De Willy Wonka a Alice: sem Ministério do Trabalho e maquiando dados de emprego e renda do IBGE, Bolsonaro, eleito por uma fábrica de fake news, quer inventar o País das Maravilhas

“Vou querer que a metodologia para dar o número de desempregados seja alterada no Brasil, porque isso daí é uma farsa. (…) Nós temos que ter realmente uma taxa, não de desempregados, uma taxa de empregados no Brasil”.
Jair Bolsonaro, ditador eleito, em 05/11/18, prontinho pra um extreme makeover das taxas de emprego e renda medidos pelo IBGE. Sem Ministério do Trabalho, melhor reclamar pro bispo. Macedo.

“Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde”.
Rubens Ricupero, então ministro da Fazenda, em 01/09/1994, em conversa nos bastidores da TV com o jornalista Carlos Monforte, captada por antenas parabólicas de telespectadores antes de entrar ao vivo no Jornal da Globo. Ele se referia ao IPC-r, o índice que reajustava os salários.

Há 88 anos, mais precisamente em 26 de novembro de 1930, uma das primeiras iniciativas do “governo revolucionário” implantado por Getúlio Vargas foi criar o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, chamado por Lindolfo Collor, o primeiro titular da pasta, de “Ministério da Revolução”. A pasta – possivelmente junto com Educação, Saúde, Justiça, Fazenda e Itamaraty, as mais emblemáticas da Esplanada – surgiu para concretizar o projeto do novo regime de interferir sistematicamente no conflito entre capital e trabalho. Até então, no Brasil, as questões relativas ao mundo do trabalho eram tratadas pelo Ministério da Agricultura – sendo na realidade praticamente ignoradas pelo governo. De volta ao passado. O ditador eleito Jair Bolsonaro, que já disse – sim, ele disse na campanha – que quer que o Brasil “volte a ser como há 40 ou 50 anos”, vai superar sua meta. Vai voltar quase 90 anos. Ele confirmou nesta quarta, 07, que vai acabar com o Ministério do Trabalho, que será engolido por alguma pasta nanica. Mais do que isso, Bolsonaro prepara-se para mexer em um dos índices mais confiáveis do país, a metodologia que mede taxas de emprego e renda, divulgada pelo IBGE.  Bolsonaro, que na campanha se aproveitava desse índice para falar mal do “legado petista”, agora chama-o de “farsa”. Nada como um dia depois do outro com uma eleição no meio.

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Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, Ricupero e Getúlio Vargas. O ditador eleito vai extinguir o Ministério do Trabalho, criado há 88 anos, e quer mexer na taxa de emprego e renda medida pelo IBGE, centro de excelência e que usa metodologias internacionais, para “mostrar o que é bom e esconder o que é ruim”, como ensinava Rubens Ricupero. Também vai empurrar o Ministério do Trabalho para dentro de alguma pasta nanica. Se não tem emprego e estamos em liquidação, pra que medir o desemprego, certo?

O tema é um dos mais sensíveis na economia, com uma taxa de 11,9% de desemprego, o que significa que 12,4 milhões de pessoas estão em busca de uma oportunidade. A intenção é evidente: maquiar os números. Tão óbvio que economistas que acompanham os dados de mercado de trabalho e funcionários do IBGE estrilaram. Só para que se tenha uma ideia, o IBGE foi criado em 1936, passou pelo Estado Novo e pelo Regime Militar sem nunca ter sofrido qualquer tipo de interferência de um presidente. Bolsonaro diz se inspirar num pais quebrado, a Argentina, que fez uma intervenção no órgão de pesquisa que causou descrença na taxa de inflação. Depois disso, a revista britânica The Economist deixou de publicar os dados oficiais da Argentina.

Sem Ministério do Trabalho, maquiando os dados de emprego e renda, Bolsonaro, eleito com uma Fantástica Fábrica de Fake News, pode criar o País das Maravilhas. De Willy Wonka, passará a Alice – junto com Ony Lorenzoni, o Gato de Cheshire, e Paulo Guedes, ou Absolem, a lagarta lisérgica que não tira o narguilé da boca -, transmitindo ao país seu “milagre econômico” turbinado por fumaça enquanto negocia com o Congresso, em meio o fog democrático, as leis e mudanças constitucionais que quer. Nesse ponto o marketing será essencial, numa estratégia parecida com a usada pela agência AM4, responsável pela campanha digital do presidente eleito. Se não tem um Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil e mago político do general-presidente Ernesto Geisel, Bolsonaro montou um bem azeitado esquema nas redes sociais. Só terá que desligar a torneira do esgoto das fake news contra seu ex-adversário Fernando Haddad e abrir as comportas das good news de seu governo. No fundo, a mesma coisa.

Bolsonaro, por sinal, está montando o governo mais reacionário do período pós-ditadura. Além dos Onyx e Guedes já anunciados, ele confirmou que o general Augusto Heleno, que já havia sido anunciado como ministro da Defesa, assumirá agora o posto de ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A Defesa voltará a ser um feudo quatro estrelas: o capitão nomeará um oficial-general, o topo das carreiras no Exército, Marinha ou Aeronáutica. Na Agricultura, adivinhem, a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) será a dona do latifúndio. Reforma agrária é coisa do passado. MST, chupa! Atual presidente da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso Nacional, conhecida como a bancada ruralista, Tereza Cristina foi indicada pela FPA para o cargo. No Congresso, Tereza Cristina foi uma das principais defensoras do projeto que muda as regras no registro de agrotóxicos.

Em tempo: o TSE, numa atitude insólita e inédita em tempos democráticos – bom, não são mais democráticos – considera antecipar a diplomação de Bolsonaro para antes de sua próxima cirurgia. A Corte sugeriu que a solenidade ocorra no dia 11 de dezembro, um dia antes de presidente eleito ser submetido a procedimento de reversão de colostomia.

Esgoto é a palavra que me ocorre.

Sai Honestino, entra Costa e Silva. E a ditadura vai ganhando sua forma – em pontes e vinhetas de TV

Honestino Guimarães, como se sabe, foi um líder estudantil e militante contra a ditadura – estudava geologia na Universidade de Brasília – que desapareceu em 10 de outubro de 1973, após ser preso no Rio de Janeiro. Em março de 1996, sua família recebeu um atestado de óbito, sem explicar a causa da morte. Somente em 2014, recebeu anistia política “post mortem” e teve o atestado de óbito corrigido, tendo como causa de sua morte “atos de violência praticados pelo Estado”. O general Costa e Silva, como igualmente se sabe, comandou o Brasil entre março de 1967 e agosto de 1969, período de fortalecimento da repressão e de práticas de tortura. O Ato Institucional 5 (AI-5), que institucionalizou a perda de direitos, foi sancionado por ele em 1968. O primeiro é, para o ditador eleito Jair Bolsonaro, um desses “vermelhos” que deveriam deixar o Brasil – Ame-o ou Deixe-o, certo Silvio Santos? O segundo é um dos ídolos do ex-capitão, que tem em seu gabinete no Congresso fotos emolduradas de todos os generais-presidentes dos anos de chumbo – aliás, Bolsonaro levará sua galeria de ditadores zumbis para o Gabinete Presidencial?

