio, Marco Antônio dos Santos, fã de Adolf Hitler, que se traveste com roupas nazistas, e chegou a ir à Câmara do Rio caracterizado como seu ídolo. Ele foi participar de um “debate” sobre o projeto “Escola sem partido”, de autoria do vereador Carlos Bolsonaro (PSC), com broches militares no paletó e bigodinho e corte de cabelo característicos do ditador responsável pelo massacre de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Disse que se vestia como um “francês” – ignorante como é, nunca deve ter ouvido falar dos “aliados ocultos de Hitler”, os nacionais que apoiaram a invasão nazista durante a França ocupada.

A Alemanha, por sinal, está mais preocupada em combater o neonazismo do que o Brasil, que deu 50 milhões de votos a Bolsonaro – embora parte possa ser revertida no segundo turno quando, com informação e diálogo, possamos, quem sabe, acordá-los para o perigo que o Coiso representa. Neste sábado,13, a Alemanha, país com mais investimentos de multinacionais no Brasil, como a Volkswagen, Mercedes e Siemens, mandou um recado ao Brasil. Segundo a presidente do Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro, Yasmin Fahimi, uma possível eleição de Bolsonaro pode impedir uma retomada da parceria estratégica. “O Brasil está à beira de uma grande ruptura. Ficamos chocados como o fato de que, com Jair Bolsonaro, uma pessoa que tornou socialmente aceitável um discurso de ódio tenha chegado à liderança”, disse ela. “Do lado alemão, não vejo nenhuma base para uma parceria estratégica com um presidente Bolsonaro”.

Aliás, um vídeo publicado pela Embaixada da Alemanha no Brasil em suas redes sociais viralizou no cenário de polarização política no Brasil. Concebido para divulgar a história da Alemanha, a peça, publicada há um mês, informa que os alemães “são ensinados a confrontar os horrores do Holocausto” —o extermínio sistemático de judeus pelo regime nazista. A afirmação despertou militantes de direita brasileiros que acreditam – ou fingem acreditar – que o nazismo seria um movimento de esquerda porque o partido liderado por Adolf Hitler se chamava, oficialmente, Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – sim, para os nazibolsonaristas, Hitler era uma espécie de petista. Entre os comentários em redes sociais, há aqueles que negam, inclusive, o massacre de 6 milhões de judeus.

Os fascistas ficaram possessos agora como o fundador do Pink Floyd, o músico britânico Roger Waters, que em tour pelo Brasil não se omitiu frente ao ódio que a extrema-direita propaga e a ameaça de Bolsonaro subir a rampa do Planalto. Projetou em um telão uma lista de políticos autoritários que se destacam no mundo e, entre eles, Jair Bolsonaro. As hashtags #EleNão e #Resist projetadas em seguida fizeram fez seu show entrar para a história. As vaias perderam para os gritos de apoio ao lendário bardo do rock progressivo. “Achavam que Another Brick in The Wall era sobre construção civil?”, ironizaram alguns sites, falando dos fake fãs que vão a shows sem saber a diferença entre Roger Waters e Roger Moreira, o patético e decadente “líder” do Ultraje a Rigor – que, claro, apoia o direitista, visitou-o no hospital e agora fala mal do Pink Floyd.

Uma coisa que é impossível não observar. O silêncio obsequioso da quase totalidade da chamada grande mídia ao crescimento do fascismo, com sua falsa preocupação de tratar igualmente – em espaço e conteúdo  – Haddad e Bolsonaro. A mesma crítica vale aos demais candidatos progressistas, exceto por Guilherme Boulos, do Psol, a quem, como ex-candidato de esquerda, é dada muito pouca voz. Terceiro candidato a presidente mais votado no primeiro turno, Ciro Gomes viajou para a Europa e, depois de um decepcionante “apoio crítico” a Haddad, utilizou as redes sociais para dar a primeira declaração sobre o processo eleitoral. Pelo Twitter , fez críticas a Bolsonaro. “Eu acho uma grave ameaça, pelo extremismo.” Ciro, é muito pouco. Esperamos mais de você.

Ah, e, como não registrar, a pé fria Regina Duarte está de volta – como sempre do lado errado da história.

