O incrível youtuber Suplicy

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A já lendária cena extraída do vídeo em que Eduardo Suplicy bebe chá e come paçoca, enquanto flerta com a câmera.  Um milhão de visualizações no Facebook

Sentado calmamente em uma mesa com toalha florida, agasalho azul, celular ao lado da caneca, Eduardo Suplicy come detidamente uma paçoca e depois beberica um chá. Encara por uns momentos a câmera, distraidamente. O vídeo, de pouco mais de um minuto, teve quase um milhão de visualizações no Facebook (Assista aqui), perto de 6 mil compartilhamentos e 5 mil comentários. O hit virou peça de campanha, com uma sequência de três fotografias, em que o texto convida: “Me chama no WhatsApp. Vamos comer uma paçoquinha?”. E fornece um número de celular. Um post coando café viralizou de tal forma que foi copiado por eleitores. “Eu fazendo café igual ao Suplicy”, publicou um eleitor, que foi retuitado por Suplicy e arrancou quase 3 mil visualizações. No Instagram, onde é seguido por 200 mil pessoas – são 365 mil no Twitter e mais de 800 mil seguidores em sua comunidade no Facebook – , suas postagens são lendárias. Aproveitando um meme usado por outros candidatos – Suplicy é favorito para voltar ao Senado por São Paulo -, postou uma fotografia de estante de armário, em que estão uma lata de ervilhas da marca Quero, uma manteiga da marca Elegê, um pacote de café da marca Suplicy e uma caixa de sabonetes da marca Senador, formando a frase “Quero ‘elegê’ Suplicy senador”. Quase 40 mil curtidas e declarações apaixonadas dos eleitores. “Essa é mais uma da série: “Quando a gente pensa que já conheceu toda a genialidade de Suplicy”, comenta um internauta. A criatividade parece não ter limites. Na série “Coisas do Suplicy” são lembrados lances únicos na carreira do homem e do político, como a biografia de Galileu Galilei que ganhou aos 14 anos e a calça rasgada por um cachorro da polícia quando intercedeu em uma manifestação de professores, em 1998.

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Uma lata de ervilhas, uma manteiga, um pacote de café e uma caixa de sabonetes formam a frase “Quero ‘elegê’ Suplicy senador”.  40 mil curtidas e declarações apaixonadas dos eleitores.

Até as gafes viram motivo de brincadeira, como quando ao escrever sobre a iniciativa do Chefs Especiais Café, que dá oportunidades de trabalho a pessoas com síndrome de Down, acabou escrevendo “Síndrome de Download”. “O corretor do celular me pregou uma peça. Já aconteceu com vocês também?”, pergunta. Para popularizar seus programas eleitorais nas redes sociais – Instagram, Facebook, Twitter e YouTube, amplificando os segundinhos do horário eleitoral, criou-se o Supliflix, uma brincadeira com o canal de streaming Netflix. Seus posts de defesa de Lula só rivalizam, atualmente, com suas fotos e vídeos ao lado de Haddad e Manu, da chapa petista à Presidência. Aliás, ele está em todos os lados – tão onipresente que parece que o clonaram. É difícil chegar a um evento sem ser cercado – especialmente por jovens, como aconteceu recentemente quando foi a um ato no Tuca, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo, e não conseguia parar de atender pedidos de selfies.

Não há campanha igual à de Suplicy nas redes sociais – até porque não há outro Suplicy. Mas para quem pensa em improviso, pode esquecer. Embora Suplicy seja um personagem fantástico, mais do que um influenciador digital, com um carisma que não se fabrica, existe uma estratégia muito bem pensada para mostrar que, antes de ser político, ele é um homem comum, de verdade. Ana Petta e Mônica Dallari, responsáveis por essa estratégia digital e também pela propaganda eleitoral no rádio e na TV do candidato ao Senado, são as cabeças pensantes. A ideia, dizem, é aproximar um candidato ao Senado de seus representados, mostrando que é gente como a gente, é família – apesar do sobrenome com ascendência nobre, Matarazzo Suplicy. Ao lado dos seus filhos André, João e Eduardo, o Supla, por exemplo, gravou no Centro de São Paulo o clipe do jingle “O amor é mais forte” para a televisão (Assista o clip postado por Supla). A música foi composta para a campanha ao Senado por Supla e uma amiga, Tatiana. Suplicy também foi personagem de um documentário, “Quatro dias com Eduardo”, de Glenda Almeida e Victor Hugo Fiuza, que revelou os bastidores dos últimas dias da campanha eleitoral de 2016, que o elegeu o vereador mais votado do Brasil, com mais de 300 mil votos. “Faço as coisas por intuição. Não é marketing”, disse certa vez o futuro senador.