Pois o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF, louco para se render à ditadura eleita, decidiu encher de orgulho o novo presidente e construiu uma perigosa ponte em um país que flerta com o fascismo, a intolerância e o ódio. Por ordem arbitrária da Corte, a “segunda ponte” do Lago Sul deixará de se chamar Honestino Guimarães para retomar o nome de origem, Costa e Silva. Uma lei de 2015, que renomeou a estrutura, foi declarada inconstitucional. O pedido foi feito, entre outros, por uma procuradora e deputada federal eleita Bia Kicis (PRP), que considerou o rebatismo “inconstitucional e autoritário” por não ter havido consulta popular. Nas redes sociais, Bia, que se declara fã do filósofo de direita Olavo de Carvalho e se concede a presidência do Instituto Resgata Brasil, comemora a súbita notoriedade. Cabe recurso, mas o gesto, em si, já é mais um sinal dos tempos negros que temos pela frente. A placa que antecede a ponte já foi pichada com o nome do ditador Costa e Silva.

Quem quiser consultar o processo pode ver aqui a lista dos saudosistas da ditadura responsáveis pelo pedido de troca de nomes.

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Da esquerda para a direita: Vinheta do SBT resgatando o slogan da ditadura de 64; o ditador Costa e Silva, em foto oficial sem farda; Post no Facebook da deputada federal eleita Bia Kicis, uma das responsáveis pela ação que mudou o nome da “segunda ponte” do Lago de Honestino Guimarães para Costa e Silva; Honestino Guimarães; “santinho” de outro ditador, Emílio Médici, na onda do Ame-o ou Deixe-o; o estudante torturado e assassinado, em carteirinha da época; Silvio Santos, o lambe-botas de ditadores; e uma foto clássica dos anos de chumbo.

Aguarda-se para breve novas mudanças de nomes em locais conhecidos na capital federal:
– Praça dos Três Poderes para Praça General Emílio Garrastazu Médici;
– Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida para Catedral Edir Macedo;
– Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek para Parque da Cidade Humberto de Alencar Castelo Branco;
– Torre de TV para Torre Brilhante Ustra;
– Centro de Convenções Ulysses Guimarães para Centro de Convenções Antonio Carlos Magalhães;
– Memorial JK para Memorial Ernesto Geisel;
– Memorial dos Povos Indígenas para Espaço Equestre João Figueiredo;
– Biblioteca Nacional de Brasília – Essa pode ser incendiada e virar um monumento aos soldados mortos por guerrilheiros de esquerda.

Sobre o “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, slogan da ditadura recriado pelo SBT do lambe-botas Silvio Santos para impressionar o ex-capitão, a emissora jura que deu meia volta, volver. “A emissora não se atentou para o fato de que a frase remetia ao período do regime militar”, explicou numa nota em que anunciava sua retirada. Foi um “equívoco”. Equívoco uma ova.

“Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, reprisa o SBT, repetindo o refrão da ditadura e expondo a holding eletrônica ufanista-religiosa montada para apoiar Bolsonaro

O ano era 1969. Eu, nascido depois do golpe, tinha três anos. A ditadura militar vivia um de seus movimentos serpentinos, sibilando rumo aos anos de chumbo da ditadura. O Alto Comando das Forças Armadas, que faziam as vezes de urnas na época, escolheu para seguir a linhagem o general ultradireitista Emílio Garrastazu Médici – outro dos ídolos de Jair Bolsonaro, junto com o torturador Brilhante Ustra. O ministro do Exército, Orlando Geisel, ficou encarregado de doutrinar a área militar. Delfim Netto cuidava de maquiar o “milagre econômico” para os mesmos, como o capitão quer fazer agora com os números do desemprego. Na Casa Civil, o professor de direito Leitão de Abreu era o Onyx Lorenzoni da ocasião, só que sem o implante e sem o diploma de veterinário – muito apropriado para pajear o “Cavalão”, um dos apelidos mimosos de Bolsonaro. Os guerrilheiros Carlos Marighella e Carlos Lamarca haviam sido assassinados no regime. Os direitos fundamentais do cidadão foram reduzidos a pó e as prisões facilitadas – tal qual planeja agora o juiz-político Sérgio Moro (aliás, que horário eleitoral gratuito magnífico ganhou no Jornal Nacional de terça, mais de 15 minutos e um bloco inteiro). Nas escolas, nas fábricas, na imprensa, nos teatros, a sociedade brasileira sentia a mão de ferro da ditadura. O governo gastava milhões de “cruzeiros” em propagandas ufanistas para entorpecer sua imagem junto ao povo.

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Da esquerda para a direita: Silvio Santos, já gagá, fazendo o mesmo programa de auditório tosco que servia na ditadura como circo para abafar o som vindo dos porões; a nova vinheta do SBT, “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, resgatando a campanha publicitária repulsiva do regime militar; o “Ame-o ou Deixe-o” dos tempos de Médici, igualzinho, sem tirar nem por; Silvio Santos nos gabinetes presidenciais de Sarney e Figueiredo – para quem criou o programa “A Semana do Presidente” (sim, eles estudam voltar com essa bajulação); e Médici, fumando, entre Figueiredo e Leitão de Abreu, no Maracanã, na onda do “Pra Frente, Brasil”.

Um dos slogans dessa propaganda dizia: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Isso me marcou muito nos meus primeiros anos de vida. Lembro como se fosse hoje de adesivos nos vidros de carros – geralmente fuscas, Aero Willys e Gordinis, com esse convite no melhor estilo “Cai fora, esquerdista/comunista”. Por isso, juro que achei que eram fake news – infelizmente estamos vendo as fake news transformarem-se em bad news – os primeiros cutucões de colegas horrorizados informando que Silvio Santos, o lambe-botas da ditadura, a quem deve sua concessão de TV – assim como a Globo -, tinha resgatado o bordão da ditadura, na forma de novas” vinhetas, para celebrar Bolsonaro. Mais do que bajular o ditador eleito, o que fez a ditadura inteira, SS (estou falando de Silvio Santos, não da Schutzstaffel) exumou um dos slogans mais repulsivos de uma ditadura que queria mesmo era ver toda oposição bem longe – ou no exílio ou torturados nos porões do regime. Era a maneira de distinguir os adversários do regime e a massa da população, desinformada pela censura na imprensa e nas artes – que vivia um dia-a-dia de alguma esperança em anos de uma falsa prosperidade econômica. O “Vai pra Cuba”, na época, era algo como “Vai pro Chile” – mas isso só até Allende ser deposto e Pinochet iniciar seu banho de sangue.