Veja repete estratégia suja e faz propaganda de Bolsonaro, colocando-o com a faixa presidencial em sua capa

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O jornalismo “isentão” de Veja

Não há muito o que comentar sobre a capa de Veja, colocando a faixa presidencial em Jair Bolsonaro, além de uma boina militar, antes que o eleitor possa voltar às urnas no segundo turno. Como sabemos que a revista, uma das últimas que resta à quebrada Editora Abril, não tem o dom da premonição, deveria torcer com mais discrição. Mas equilíbrio e isenção não frequentam essa redação há muitos anos. Veja tem uma das coleções de capas mais asquerosa do jornalismo brasileiro.  O que Veja faz é propaganda – e não duvide se repetir a estratégia de 2006 quando espalhou outdoors pelo país com sua capa com o então candidato Geraldo Alckmin. Na época, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou tirar as “peças de campanha” camuflada de Veja.

Mas hoje nem é preciso outdoor, basta que a capa viralize nas redes sociais e nos grupos de whatsapp e Veja terá cumprido seu papel sujo.  Faltam 16 dias para o segundo turno, uma virada de Fernando Haddad é difícil, mas não é impossível. Nesta sexta, 12, recomeçam os programas eleitorais, que vão até o dia 26 de outubro, antevéspera da votação. Bolsonaro já deu sinais de que vai fugir dos debates. Só o peru morre na véspera. Criar um fato consumado e a ideia de uma derrota certa é mais uma estratégia golpista. Não desista.

Reviravolta no ar: o ódio está criando o medo – e o medo dessa vez, não só a esperança, pode derrotar o cramunhão

Os sinais estão em toda parte. Suástica tatuada com canivete na pele de uma jovem gaúcha, a placa de Marielle destruída – com a presença de um candidato ao governo do Rio, Heil Witzel, que apoia o Coiso -, o capoeirista Moa do Katendê morto a facadas após declarar voto no PT, o estudante curitibano agredido por um grupo em frente à reitoria da Universidade Federal do Paraná por usar um boné do MST, e muitos, muitos, casos, ao seu redor, ao nosso redor, não noticiados pela mídia que tenta forjar imparcialidade que nunca teve diante de candidatos tão desiguais. Em Pernambuco, uma jornalista foi agredida e ameaçada de estupro por dois homens depois de votar e disse que um deles vestia camisa do candidato do PSL. Só neste ano, segundo levantamento da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), foram registrados 137 de alguma agressão casos a jornalistas que cobrem a campanha.

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O ódio versus a Esperança. Mais nada.

Não por acaso, as agressões vêm do mesmo lado, o do candidato que defende armas para todos, ensina crianças de colo a atirar usando os dedinhos miúdos, metralha petistas no palanque com um tripé convertido em arma mortal (“Vamos fuzilar a petralhada”), defende torturadores e quer forrar a Esplanada de generais. E que sofreu, na pele, infelizmente, uma facada desferida por um dos debeis mentais que entraram nessa onda (ouça Bob Fernandes). Evocado por autores de atos de violência ocorridos em diversos locais do país nos últimos dias, o presidenciável do PSL disse que lamenta – com pouquíssima ênfase -, mas não tem como controlar o que chamou de “casos isolados”. E continuou seu discurso de ódio, de separatismo, de dissensão, de conflito.
Sento para almoçar. Uma mulher apavorada conversa com a amiga ao celular.
– O cara cismou que eu era gay e queria me agredir, o que posso fazer – diz a mulher ao telefone, com a amiga, lágrimas nos olhos.
Não consigo ouvir a amiga do outro lado, mas conversa-se um tempo sobre grupos de whatsapp e sobre pessoas pobres votando no Coiso.
– Ela não mora em Nilópolis? Casou com um negro? E é Bolsonaro?
Risos nervosos.
– O clima nesse país… eu nunca vi isso. É um clima de ódio, de preconceito, de perseguição que não tem paralelo.
A amiga pegunta algo sobre PT.
– Amiga, eu nunca votei no PT, nunca. Mas vou votar agora. Esse Bolsonaro não pode ser eleito. É o fim do pais.
A amiga argumenta.
– Não adianta. Eles só querem ouvir o que é igual ao que eles falam. Não querem dar ouvido ao que os outros falam. Eles são a cara do ódio. Me sinto na Alemanha nazista.
O país, que já viveu chacinas, como Carandiru, Candelária, Vigário Geral, Corumbiara, Taquaril, Eldorado de Carajás, o país dos grupos de extermínio, das milícias, da polícia que mais mata, tem a chance final, em algumas semanas, de não tornar sua violência institucional e política de governo.