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Cena do documentário, “Quatro dias com Eduardo”, produção de Glenda Almeida e direção de Victor Hugo Fiuza, que revelou os bastidores dos últimas dias da campanha eleitoral de 2016.

Em 2008, um vídeo de Suplicy curtindo Racionais Mc’s no meio da galera (Veja aqui) teve 700 mil visualizações. Antes, ele já havia cantado um rap do mesmo grupo sentado em uma comissão no Senado, inclusive imitando um cachorro latindo, garantindo 1,3 milhão de visualizações e a alcunha de “Mano” Suplicy. Na mesa, o falecido senador Antonio Carlos Magalhães teve que conter as gargalhadas – e certamente a admiração. Uma semana depois de o Conselho de Ética do Senado enterrar um caminhão de representações contra o então presidente da Casa, José Sarney, Suplicy foi à tribuna aplicar um “cartão vermelho” ao peemedebista.

Suas performances musicais, não apenas rap, são antológicas. Em 2012, subiu ao palco durante a entrega do Prêmio Congresso em Foco, ao som da banda Móveis Coloniais de Acaju, para cantar Bob Dylan com Tiririca (Veja aqui). “É uma música pela paz, Tiririca, venha cantar junto conosco.” Não importa o quanto, mais uma vez, foi desafinado, ele entoou “The answer, my friend, is blowin in the wind, The answer is blowin in the wind. Em 2014, protagonizou um desses momentos inacreditáveis. Durante uma passagem da ídola Joan Baez, por São Paulo, dividiu o palco com ela, que fez seu primeiro show no Brasil mais de 30 anos após ser proibida, e Geraldo Vandré. Claro, cantou “Blowing in the Wind” ao lado da ex-mulher de Bob Dylan.

Com 40 anos dedicados à vida pública, e ideias fixas, como o programa de renda mínima – curiosamente, o fundador do grupo Virgin, o milionário Richard Branson, defendeu em entrevista ao New York Times uma “renda mínima universal” -, Suplicy fez uma tremenda falta ao Senado, perdendo em 2014 a vaga para José Serra depois de 24 anos na Casa Legislativa. Na época, comentou-se que foi abandonado pelo PT. Como mostra agora, o contrário nunca aconteceu. Apesar da dissonância momentânea, Suplicy nunca admitiu a hipótese de deixar a sigla, como muitos fizeram – especialmente quando o antipetismo virou uma onda, alimentada pela mídia, que agora transborda em “fenômenos” eleitorais de direita, como o capitão Jair Bolsonaro.

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Ao lado dos  filhos André, João e Eduardo, o Supla, gravando no Centro de São Paulo o clipe do jingle “O amor é mais forte”, para a campanha.

Um comentário em “O incrível youtuber Suplicy

  1. Registro aqui comentário que recebi por email do futuro senador Eduardo Suplicy, com cópia para as parceiras “Mônica Dallari e Ana Petta:
    Querida Mônica:
    Eis o artigo tão positivo sobre o seu magnífico trabalho e da equipe da Tininha feito pelo Gilberto Pão Doce do Blog de Ricardo Miranda. Meus Parabéns. Você é muito jóia.
    Um beijo para você e Tininha.
    Caro Ricardo, parabéns e muito obrigado por sua reportagem.
    Um grande abraço,
    Eduardo”

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