Silvio Santos, mais conhecido da maioria dos espectadores brasileiros como o ex-camelô que virou um grande milionário, morando atualmente em Orlando, na Flórida, o comunicador criador do Baú da Felicidade, do Show de Calouros, do Roletrando, do “Topa Tudo por Dinheiro”, o patrão do Lombardi – sua viúva perdeu ação trabalhista contra Silvio Santos, mesmo com mais de 30 anos de serviços prestados pelo marido -, do Jassa, do Pablo (“Qual é a Música?”), o importador de novelas mexicanas, o sovina que luta contra o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa para tirar o Teatro Oficina do Bixiga -, é, por trás dos dentes postiços, da peruca e do microfone retrô no peito, um manipulador de audiências a serviço de quem está no poder. Só não foi assim com o PT. A concessão da TVS – hoje SBT – foi dada a Silvio Santos durante o governo Figueiredo. Logo depois, o apresentador e empresário criou o programa para divulgar os feitos do governo. A “Semana do Presidente” era uma espécie de boletim paramilitar de divulgação dos atos do governo, custeado pelo Estado. No regime militar, foi usado como mais um recurso para estimular o ufanismo e tentar aumentar a popularidade do presidente carrancudo, que preferia o cheiro dos cavalos ao do povo. Essa lástima, inclusive, deve ser recriada no governo Bolsonaro. Imagina, então, se colocarem antes dos filmes no cinema, como faziam, junto com o Canal 100 (esse, sim, saudoso).

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O juiz-político Sérgio Moro, já indicado pelo ditador eleito, Jair Bolsonaro, para ser o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, deu uma “longa entrevista” em Curitiba para dizer que, tecnicamente, não é político, abanar a calda para as decisões polêmicas de Bolsonaro sobre direitos civis e admitir que foi convidado ainda durante o segundo turno da campanha, um escracho total que desmoraliza a prisão de Lula e a campanha.

SS não está sozinho. Como escrevi no artigo passado (sugiro que releia, curta, compatilhe), Bolsonaro não está só focado nas mídias sociais e sua fábrica de fake news, um de seus trunfos eleitorais, mas, reconhecendo o poder ainda exercido pelas TVs, monta uma holding eletrônica – com promessa de forte injeção de publicidade – de apoio ao seu governo fascista. O ex-capitão ultradireitista é a grande esperança da Igreja Universal de seu cabo eleitoral Edir Macedo/Record e de “pregadores” eletrônicos de outras denominações, como Silas Malafaia – da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, atualmente na Band, Josué Valandro Jr., pastor Presidente da Igreja Batista Atitude, e  pastor Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, entre outros, para usar a máquina pública para favorecer grupos religiosos, manter sua santa isenção fiscal e trucidar direitos sociais, especialmente a causa LGBT. Sem falsa modéstia, acertei na mosca.

Com fracasso de Crivella no Rio, Igreja Universal do Reino de Bolsonaro, junto com outras “igrejas”, aposta em holding eletrônica de suporte ao governo fascista

O apoio de Edir Macedo a Jair Bolsonaro nas eleições não foi trivial, mas uma negociação em bases sólidas, que inclui um acerto do novo governo para solapar o poder das Organizações Globo – talvez o único projeto em comum com o PT -, com uma forte injeção de publicidade no Conglomerado Universal de Comunicações, ampliação de concessões de rádios e TVs – nos moldes ACM no Governo Sarney, versão Edir Macedo – e a criação de um bloco eletrônico de apoio ao governo fascista, similar ao que está sendo costurado no Congresso com as bancadas evangélica, ruralista e da bala. Tudo isso junto à manutenção da máquina montada nas redes sociais, que trocará as fake news contra o PT por good news pró-Bolsonaro. O ex-capitão ultradireitista é a grande esperança da Universal e de “pregadores” de outras denominações, como Silas Malafaia – mais um pastor eletrônico, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que está há 35 anos ininterruptos na TV, atualmente na Band -, Josué Valandro Jr. – pastor Presidente da Igreja Batista Atitude central da Barra, conhecido como “pastor da família Bolsonaro”, por ser “padrinho” da futura primeira-dama -, pastor Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, e Marco Feliciano, o pastor metrossexual, ex-namorado de Alexandre Frota – segundo Frota! – que chegou a presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara – para usar a máquina pública para favorecer grupos religiosos, manter sua santa isenção fiscal e trucidar direitos sociais, especialmente a causa LGBT.

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A holding dos crentes seguidores de Bolsonaro em ação: Edir Macedo, dono da Record e da IURD, que virou livro e filme; Marco Feliciano, o metro-pastor, no Pânico; de novo Edir Macedo, reencontrando Silvio Santos, do SBT, outro velho puxa-saco de ditadores; Silas Malafaia, o Jesse Valadão da Chanchada Crente, ora com a família no palco da Assembleia de Deus, ao vivo; e Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, acarinhando o poder, no caso, Temer.

Com o retumbante fracasso administrativo do bispo da IURD Marcelo Crivella no Rio, que, mesmo admitindo concorrer à reeleição em 2020, tem menos chances de ser eleito que um demônio pedir dízimo durante exorcismo em Igreja, Bolsonaro tornou-se o “presidente dos sonhos” de quem quer mais do que levar fiéis para o céu. Este site tem informações seguras, baseado em contatos com fontes nas redações de diversos veículos afetados, que está sendo montado um rasteiro, mas eventualmente eficiente, projeto de poder, para tornar o Brasil uma República Fundamentalista, dessas que você se arrepia de ver assistindo episódios de “O Conto da Aia”. Com controle de redes sociais, diante da inoperância de seus “cuidadores”, e da mídia eletrônica, e conscientes que estão, como já disse Bolsonaro, referindo-se mais à Folha de S.Paulo, que a mídia impressa não apita mais nada,  pretendem ter o controle do noticiário. É muito claro que trata-se do espraiamento de um projeto de poder, formado por redações doceis, que nesta segunda, 05, foi marcado por uma limpa na TV Gazeta, que demitiu cerca de 80 profissionais, após um restabelecimento de “negociações com a Igreja Universal”. Além do diretor Dácio Nitrini e o editor-chefe Sérgio Galvão, foram dispensados todos os demais componentes da cúpula do jornalismo, comentaristas dos telejornais, inclusive Bob Fernandes – uma das poucas vozes ponderadas a questionar o significado da eleição de Bolsonaro – e o apresentador Rodolpho Gamberine, que recebeu a notícia em Paris, em férias. Só restou no Departamento de Jornalismo o suficiente para cumprir a cota de jornalismo exigida das concessões de rádio e TV.