Coiso amarela e Haddad propõe debate na enfermaria. Roger Waters lava nossa alma e ergue muro contra o fascista

“A costura e os afagos públicos já começaram. “A construção do país é tijolo por tijolo, ninguém faz nada sozinho”.
Jacques Wagner, quase citando Roger Waters, ao colunista Bernardo Mello Franco, do Globo. O ex-governador e senador eleito pela Bahia ajuda a costurar um “arco de alianças” com Ciro Gomes, que traz consigo 13 milhões de votos, e o Centro

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Médico cirurgião Antonio Luiz de Macedo, do Albert Einstein, que atende Bolsonaro e lhe deu nesta quarta, 10, atestado médico para fugir dos quatro primeiros debates presidenciais na TV, nessa e na outra semana. Queria ser um band-aid escondido pra ver essa consulta médica

Bolsonaro não irá a nenhum dos quatro debates do 2º turno que que estavam programados para essa – Rede Bandeirantes – e a próxima semana – Estadão/Gazeta, SBT/Folha e RedeTV/IstoÉ. Ordens médicas. Mais especificamente do médico cirurgião Antonio Luiz de Macedo, do Albert Einstein, que examinou Bolsonaro nesta quarta, 10, e informou à imprensa que o candidato do PSL ao Planalto terá alta para atividades públicas de campanha a partir da quinta-feira da próxima semana, dia 18. Ou seja, só deverá ir ao debate da RecordTV, de seu apoiador Edir Macedo, e da Globo, que na melhor linha “Cria cuervos que te sacarán los ojos” não sabe o que fazer com o Coiso que ajudou a parir. Bolsonaro foge do pau não é por acaso. Todas as suas manifestações púbicas, não ensaiadas, sobre temas relevantes – educação, saúde, economia, cultura e mesmo segurança pública – que fujam dos clichês, frases decoradas e daquela patética coreografia de armas com os dedos, são um fiasco. Bolsonaro não é só um analfabeto político, é um sujeito limitadíssimo intelectualmente. Foi aconselhado que é melhor silenciar, arrumando, como bom flanador, um atestado médico (Leia o Balaio do Kotscho), e torcendo para que, pela força da inércia, ganhe no segundo turno pelo menos mantendo os votos que teve no primeiro.

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No Twitter, Haddad propõe a Bolsonaro que, diante do impedimento médico de sair de casa para os debates – exceto se for na Record -, eles realizem o debate em uma enfermaria. Provocação oportuna diante do adversário amarelão.

O capitão não tem propostas, ou não foi informado delas – e não só terceirizou a economia para Paulo Guedes, que, segundo a Folha de S.Paulo de hoje está sendo investigado pelo Ministério Público Federal em Brasília sob suspeita de fraudar negócios com fundos de pensão de estatais, como já sinalizou que vai terceirizar o resto da Esplanada para os militares, com pelo menos quatro a cinco generais como ministros, algo inédito desde o fim da ditadura (Leia O Globo), criando uma espécie de República de Generais. A manchete do Estadão de hoje é mais do que preocupante: “Generais ganham espaço e formulam planos de Bolsonaro”, segundo o jornal no subsolo de um hotel em Brasília. Nada mais apropriado para uma campanha subterrânea de um candidato toupeira.

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Meme que bombou nas redes sociais: Roger Waters, ex-Pink Floyd, que em sua turnê pelo Brasil não se omitiu e encampou o #elenão contra o Coiso, e o outro Roger,  o Rocha Moreira, ex-Ultraje a Rigor, que apoia Bolsonaro, mas ficou (quase) famoso pelo hit “Inútil”, onde diz, de forma premonitória, “A gente não sabemos (sic) escolher presidente”.

A reação de qualquer ser humano minimamente decente ao disparate Bolsonaro está marcando a passagem pelo Brasil do novo show do ex-Pink Floyd Roger Waters, que exibiu na tela um rotundo #elenão em show para 45 mil pessoas em sua performance no Allianz Parque, em São Paulo, na noite de terça, 9 – e deve repetir país afora. Fascistas vaiaram, democratas aplaudiram. O momento foi icônico. Após um longo intervalo depois de cantar o clássico “Another brick in the wall”, um coral de crianças com camisas escritas “resist” (resista) entrou no palco e o telão explodiu com a frase de repulsa.