Ali perto, no SBT, outro camelô de espaços editoriais, Silvio Santos, dono do SBT – e criador da nefasta “Semana do Presidente”, no governo do ditador João Figueiredo, e que seguiu até FHC -, vejam só, reencontrou-se após 17 anos, com o dono da Record, ele mesmo, Edir Macedo. Tiveram, no Templo de Salomão, em São Paulo – a nababesca sede da Igreja Universal em São Paulo -, uma “conversa produtiva”. O Domingo Espetacular, capitaneado por Paulo Henrique Amorim, vejam só, o isentão, exibiu “com exclusividade esse momento inédito na televisão brasileira”. Histórico para quem, PHM? Que Conversa Fiada, hem? E assim vai se formando, Record, Gazeta, SBT, quem sabe Band, a Rede Bolsonaro de Televisão. Agora se entende porque Bolsonaro quer extinguir a emissora pública do governo federal controlada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Pra que? Ou talvez ele mantenha – atenção, coleguinhas que votaram no Bozo, vamos acochambrar: Bolsonaro considera manter algumas emissoras controladas pela EBC – TV Brasil, TV NBR, rede da Rádio Nacional e Rádio MEC, além da Voz do Brasil. Para serem, claro, usadas como principal meio de comunicação com os eleitores. Mas mantenham-se reaças, inclusive nas mídias sociais. A parte evangélica e reacionária do pedaço está bem administrada.

E para não dizer que não falei dos católicos, Bolsonaro, que, por sinal concedeu entrevista à rádio católica TV Aparecida, foi linda a omissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que, como Pilatos, lavou as mãos no segundo turno entre Deus e o Diabo, enquanto a tal Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil e suas igrejas afiliadas engajou-se com sermões e dízimos na campanha do Cramunhão. A CNBB vai comer o pão que o diabo amassou. A Universal, que já é dona da TV Record – fora o portal R7 e rádios em todo o país -, vai comandar o resto do pedaço. E bem-vindos ao conto da Aia.

Bolsonaro levaria zero na prova do Enem. Não se assuste se ele abolir a redação da avaliação dos alunos do ensino médio

“Agora acordei para o mundo. Eu estava dormindo antes. Foi assim que deixamos acontecer. Quando exterminaram o Congresso. Quando culparam os terroristas e suspenderam a Constituição, também não acordamos. Disseram que seria temporário. Nada muda instantaneamente. (… )”.
Trecho de fala da atriz Elizabeth Moss, protagonista e co-produtora da série ‘O Conto da Aia’, série distópica baseada em livro homônimo de Margareth Atwood. Temporada 1.

A redação do Enem 2018 – o Exame Nacional do Ensino Médio, o maior vestibular do Brasil, utilizado para avaliar a qualidade do ensino médio no país e porta de entrada para acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras – teve como tema a “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. O tema não surpreendeu professores, que apostavam em uma redação girando em torno de fake news, um dos temas mais polêmicos da campanha. Acabou sendo ainda mais amplo. O Enem deu a estudantes – muitos certamente eleitores de Jair Bolsonaro – a chance de discorrer sobre algoritmos, mídias sociais, manipulação, catarse cibernética. Nada mais apropriado. O ditador eleito montou uma ‘Fantástica Fábrica de Fake News‘, denunciada pela Folha de S.Paulo, nas mídias sociais e especialmente no Whatsapp, uma rede que gera muita confiança porque são pessoas próximas a elas que mandam as notícias. O objetivo de Bolsonaro foi alcançado: fomentar uma grande campanha de ódio contra o PT nas últimas semanas da campanha e financiadas por empresários amigos do “mito”. O TSE ficou petrificado. A Procuradoria-Geral da República, idem. Quanto ao Enem, às vésperas de um governo de ultradireita, que defende a “escola sem partido” e estimula o macarthismo por alunos, denunciando professores “comunistas”, não se surpreenda se acabar ou abolir a Redação das provas obrigatórias.

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Empreendedores ricos, Luciano Hang (esq) e  Mário Gazin (dir), típicos ricaços sovinas, gravaram vídeo de apoio a Bolsonaro, em que Gazin admitiu Caixa 2 e disse que não aguentava mais gastar na campanha de Bolsonaro. Deve ter valido a pena.

No ano passado, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), um dos filhotes do Coiso, publicou nas redes sociais uma foto do pai segurando uma camisa com a frase: “Direitos humanos esterco da vagabundagem”. Na legenda, o vereador sugeriu que a frase se torne tema para a redação do Enem se o pai “for eleito presidente”.

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No ano passado, o vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhotes do ditador eleito, publicou nas redes sociais uma foto do pai segurando uma camisa com a frase: “Direitos humanos esterco da vagabundagem”. Na legenda, o vereador sugeriu que a frase se torne tema para a redação do Enem se o pai “for eleito presidente”. Bom, o tema acabou sendo “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. Tomou, Papudo!

Se, redigindo, Bolsonaro já teria dificuldade de explicar, em palavras, o serviço sujo que delegou, por caixa 2, a empresas, responsáveis por fabricar e impulsionar fake news – vamos combinar que o forte do ex-capitão não são as palavras -, certamente o ultradireitista tiraria zero na prova de Redação, já que quem escreve textos que firam os direitos humanos pode perder até 200 dos 1 mil pontos possíveis. Imagine Bolsonaro, um homofóbico, misógino, preconceituoso, anti-direitos sociais e trabalhistas, defensor da ditadura de 64, que tem como ídolo o torturador Brilhante Ustra, escrevendo sem ferir a gramática, nem os direitos humanos. Não passaria do primeiro parágrafo.

Encagaçado, o ministro da Educação de Temer (quem?), um certo Rossieli Soares (quem??) teve, imagine só, que vir a público para dizer que o tema da edição de 2018 foi escolhido há quatro meses pelos técnicos do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A campanha eleitoral teve início em 16 de agosto. No primeiro dia do Enem, os candidatos fizeram também provas de Ciências Humanas e Linguagens, onde apareceram tópicos como feminismo, nazismo, escravidão, regime militar, crise de refugiados, entre outros. Na prova de Linguagens, uma pergunta abordava um dicionário criado somente para o vocabulário usado por travestis — a questão pedia que os candidatos decodificasse o que era dito. Bolsonaro, não pense que estou brincando, pode acabar querendo impugnar o Enem por ser parte do inventado kit gay uma de suas fake news da campanha.

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Cenas gays do filme “Bohemian Rhapsody”, que conta a história do mito Freddie Mercury, vocalista e líder da banda Queen, estão sendo vaiadas (!) nos cinemas brasileiras. O descontentamento invadiu a Internet. Será que esse público não conhecia nem um pouquinho da história do Freddie?

E para não dizer que não falei de ódio, depois das vaias à lenda do rock Roger Waters, o ex-Pink Floyd, que exibiu em sua turnê no Brasil o #Elenão e o #Resist em um protesto contra a inescapável eleição de Bolsonaro, dessa vez quem teve a memória desrespeitada foi o cantor Freddie Mercury, vocalista e líder da banda Queen, que morreu de Aids em 1991, aos 45 anos de idade. Um dos filmes mais aguardados do ano, ‘Bohemian Rhapsody‘ chegou aos cinemas brasileiros na última semana, contando sua biografia. Se por um lado os fãs do grupo saíram extasiados da sala, outra parte dos espectadores brasileiros vaiaram (!) cenas homoafetivas exibidas no longa. E o descontentamento invadiu a Internet. Será que esse público não conhecia nem um pouquinho da história do Freddie? É de dar muita vergonha – e medo. Eu vejo “O Conto da Aia” e cada vez mais enxergo o Brasil.

A teologia da compreensão: Boff perdoa Ciro e ensina que é possível falar com o coração e não com o fígado

Ciro Gomes xingar alguém não é novidade. A trajetória política de Ciro é uma coleção de impropérios e ofensas, sejamos coerentes, dirigidas a pessoas de todo espectro político. Ele também é um bom orador, considero-o um sujeito articulado e inteligente e, sem dúvida, seria meu voto no segundo turno, se fosse ele a enfrentar o Coiso. Mas, bom, Ciro tem a língua solta. Xinga como quem espirra. Sai meio que involuntariamente. Normalmente, Ciro não xinga na cara. Xinga quando o ofendido está bem longe. Ou quando não pode se defender, como o repórter em Roraima, botado pra correr por seus seguranças. O repórter mandou mal demais. Mas é razoável ofendê-lo? Os ciristas, claro, piram. Dessa vez, a metralhadora giratória do ex-presidenciável do PDT, aquele que passou toda a transição do primeiro para o segundo turno na Europa e depois voltou sem apoiar Fernando Haddad contra Jair Bolsonaro – não que isso tivesse salvo o petista, mas será uma omissão política que marcará sua vida pública – dessa vez mirou o teólogo Leonardo Boff.

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Boff, expoente da teologia da libertação no país e conhecido internacionalmente por sua defesa dos direitos dos pobres e excluído, é para Ciro Gomes um “bosta” e “bajulador” de Lula. Ciro precisa urgentemente entrar numa máquina do tempo e voltar de 2022 para o final de 2018. Por que a coisa aqui está feia.

Quando li a primeira vez, achei que era fake news. Nem Ciro seria capaz de ofender Boff. Nem é pela barba branca, mas é como xingar Papai Noel porque não gostou dos presentes de Natal. O que fez Boff para despertar a ira de Ciro. Bom, Boff é amigo de Lula. Um dos amigos mais íntimos. Pseudônimo do catarinense Leonardo Genésio Darci Boff, hoje com 79 anos, expoente da teologia da libertação no país e conhecido internacionalmente por sua defesa dos direitos dos pobres e excluídos, o teólogo, escritor e professor universitário, graduado em Teologia no Instituto dos Franciscanos de Petrópolis do Rio de Janeiro e doutor em Filosofia e Teologia pela Universidade de Munique, na Alemanha, já fez ele mesmo críticas ao PT. Aos excessos cometidos pelo partido, aos erros, aos desvios de sua história. E as levou a Lula. Não é um puxa-saco, é um amigo e um conselheiro. Mas em tempos de ódio, ricocheteiam sobre todos balas dirigidas a Lula.

À Folha de S. Paulo, nesta quarta, 31, Ciro jurou que nunca mais vai fazer campanha para o PT – uma salva de palmas para ele – e não revelou em quem votou no segundo turno. Oi??? Tá, ok, mas quando devia parar para respirar, Ciro puxou todo o oxigênio do cérebro e entrou no modo desgovernado. “Eles (“eles” são os petistas, tá gente) podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff (que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad). Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? (…) O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências”, vomitou. Frei Betto é outro desses “bajuladores”, na concepção de Ciro.

Engraçado, eu fico aqui pensando se Ciro, mesmo sem subir no palanque de Haddad, tivesse dado uma entrevista, na véspera do segundo turno, chamando Bolsonaro – a quem já xingou antes – de “bosta”. Mas Ciro não vive no país de Bolsonaro, nesses quatro anos de mandatos dados ao ditador. Pode voltar para a Europa a hora que quiser, entrar num período sabático, alegar exílio político, ou uma baboseira dessas. Só que Ciro foi esmagado pela teologia da compreensão de Boff, que, ao invés de devolver as ofensas – ele jamais faria isso – disse que entende o excesso do pedetista causado pelo seu caráter furioso. “Minha posição é dos filósofos, dentre os quais me conto: nem rir nem chorar, procurar entender. Entendo seu excesso a partir de seu caráter iracundo, embora na entrevista afirma que ‘tem sobriedade e modéstia’”, disse Boff ao UOL. Para o teólogo, a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) representa um risco à democracia. “Precisamos de uma Arca de Noé onde todos possamos nos abrigar, abstraindo das diferentes extrações ideológicas, para não sermos tragados pelo dilúvio da irracionalidade e das violências que poderão irromper”, afirmou.

A diferença entre Boff e Ciro é que o primeiro vive em novembro de 2018, a dois meses do Coiso tomar posse. Ciro vive em 2022.

Moro ministro de Bolsonaro é prova da trama política que levou ao impeachment de Dilma, à prisão de Lula, à eclosão do antipetismo e à entrega do pré-sal

Dilma Rousseff é reeleita. Aécio Neves jura a presidente de impeachment e pede recontagem dos votos. PMDB e PSDB inviabilizam o governo petista no Congresso e o asfixiam com “pautas bomba”. Eduardo Cunha condena Dilma Rousseff por pedaladas fiscais. Michel Temer assume e realiza o oposto do programa da chapa eleita e segue a cartilha neoliberal, rifando o pré-sal. Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, apresenta seu power point colocando Lula como chefe do esquema. O juiz Sérgio Moro condena e manda prender Lula, tirando-o da disputa presidencial. Chegam as eleições e o candidato do PSL monta uma fantástica fábrica de fake news pelo whatsapp contra Haddad, denunciada pela Folha, mas a Justiça Eleitoral- como antes o TCU, o STJ e o Supremo – fingem de mortos. Bolsonaro fecha um pacto de sangue com Edir Macedo, o sangue-suga-mor da Igreja Universal do Cofre de Deus. A mídia bota carga no antipetismo, tenta emplacar alguns candidatos fake, como Luciano Huck, até que, no funil do segundo turno, cai nos braços do ultradireitista Bolsonaro. Às favas o país. Bolsonaro é eleito menos pelos seus zumbis e robôs, e mais pelos mais de 30% dos brasileiros que optaram pelo “não voto” – 42,1 milhões de Pilatos. Bolsonaro monta um ministério patético e – como se tirasse um ás da manga – convida para comandar o Ministério da Justiça – e a Polícia Federal – o responsável pela Lava Jato, Sérgio Moro, que aceita. Está mais claro agora ou é preciso um power point?