Bolsonaro é uma vergonha tão explícita para a democracia brasileira que, antes mesmo de uma possível – vade retro! – eleição sua, já estamos sendo ridicularizados internacionalmente. Jornais de todo o mundo traçam perfis de um ditador em gestação e o comparam, no aspecto insanidade, a Donald Trump. O The New York Times, que, como sabemos, não é nenhum Granma ou Pravda, destacou que o candidato de extrema-direita tem um “carinho pela ditadura” e é ofensivo com mulheres, negros e gays. Mas ninguém é mais direto que John Oliver, um dos apresentadores de maior sucesso da TV dos EUA e vencedor do Emmy, com o dominical “Last Week Tonight”, que endossou o movimento #EleNão e disse que Bolsonaro é “um ser humano terrível”.

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John Oliver, um dos apresentadores de maior sucesso da TV dos EUA, com o dominical “Last Week Tonight”, endossou o #elenão e disse que Bolsonaro é “um ser humano terrível”.

Debates que estavam previstos para o segundo turno. Dos quatro primeiros, o Coiso já fugiu.

11/10 – Band – 22h
14/10 – Gazeta- 19h30
15/10 – RedeTV! – 22h
17/10 – SBT – 18h20
21/10 – Record – 22h
26/10 – Globo – 21h30

Heil Witzel! Candidato ao governo do Rio curte homens fortes e apóia depredação a placa que homenageava Marielle Franco

No Rio, sou Eduardo Paes e DEM desde criancinha. Descrito como “surpresa da campanha”, como se fosse um ser humano decente, Wilson Witzel, candidato do PSC e de Bolsonaro, que chegou à frente no primeiro turno, contrariando todos os institutos de pesquisa, ficou marcado no final da campanha por uma cena odiosa e patética – e as redes sociais não deixam ninguém mais desmentir, no máximo ajoelhar no milho em contrição. Circula livremente pelo território livre da web – e não é fake news, queridas e queridos amigos -, vídeo em que Witzel – sobrenome de origem alemã -, ex-juiz com passagem pela Marinha, aparece em um palanque de campanha, em Petrópolis, no domingo anterior à eleição, em companhia dos então candidatos a deputado federal Daniel Silveira e deputado estadual Rodrigo Amorim, cometendo uma da cenas mais deprimentes da campanha fluminense. Suficiente para depene-lo politicamente no segundo turno – se não fossemos um país descobrindo-se uma republiqueta- ou conceder-lhe tardiamente a Eisernes Kreuz, a Medalha de Ferro do Terceiro Reich.

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O fascismo, momento a momento. Candidatos bolsominions  arrancam placa que homenageia vereadora assassinada Marielle Franco e depois se juntam a Heil Witzel,!  candidato ao governo do Rio que participou do ritual canalha. No  canto direito, o brasão alemão da família Witzel.

Entusiasmado, ao lado dos dois fortões, e aos gritos de “mito, mito, mito” – sabemos de quem estão falando -, os dois parças bombados arrancam e destroem, na sua cara, uma placa de rua feita em homenagem à vereadora Marielle Franco, mulher, negra, lésbica, mãe e cria da favela da Maré, socióloga, vereadora da Câmara do Rio de Janeiro pelo PSOL, com 46,5 mil votos, assassinada no dia 14/03. Treze Tiros atingiram o veículo, matando também o motorista Anderson. O crime permanece impune. Pois o sujeito que quer governar o Rio – após Garotinho, Rosinha, Cabral, Pezão, fim dos tempos – compactuando com os assassinos de Marielle e prometendo, nada indiretamente, ajudar a “sentar o dedo [atirar] nesses vagabundos”, como um de seus amigos se referiu, diante da platéia colérica, pensa dessa forma. Que tal?

No começo do vídeo, Witzel pede votos para Silveira e depois a câmera mostra o discurso de Amorim em cima do carro de som: “Marielle foi assassinada. Mais de 60 mil brasileiros morrem todos os anos. Eu vou dar uma notícia para vocês. Esses vagabundos, eles foram na Cinelândia, e à revelia de todo mundo, eles pegaram uma placa da Praça Marechal Floriano, no Rio de Janeiro, e botaram uma placa escrito Rua Marielle Franco. Eu e Daniel essa semana fomos lá e quebramos a placa. Jair Bolsonaro sofreu um atentado contra a democracia e esses canalhas calaram a boca. Por isso, a gente vai varrer esses vagabundos. Acabou Psol, acabou PCdoB, acabou essa porra aqui. Agora é Bolsonaro, porra”, gritou Amorim pelo microfone, diante do cara que quer ser governador, braço esquerdo levantado numa saudação…você sabe. Alguns vídeos (Aqui, aqui e aqui).