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Em nome do pai, do filho e do fascismo. Moro, o cara que perseguiu o PT, arrancou delações a fórceps – tirando o sigilo da de Palocci durante as eleições – e mandou prender Lula para que não fosse candidato, aceitou convite de Bolsonaro e diz que será ministro da Justiça para “afastar riscos de retrocessos”. Como o próprio vice Mourão confessou, o convite se deu durante a campanha.. Em nota, o Judge Dredd da terra dos pinhais prometeu “forte agenda anticorrupção”. Contra quem será?

Moro não será apenas um ministro de Bolsonaro. Terá poderes tão grandes que já está aberta a temporada de apostas de que já é um candidato natural à sucessão do Coiso. Moro, que jurou em entrevista ao Estadão em novembro de 2016, que jamais entraria para a política, não só entrou de cabeça, ao aceitar ser ministro do candidato vitorioso que derrotou nas urnas o PT que ele desconstruiu em sua Corte, como já está sendo inflado a ser o candidato do governo à sucessão de Jair Bolsonaro — que tem repetido que não concorrerá a um segundo mandato. A ideia já circula entre integrantes do “núcleo duro” da equipe do capitão reformado – “núcleo duro” nessa turma é redundância -, segundo jornalistas bem informadas, como Mônica Bergamo. Moro não poderá mais interrogar o ex-presidente Lula, como faria em 14 de novembro, mas nem precisa.

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Gabriela Hardt, a juíza que vai substituir Moro na Lava Jato, é farinha da mesma Lava Jato. É antipetista, anti-Lula e acha que o PT roubou o futuro do país – como seus posts nas redes sociais escancaram. Seu pai, o engenheiro químico Jorge Hardt Filho, trabalhou na Petrobras por mais de duas décadas. Receptiva aos pleitos dos policiais federais e dos procuradores, estará pronta a servir o chefe, agora como ministro.

Não só porque sua sucessora Gabriela Hardt, a juíza que vai substituir Moro na Lava Jato, é farinha da mesma Lava Jato. É antipetista, anti-Lula e estará pronta a servir o chefe, agora como ministro. Mas porque Moro agora é o dono do pedaço. Terá não só a fusão das pastas do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, como a própria Polícia Federal, o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União, órgão de controle interno do Governo Federal responsável por realizar atividades relacionadas à defesa do patrimônio público, o Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica que combate cartéis, e o Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, este último hoje ligado ao ministério da Fazenda. Após o encontro protocolar com Bolsonaro – até porque a decisão já estava tomada -, Moro divulgou nota dizendo que aceitou “honrado” o convite. Moro disse, ainda, que aceitava o cargo com “certo pesar” pois terá que abandonar a carreira de juiz após 22 anos de magistratura – na pior das hipóteses, sabe que tem vaga certa no STF de Bozo. Moro é o quinto ministro anunciado pelo governo Bolsonaro. Outros quatro já foram anunciados: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia), general Augusto Heleno (Defesa) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

Deltan Dallagnol, procurador do Ministério Público Federal durante apresentação das denúncias
O procurador fundamentalista Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da Lava Jato e membro da Igreja Batista de Bacacheri, em Curitiba, também aguarda seu convite para o ministério Bolsonaro pelos bons serviços prestados. Na foto, em sua famosa apresentação de power point que virou meme, colocando Lula ao centro de esquema chamado de petrolão. Cumpriu fielmente sua missão de inflamar preconceitos e paixões e aniquilar a possibilidade de Lula ter um julgamento justo e imparcial

O PT está perplexo. Foi pego de calças nas mãos. Mal absorveu a derrota de Fernando Haddad, terá que lidar agora com esse relevante fato político. As reações, de bate pronto, foram as esperadas. Os advogados de defesa de Lula ingressaram na 13ª Vara Criminal de Curitiba (PR) com um pedido de nulidade do processo relativo ao Instituto Lula, movido pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo juiz Sérgio Moro. A argumentação da defesa do ex-presidente é pela prática de lawfare (uso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política). De acordo com os advogados, a “conexão política” do juiz de primeira instância com o presidente eleito fica evidente diante do convite aceito por Moro na manhã desta quinta, 01/11. “Moro é um juiz ativista e agora assumiu esse lado”, fez coro o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que defende atualmente 17 pessoas em processos ligados à Operação Lava Jato. Kakay criticou a rapidez do juiz Moro ao aceitar o cargo, tão poucos dias após a confirmação da vitória de Bolsonaro nas urnas, em 28 de outubro. “É quase assustador ele assumir com essa gana um cargo de ministro da Justiça tão logo saia o resultado das eleições, antes mesmo da posse. Porque nós estamos vendo um juiz que instrumentalizou o poder Judiciário, e isso é gravíssimo. De certa forma, a partir de agora, ele terá que responder por isso.”

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Do advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende réus na Lava Jato: “Ele (Moro) é um juiz ativista político. Agora ele assumiu o lado ativista político. Ele envergonha o poder Judiciário. (…) A aceitação desse cargo comprova aquilo que nós advogados, eu inclusive, estamos dizendo há bastante tempo: a parcialidade do juiz Moro. (…) O ato que ele fez é lamentável para o poder Judiciário, compromete o poder Judiciário. A isenção do juiz é uma das principais garantias que o cidadão tem.”

Enquanto isso no Rio, como bem descreveu o valoroso jornalista Jan Theophilo, no Informe JB – que, como eu, não é petista, comunista, maoista, stalinista, mas tem olhos e enxerga -, na coluna “Os snipers do Seu Wilson”, vivemos o microcosmo da ditadura eleita. Juiz medíocre, reacionário e rico, como a maioria de seus pares, conhecido pelo vídeo onde aplaude dois mequetrefes bombados, em um comício em Petrópolis, quebrando a placa de homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco, solta de dentro de sua bolha soluções fáceis – e, pior, já experimentadas e que deram em nada. Exceto em mais mortes de civis – geralmente favelados, negros, jovens e pobres. Pois o novo governador Wilson Witzel, apoiador de Bolsonaro, defendeu “abater” (palavras dele) – derrubar por terra, matar a tiros, exterminar – quem estiver de posse de um fuzil. Ele quer também, coerentemente com sua ética, prorrogar por mais 10 meses a intervenção militar no Rio, com resultados pífios. Ao Estúdio I, da GloboNews, governador eleitor disse que pediu levantamento de policiais da Core e do Bope qualificados para matar bandidos de longa distância e que liberará disparos de helicópteros. “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, disse ao Estadão. Vai ser uma chacina. De pobres.