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Witzel, o fascista bolsominion, candidato ao governo do Rio, participou de ato onde outros políticos depredaram placa sobre Marielle. Votar nele é uma aberração maior que sua falta de postura. 

Como o fascista candidato ao governo do Rio consegue olhar nos olhos de seu filho Erick (Leia), um menino transexual de 24 anos, chef de cozinha, vegano e empreendedor, ninguém sabe. “Seguimos rindo para não chorar, porque a vontade é sumir. Um dia triste para a história do nosso estado e do nosso país”, postou Erick, no Instagram. Detalhe: os canalhas Daniel Silveira e Rodrigo Amorim foram eleitos neste domingo. Resta-nos a esperança de que Wilson Witzel seja mandado de volta para o buraco fascista de onde saiu.

Em um Congresso ultra-reacionário, eleição de senador gay, defensor dos direitos humanos, é respiro de alívio. E exorciza o bibelô do “Coiso”

Com uma seleção desprezível de eleitos como Alexandre “Brasileirinhas” Frota, Kim Kataguiri, Arthur Mamãe Falei – dois filhotes do MBL -, Joyce “Plágio” Hasselmann, Tiririca, Janaina “Bruxa de Blair” Paschoal, Marco “Rímel” Feliciano e bolsominions com diferentes graus de disfunção cerebral – já batizada de “A bancada do Coma” -, a direita fascista teve que engolir o primeiro senador assumidamente homossexual, Fabiano Contarato (Rede), campeão de votos no bendito Espírito Santo. Ele não apenas arejou o Senado, diminuindo um pouco o impacto pela não eleição de Dilma Rousseff, Eduardo Suplicy, Roberto Requião e Lindbergh Farias, como teve a requinte de deixar de fora Magno Malta, o “vice dos sonhos” de Bolsonaro, conhecido por demonstrações de LGBTfobia. Pastor evangélico e cantor de músicas gospel, do tipo que usa roupas apertadas e se enche de jóias – pode dar boas risadas se procurar no youtube -, Malta é tão desequilibrado que caiu da prancha e não conseguiu surfar na onda direitista. Contarato teve 1.117.039 votos (31,15%) e será uma pena se não ajudar a carrear parte considerável deles para Fernando Haddad.

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Cena linda: Fabiano Contarato, da Rede, campeão de votos para o Senado no bendito Espírito Santo, é gay, adotou um menino lindo, hoje com 4 anos, e resistiu ao preconceito e às fake news. E exorcizou o Sinhozinho Malta. Se não apoiar Haddad, não entendo mais nada.

Em seu discurso de vitória, o senador eleito disse que sua campanha foi a de “Davi contra dois Golias”, citou expressões bíblicas e usou a narrativa do amor contra o ódio. Contarato é homossexual, casado, tem um filho de 4 anos – vítima de fake news abomináveis durante a campanha – e defende o casamento LGBT. Em sua primeira disputa a um cargo eletivo – filiou-se à Rede neste ano – Contarato dedetizou outras pestes políticas do estado, como o tucano Ricardo Ferraço. A segunda vaga para o Senado ficou o “instrutor da Swat” (!) Marcos do Val, do PPS, que gosta de posar valorizando os bíceps. O curioso – e o interessante –  sobre Contarato, que tem cara de ex-frei progressista, mas é delegado da Polícia Civil, é que, como descreveu a Carta Capital, em um perfil muito feliz, suas ideias modernas, em uma sociedade que mostra uma face cada vez mais atrasada, dialogam com algumas posições conservadoras. Ou seja, ele é humano.

Sua candidatura, que teve muito de defesa da família – em todas suas as formas –, também incorporou a inevitável questão da segurança pública. O Espírito Santo é o segundo estado mais violento do Brasil para crianças e jovens: 23,8% dos homicídios cometidos no estado em 2016 vitimaram menores de 19 anos de idade. E ele é especialista em Impactos da Violência na Escola pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Contarato, por outro lado, posicionou-se contra o aborto. Longe de me preocupar com contradições, que, como disse, são da natureza humana, as posições predominantemente avançadas do delegado que excomungou o pastor Sinhozinho Malta mostra que há esperança – e ela não está nos extremos.