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Eleitos, acabaram os escrúpulos e os cuidados com as palavras dos fascistas eleitos. Juiz medíocre, reacionário e rico, como a maioria de seus pares, Heil Witzel, governador eleito do Rio, pediu levantamento de policiais da Core e do Bope qualificados para matar bandidos de longa distância e que liberará disparos de helicópteros. Pro estado que já teve zepelim vigiando os céus, acabou a inocência. É a política de segurança pública nos snipers. “O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, disse o fascista.

1984 + Fahrenheit 451: Bolsonaro prega macartismo, incentiva dedo-durismo e elege professores como alvos

A “Escola sem partido” defendida pela capitão eleito, seu séquito de generais robôs, economistas toscos e por aquela parte de eleitores zumbis que acha que escola, professor, livros e pensamento livre são coisas de comunistas, evoluiu para a “Escola Macartista”, onde os “soldados” do fascismo começam a marchar, mostrando que, além de provavelmente montar uma baita rede de informações, como o SNI da ditadura, Bolsonaro estimulará o voluntarismo antidemocrático, o serviço sujo de informantes, nos moldes da ditadura, provavelmente com o apoio do MBL. “A orientação que dou a toda a garotada do Brasil: vamos filmar o que acontece nas salas de aula e divulgar”, pregou Bolsonaro nas redes sociais, incentivando o dedo-durismo típico dos regimes de exceção. Os professores parecem ser o primeiro alvo de Bolsonaro, que pode ter como ministro da Educação um dos generais de pijama de seu time medíocre de futuros ministros, o fardado Aléssio Ribeiro Souto, que defende a revisão bibliográfica e curricular para evitar o “ensino partidarizado” e acredita no revisionismo da ditadura de 1964, para amacia-la em uma revolução contra o comunismo. O incentivo à intimidação foi refletida essa semana pela deputada estadual eleita por Santa Catarina, a ruiva Ana Caroline Campagnolo (PSL), que divulgou nas redes sociais um comunicado pedindo que estudantes catarinenses gravem e denunciem manifestações político-partidárias. 1984 + Fahrenheit 451.

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O ditador eleito grava vídeo – dirigido a um aluno de Serra (ES) – para pedir que alunos filmem os professores em sala de aula e os delatem. “Entre um contato conosco, tenho uma surpresinha para esses professores”, ameaçou. Está fazendo “escola”. A deputada estadual eleita por Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo (PSL) – na foto com um bastão escrito “Direitos Humanos”, pediu o monitoramento de professores e incentivou nas redes sociais um comunicado pedindo para que estudantes catarinenses gravem e denunciem manifestações político-partidária.

Nesse caso, houve reação e o Ministério Público de Santa Catarina vai investigar a conduta da aprendiz de reaça que se propôs até a criar um disque-professores comunistas.  Esfregaram na cara da fascista de primeiro mandato – e que mora num apartamento do Minha Casa, Minha Vida (pausa para gargalhar) – um abaixo-assinado de mais de 200 mil assinaturas com uma petição para impugná-la. Em nota, os sindicatos representantes dos trabalhadores em educação das redes pública e privada municipal, estadual e federal do Estado de Santa Catarina classificaram o comunicado da ‘louca do PSL’ como ameaça e ataque à liberdade de ensinar do professor. Segundo os sindicatos, isso “é tipicamente aplicado em regimes de autoritarismo e censura”. Agentes infiltrados nas universidades e o incentivo ao dedo-durismo foram marcas da ditadura, principalmente nas universidades, então focos de resistência. Eram os chamados “elementos de segurança”, muitos expostos em meio aos documentos já desclassificados da ditadura militar, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional.

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A foto de um homem identificado apenas como “elemento de segurança” chama a atenção em meio aos documentos já desclassificados da ditadura militar, abertos à consulta pública no Arquivo Nacional. Pode ser uma das raras imagens identificadas pela própria ditadura sobre um tipo muito comum na época, que muitos prejuízos causaram à comunidade universitária do país: os agentes infiltrados nas universidades, responsáveis por dedurar estudantes e professores que militavam contra o regime. O dedo-durismo está voltando.

Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), em todo o país, professores já têm sofrido ameaças. A orientação do sindicato é que os docentes que passarem por situação de constrangimento e ameaças mantenham a tranquilidade e reúnam o máximo de evidências e provas das situações e copiem os conteúdos caso as ameaças tenham sido feitas por meio de redes sociais. Os professores devem procurar a seção sindical local para que as medidas cabíveis sejam tomadas. Em nota, a Anistia Internacional diz que crescem no Brasil os relatos de professores em escolas e em universidades que têm sofrido pressões indevidas, coerções e intimidações.

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Celso de Mello mostra que o STF, de tantas lambanças, percebeu que agora deve ser um dique de contenção ao fascismo e de garantia à liberdade de pensamento. “O pluralismo político que legitima livre circulação de ideias é um dos fundamentos do estado democrático de direito, diz a Constituição da República.” STF veta ação policial nas universidades.

Ah, a maioria do STF – que, quem diria, está se tornando um dique de contenção dos abusos- confirmou decisão que suspendeu ações policiais em campus. Universidades públicas de ao menos nove estados brasileiros foram alvos de operações autorizadas por juízes eleitorais na semana passada. As ações aconteceram para averiguar denúncias de campanhas político-partidárias que estariam acontecendo dentro das universidades.

Já no Congresso, outra vitória. Deputados da oposição conseguiram impedir que a comissão especial discutisse o projeto de lei Escola Sem Partido. Apenas oito parlamentares registraram presença, impedindo que houvesse quórum. O projeto, cujo objetivo é “não cooptar os alunos para nenhuma corrente política, ideológica ou partidária”, estava esquecido e foi agendado de última hora após a eleição do Coiso. Na atual redação, fica também proibido o ensino sobre questões de gênero ou orientação sexual. Até o fim do mês, o STF deve julgar propostas de Escola Sem Partido. A tendência é de que sejam consideradas inconstitucionais, segundo a bem informada Monica Bergamo, na Folha.

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A mediocridade de nomes cotados para o futuro ministério do ditador eleito: deputado Onyx “Caixa 2” Lorenzoni, Casa Civil; general da reserva Augusto “Fora Direitos Humanos” Heleno, na Defesa; o tenente-coronel da reserva Marcos “Fui Astronauta” Pontes, na Ciência e Tecnologia; general Aléssio “Queimem livros” Ribeiro Souto, que pode ir parar na Educação; o economista Paulo “Posto Ipiranga” Guedes, na Economia; Gustavo “Fake News” Bebianno, presidente do PSL, que pode ir para a Secretaria-Geral da Presidência; Presidente da União Democrática Ruralista, o pecuarista Luiz “fora MST” Antônio Nabhan Garcia, para a Agricultura; o juiz federal Sérgio “Lava Jato e prende Lula” Moro, que pode ser o xerife de um superministério da Justiça e Segurança Pública, mandando na Polícia Federal; e Magno “Sinhozinho Malta Gospel”, que perdeu a vaga no Senado e terá uma boquinha no governo.

Bolsonaro segue montando seu ministério medíocre, formado, pelos nomes anunciados até agora, por generais linha-dura, pecuaristas e religiosos reacionários, economistas medíocres e toda a hora de múmias que, com a vitória do Coiso, saiu de seus sarcófagos. Dois deles já conseguiram bater de frente, o deputado Onyx “Caixa 2” Lorenzoni, cotado para a Casa Civil, e o camelô de estatais Paulo “Posto Ipiranga” Guedes, vaga certa na pasta da Economia. O pomo da discórdia, a polêmica reforma da Previdência. “(Onyx) Está dizendo que não tem pressa na Previdência”, se queixou Guedes. “Aí o mercado cai. É político falando de economia. É a mesma coisa que eu sair falando de política.” Guedes precisa urgentemente ir a um spa e ser massageado com pedras onyx, muito usadas para sessões terapêuticas e de cura energética. Também devem estar na Esplanada o general da reserva Augusto “Fora Direitos Humanos” Heleno, na Defesa; o tenente-coronel da reserva Marcos “Fui Astronauta” Pontes, na Ciência e Tecnologia; Gustavo “Fake News” Bebianno, presidente do PSL, que pode ir para a Secretaria-Geral da Presidência; o “novo Caiado” Luiz “fora MST” Antônio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista, para a Agricultura; o juiz federal Sérgio “Lava Jato e prende Lula” Moro, que pode ser o xerife de um superministério da Justiça e Segurança Pública, mandando na Polícia Federal. Será que vai abrir o polpudo salário de juiz? O vice Mourão “língua solta” revelou, para constrangimento geral, que Moro já havia sido sondado durante a campanha! E, claro, o guru espiritual de Bolsonaro, o encaracolado Magno “Sinhozinho Malta Gospel”, que perdeu a vaga no Senado e, em retribuição, terá uma boquinha no governo, nem que seja como trovador de aluguel.

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Em cima, Eliseu Padilha, atual ministro da Casa Civil, e Onyx Lorenzoni, futuro chefe da pasta. Abaixo, Jim Carrey e Jeff Daniels em “Debi & Lóide”. Não confundam, os políticos são os de cima. 

Ah, Bolsonaro e Temer se reunirão na próxima semana em Brasília. Onyx e Eliseu Padiha, ex e futuro chefes da mesma pasta, juntos, deve ser uma daquelas cenas dantescas. Onyx apresentou ao governo lista com 22 nomes para integrar equipe de transição. Dizem os maldosos que Padilha sorriu e cochichou ao lado: “E nós éramos ruins…”.

 

Roger e Bono dão show de democracia defendendo o país onde não nasceram. Judiciário questiona líder do Pink Floyd

O irlandês Bono Vox se uniu ao inglês Roger Waters para denunciar a eleição do fascismo que muitos brasileiros só vão enxergar quando vier tiro, porrada e bomba. Nas últimas semanas, vimos a esplêndida e corajosa – para nós, democratas, histórica- turnê do fundador do Pink Floyd, não se importando com vaias aqui e ali, denunciando a ameaça fascista no Brasil. Como já leram aqui, no penúltimo show da turnê de Roger Waters, no Estádio Major Antônio Couto Pereira, em Curitiba – berço da Lava Jato e um dos estados mais fascistas do país- , o músico não se acovardou diante das ameaças de ações judiciais que pediram para que não emitisse opiniões sobre as eleições. O #Elenão voltou ao telão do show, por 30 segundos, antes da proibição eleitoral (Vale seguir seu Twitter). Outro músico do primeiro time mundial e conhecido por seu ativismo político, o vocalista da banda irlandesa de rock U2, ironizou Jair Bolsonaro, presidente eleito, em um show em Belfast, na Irlanda do Norte. “Milhões de pessoas estão prestes a ter o seu Carnaval transformado em um desfile militar por um homem chamado capitão Bolsonaro. Esse é o seu nome”, disse Bono Vox, na noite de sábado, 27.

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“Mesmo hoje, nesse dia de eleição. Duzentos milhões de pessoas prestes a ter seu carnaval transformado numa parada militar por um homem chamado Capitão Bossa Nova. Bolsonaro, não esqueçam o nome. Muitos nomes, mas apenas um rosto. O meu.”
Bono Vox, líder do U2, em show em Belfast

Ao se fantasiar com seu personagem Mr Macphisto, paródia do diabo de Fausto, o cantor pergunta à platéia: “Vocês já viram um político assim antes? Os diabos de Macphisto estão tomando o controle ao redor do mundo”, respondeu, caracterizado com chifres vermelhos, pó branco no rosto e uma boca meio de ‘Coringa”, meio de monstro. Meio Temer, meio Bolsonaro. Mac” vem de McDonalds, uma representação do capitalismo feita pela banda. “Phisto” vem de Mefistófiles, o demônio que faz o pacto com Fausto, da obra do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe. Fausto é um dos personagens mais complexos e conhecidos da literatura, que desiludido com o seu tempo, aceita o acordo com Mefistófiles. Em seguida, o cantor cita o presidente americano Donald Trump, o presidente filipino Rodrigo Duterte, que chama de “menino lindo”, e, por fim, Jair Bolsonaro. “O que vocês estão olhando, Belfast? Vocês nunca viram um político antes?”, perguntou o personagem durante o show. “Os demônios de MacPhisto estão tomando o poder ao redor do globo.” Queria muio estar lá, mas aí não poderia ter votado em Haddad.

Não nos esqueçamos que a coligação de Jair Bolsonaro entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a inelegibilidade de Fernando Haddad com argumento de propaganda irregular em favor do petista durante shows de Roger Waters. O medíocre ministro do desmoralizado TSE, Jorge Mussi, corregedor-geral eleitoral, que nada fez sobre a Fantástica Fábrica de Fake News montada pelo Coiso, conseguiu seus 15 segundos de fama ao pedir manifestação dos produtores responsáveis pelos shows de Roger Waters no Brasil por “propaganda eleitoral irregular”. No TSE desde outubro de 2017, o ministro votou contra candidatura do ex-presidente Lula com base na Lei da Ficha Limpa. País adernando, Judiciário na proa. Nós temos Chico Buarque, Roger Watares e Bono Vox, eles têm Magno Malta, Amado Batista e Fagner. Vergonha alheia à máxima potência.